Título: Regret
Autora: Kaline Bogard
Fandon: Common Law
Casal: Travis x Wes
Classificação: +16
Gênero: slash entre outros
Direitos Autorais: Common Law não me pertence. Se pertencesse todos os episódios terminariam com esses dois se resolvendo na cama...


Aviso: Contem yaoi. Ou seja: homem catando homem, sacas? Não gosta, não leia. Simple like that.


Regret

Kaline Bogard

Capítulo 06

A casa dos Monroe era uma bela construção de dois andares, muito bem preservada, quase nova.

Toda a área fora cercada com fita amarela de contenção e havia três oficiais no perímetro, para impedir que alguém desautorizado entrasse na propriedade. Fato que não incluía Travis e Wes, evidentemente.

Ambos chegaram e entraram na casa para dar inicio as investigações.

– Não há sinais de luta – o moreno disse enquanto vistoriavam os cômodos cuidadosamente organizados.

– Nada indica que foram mortos aqui. Somente a equipe forense pode encontrar detalhes que a gente não.

Seguiram para o andar de cima. Havia um quarto de casal, e dois de hospedes. Uma deles decorado com motivos infantis.

– Eles não tinham filhos, tinham?

Wes voltou-se para o moreno e respondeu sem hesitar.

– Não consta no relatório do sistema. Creio que não tinham.

– No mínimo pensavam em ter – Travis indicou o quarto de criança.

– Se pensar bem – Mitchell estreitou os olhos – Não é um berço. É uma cama. Não é para bebês.

– Tem razão – o mais alto ergueu as sobrancelhas de forma surpresa por não notar antes. O quarto tinha uma cama e um pequeno guarda-roupas, ambos decorados com grandes adesivos de bichinhos, assim como as paredes o móbile que descia da lâmpada do teto. Duas prateleiras estavam repletas de brinquedos.

– Talvez esperassem alguma visita – o loiro arriscou.

Travis aproximou-se das estantes e recolheu um dos ursos de pelúcia. Não podia sentir a textura, pois usava luvas; porém intuía que eram muito fofos aqueles pelinhos marrons.

– Talvez... – respondeu pensativo. Precisavam passar aquela história a limpo. Muito provavelmente não era relevante ao caso, mas como estavam praticamente na estaca zero, nada podia deixar de ser investigado.

Além dos quartos havia um banheiro e um escritório. O computador foi requisitado para que Kendall pudesse analisá-lo no laboratório, assim como muitas outras coisas.

Observando atentamente nada evidenciava que a casa fora palco de um crime.

– Ele não os matou aqui – Wes afirmou com um suspiro.

– "Ele"? – Travis questionou meio irônico – Como pode ter certeza que é um homem?

Wes deu de ombros e começou a descer para o andar de baixo.

– Estudos comprovam que a maioria absoluta dos seriais killers são caucasianos, na idade adulta e do sexo masculino.

O mais alto assobiou falsamente impressionado.

– Então demos mais um passo na investigação, senhor enciclopédia.

Olhando torto na direção do parceiro Wes preferiu não responder a provocação. Ao invés disso terminou de descer a escada e seguiu para a cozinha. Já tinham vistoriado a sala de jantar e a sala de visitas. Faltava apenas ali.

A primeira coisa que notaram foi a limpeza e organização do local. O casal assassinado era realmente cuidadoso com suas coisas.

– Não vamos achar nada aqui – Travis resmungou – Os oficiais já recolheram qualquer evidência que pudéssemos ver in lócus, agora é com a turma do Will.

– Ele vai detectar sangue e vestígios, caso alguém tenha tentado limpar a cena do crime.

– É... mas concordo quando diz que essa não é a cena do crime, Wes. Talvez os tenha pegado aqui, mas não os matou. Veja as casas vizinhas – o moreno aproximou-se de uma das janelas e puxou a ponta da cortina – São muito próximas. Seria um risco e tanto. Não há porão ou sótão...

Mitchell meneou a cabeça. A suposição de Travis fazia sentido, mas estavam tão no escuro que qualquer hipótese era mais que bem vinda.

T&W

Depois de sair da casa das vítimas os detetives resolveram dar uma pausa para o almoço.

– Nada de cachorro quente dessa vez – Wes resmungou.

– O que sugere?

– Estou com vontade de comida chinesa hoje – o loiro revelou entrando no carro.

– Desde quando gosta de comida ching ling?! – Travis perguntou surpreso enquanto se sentava ao lado do parceiro.

– Não sei se gosto – Wes respondeu com um sorriso – Nunca comi. Mas não é você quem diz que temos que experimentar coisas novas?

– Não – o moreno respondeu travando o cinto de segurança – Quem diz isso é a doutora Ryan. É bom que resolva inovar, Wes. Só não vá inovar de...

Travis calou-se. Por muito pouco não dissera "namorado". Porém não tinham conversado sobre a relação que sustinham. Pra todos os efeitos eram tão somente amantes ocasionais (ou não tão ocasionais assim, já que dormiam juntos quase todas as noites). No fundo não sabia como o loiro reagiria se o chamasse de "namorado".

Precisavam conversar sobre aquilo...

– TRAVIS! Eu estou falando com você!

– O que foi, cara?

– Que droga. Me deixou falando sozinho... onde seus pensamentos estavam?

"Em você", Marks quis responder, no entanto apenas deu de ombros.

– Por aí. O que foi?

– Eu disse que você não terminou sua frase. Não quer que eu inove do que?

Travis riu. Não tinha coragem de dizer a verdade, por isso desconversou.

– De carro. Se trocar essa belezinha aqui papai Travis vai perder parte do estilo.

Wes olhou para o parceiro como se ele tivesse ganhado uma cabeça extra. E essa cabeça estivesse lhe fazendo caretas no momento.

– Claro que eu não vou trocar de carro. Acabei de comprar esse! Que absurdo...

O moreno riu ainda mais da reação exagerada. Como Wesley podia cair tão fácil na sua conversa fiada? Como podia ter se saído tão bem nos tribunais sendo tão inocente em determinados momentos?

Claro que Travis sabia a resposta: quando Mitchell entrava no tribunal, era como um guerreiro entrando na arena. Mas ali, ao lado do mais alto, ele deixava todas as defesas caírem, baixava a guarda e ficava exposto. Nem mesmo a atitude sempre defensiva de antes se podia perceber. Ou isso seria apenas a maior vontade de Marks? O desejo de seu coração apaixonado e não a realidade?

Tinham que conversar e colocar em pratos limpos? Então por que era tão difícil para ambos sair daquele estágio e oficializar o vínculo?

Talvez por que Travis tivesse medo de uma rejeição. Ele, que estava acostumado a sair com outras pessoas sem compromisso algum, não queria que fosse assim com Wes. Queria que com o loiro fosse a serio, duradouro e sincero.

Queria Mitchell para sempre em sua vida. Mesmo que não firmassem um compromisso e os encontros "ocasionais" continuassem por tempo indeterminado. Aquilo era melhor do que nada.

Pensar em perder as poucas migalhas era tão doloroso que o coração de Travis ameaçava se partir só de tentar imaginar a vida sem o ex-advogado.

Que ironia.

Pra disfarçar Marks cruzou as mãos atrás da cabeça e relaxou no carro confortável.

– Toca pro ching ling e vamos viver perigosamente de novas experiências. A doutora Ryan vai adorar saber disso. Talvez até te dê uma estrelinha.

– Travis, não seja idiota!

O moreno riu da expressão ofendida do parceiro e não disse mais nada.

Não podia perder aquilo que tinha com Wesley. Não mesmo.

Continua...


Desculpem o atraso. Agora meus capitulos extra acabaram, eu to tendo que digitar mesmo. Rsrsrs