''Minha primeira, e mais querida, fanfic! rs. Longo caminho se fez desde seu lançamento, em 2012; e agora, em 2016, espero concluí-la. Agradeço desde já o interesse, e espero que os leitores apreciem esta interessante (e extensa!) novela, onde procuro ao máximo valorizar todo o universo pré-Konoha, seus personagens e suas peculiaridades. Boa leitura, e não deixem de comentar.'' Nehayat

FanArt sem créditos. Imagem encontrada no Google.

Não possuo direitos sobre Naruto, de Masashi Kishimoto.


PARTE I

• Capítulo 1: O Visitante Senju •


Mito caminhava pela praia naquela tarde. Adorava o sol e o barulho das ondas batendo forte nas pedras. Após uma semana exaustiva trabalhando junto ao irmão Arashi na renovação dos selos contra incêndio que cercavam a vila, procurava serenidade para se preparar para a noite. Na manhã anterior seu pai e líder do clã, Uzumaki Arata, recebera um falcão com a nota anunciando a visita do líder do clã Senju à Vila do Turbilhão naquela noite. Não sabia qual o motivo exato da visita de Senju Hashirama, mas imaginou ser a respeito da vila que estaria prestes a fundar no País do Fogo. Pensou no óbvio, que Hashirama buscava apoio político do clã Uzumaki para o feito, e em toda aquela situação e conversa entediante pela noite e dias seguintes. Sua posição como herdeira do clã exigia sua presença no jantar e possíveis negociações, por isso precisava livrar-se de toda a tensão do dia para ser o mais educada e paciente que lhe fosse possível.

— Não vá irritar ou ser desagradável com nosso convidado. Temos laços de sangue e amizade estreitos, e não quero ter um inimigo tão forte. — recomendou Arata à filha na noite anterior.

— Não sou a única com gênio forte nesta família, Arata-sama. O senhor mesmo é um velho bem teimoso! — retrucou Mito, como fazia sempre que o pai lhe chamava atenção sobre seu comportamento arruaceiro.


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A noite caiu sobre o País do Redemoinho. Arashi fora designado pelo pai para recepcionar o senhor Senju no porto, encaminhando-o até a vila.

— Senju-sama, bem vindo a Uzushiogakure. — disse Arashi, em tom entusiasmado.

— A honra é minha, Arashi-san. — respondeu Hashirama.

Os homens caminharam em direção da vila, que era localizada na costa sul do pequeno país. Hashirama elogiou o mar e a beleza da praia a noite, e Arashi agradecido convidou-o para que no dia seguinte conhecesse a vegetação local.

— Ficaria muito satisfeito em conhecer novas espécies, Arashi-san. — Hashirama, deixando um sorriso satisfeito ao anfitrião.

Quando os homens entraram pelo portão principal da vila, os moradores, que estavam reunidos próximo a entrada aguardando o visitante, saudaram-no respeitosamente, o que chamou a atenção de Hashirama.

— É sempre assim com os estrangeiros? — o visitante perguntou a Arashi, surpreso.

— É um homem famoso, Senju-sama. Nosso povo é feliz em recebe-lo, nosso familiar e aliado. — disse Arashi.

— Eu quem sou honrado por me receberem, Arashi-san.

Os moradores estavam curiosos para ver mesmo de longe o ninja mais famoso daquele tempo, Senju Hashirama. Conhecido por usar o Mokuton, elemento madeira, e por ser o homem de grande generosidade que propôs um acordo ao inimigo de longa data, o clã Uchiha, para formarem uma vila e finalizassem o tempo de guerras entre as duas famílias. Os homens o admiravam e comentavam seus feitos, algumas vezes felicitando-se pelos Uzumaki e Senju serem aliados.

— Não seria nada bom ter um inimigo deste porte. — comentou um homem mais velho.

Mulheres cochichavam entre si sobre outras qualidades notáveis em Hashirama. Cabelos longos e negros, pele morena, sorriso e altura. Ou qualquer outro detalhe físico, o que provocava risadas maliciosas entre algumas.

Os dois homens entraram na casa da família, anexa ao complexo político, onde Arata os aguardava. Os líderes cumprimentaram-se e seguiram para a sala principal. Conversaram por algum momento até que a esposa de Arata, Hoshi, entrasse na sala convidando-os para o jantar. Mito já aguardava próximo a mesa para ajudar a mãe a servir o alimento.

O olhar de Hashirama em Mito fora de admiração. Em seu clã haviam muitas mulheres jovens e bonitas, mas pensou consigo nunca ter visto alguém assim. Seus cabelos vermelhos presos em dois pães e com dois decalques ornando-os, um em cada lado. Um diamante púrpura desenhado na testa, que acreditou ter sido implantado ali, não uma marca de nascença. Pele tão clara como o luar que vira a poucos minutos. Admirou-se do sorriso que Mito deu ao cumprimentá-lo, e pelo fato dela ter olhado diretamente em seus olhos, sendo o homem que era este era um fato raro de acontecer, ser encarado diretamente. Os homens sentaram-se à mesa, enquanto as mulheres serviam o jantar. A mão de Mito tocou a do convidado acidentalmente quando ela lhe entregou a cesta de pães. Ele olhou para os olhos da Uzumaki um pouco envergonhado e ela o retribuiu com outro sorriso.

Com a liderança do clã e as constantes batalhas, e agora no planejamento da nova vila, não restava a Hashirama tempo para cortejar alguma mulher, e essa era uma situação que evitava. Tobirama, o irmão sempre o encorajava para aproveitar algum momento de descanso acompanhado. Hashirama algumas vezes contratava gueixas famosas da capital, boa parte das vezes apenas para que cantassem. Ele amava canções sobre flores e o mar, mas era inevitável que, conhecido como era, as mulheres não oferecessem mais que canções e teatro. Sentia-se sempre envergonhado, mas era homem e o instinto sempre respondia.

— Então, o que achou do pouco que viu em nosso país, Senju-sama? — perguntou Hoshi.

— O mar sob a noite é maravilhoso, senhora. — respondeu.

— Amanhã conheceremos um pouco mais da costa, minha mãe. Isso se nos sobrar algum tempo. Quanto tempo ficará conosco? — perguntou Arashi.

— Devo partir em dois dias. O acordo entre nós e os Uchiha irá se concretizar em breve e gostaria de deixar mais algumas coisas claras ao líder deles. — respondeu.

— Tenho certeza que tudo ocorrerá bem, rapaz. E já adiantando, se não se importa, qual o motivo de sua visita? — perguntou Arata, sem nenhum tratamento especial ao convidado.

— Senhor, creio que já imagine. Preciso do apoio de sua família nessa nova era no meu país. Como amigos ao nosso lado e como exemplo a ser seguido. — Hashirama.

— É muito gentil, rapaz. Creio que deva ter alguma proposta. Discutiremos isso após a refeição. Mas adianto que nossos laços serão mais estreitos de agora em diante. — respondeu o líder Uzumaki.

Após o jantar, os líderes reuniram-se na sala principal e discutiram sobre as propostas de Hashirama. A ideia era que alguns membros do clã Uzumaki se estabelecessem em Konoha, e que o representante do clã na vila auxiliasse o líder eleito na organização da política, considerando a experiência do clã Uzumaki, governantes da Vila do Turbilhão há várias gerações.

— E quem é o favorito a primeiro líder da vila? — perguntou Arata.

— Senhor, este é um assunto que não tenho pressa em pensar. Nosso povo escolherá quem lhes parecer mais capaz. — respondeu.

— Em outras palavras, você mesmo.

— Senhor, não sou o único a fundar a vila. Ao meu lado estão os líderes Uchiha e Hyuuga, e aquele que representará os Uzumaki.

— Não tenho interesse que minha família tome mais poder pra si, aquele não é nosso país. O Hyuuga, aquele maldito! Não gosto de como trata os membros de sua família. Age como se fosse algum tipo de deus, excluindo-se dos demais. — Hashirama sorriu com o comentário de Arata, que prosseguiu. — Aquele moleque Uchiha me surpreendeu aceitando um acordo de paz, sinal que agora está pensando mais no seu clã que em si mesmo. Mas isso não significa que tenha sanidade para liderar e ser imparcial numa vila cheia de antigos inimigos. Só resta você, rapaz. Qual sua idade no momento? — perguntou Arata.

— Vinte e cinco, senhor. — respondeu Hashirama.

— Idade de meu filho. Me diga, você não pensa em se casar? Penso em casar Arashi até o final do ano. — Arata.

— Não disponho de tempo para pensar nisso, senhor. — Hashirama respondeu, rindo.

— Hum... No seu clã devem ter boas mulheres. Ainda mais com tantos outros clãs liderados pelos Senju, não será difícil escolher uma esposa. — disse Arata.

Hashirama tentou pensar em alguma mulher de respaldo entre os Senju ou clãs aliados, mas as únicas que poderiam ocupar o lugar de esposa ao seu lado ou eram muito jovens ou deveriam consorciar-se a algum homem de seu clã.

Arata retornou no assunto ao qual Hashirama veio a vila.

— Hashirama, sua proposta me parece justa, reunir os clãs fortes do seu país em uma única vila, e pedir nosso auxílio político, mas... Estou velho, como pode notar. — Arata, debochando de si mesmo. — Em breve deixarei a liderança para Arashi, e a única pessoa com o direito de representar-nos na falta dele seria Mito, mas ela é muito jovem e... — Arata escolheu as palavras para definir a filha, enquanto Hashirama pensava tímido 'Linda, encantadora'... — Ela é um pouco arruaceira, tem gênio muito forte. Mal aceita minhas ordens, quem dirá de um estranho.

— Senhor, preciso de um mestre em selos na vila. Sua filha poderia nos ajudar nisso? Quero dizer, não que eu esteja dando preferência, mas... — disse Hashirama tímido, tentando consertar suas palavras.

— Bom, resolverei esse assunto pela manhã. Agora recomendo que descanse. Vou pedir para que minha esposa leve-o até seu quarto. — concluiu Arata, chamando por Hoshi em seguida.

Hashirama despediu-se e seguiu Hoshi até o aposento.


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Hashirama não conseguia dormir apesar de cansado e resolveu observar o céu através de uma das janelas do quarto. Notou que havia alguém no jardim, aparentemente meditando. Olhando melhor, reconheceu Mito sentada entre as flores. Fitou a mulher por alguns minutos antes que ela percebesse e olhasse em sua direção. Ela acenou com uma das mãos, o que deixou Hashirama envergonhado e decidido a pedir desculpas por estar observando-a às escondidas. Não gostaria que Arata desfizesse a aliança por pensar que estaria ele cortejando sua filha debaixo de seu teto. Viu que Mito levantou-se calmamente e caminhou em sua direção. Ele, que estava acostumado com certo assédio por parte das mulheres, não quis imaginar que a princesa fosse fazer algo do tipo, mas no mesmo tempo em que refletiu sobre isso notou o rosto de Mito mudar de figura. Antes serena e caminhando com tranquilidade, agora sua feição era algo como uma besta enfurecida em passos pesados. Chegando mais perto, não deu oportunidade para que Hashirama falasse.

— O que pensa que sou, senhor? Como ousa pensar que sou como qualquer outra que lhe dá atenção por ser líder de um clã famoso? — disse Mito.

— C-como? O-o quê, eu não disse nada! — defendeu-se, constrangido.

— Não precisa dizer nada, senhor! Eu senti isso, e se pensa que vai conseguir algo aqui além de um tratado entre você e meu pai é melhor tomar seu rumo de volta ao País do Fogo agora mesmo! — disse Mito.

— Ma-mas, eu... Co-como... Vo-você sentiu o quê? — Hashirama viu-se sem entender o que estava se passando.

— Pouco importa! Você deveria conhecer as pessoas melhor antes de pensar algo sobre elas. Agora não me admiro que tenha feito um laço de amizade com o tal Uchiha Madara, qual dizem ser um selvagem, e que queira nós Uzumaki por perto para organizar sua vila. — Mito, virando-se e desaparecendo do olhar de Hashirama, que ficou sem palavras.

Nunca pensou que alguém que não fosse inimigo, ainda mais uma mulher, conversasse com ele neste tom e nesta firmeza. Arrependeu-se de ter pensado algo errado sobre a mulher e decidiu que a primeira coisa a fazer na próxima manhã seria um pedido de desculpas à Mito, mas... Como ela sentiu, e sentiu o quê? Deitou-se de volta e ficou perdido na pequena lembrança do sorriso de Mito no jantar e na mesma enfurecida, até que o sono chegasse.


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Nota: E então, gostaram? Espero que sim. Não deixem de comentar!