Não possuo direitos sobre Naruto, de Masashi Kishimoto.


• Capítulo 8: Perdão •


Os dias que antecederam a viagem de volta para Konoha foram sufocantes para Hashirama e Mito. Os dois mantiveram-se afastados, e nenhum momento fora cedido por Arata pra que ambos ficassem a sós. O líder Uzumaki manteve Hashirama ocupado, explicando-lhe sobre o conteúdo do pergaminho que o Senju recebera. Os homens viajaram para o norte do país a fim de que Arata demonstrasse a técnica que selava bijus. Treinaram algumas das invocações de armas e maldições, quais Hashirama fora bem sucedido, surpreendendo o pai de Mito.

Ao tempo que os homens mantiveram-se ocupados, Mito terminara de armazenar os pertences que levaria para o novo lar. Com ajuda de Hoshi, Keiko e Toka, organizou suas roupas, sapatos, joias, documentos, entre outros. Toka lembrou que ela não usaria mais o uniforme de sua vila natal, mas o de Konoha, assim como o protetor de testa. E que não se preocupasse em levar tantas roupas, já que era certo que Hashirama providenciaria muitas outras novas. Keiko, que desde o primeiro momento que vira Toka não simpatizou com a mulher Senju, retribuiu a recomendação dizendo que era certo também que Hashirama não teria condições de comprar tecidos tão finos quanto os dos trajes da princesa. Algumas outras ferpas foram trocadas entre Keiko e Toka, até que Mito interveio, pedindo para que elas a deixassem sozinha com sua mãe. Toka saiu na mesma hora, fechando a cara. Keiko compreendeu seu erro e pediu desculpas, saindo logo em seguida. Passado algum tempo, notando que ninguém estaria próximo do quarto onde estavam, Hoshi começara a conversar com Mito.

— Minha querida, precisamos conversar antes de seu casamento. Não sei se teremos tempo em Konoha, então deixe-me começar.

Mito já tinha uma breve ideia do que a mãe diria, mas assentiu silenciosamente, em respeito a senhora.

— Primeiro, no dia de seu casamento, porte-se elegante, sorridente e educada, principalmente educada, para com seus convidados e seu noivo... — Hoshi guardou uma caixa com joias em um dos baús. — Não deixe nenhum detalhe estragar sua imagem, você é uma princesa, não se esqueça! — Agora Hoshi começara a dobrar algumas roupas. — Respeite os costumes de seu futuro marido, você será parte da família dele.

— Vá ao ponto que quer chegar mãe. — Mito, calmamente, notando que a mãe estava ansiosa por outro assunto.

— Não dá pra esconder nada de você... — Hoshi deixou o tecido que dobrava e sentou-se na cama, puxando a filha para se sentar ao seu lado. — Você deve manter seu corpo coberto durante não somente a primeira, mas todas as noites que for solicitada por seu marido. Não exponha satisfação, nem se queixe de algo. Deixe um lenço vermelho, que já guardei entre suas roupas, posto perto da cabeceira dele, indicando os dias de sua regra. Retire quando terminar. E também... — Hoshi tentou lembrar-se de algum detalhe. — Ah, sim. Mostre-se sempre bem arrumada, prestativa e alegre. Assim seu marido não desviará os olhos para fora de casa. Bom, acho que é só por enquanto.

— Sim, senhora.

— Outra coisa. Ame seu marido e aceite o amor que ele lhe oferecer. Somente do amor nascem as mais belas flores, canções e poesias. Faça sua vida cheia de amor, assim como sempre fora neste lar.

Amor. O que sentia por Hashirama poderia seguramente ser classificado dessa maneira, assim como ela sabia que era recíproco. Mas toda aquela mágoa que sentira vindo do noivo e a doce vingança com a qual retribuiu, o que trariam para sua vida e de seu marido? Mito viu que não poderia julgá-lo, pois sentia-se da mesma maneira ao se lembrar de Imai. Mas Hashirama pensaria da mesma forma? Diversas questões pairavam na mente da princesa, deixando-a angustiada.


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O sol mostrava seus últimos raios de luz. A noite chegaria logo e esta seria a última de Mito em sua vila. Na manhã seguinte viajaria com o noivo e os seus para Konoha. Um lugar novo, desconhecido, abrigando antigos aliados e amigos junto aos novos companheiros, até então tidos como inimigos. A mulher passou a noite com os primos Keiko e Kotone e o irmão Arashi bebendo e conversando; ora Mito mostrando-se alegre pelo momento, ora chorosa pela partida. Hashirama, Tobirama e Toka haviam saído para um último passeio pela vila. Ao retornarem para a casa, Arashi os convidou a participar da pequena comemoração, contrariando Mito, que por fim, aceitou a decisão do irmão. Mais algum tempo se passou até que, tarde da noite, alguém batera a porta. Hoshi fora atender e surpreendeu-se com o visitante.

— Imai, meu menino! A quanto tempo não o vejo!

— Senhora, é um prazer revê-la. Está bela como sempre fora.

— Obrigada. — Hoshi sorriu. — Venha! Meus filhos estão na outra sala. — Hoshi puxou Imai pela mão, levando-o até o cômodo onde estavam Mito e os outros.

— Senhora, preciso falar com Arata-sama... — dizia Imai, até ser interrompido por Hoshi.

— Arata está ocupado agora. Fique com os de sua idade até ele poder atendê-lo. — disse Hoshi, abrindo a porta do cômodo.

— Não sou mais aquele menino, senhora... — Imai, ganhando um sorrido de Hoshi em troca.

— Arashi, mais um convidado. — Hoshi deu lugar ao homem. — Imai veio falar com Arata, mas ele está ocupado. Até que seu pai fique livre, receba-o.

— Imai-senpai, junte-se a nós! — gritou Arashi, aparentemente alterado pela bebida, levantando-se e indo em direção do homem. — Venha, vamos beber um pouco, haha.

— Arashi-san, não precisa... — Imai fora interrompido por Tobirama que entregou-lhe um copo cheio. — Eu não posso beber em serviço. — entregando o copo de volta a Tobirama.

— Serviço a essa hora, senpai? — Arashi tomou o copo de Tobirama e deu a Imai de volta. — Beba, é um ordem, meu amigo.

— Arashi-san, eu não... — Imai fora interrompido novamente, agora por Mito.

— Se eu pedir para beber, você bebe, sensei?

— Mito-hime... — Imai surpreendeu-se com Mito dirigindo-lhe a palavra. — Se for a senhora a pedir, beberei.

— Arashi desconhece o poder da persuasão feminina, haha.

— Ou talvez eu não seja tão belo aos olhos do senpai...

— Arashi, basta! — Keiko, puxando seu noivo para seu lado.

Todos estavam claramente alterados pela bebida. Keiko era a única que encontrava-se em sã consciência, fora Imai que acabara de chegar. Tobirama e Arashi conversavam alegremente, contando e rindo de suas piadas impróprias. Mito manteve-se em silêncio após dirigir-se a Imai. Toka, completamente alterada, elogiava Imai por sua beleza a todo momento. Imai, constrangido, desviava o assunto, dirigindo-se aos demais.

— Imai-senpai, não há nada demais em receber elogios de uma mulher tão... — Arashi olhava para a irmã e a noiva, mostrando seu cinismo ao falar de Toka. — ... bela quanto a senhora Senju.

— Já pensou em se casar, amigo? — perguntou Tobirama a Imai.

Imai olhou para Mito, que sentiu todo seu desejo e paixão vindo enfurecidos por parte do homem. Hashirama, que captou parte do estado emocional de Imai através do colar que usava, esboçou um sorriso confiante para o antigo professor de Mito, que baixou os olhos, constrangido. Antes que mais alguma questão fosse feita, ou que Imai fosse rude com os demais, Mito tomou a palavra.

— E você, Tobirama-san, quando terei o prazer de conhecer sua futura esposa? — perguntou Mito, rindo.

— Daqui uns vinte anos, quem sabe, haha. — respondeu Tobirama.

Subitamente, Arata entrou no cômodo, chamando por Imai. Os dois homens saíram para conversar, deixando o pequeno grupo.

Quando a reunião enfim terminara, Arashi acompanhou Keiko e Kotone até a casa em que viviam. Tobirama fora diretamente para seu aposento, assim como Toka, que fora levada por Hashirama até seu quarto, pois mal conseguia caminhar. Mito fora para seu aposento, e ao se aproximar, notou um chakra familiar. Ao entrar encontrou Imai, deitado confortavelmente em seu futon.

— O que faz aqui, Imai? — perguntou Mito, mostrando-se irritada com a presença do homem.

— Quero apenas agradecer. — respondeu Imai, levantando-se.

— A que?

— Por ter me amado e me respeitado, mesmo enquanto eu lhe trazia desgostos.

— Eu não guardo mágoas, nem penso no passado. Agora retire-se daqui, por favor. — Mito, indo até sua penteadeira, começando a retirar suas joias.

— Eu quero que seja feliz, Mito. — Imai puxou Mito pelo braço delicadamente, virando a mulher para si. — Eu sei que a magoei, por isso peço perdão. Me perdoe enfim antes que se vá para longe.

Mito revirou os olhos, impaciente.

— Não tenho nada a perdoar. Você é um bom homem, precisa apenas criar juízo e domar seus instintos. — soltando-se de Imai.

— Se hoje eu fosse esse quem você confiaria novamente, voltaria para mim?

— Hoje amo outro homem. E mesmo quando não o conhecia, nunca tive vontade de ter você comigo novamente. O amor nasce repentino, mas padece quando não é bem cuidado.

A Uzumaki virou-se para a porta que dava acesso ao jardim, como se procurando por algo. Imai reconheceu seu gesto, e puxou-a novamente para si.

— Uma última vez, Mito...

Imai passou o braço pela cintura de Mito, abraçando-a. Ele beijou a mulher, que não correspondeu o carinho, desviando seus lábios dos dele. O professor de Mito apertou-a com mais vontade contra si, mas Mito mostrou-se resistente à aproximação. Numa última tentativa, o Uzumaki mordeu o queixo da mulher, um gesto que outrora era o mais apreciado por ela. Por fim, sem obter resultado algum, e vencido pela frieza e desinteresse de Mito, Imai a soltou e afastou-se, indo até a porta que dava acesso ao jardim. Olhou para fora, como se chamando por alguém. Eis que então entrou outra pessoa no quarto.

— Hashir-... Eu bem desconfiei que alguém... Mas, AH! O que faz aqui?! — Mito, extremamente irritada.

— Vou deixá-los. — Imai disse, saindo pela porta, deixando um último olhar para a mulher.

— O que está havendo? — perguntou Mito a Hashirama, mostrando-se nervosa e trêmula.

— Devo começar do início? — Hashirama, sério.

Mito respondeu com o silêncio. Sentou-se em uma poltrona, e esfregando os olhos, tentou conter sua fúria.

— Na viagem que fiz com seu pai para o norte do país, Imai-san estava presente. Eu havia notado na reunião o quanto ele ficou enfurecido com a ideia do nosso casamento, e com ajuda desse colar... — Hashirama retirou a joia guardada no bolso, colocando-a de volta no pescoço. — ... pude sentir durante a viagem o quanto ele guardava rancor por minha pessoa.

Hashirama agachou-se na frente de Mito. A mulher levantou a cabeça e olhou para o lado, fugindo do olhar sincero do noivo, que prosseguiu:

— Eu não exitei e fui questioná-lo educadamente o porque de tanta hostilidade. Ele reagiu mal, naturalmente, mas depois de algum tempo confessou que a ama. Eu fiquei um pouco surpreso, mas não muito. Me mantive paciente e... Perguntei se havia acontecido algo entre vocês. Ele pensou por alguns instantes e senti vindo dele algo como... Preocupação. E ele negou. — Mito engoliu seco sua surpresa. — Só alguém que realmente ama outra pessoa é capaz de não querer que algo a prejudique. Eu lhe mostrei o colar que me deu, e creio que no mesmo instante ele entendeu que eu não estava fazendo perguntas em vão. — Mito sentiu o coração bater acelerado. — Ele me disse que jamais quis prejudicá-la e que não permitiria que alguém o fizesse. Eu tive certeza naquele momento que ele era o homem no seu passado. Ele negou que mantiveram um romance com medo que eu desfizesse o casamento, manchando sua honra.

O locutor fora interrompido momentaneamente por Mito, que levantou-se da poltrona, caminhando para a janela. Em passos lentos, o Senju aproximou-se da mulher, pondo-se atrás dela.

— Eu disse que não era necessário preocupar-se com isso, pois jamais a deixaria por motivo algum. Ele pareceu sentir-se aliviado de algum forma. Me pediu perdão pelo rancor e eu agradeci pelo zelo que ele tem por sua pessoa. — lágrimas começaram a descer pelo rosto de Mito. — Eu o encontrei na vila enquanto caminhava com Tobirama e Toka, e pedi para que ele, discretamente, viesse até aqui. Sugeri que no fim da noite viesse ao seu encontro a fim de testá-la. Não que eu duvide de seus sentimentos, mas para que conhecesse como eu agiria no seu lugar. — Mito cerrou os olhos, expressando nova surpresa. — Foi duro ver outro homem abraçando-lhe e tentando lhe beijar. A situação terminou por testar-me também, pois foi difícil controlar meus ciúmes. De qualquer forma, sei que é assim que deve ter imaginado a mim na companhia de Saori; esse era o nome da mulher. Mas você reagiu como eu reagiria se hoje ela estivesse tentando se aproximar de mim. — Hashirama começou a acariciar uma mecha dos longos cabelos de Mito. — Apesar das mágoas, eu só amo você, é quem eu quero hoje e sempre, e até depois de minha morte eu a amarei. Então me perdoe por ter reagido mal em relação ao meu passado. Mas queria que entendesse que meu amor por você é verdadeiro. — concluiu.

Mito tentou falar, mas a garganta estava apertada. Após ser acalentada pelo toque do noivo, ensaiou as primeiras palavras.

— Eu... Não creio que... Fez isso... — a mulher respirou fundo. — Eu jamais deixaria você por outra pessoa.

— Eu sei, só queria que soubesse que penso o mesmo. — Hashirama, enquanto acariciava os cabelos da mulher.

— Mas... O que fiz naquela noite... Eu... Manchei minha honra de qualquer forma... — Mito começou a chorar compulsivamente.

— Não tem importância, minha flor. — Hashirama a abraçou, envolvendo-a com força. — Eu me senti mal em saber que você já havia sido de outro homem, lógico. Mas quem sou eu para julgar as atitudes de um apaixonado? — Hashirama a apertou mais, fazendo com que Mito sentisse o corpo arrepiar-se com o contato. — E apesar da situação, não foi desagradável estar com você. — concluiu, em um tom de voz malicioso.

— Me perdoe... — A Uzumaki virou-se de frente para o noivo, sem soltar-se do abraço, agora envolvendo seus braços no pescoço do homem.

— Seria hipocrisia se eu dissesse que nada tenho a perdoar. Mas ambos precisamos ser perdoados. Mas antes preciso agradecer pelo bem que me fez. Fui um homem submisso à mágoa por anos, e você me resgatou.

— Como é possível que duas pessoas que mal se conhecem dizerem que amam um ao outro? — Mito suspirou. — Eu poderia ter medo do futuro e pensar que isso seria precipitado mas... Eu sei que você me ama, de verdade. E eu a você. — Mito voltou a chorar. — Como é possível?

— Foi preciso vivenciar experiencias ruins para darmos valor a nós mesmos. Nada é por acaso. Um dia eu encontraria meu eterno amor, e esse momento chegou. É você, Mito! É você!

— Eu te amo, Senju Hashirama. Seu idiota romântico. — Mito abriu um sorriso entre as lágrimas.

— Minha flor! Minha rosa vermelha... — Hashirama concluiu dando um beijo na noiva.


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Enfim, a manhã da partida. Mito despediu-se dos cidadãos da vila enquanto caminhava em direção ao porto. Alguns moradores ofereceram-lhe flores diversas, em uma demonstração silenciosa de respeito. Hashirama seguia ao seu lado, recebendo também o carinho do povo. Tobirama e Toka seguiam o casal, junto aos Uzumaki que se mudariam para a nova vila. Ao chegarem no porto, a despedida de Mito com sua família fora imensamente emocionante.

— Pai, mãe, irmão! — Mito, abraçando os três juntamente.

— Não se preocupe, irmã. Nos veremos daqui um tempo no seu casamento. — Arashi, chorando.

— Minha princesa! Sentirei tantas saudades... — Hoshi, emocionada.

— Uzumaki Mito, eu sei que será capaz de governar ao lado de Hashirama. Ajude-o a alcançar a paz que você também sonha, desde menina. Menina, você ainda é uma menina para seu velho pai... — Arata segurou o pesar de estar afastando-se da filha.

— Mito! — uma voz aproximava-se, gritando pela princesa.

— Achei que não viriam. — Mito abraçou os primos.

— Lógico que viríamos, baka! — Keiko, chorando. — Eu lhe amo tanto, tanto! Vou sofrer muito sem você por perto!

— Prometo escrever toda semana! — disse Mito à prima, agora indo para o lado de Kotone.

— Mito, eu também lhe amo muito! Cuide-se bem. — disse Kotone, abraçando a prima.

— Vou me cuidar sim, pode deixar.

— Estamos prontos para partir, Senju-sama. — o capitão do navio chamou por Hashirama.

— Nos veremos em breve. Manterei vocês informados de tudo, não se preocupem. — Hashirama à família de Mito.

Terminando a despedida, Mito e os Senju, juntamente aos Uzumaki enviados por Arata à Konoha, entraram no navio de volta à vila de Hashirama. Antes de colocar os pés para dentro, Mito deu um último olhar para trás, notando que estava sendo observada por alguém conhecido que não estava ali a pouco. Viu Imai de longe, sorrindo. Mito correspondeu com um sorriso aberto, mostrando gratidão. Revivendo um gesto do passado, ela mandou-lhe um beijo discretamente e ele piscou com um dos olhos, como se enviando outro de volta.

O navio partiu. Seriam horas de viagem até o País de Fogo. Hashirama manteve-se ao lado da noiva durante toda a viagem. Tobirama e Toka entreolhavam-se, e diferente de como mantiveram-se durante a viagem de ida, cultivaram entre si a certeza que Hashirama seria feliz ao lado da futura esposa.


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Nota: Final da primeira parte! Agora vamos ao que interessa, hehe. MadaMito! Não deixem de comentar!