Não possuo direitos sobre Naruto, de Masashi Kishimoto.


PARTE II

• Capítulo 9: Primeiro Encontro •


A viagem até o País do Fogo tomara todo um dia, e o trajeto até Konoha levara as horas da noite. Os viajantes chegaram à vila pouco antes do amanhecer. Os Uzumaki enviados por Arata seriam conduzidos por Tobirama até o complexo onde residiriam. Mito e Hashirama despediram-se destes ainda no portão da vila, e seguiram para a residência do líder Senju.

O casal caminhou para um pouco mais distante do centro da vila, atravessando por um caminho dentre um bosque. Mito conseguia sentir a energia da vegetação, e pareceu óbvio que fora Hashirama quem dera vida à parte daquelas árvores. Um pouco adiante, a princesa pode avistar a extensão de um muro de pedras. Alguns passos a frente, pode notar que este cercava uma grande construção em madeira.

— Espero que goste. — disse Hashirama, quando os dois atravessaram o grande portão de madeira escura.

Moldada à típica arquitetura daquele país, a casa em madeira de dois andares fora construída no centro do terreno cercado pela pequena muralha em pedra. À sua frente ornava-se um extenso jardim, florido com diversas espécies de plantas. Cerejeiras cercavam as laterais da casa, e suas pequenas flores recém desabrochadas eram realçadas pelo tom escuro da madeira. Cinco degraus largos levavam à varanda que estendia-se por toda a frente e laterais. A porta fora pintada em vermelho, assim como o conjunto de grandes janelas. Grandes colunas lisas sustentavam a varanda e o telhado.

Mito desviou de pequenas poças de água, que indicavam junto ao ar fresco, que havia chovido durante a noite. Apoiada carinhosamente no braço de Hashirama, Mito saltou uma última poça até o primeiro degrau da escada, e virou-se novamente para observar o jardim. Hashirama notou que o silêncio de Mito traduzia toda a admiração pelo o que a cercava naquele momento.

— E então..? — Hashirama buscou a atenção de Mito para si.

— É muito lindo... — Mito virou-se para o noivo.

Hashirama conduziu silenciosamente Mito até o interior da casa. Duas empregadas, já grisalhas, recepcionaram o casal, cumprimentando-os educadamente. Uma das senhoras levou Mito até seu aposento, e a outra fora auxiliar Hashirama.

Algumas horas após sua chegada, Mito, que já havia se banhado e descansado durante todo o dia, fora para a sala de jantar ter a refeição junto a Hashirama. Encontrou o noivo e o novo irmão, Tobirama, sentados à mesa, aguardando-a.

— Vamos nos reunir em alguns dias, Tobi... — Hashirama interrompeu o que dizia ao ver a noiva se aproximando.

A mulher tinha os cabelos presos num único coque no alto da cabeça, e os selos pendurados abaixo do penteado, dançando de um lado a outro, acompanhando os passos de Mito. Vestia um quimono simples, azul claro. Hashirama e o irmão levantaram-se para cumprimentá-la.

— Vão fazer isso todas as vezes que nos reunirmos para comer? — perguntou Mito, sentando-se à mesa.

— Não estamos acostumados a viver com uma dama. — disse Tobirama, sentando-se.

— Pois não precisam cumprir tantas formalidades comigo. — Mito bebeu um pouco do saque que Hashirama a serviu. — Não serei uma estranha. — a mulher sorriu, arrancando o mesmo gesto dos homens.

— Esta casa é sua Mito, você é senhora dela a partir de hoje. — Hashirama.

— Em outras palavras, você dá as ordens por aqui. — Tobirama, rindo do próprio comentário.

Houve um breve de risos à mesa, e Mito sentiu-se feliz por estar ali.

— Espero cuidar bem de todos nós.

— É certo que Tobirama não viverá conosco muito tempo. Acho que devo começar a procurar uma esposa para ele. — Hashirama riu ao falar sobre seu dever de líder da família.

— Eu não quero me casar, Hashirama-SAMA! — Tobirama mostrou-se irritado com o comentário do irmão, enfatizando o tratamento dado a ele.

— Não me importo que ele viva conosco. — Mito puxou a mão do irmão-de-lei para si. — E não acho que deva forçá-lo a um matrimônio.

— Talvez ele tenha sorte, como eu tive. — Hashirama sorriu, tímido.

— Ou talvez eu simplesmente não queira me casar. — Tobirama apertou a mão de Mito. — Obrigado, irmã.

— Deixe que o tempo cuide de Tobirama, certo? — Mito olhou para o noivo. — Vamos nos ocupar apenas conosco.

Hashirama gesticulou com a cabeça, concordando silenciosamente com Mito. Tobirama respirou profundamente e voltou aos poucos ao seu típico bom humor.


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No dia seguinte os irmãos Senju levantaram-se cedo e foram para o edifício que compreendia o centro administrativo provisório de Konoha. Teriam naquela manhã um encontro com Madara para tratarem do que fora acontecido na vila nos últimos dias.

Madara os aguardava, impaciente, sentado em um canto do cômodo em que Hashirama e os demais líderes costumavam se reunir.

— Bom dia, Madara-san. — cumprimentou Hashirama.

— Vamos acabar logo com isso. — Madara levantou-se de onde estava e sentou-se à mesa, do lado oposto de Hashirama e Tobirama.

— Nos diga, como foi tudo por aqui? — perguntou Tobirama.

— O clã Hyuuga chegou à vila dois dias após sua partida para o País do Redemoinho. O líder deles fez diversas exigências... — Madara mostrou uma expressão irritada ao citar Hyuuga Ichiro. — ... Mas disse para aceitar o que havia sido tratado antes e o deixei. — Hashirama suspirou aliviado por Madara não ter enviado o líder Hyuuga para o submundo. — Quanto as provisões, todas recebidas e distribuídas de acordo com o que acertamos antes. — Madara estalou o pescoço. — Algo mais?

— Não, somente isso. Obrigado. — Hashirama sorriu, em notável felicidade.

Madara levantou-se rapidamente e antes que pudesse sair do cômodo, foi chamado por Hashirama.

— Madara-san... — Madara virou-se para o Senju. — Gostaria que comparecesse à minha casa na noite de amanhã, para um jantar.

Madara olhou profundamente para Hashirama, questionando silenciosamente o porque do convite. O Senju entendeu o gesto do Uchiha e completou:

— Será em honra de meu noivado com Uzumaki-hime. Gostaria que estivesse conosco, já que somos todos... — Hashirama exitou, mas concluiu. — ... Uma grande família... Konoha.

Madara desviou o olhar do inimigo, levantou a cabeça, fechando os olhos e dando um profundo suspiro. Após estes segundos, saiu calmamente pela porta, sem dizer nada para os homens presentes e sem olhar para trás.

— Isso quer dizer que sim? — Tobirama perguntou ao irmão, ironicamente.

— Espero. — respondeu Hashirama.


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Mito levantou-se cedo após sua primeira noite em Konoha. Com auxílio de Yoko, uma das senhoras empregadas da casa, a princesa banhou-se e vestiu-se, escolhendo um quimono pouco trabalhado, rosa suave com pequenas flores de cerejeira ornando a borda inferior do tecido. Produziu sua maquiagem como costumava fazer todas as manhãs, exceto às que nasciam em meio ao combate; escovou os cabelos e prendeu apenas uma parte em dois coques, deixando maior parte solto. Os longos cabelos vermelhos que iam até a altura dos quadris deixaram a senhora Yoko encantada. Após todo o ritual matutino, Mito pediu à Yoko que trouxesse um guarda-sol, pois iria visitar o complexo onde seu clã se estabelecera.

Mito saiu da casa tranquilamente, observando o jardim que Hashirama havia cultivado logo à entrada. Caminhou pela via calçada em pedras que atravessava a floresta, chegando alguns minutos depois em um campo aberto. Pode avistar o lago à alguns metros e algumas construções à cerca. O primeiro conjunto de casas no caminho de Mito pertencia ao clã Uchiha. A princesa notou pelo brasão pintado na parte superior do portão. Logo adiante ela viu o símbolo de seu clã, tremulando em uma flâmula hasteada. Sorriu, feliz, por ver o brasão Uzumaki ao vento. Caminhou distraída por mais alguns minutos, até notar algo diferente no ar.

Pareceu-lhe que a respiração ficara pesada, e o peito começara a ficar apertado. Angústia, medo, agonia; eram sentimentos crescentes em si. Esfregou as mãos juntas e viu estarem geladas e pouco trêmulas. 'Será efeito do calor?', Mito pensou, inutilmente, tentando desvencilhar do que lhe pareceu óbvio desde o início, que alguém extremamente desagradável, com sentimentos inferiores, aproximava-se. Diminuiu a caminhada, respirando mais fundo e lançando o objetivo de, apesar de estar mais lenta, chegar logo ao complexo Uzumaki à alguns metros dali.

Levantando o olhar para a estrada, também calçada em pedras, notou uma figura caminhando naquela direção. Mito não sabia de quem se tratava, mas reconheceu-o como sendo o causador de todas aquelas sensações horríveis. A mulher parou. Estacionou-se no meio da estrada, esperando a pessoa aproximar-se mais. Cabelos negros e longos, pele muito clara, alto, aparentemente forte e muito jovem. Um lenço amarrado ao braço impunha-lhe uma posição de alto escalão em algum lugar. Mito lembrou-se do complexo Uchiha, qual passara à poucos minutos dali. 'Seria ele...', Mito sugeriu mentalmente a identidade do homem, que notou a figura feminina parada em meio à via. Fora aproximando-se, diminuindo os passos até aproximar-se o suficiente para um cumprimento silencioso. Mito correspondeu, engolindo seco sua tentativa de sorrir. Não conseguira. Estava sentindo-se demasiadamente mal para esboçar qualquer simpatia para com aquele sujeito.

— Bom dia, senhora. — Madara.

— Bom dia, senhor..? — Mito indagou sobre a identidade do homem.

— Uchiha Madara, líder do clã Uchiha. — Madara curvou-se, mas manteve o olhar fixado em Mito.

— Uzumaki Mito, Princesa do Turbilhão. — Mito sentiu o corpo todo formigar.

— Futura esposa de Senju Hashirama... — Madara deu um sorriso no canto dos lábios. — Está perdida?

— N-não... Estou indo visitar os meus, logo ali. — Mito apontou com o olhar o complexo do clã Uzumaki logo à frente. — Devo ir. Tenha um bom dia, Uchiha-sama.

— Você também, princesa. — Madara despediu-se, sorrindo.

Mito não se deu ao trabalho de esforçar um sorriso, dando as costas a Madara, e acelerando a caminhada. Ela não estava vendo, mas sabia que o homem continuava no mesmo lugar, observando-a até atravessar o portão do complexo Uzumaki.

De fato o homem a acompanhou com o olhar, admirando cada passo e o perfume doce que deixou no ar. Madara gostou do tom dos cabelos de Mito, e como que instantaneamente, pode imaginar-se sentindo cada fio caindo por seus ombros, e o toque suave próximo a seu rosto. O Uchiha gostou da sensação que o pensamento lhe trouxe, assim como demais ideias criadas por ele. Assim que viu a princesa adentrar o complexo de seu clã, respirou fundo, voltando à sua caminhada. Um sorriso malicioso o acompanhou por alguns instantes, até dispersar os pensamentos gerados pela presença da mulher.


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A noite caíra sobre Konoha. Mito retornou para casa pouco antes do entardecer, seguida por Tobirama e Hashirama, que chegaram cerca de meia hora depois. Os três jantaram juntos, como na noite anterior, e conversaram por algum tempo depois da refeição. Hashirama disse à Mito sobre o jantar na noite seguinte e a princesa garantiu que tudo estaria pronto.

Mais tarde naquela noite, Hashirama fora ter com Mito. Todos na casa já estavam adormecidos, inclusive a princesa. O Senju abriu delicadamente a porta e entrou no quarto da noiva. A acordou com um toque leve na face.

— Hashirama... — Mito abriu os olhos lentamente. — Aconteceu algo?

— Exatamente isto que vim perguntar à você. — Hashirama sentou-se ao lado da cama da noiva.

— O que quer dizer? — Mito recobrou a consciência. — Esqueço-me de algo...? — A princesa questionou constrangida a respeito de algo que poderia ter deixado de cumprir como futura esposa do Senju.

— O que..? — Hashirama pensou sobre a pergunta de Mito e ficou rubro ao entender. — N-não... Não é nada disso, minha flor.

— Então..? — Mito perguntou, organizando os cabelos com as mãos.

— A partir de certa hora da manhã, senti um peso muito grande vindo de você. Uma sensação ruim, de angústia... Algo lhe aconteceu na minha ausência?

Mito, que conseguira esquecer por algum momento o encontro com Madara, respirou fundo improvisando uma resposta ao noivo. Não queria preocupá-lo ou causar um mal entendido. Mordiscou os lábios e sorriu, ainda rubra.

— Eu... Me senti um pouco mal, sabe... Entendi por que estas terras tomam o nome de País do Fogo. — Mito deu um riso tímido. — Faz muito calor por aqui, não?

— Não me parece ser apenas isso.

— Ah... — Mito passou a língua delicadamente pelos lábios. — É, não é somente isso... — a princesa aproximou-se mais do noivo.

Hashirama pode notar uma sensação diferente vinda da princesa.

— Diga-me, minha flor. — inclinando-se suavemente para Mito.

— Vai me achar tola? — Mito abafou o que seria o início de uma gargalhada. — Senti sua falta, Hashirama.

— Saudades minhas? — Hashirama sorriu, desconcertado. — Mas fora tanta assim, que lhe fez tão mal durante todo o dia?

— Sim, por que não? — Mito tocou a mão do noivo. — Eu o amo!

Era possível para ambos sentir a respiração do outro, assim como era notável as vontades que surgiam entre eles, e que tão óbvias, não era necessário nenhum dom ou amuleto para percebe-las. Hashirama apertou a mão de Mito, olhando profundamente para os olhos da princesa. Após alguns segundos, ele recobrou o juízo.

— Creio que devo voltar ao meu quarto. Não seria prudente se... — Hashirama foi interrompido por Mito.

— Se alguém nos visse? Eu ainda não conheço os costumes pré-nupciais da família Senju. — Mito mostrou um sorriso largo ao noivo, que ficou rubro novamente.

— Não se diferem das tradições da maior parte das famílias. — Hashirama fez que levantaria-se dali, mas não conseguiu. — Só podemos compartilhar o mesmo aposento quando nos casarmos.

— Entendo... Então boa noite, Hashirama. — disse Mito, afastando-se e deitando-se novamente, mantendo o olhar no noivo.

— B-boa noite, minha flor. —Hashirama levantou-se e caminhou em direção da porta.

— Não se esqueça que consigo muito mais eficientemente entender seus pensamentos e desejos. — Mito disse suavemente, ainda deitada.

Hashirama sorriu completamente constrangido pela sinceridade e atrevimento de Mito. Ele sabia, ambos não eram mais jovens inexperientes e já haviam tido um momento juntos. Segurou sua vontade de correr para os braços da amada e saiu tranquilamente.

Mito observou Hashirama até que este saísse de seu quarto. Ela havia conseguido desvencilhar a preocupação do noivo, ainda que não mentira sobre o amor, a saudade, e muito menos sobre o calor que fazia naquele lugar.

Ele virá até aqui... — pensou, quando lembrou do jantar na noite seguinte e a presença de Madara.


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Nota: Início da segunda parte! OMG, MadaMito! #todaschora

Considerações:

- Madara atrevido! Não tem como descrevê-lo de outra maneira, sinceramente. Caráter/Personalidade ótimo de se explorar, btw.

- HashiMito, por que tão fofos? Segurem-se, hehe.

- Tobirama... No início, quando criei sua personalidade para a fanfic, Kishimoto ainda não tinha jogado um balde de água GELADA sobre minhas inspirações... Por fim, vou tomar a personalidade descrita pelo autor, afinal... Eu adoro seguir o contexto, não é? (Te odeio, Kishi).