Desejo

Nothing left to make me feel anymore
There's only you and everyday I need more
If you want me
Come and find me
I'll do anything you say just tell me

Evanescens "Anything For You"

Já tinham-se passado vários dias, diluindo-se em memórias vagas, desde que realmente saíra da enfermaria. Não se lembrava ao certo de tudo o que acontecera naquela tarde enevoada. Apenas recordava-se da sensação que causava-lhe os lábios de Snape, beijando-lhe a boca demoradamente. De alguma forma estas lembranças eram capaz de fazer as suas entranhas agitarem-se, causando-lhe uma sensação agradável no peito. Tinham ficado cravadas na sua memória e não importa o que acontecesse, tinha a certeza que jamais se esqueceria daquele dia.

Sem se aperceber ao certo o que estava a fazer, tocou no seu pénis por debaixo do tecido macio das cuecas. Tentava imaginar como seria sentir o toque frio da mão de Snape no meio das suas pernas. Apertou os dedos sobre a superfície já dura, fazendo círculos em redor da glande, acariciando-a demoradamente.

- Nhhh… Ááá!

Harry conteve a muito custo um gemido de sair da sua boca, encostando-a de encontro ao travesseiro fofo da cama. Estava no Dormitório masculino e se alguém o encontrasse neste tipo de situação provavelmente seria expulso. Curiosamente o pensamento não lhe fez afrouxar a excitação crescente, pelo contrário, saber que podia a qualquer momento ser descoberto aumentou-lhe apenas o desejo. E se fosse descoberto com Snape a fodê-lo? Isto sim valeria a pena, independentemente de qualquer expulsão futura.

Continuou a masturbar-se com uma mão, enquanto acariciava com a outra a ponta dos mamilos até sentir-se aproximar do clímax. Ejaculou rapidamente, o fluído esbranquiçado encharcando-lhe a cama.

- Nhh… Oh, Snap… - o nome de Snape, que sempre estivera na ponta da sua língua, fugiu-lhe dos lábios sem demora, mais alto do que supusera.

E se alguém tivesse ouvido? Não queria realmente que todos os seus amigos começassem-no a olhá-lo de banda, com olhares trocistas. Já podia ver claramente a capa do "Profeta Diário": Harry Potter expulsa por se masturbar no dormitório enquanto chamava o nome de Severus Snape. Isso sim faria Pansy Parkinson rir até desmaiar.

- Harry, está tudo bem contigo? Pareceu-me ter te visto chamar…

- Não foi nada, Ron – disse enquanto evocava um feitiço de limpeza rápido. Puxou o cortinado da cama de dossel contrariado, deixando-o visível aos olhares de Ron. Tinha a certeza que estava um pouco vermelho, mas nada suficientemente estranho que o fizesse desconfiar.

- De qualquer forma já devias estar acordado. Estamos atrasados. – desculpou-se Harry atabalhoadamente. – Não tenciono chegar outra vez atrasado ao Grande Salão, já perdemos pelo menos vinte pontos cada um pelos Gryffindor e estou farto dos olhares assassinos da Hermione – riu-se, sentindo-se descontrair um pouco. - Hermione às vezes pode ser mesmo muito chata.

- A quem o digas… - suspirou Ron. – Ela tem-me atazanado o juízo por causa dos trabalhos acumulados de Transfigurações. – Que culpa tenho eu que sejam o dobro do normal?

- Bem, é a tua namorada, então não te queixes.

Era de manhã cedo. O céu cobria o castelo, como um manto espesso de índigo acobreado, que acabava apenas por contribuir para o pôr mais desperto. Uns raios de sol entravam preguiçosamente pela janela, iluminado indolentemente o chão do quarto. Ninguém lá estava para além dele e Ron. Toda a gente já devia ter descido para o Grande Salão. Porquê que o Ron não o tinha alertado mais cedo? Se não tivesse estado tão ocupado… nada disto teria acontecido.

Hoje tinha em mente tomar um duche frio, para ver se abrandava as batidas do seu coração.

Caminhou letargicamente até ao banheiro, evitando olhar para o seu reflexo no espelho. Estava mais magro e pálido desde que voltara da enfermaria. Se apenas fosse um pouco mais entroncado… Poderia ter um aspecto minimamente atlético mas não passava de um rapaz escanzelado e magro, com um gorro de cabelos escuros sempre revoltos e uns óculos de aros redondos, que obscureciam em parte a sua cara.

Como haveria Snape de o querer? Era mais um rapaz sem graça que um homem adulto. Certamente que Snape gostaria mais de alguém com mais experiência, mais maturidade e encanto.

No entanto, sabia que tinha de voltar a tentar, embora sempre que pensasse nisso sentisse um medo de falhar nada reconfortante. Snape salvara-lhe a vida na enfermaria pela segunda vez. A própria Madame Pomfrey contara-lhe depois de ter voltado a acordar. Snape administrara-o uma poção contra o veneno que tinha tomado. Notara nele algo de estranho e quando lhe tocara no pulso apercebera-se que estava muito fraco.

O problema era que a única coisa que comera na Enfermaria na última hora eram os bombons de caramelo da Ginny. Conhecia-a à demasiados anos para saber que ela não tinha intenção de o envenenar e fizera os possíveis para a defender, mas acabou por ser incapaz de mentir à directora cujo os olhos perscrutavam-no como os de um mocho.

Se apenas tudo fosse mais fácil…

- Despacha-te! Já passam das oito.

- Raios! – praguejou Harry, inaudivelmente.

Quando chegaram ao Grande Salão, boa parte das pessoas já tinham acabado a refeição. Atravessaram rapidamente as mesas transversais das outras equipas em direcção à deles. Era a última de todas, mais perto do fundo do salão e da mesa dos professores. E, por isso mesmo, sentiu-o uma sensação de estar a ser observado. Olhou, incomodado, para os professores, apercebendo-se que Snape lhe cravava o rosto com os olhos negros macambúzios. De repente parecia que o ar tinha ficado mais pesado. Desviou o olhar embaraçado.

- Não posso acreditar, depois de o que vos disse ontem! Já deviam estar aqui à pelo menos meia hora. Se chegarmos outra vez atrasados às aulas do Snape, vamos perder mais pontos pela nossa casa – insurgiu-se Hermione. – Parece mesmo que não se importam.

- De qualquer forma ele está sempre a tirar-nos pontos – comentou Harry distraidamente.

Desde o início deste mês, a maioria dos alunos andavam com rostos preocupados. Passando a maior parte do tempo sentados na escadaria, com livros pesados colados ao rosto e olhares preocupados. Dentro em breve ia chegar a época dos exames e ninguém parecia mais interessado em piadas grosseiras ou em pregar partidas e Harry achava que o Filch se ressentia pessoalmente por não ter ninguém para castigar nos últimos tempos.

- Hermione, podias-me ajudar com a matéria de Transfigurações e História da Magia? – achava que estava a ficar para traz justo na época de exames. – Perdi bastante matéria o tempo que tive deitado na Enfermaria e ainda por cima a Madame Pomfrey não me deixou ler nenhum dos manuais. - Duvido que tivesse decorado muito com a minha cabeça à roda mas sempre podia ter adiantado alguma coisa…

- A sério? – escandalizou-se Ron. – Eu bem que precisava de uns dias na Enfermaria, principalmente nas horas das aulas de História da Magia e Poções.

- Mas já não tivestes de férias, Ron? Não tirastes um único apontamento a Herbologia, tivestes de pedir tudo a mim e ao Neville e ainda por cima, a Transfigurações, em vez de a tua chávena de chá transformar-se num morcego, ficou apenas com assas negras e começou a voar freneticamente em volta da sala – disse Hermione, tentando-se manter séria mesmo sabendo que estava quase a rir.

- Bem isso às vezes acontece – tentou ajudar Harry.

- De qualquer forma, posso-te emprestar os meus apontamentos e hoje à tarde podemos ir para a biblioteca.

- Também vens, Ron? Tens de acabar os trabalhos de casa acumulados, se não me engano…

- Eu vou… - suspirou Ron. – Como podia eu fugir? – sussurrou baixinho para que Hermione não o ouvisse. – Se não faço o trabalho de casa de Herbologia bem que posso apanhar negativa.

- Era bom que toda a gente fosse como o Hagrid – Hagrid quase nunca lhes mandava trabalhos de casa. Por falar nisso… Tinha que passar pela cabana de Hagrid e agradecê-lo pelos biscoitos duros que lhe oferecê-la. Nunca fora capaz de o ver enquanto estava acordado, mas a Madame Pomfrey dissera-lhe que tinha-lhe ido visitar.

Até o Hagrid, que vivia nos arredores da Floresta Proibida, dera-se ao trabalho de atravessar os campos e ir visitá-lo. Provavelmente metade da escola o teria feito se não tivesse sido impedida. Apenas Snape… Snape viera e salvara-lhe a vida, mas só o tinha vindo porque a Madame Pomfrey precisava de uma das suas poções. Se fosse por ele nunca o teria feito, tinha quase a certeza.

- Já se descobriu mais alguma coisa? – perguntou Ron, empanturrando-se com uma salsicha pequena. Uma rapariga a seu lado virou-lhe a cara, enojada.

- Nada que me tenham contado. Mas para quê que me haviam de dizer alguma coisa? Não basta ter morto o Voldemort para confiarem em mim – respondeu, sentindo-se ressentido. - Calculo que se tenham feito progressos, pelo menos os Aurors passam a maior parte do tempo a patrulhar Hogwarts, como se julgassem que me vão matar a qualquer momento.

- A Directora faz isso para tua própria protecção.

- Até agora ocultar-me coisas não tem dado em nada. Não me faz sentir minimamente mais seguro e só me cria mais problemas – suspirou, endireitando-se. Porquê que as coisas não podiam ser mais fáceis?

- O meu pai disse que o Ministério da Magia está em alerta máximo. Ninguém quer que o famoso Harry Potter seja ferido outra vez, mesmo por baixo das suas barbas. Prejudica as eleições e sabes como o governo é.

- Bem que se podiam preocupar mais com os amiguinhos do Voldmort que ainda andam à solta – disse Harry mordiscando um pedaço de pão torrado com manteiga.

Alegrou-se quase instantaneamente. Era quase como se tudo estivesse finalmente voltado ao normal. Poder passar tempo com os amigos a conversar sem ter que se preocupar com mais nada.

- Eu ainda estou preocupado. A Ginny voltou a ser chamada para o gabinete da Miller pela segunda vez consecutiva no mesmo mês. Que se terá passado? – perguntou Ron, mais para si mesmo do que para eles.

- Talvez tenha a ver com outra coisa… - replicou Harry calculistamente. Esforçava-se para que a sua voz saísse descontraidamente, sem rasgos de nervosismo aparente.

Fora os bombons de Ginny que ele comera naquele dia. Tinha Contado tudo à Directora, que devia ter falado acerca disto com a Miller. Não queria preocupar Ron, nem muito menos acusar Ginny, mas talvez ela fosse capaz de deitar um pouco de luz sobre a questão. Se Hermione desconfiava de alguma coisa não o tinha dito.

- Que outra coisa? – insistiu Ron, desconfiado. – Da última vez disseste-me que a Miller lhe estava a repreender por ter "atacado" a sala dos Slytherin.

Sim, realmente tinha-lhe dito isso, como desculpa para afastar o tema de conversa de Snape e das memórias que lhe doíam, demasiado recentes para serem arrumadas num canto obscuro da sua mente. Claro está que ter-se-ia arrependido se soubesse que Ron ia ser tão paranóico.

- Como havemos de saber? A tua irmã já é bem crescida. Não precisa de ama de companhia. Aliás, tenho a certeza que consegue lidar muito bem com a situação – desaprovou Hermione, sinceramente.

- Então estão todos contra mim?

- Não, Ron. A sério que és um bom irmão mas…

- E se a Ginny estivesse arranjado um namorado nos Slytherin? Isso explica o facto de desaparecer muitas vezes da sala dos Gryffindor e penso que a Miller falou qualquer coisa acerca disso… quando entrei no gabinete – disse Harry absorto. Pensava no sonho que tivera com Snape. Queria ter realmente sido acariciado, beijado e tocado por Snape, daquela forma tão terna com que sonhara na enfermaria e tentara mais tarde reproduzir, quando se encontrara sozinho, por de trás das cortinas prateadas do dossel da sua cama.

- O QUÊ?! A Ginny não o faria – Ron procurou imediatamente o olhar de Hermione, como se esperasse ser apoiado por ela.

- Às vezes este tipo de coisas acontecem… - foi tudo o que ela respondeu, lançando um olhar apologético na sua direcção. – Desde que não seja o Draco…

- Não acredito que estamos a ter esta conversa! – insurgiu-se Ron, deixando cair o garfo com anéis de cebola e tomates fritos.

- A Miller disse alguma coisa como: "não podes atacar a Sala dos Slytherin por causa de uma disputa entre namorados." – respondeu, após ter parado para reflectir acerca daquele dia. Porque Ron não lhe podia deixar em paz? Talvez antes se importasse realmente com tal conversa, mas agora só queria ser deixado em paz nos seus últimos minutos que restavam, absorto na imagem atraente de Snape.

O que se passava com ele? Iria enlouquecer um dia destes. Já nem podia ter uma conversa normal com os seus amigos, sem parar para contar o tempo que faltava até encontrar-se com o Mestre de Poções novamente. Tê-lo por perto era sempre uma bênção e uma maldição.

- É melhor irmos andando. O Professor Snape já saiu à algum tempo – disse Hermione preocupada.

Saíram do Grande Salão apressadamente. O corredor estava cheio de pessoas que caminhavam aceleradas para a primeira aula do dia.

- Calma Hermione, ainda temos tempo – pediu-lhe Harry atabalhoadamente. Afastou-se de uma rapariga que passava a correr por ele, com um monte de livros na mão e por pouco não foi atirado de encontro ao chão. Hermione quase que tinha desaparecido à sua frente, o manto negro deslizava à sua frente num torvelinho agitado. Tanto ele como o Ron tinham dificuldade em acompanhá-la.

- Temos de nos despachar! – repetiu Hermione novamente. – Disseram-me que o Professor Snape está de mau humor. Mandou um amontoado de trabalhos de casa para os Gryffindor do primeiro ano e ouvi dizer que assustou um rapaz tanto que ele pediu aos pais para voltar para casa.

Devia ser um rapaz muito assustadiço, pensou. Snape espicaçara-lhe, provocara-lhe e humilhara-o desde o seu primeiro ano, quando ainda tudo o que pertencia ao mundo dos feiticeiros era uma novidade para ele. Inicialmente sentira vontade de responder-lhe aos berros e esconder-se por um bom bocado até acalmar-se, mas a verdade é que acabara por não fazer nem uma nem a outra coisa, pelo menos a maioria das vezes. Após algumas semanas as imagens à sua volta tornam-se como fitas de um filme que dispersavam vagamente. Sempre que ouvia Snape provocá-lo, fechava-se num espaço contínuo da sua mente, esperando pelo fim das aulas. Não era propriamente divertido, mas conseguia viver com isso.

- Que novidade. Desde quanto Snape está de bom humor? O bastardo seboso provavelmente precisava de se deitar mais algumas vezes para se alegrar e deixar-nos em paz – retorquiu Ron bruscamente.

Sexo não era o problema. Já o tinha feito com ele à duas semanas atrás e o seu humor apenas tinha piorado.

- Que se passa, Harry?

- Nunca ninguém quereria fazê-lo com Snape, aposto que ainda é virgem – riu-se Harry tentando disfarçar as suas próprias emoções. A partir daquele dia iria amaldiçoar a língua de Ron e o facto de não lhe ter mandado calar quando queria. - Eu era incapaz de amá-lo. É impossível sequer encontrar uma qualidade atractiva nele… - mentiu, virando-se para Ron que tinha ficado, de repente, muito calado.

Olhou para a frente para ver por onde caminhava, seguindo automaticamente o trajecto dos olhos de Ron. Snape estava parado, um pouco mais à sua frente. Bateu de encontro ao seu peito, desequilibrando-se. Teve de se segurar com os seus braços, de encontro ao tronco do professor, para manter o balanço. Aqui, tanto perto, apercebeu-se que o corpo de Snape, apesar de frio, irradiava um tépido calor gostoso. Ao perto, via claramente um pedaço da sua pele à mostra, desprotegida. Era capaz de jurar que Snape deixara os últimos botões despreocupadamente por abotoar de forma a provocá-lo.

Não havia nada de vulgar nele. Era o homem mais belo que alguma vez tinha visto e quem dissesse-lhe o contrário estava cego. O professor podia estar envolto numa atmosfera permanentemente negra e ter a pele cor de morto, como senão banhasse ao sol à mais de um ano, mas à sua forma era especial, perfeito. Ninguém tinha os seus cabelos escorregadiços, nem o seu olhar pérfido. Ninguém para além dele.

Harry corou involuntariamente, engolindo em seco, numa tentativa de aclarar a sua voz que parecia estar colada à sua garganta. Será que Snape lhe tinha ouvido? Trincou o interior da boca nervosamente, até sentir o sabor metálico a sangue.

- Oitenta pontos a menos, Potter. Já te avisei para teres tendo na língua, ou és surdo? Felizmente para ti não é necessário uma apreciação positiva dos professores para passares de ano. O que é preciso era deixares o teu egoísmo de parte e parares de chafurdar em memórias da tua falsa importância. Talvez se alguém te ensinasse um pouco de humildade ainda fosses a tempo de aprender alguma coisa – declarou Snape asperamente fixando-o com um olhar gelado que, por algum motivo, queimava mais do que fogo.

Sim, o gelo também queima, pensou. Mas eu não lhe vou deixar magoar-me com as suas palavras ácidas. Ele vai ver…

- Desculpe-me – pediu submissamente, tentando esconder um sorriso.

- Silêncio! Ao contrário de ti, tenho em que me ocupar para além de ouvir o teu palreado, embora compreenda que para o rapaz maravilha isso possa parecer impossível – Snape agarrou bruscamente pelo pulso de Harry e Ron, arrastando-os atrás de si para a sala de aula que já se encontrava quase cheia.

- E dez pontos a menos por chegarem atrasados.

Snape entrou na sala de aula arrastando a sua capa negra. Era capaz de jurar que vira, por momentos, o rosto do Potter iluminar-se quando tropeçara nele no corredor.

"Eu era incapaz de amá-lo. É impossível sequer encontrar uma qualidade atractiva nele…" As palavras de Potter emergiram na sua cabeça, por um breve momento.

Rapaz mimado, não era em nada diferente ao seu pai. Gabava-se por aí dos seus feitos inimagináveis e achava-se no direito de avaliá-lo daquela forma grosseira.

Há uns dias quase morrera, mas de alguma forma o Potter era resistente o suficiente para voltar para atormentá-lo. Sorte, talvez, mas o Senhor das Trevas subestimara o rapaz, achando-lhe um rapaz vulgar, apenas com demasiada sorte e uma mão cheia de amigos para o defender e agora estava morto. O Potter também estaria se eu não lhe tivesse salvo a vida… Quantas vezes teria de lhe salvar a vida para que a culpa pela morte de Lily deixasse de o atormentar?

Lembrava-se claramente da Madame Pomfrey lhe ter pedido para fabricar uma poção que ajudasse o rapaz a dormir um sono sem sonhos, receava que se ele acordasse, naquela fase, estaria sujeito a muita dor, os seus membros ainda recentemente tinham-se começado a regenerar.

Detestava ter de passar mais tempo do que o necessário perto dele. Afinal de contas o Potter era instável. Comportava-se como uma inconveniente cria de cachorro, que não fazia outra coisa senão aborrecê-lo para logo a seguir gritar-lhe irado, esquecendo-se do protocolo de um bom relacionamento entre professor e aluno.

Como reagiria Lily se soubesse que fizera sexo com filho dela? Sentiu um aperto no coração mas ao invocar as memórias de como o pai dele se sentiria não pode conter um riso de escárnio. Sim, isso valia a pena. Fazê-lo sofrer tal como o tolo do pai dele lhe fizera.

Ao chegar à enfermaria para deixar a poção, apercebeu-se que estava deserta, para além de Potter, que jazia mais morto do que vivo, deitado sobre um colchão duro.

Salvou-lhe a vida mais uma vez e a única coisa que esperara em troca é ser deixado em paz. Aquele dia não estava-lhe a correr da melhor das formas e a companhia do Potter apenas lhe provocava uma fúria fria. Mas o Potter tivera de pedir-lhe para ficar, com aquela voz irritantemente debilitada e ele não podia dar-se ao luxo que o rapaz não recupera-se adequadamente, precisava de ser supervisionado e a Madame Pomfrey aparentemente fazia tudo menos tomar conta do seu doente como deve ser.

Ficou. E foi ai que se apercebeu que os olhos verdes cor de esmeralda fixaram-se, por momentos, nos seus. Mais tarde, quando abandonou a enfermaria os olhos do Potter ainda o assombravam.

- …

- Professor Snape, podemos abrir os nossos livros? - perguntou Hermione, hesitante.

Snape, que parecia ter estado preso nas suas memórias, acordou e girou sobre os seus calcanhares lentamente.

-Sim, abram-no na página duzentos e sete – fez um movimento leve com a varinha e a página duzentos e sete apareceu no quadro negro, escrito a letras finas. – É bom ver que o Mr. Potter dignou-se a decidir aparecer desta vez, depois do incidente da última aula. Assumo que tenha decidido controlar o seu carácter fogoso - alvitrou venenosamente lançando-lhe um breve sorriso torto. - Hoje vão fabricar uma Poção do Ódio. O Potter conhece muito sobre o seu efeito desastroso e, espero eu, sobre o seu modo de preparo, por isso não deve ter necessidade de qualquer ajuda – olhou Hermione nos olhos com maldade. – Alguém conhece a Poção do ódio?

Harry supunha que se chamava Poção do ódio por algum motivo mas recusou-se a responder. Tinha planeado agir, mas não agora. Tinha que esperar algum tempo para acalmar os nervos e para que a voz lhe saísse mais forte.

- Causa ódio? – arriscou Ron.

- Sim, só agora notastes, Weasley? – perguntou-lhe Draco ironicamente, da fila de trás.

- Obviamente que sim Weasley, mas era de esperar que com todos esses anos de poções fosses capaz de dar uma resposta mais aprofundada – interveio Snape desdenhosamente.

Draco riu-se na fila de trás e Harry olhou Snape nos olhos demoradamente, corou ao perceber que o professor não tencionava desviá-los.

- A Poção do Ódio revela os piores hábitos e defeitos de uma pessoa em particular a quem a bebe, desencorajando-os de criar uma relação próxima com essa pessoa. Embora não sirva para extinguir os sentimentos que uma pessoa possa ter por outra ajuda a apaziguá-los, servindo como oposto à Poção do Amor. Sabem o que isso significa? – perguntou sombriamente varrendo a sala com os olhos. Ninguém se mexeu, nem mesmo Harry. – Uma dose de qualquer uma destas poções serve para deter os efeitos da outra. Têm três quartos de hora para terminar a poção. Podem encontrar todos os ingredientes necessários no armário ao fundo da sala.

Harry levantou-se e veio buscar os ingredientes, transportando-os de baixo do braço, com todo o cuidado. Começou a analisar o cabeçalho e a lista de ingredientes no seu livro, demoradamente. Queria tornar esta aula, de alguma forma, inesquecível na mente de Snape. Mas e se ele lhe humilhasse? Afastou estes pensamentos da sua cabeça. Snape sempre o humilhava, não havia nada a fazer quanto a isso.

Passados alguns minutos Harry levantou a cabeça e perguntou:

- Professor, aqui diz que se deve aquecer o preparado com a ajuda da varinha mas, de alguma forma, parece que não está a dar resultado – fingiu inocentemente. Tinha preparado também, nervosismo inicialmente, mas isso não foi muito difícil. Estava realmente assustado.

Ron e Hermione olharam-no como se ele estivesse louco. Havia uma regra implícita que caso fosses dos Gryffindor devias evitar falar com o professor de forma a não arranjar problemas para a casa.

- Quantas vezes tenho de te disser para que entre na tua cabeça dura?

Harry interrompeu-o claramente divertido.

- Para fazer com que a poção se torne quente, tenho de manter a varinha erecta e pegá-la pela base ou devo tocar-lhe na ponta?

Os olhos de Snape estreitaram-se e Harry apercebeu-se, naquele momento, que Snape sabia que espécie de jogo estava a jogar. Os seus lábios uniram-se, formando um esgar.

- A poção não está suficientemente quente por isso talvez me pudesses dar uma mão… senhor.

- Porque não pedes, ali, à Weasley? Tenho a certeza que era pode-te ser deveras útil.

- Mas professor, o senhor disse que eu não podia pedir ajuda a ninguém e para além disso o senhor tem mais experiência, acredito que a sua mão seja melhor para este tipo de trabalhos…

Ignorou tencionalmente Hermione e Ron. Se visse a cara deles podia não ser capaz de terminar.

- E eu acredito que mesmo com a minha "mão" – pronunciou a última palavra bufando – não serias capaz de chegar a lado nenhum. Não tens qualquer talento nem inteligência que segue e não serve de nada perder tempo em demonstrações acerca de algo que já devias ter aprendido no primeiro ano – respondeu secamente, analisando-lhe com o olhar. Harry interrogou-se se estava a ler a sua memória. Se a estava, ia apanhar uma surpresa. Concentrou-se, fixamente, na sua imagem quando tinha masturbado o pénis do Mestre de Poções. Na sua cabeça a sua boca desempenhava círculos demorados à volta da base.

Quem disse que não tinha talento?

Além disso – respondeu Snape - a tua varinha é demasiado maleável. Para este tipo de poções quanto mais dura, melhor o desempenho.

Harry não sabia como é que ele conseguia dizer este tipo de coisas com um tom de voz extremamente monótono.

- A minha é suficientemente dura mas não tanto como a tua está agora, espero eu – completou mentalmente - Oh, talvez já não seja preciso… A poção chegou ao ponto correcto.

- Muito bem Potter, agora cale-te. Os seus colegas precisam de concentração para acabar a poção, não de um locutor de rádio.

O resto da aula passou-se numa lentidão quase dolorosa. Parecia que o tempo arrastava-se indefinidamente, provocado por um feitiço mágico que impedia que o ponteiro das horas atingisse as três. Felizmente, quando preparava-se para levantar novamente a cabeça na direcção do relógio negro, que se camuflava embebido na parede, ouviu a voz rouca e áspera do Mestre de Poções:

- Podem sair, não se esqueçam de guardar todo o material de volta à prateleira.

Harry demorou-se a arrumar tudo lentamente, parando para ir buscar algum material que deixara de propósito para trás. Hermione e Ron já tinham acabado e esperavam por ele junto à porta. Sentiu o seu coração apertar-se. Porque não o podiam deixar m paz? Poisou o frasco com a sua Poção do ódio sobre a mesa de Snape e pensou numa desculpa para ficar. Queria falar com Snape.

- Potter, espera um momento.

Suspirou aliviado. A oportunidade aparecera-lhe diante dos seus olhos.

- Vocês podem ir andando – disse a Ron e Hermione.

- Ok, boa sorte – disse Ron olhando-lhe com pena.

Quando a porta fechou-se Snape levantou-se da sua secretária e olhou-o nos olhos. Havia uma atmosfera negra, carregada em seu redor, que parecia obscurecer ainda mais a sala.

- O quê que pensavas que estavas a fazer?

- Eu não fiz nada – tentou parecer seguro de si mesmo.

- Não te atrevas a mentir-me desta maneira! Onde tinhas a cabeça? Tentar seduzir-me com este tipo de palavreado diante da sala de aula inteira. Passou-te pela cabeça que alguém pode ter entendido? – rosnou raivosamente Snape, aproximando-se dele. Estavam agora frente a frente, apenas com uns curtos centímetros separando-os. - Oh, sim. Tu sabias muito bem Potter, mas nunca tiveste qualquer sentido de decoro. Sempre fostes um rapaz mimado que pensa que pode conseguir tudo o que quer.

- Isso não é verdade – disse Harry desafiadoramente. – Eu não consegui pensar em mais nada quando te vi à minha. Era a única forma que eu encontrei de fazer com que olhasses para mim.

- Olhar para ti? – disse Snape maliciosamente. – Já não chamas suficientemente a atenção com a tua falta de controlo? Ou talvez julgues que seja necessário voltar a fazer uma das tuas entradas triunfais para que ninguém se esqueça do teu combate com o Senhor das Trevas. Não há nada que me dê vontade de olhar em ti.

- Eu não me importo com eles, – argumentou, sentindo-se magoado. – tu és a única coisa que me interessa.

Quando pronunciou as últimas palavras já Snape o tinha agarrado bruscamente pelo manto, empurrando-lhe de encontro à parede. Com uma mão mantinha um dos seus braços imóveis, enquanto a outra amassava-lhe o corpo, apertando-lhe com severidade. Daquela distância, conseguia claramente ouvir o barulho da respiração quente que lhe fazia cócegas na pele do pescoço.

- Odeio-te Potter, vou fazer com que te arrependas de me desejares – sussurrou Snape ao seu ouvido, fazendo-lhe estremecer.

Era como se tudo tivesse ficado, de repente, em câmara lenta. O ar tinha tornado muito mais pesado. Sentia a cabeça leve e a única coisa que era capaz de se concentrar era no homem à sua frente. Tinha um corpo bem constituído e quente, pressionado de encontro ao seu, era como se completassem. Pertenciam um ao outro.

Gemeu de desejo, inadvertidamente, corando ao sentir-se ser atraído pelos olhos escuros. O lábio inferior de Snape curvou-se, formando um sorriso frio que não lhe chegava aos olhos.

Não se importava que Snape lhe odiasse, desde que fosse capaz de sentir alguma coisa por ele.

Pouco a pouco perdia a consciência, o seu corpo estava a começar a ser controlado pelo desejo que aquecia cada músculo. O seu coração batia como um louco, ameaçando rebentar o seu corpo, enquanto sentia pequenas pontadas prazerosas ao longo da sua púbis.

- Eu quero-te tanto – gemeu Harry baixinho, tentando manter o seu desejo sob controlo.

A pélvis de Snape roçava na sua, lançando raios de electricidade cortante até à ponta dos seus dedos.

O Professor desceu inadvertidamente os seus olhos na direcção do seu pénis, o seu sorriso aumentou de proporções.

- Já, Potter? Nós mal começámos – escarneceu.

Harry corou, lambendo os lábios secos com a ponta da língua. Sentiu-se contente ao saber que o Professor o estava a acompanhar. Bom, ainda bem que não se tinha esquecido da sua língua.

Snape continuava a pressionar o seu pénis de encontro ao de Harry. Estava a pô-lo doido. A última corrente que o mantinha preso ao seu auto domínio foi arrancada deixando-lhe entregue aos seus desejos.

- Por favor, toca-me… - implorou com as lágrimas nos olhos. Porquê que ele o torturava daquela forma?

- Para ti qualquer um servia – havia desprezo na sua voz. – Porque não pedes à Wesley ou a uma das raparigas do teu clube de fãs?

Seria Snape tão estúpido ao ponto de creditar nisso mesmo? Queria berrar-lhe, pedir-lhe para parar com a humilhação, mas sabia que assim não chegaria a lado nenhum. Apelaria a Snape. Ele tinha de acreditar na verdade. Podia ser que estivesse só a gozar com ele, mas uma parte dele interrogou-se se esta não era a forma dele de tentar saber o quanto Harry lhe queria. Uma espécie de teste.

As suas calças formavam uma bolsa devido ao inchaço e foi apenas com muito custo que conteve-se de dar outro gemido. Pressionou o seu pénis de encontro ao de Snape. Para jogar este tipo de jogo são precisos duas pessoas, pensou.

- Não compreendes? Ahhh… Eu só te quero a ti – obrigou-se a fixar-lhe nos olhos. Conseguia senti-lo. Snape estava tão erecto como ele. – Com elas era diferente, eu nunca… nunca fiz este tipo de coisas… - ergueu-se na ponta do pés, até colar os seus lábios ao ouvido do professor. – Tu tiraste-me a virgindade, daquela vez… - corou ainda mais. Não sabia porquê que dizia este tipo de coisas a ele. Era como se tivesse hipnotizado. Até a sua voz suava diferente aos seus ouvidos.

Por entre as madeixas do cabelo escuro de Snape, os olhos encrostados aguçaram-se, enquanto os lábios deslizavam levemente, moldados num sorriso que aumentava de proporções. Era muito leve, mas para Harry, que se sentia enclausurado em tal sorriso, era o mais belo que alguma vez vira.

Olhou mais atentamente para o rosto de Snape. Não parecia estar perplexo perante tal revelação, nem mesmo mostrou uma ponta de surpresa ligeira. Era como se já tivesse adivinhado. Tudo nele era poder e autoconfiança, enquanto sorria intimidatoriamente. Os seus olhos queimavam em fogo vivo, com um brilho que nunca vira antes e pode quase jurar que devoravam-no por inteiro.

Desta vez Snape segurou-o com ainda mais brusquidão. Com a mão direita por de baixo do uniforme de escola, explorou o seu corpo. Desceu com a mão lentamente ao longo do seu peito até às coxas, enquanto atacava a pele do seu pescoço com mordidelas e lambidelas.

No dia seguinte haveriam marcas cor de púrpura. Que ficassem. Eram suas. Uma assinatura deixada para traz.

A sua língua deixava-lhe traços de saliva circulares ao longo da sua pele.

- Ahhh!

Snape sugava um dos seus mamilos ferozmente enquanto mergulhava com a sua mão por de baixo das cuecas, acariciando o pénis erecto com suavidade.

Tentou tocar no pénis de Snape, mas os braços dele desceram como garras, imobilizando-o pressionado de encontro à parede.

- Aaahhh! Toca-me mais… - implorou, enquanto gemia cada vez mais alto.

- O quê? Julgo que não ouvi correctamente…

- Por favor…

Snape sorriu acidamente, fazendo-o despir a blusa e as calças, que ficaram abandonados a um canto no calor do momento.

Uns segundos mais tarde voltou a trabalhar no pénis de Harry, a sua mão cobria quase toda a sua extensão e a um ritmo de vagaroso começou por deslizá-la desde a glande até à direcção oposta, fazendo movimentos de vai e vem ritmados, que se tornavam cada vez mais bruscos à medida que o tempo passava.

Sentiu a suas pernas a tremerem, ameaçando cair no chão frio. Snape pareceu aperceber-se disto, segurou-o com mais força e Harry enlaçou os seus braços à volta do pescoço do outro, explorando o seu cabelo e a curva fina da sua colina de encontro ao tecido da roupa.

Estava a queimar. O coração acelerava-se cada vez mais e parecia que todo o sangue do seu corpo tinha ido alojar-se no seu pénis pulsante, mantendo-o teso entre os dedos do Mestre de Poções.

A voz de feiticeiros ecoavam pelas pedras frias do corredor, falavam alegremente, sem darem pela cena que se passava por de trás das portas. Harry nem se lembrava se Snape tinha posto um feitiço nelas.

Gemeu mais alto, começando a chamar pelo nome de Snape, enquanto arranhava-lhe as vestes negras.

Nunca tinha sentido nada a sim. As mãos hábeis do professor trabalhavam no prepúcio, endurecendo cada vez mais o membro quente. Com a outra mão, examinava com cuidado os genitais, arranhando-os levemente para depois massajá-los de encontro à sua mão quente. Conseguia ver claramente, por entre os dedos de Snape, a rede de veias nodosas a serpentearem até à extremidade do membro.

No seu corpo encheu-se uma centelha que o afogueava, provocando uma sensação de prazer extremo que centrava-se na extremidade da barriga, fazendo as suas entranhas andar às voltas.

As mãos de Snape, agora, estimulavam-no com movimentos suaves e pressões na base do pénis, fazendo-a girar com movimentos mais rápidos. Pouco tempo depois, chegou ao orgasmo em êxtase.

- SNAPE…

Por momentos, Snape ficou mirando-o atentamente enquanto gozava. Viu uma onda de fascinação passar-lhe pelas linhas da expressão facial, até que voltaram a moldar-se numa máscara de gesso. Recompôs-se para logo se afastar uns passos de ao pé de Harry, que sentiu a sua cabeça enevoar-se e uns arrepios de frio cortarem-lhe a pele, agora que Snape não estava lá para o aquecer.

- Por favor, não me deixes ainda – pediu, um desejo fugaz, bem o sabia, mas valia a pena sonhar.

- Sempre tão melodramático – ironizou Snape. – Eu não tenciono deixar-te se me obedeceres.

Harry sentiu-se inseguro. A verdade é que nunca fora lá muito bom a obedecer.

Snape devia ter-lhe lido os pensamentos porque respondeu:

- Não penses que me esqueci as tuas tendências para descumprir ordens, mas se queres que eu continue eu sugiro que me obedeças e estejas calado.

Snape despiu as calças e por fim as cuecas, deixando à mostra a sua erecção que se erguia por entre os órgãos genitais. Tinha ainda as mãos salpicadas do seu sémen. Como eu gostaria que ele o engolisse…

- Vira-te de costas – ordenou impacientemente Snape. – Agora, julgas que tenho o dia inteiro?

- Mas eu preferia ver o teu…

- DE COSTAS, POTTER. Julgas que eu quero ver os teus olhos de cãozinho abandonado grudando-se em mim?

Podia sempre sair. Snape não lhe amava nem nunca o amaria. Iria utilizá-lo sempre como um objecto para deitar fora, deixando-o a sentir-se sujo e usado. Alimentava-se do seu desejo por ele, mas não lhe dava nada em troca, deixando-o como uma concha vazia e melancólica.

Mesmo assim trincou a língua e fez o que lhe foi pedido. Encostou-se à secretária fria e sentiu um dedo comprido escorregar para dentro do seu ânus. Ao princípio, foi uma experiencia muito estranha, mas prazerosa. Quando já estava habituado à sensação do dedo dentro dele, Snape introduziu outro, excitando-o ainda mais. Sim, era a segunda vez este dia que o seu pau ficava duro por Snape.

O professor tirou os dedos deixando-o na expectativa. Isso era mesmo dele. Começar para logo terminar a meio numa tentativa frutífera de irritá-lo. No entanto o protesto morreu na sua garganta quando sentiu algo duro roçar o seu buraco.

Snape entrou dentre dele lentamente, tomando-o de encontro à secretária. Harry arqueou as costas inadvertidamente ao sentir uma sensação de dor latejante queimar-lhe o rabo. Quando Snape se mexeu foi ainda pior. Queria pedi-lo para parar, mas não queria dar-lhe motivo para o chamar cobarde, por isso aguentou o melhor que pode.

- Ahhh… Nhh…

Ia pedir para que Snape parasse, a dor que o pénis provocava ao raspar de encontro à sua pele era abominante e inflamava-o por dentro. Sabia o quanto grande o pénis de Snape era comparado com o seu ânus.

De repente sentiu uma onda de vergonha fuzilá-lo. Apenas tinha dezoito anos. Mal era um adulto. O seu corpo ainda estava em desenvolvimento e certamente que apresentava sinais de inexperiência. Certamente que Snape preferiria fazer isso com um homem mais maturo. O seu tronco, embora um pouco musculado devido aos treinos de Quidditch, era suficientemente estreito comparado com o de Snape. A seus olhos devia parecer-lhe uma criança.

Mas, quando ia pedir a Snape que parasse, ouviu claramente os seus gemidos. Sentiu-se ruborizar. De costas era impossível ver o seu rosto, Harry desconfiava que talvez fosse por causa disso que ele o tivesse pedido para se pôr de costas. No entanto, nada disso apagava os sons que os seus ouvidos eram capazes de captar.

- Pot…ter… - gemia abafadamente de encontro ao seu lóbulo esquerdo. – Ahhh… Afinal és capaz de obedecer. Se eu soubesse o que era necessário, talvez já o tivesse experimentado mais cedo.

- Isso seria ileg… Ahhh! Mais, por favor! – disse Harry rouco. Snape havia acertado nalguma espécie de ponto capaz de causar-lhe imenso prazer.

Mergulhava cada vez mais fundo e cada estocada fazia-o começar a gritar ainda mais alto, chamando por Snape numa voz rouca.

Era incapaz de acreditar que algo que era capaz de causar tanta dor pudesse ser também fonte de tanto prazer. Transbordava de excitação e o seu pénis estava novamente erecto.

Após várias estocadas o seu clímax começou a construir-se. Snape foi o primeiro a ejacular dentro dele, um líquido quente escorria-lhe dentro do corpo. Mas o professor não lhe largou, de facto continuou gozando com ele de vagarosamente, sussurrando-lhe palavras encorajadoras, enquanto tudo o que ele era capaz de gritar de volta era o seu nome junto dum conjunto de palavras obscenas.

A última coisa que se lembrou foi das mãos de Snape apertarem-lhe as nádegas suadas enquanto empurrou na sua direcção uma última vez. Harry chegou ao orgasmo pela segunda vez naquele dia.

Snape afastou-se dele o mais rápido possível deixando-lhe com uma sensação de desamparo evidente. Evocou um feitiço de limpeza e começou a vestir-se fazendo o possível por seguir cada movimento seu.

Como era possível o seu pénis ser simplesmente tão belo e obsceno? Queria tentar guardá-lo na sua memória para o caso de ser a última vez a vê-lo.

- Severus, posso entrar? – perguntou a voz clara da Professora Mcgonagall do outro lado da porta. – Preciso de falar contigo em privado, acerca do Potter.

Snape gesticulou com a varinha na sua direcção, lançando-lhe um feitiço não verbal para que o nó da sua gravata se apertasse em torno do seu pescoço.

Porque raios teria a Mcgonagall de os incomodar justo naquela hora?

Os segundos arrastaram-se enquanto Harry lutava com as calças do uniforme. Sabia que o Professor de Poções lançava-lhe um olhar agudo de aviso para se despachar. Quando finalmente se encontrava todo vestido, afastou-se de Snape uns metros decentes e pegou na sua mala enquanto fazia os possíveis por acalmar a respiração. Tinha a certeza que quem olhasse para o seu rosto seria capaz de ver os seus olhos injectados de sangue e o seu rosto ruborescendo.

- Podes entrar, Minerva – autorizou Snape num tom de voz aborrecido. Quem o visse não diria que tinha acabado de fazer sexo na sala de aula com um dos seus alunos. Sim, porque Harry esperava do fundo do seu coração que fosse apenas um.

Mcgonagall entrou olhando de Snape para Harry.

- Não sabia que estava aqui, Potter. Podias fazer o favor de nos deixar a sós? De qualquer forma julgo que já devias estar a ter aulas.

A Directora tinha razão. Já tinham passados dez minutos desde que a aula de Cuidados com as Criaturas Mágicas tinha começado. Mesmo assim estava curioso por saber o quê que iriam falar acerca dele.

- Se tem alguma coisa a ver com o ataque no jogo de Quidditch eu também tenho direito de saber. Se tivesse dentro do assunto eu seria capaz de lidar melhor com um próximo ataque.

- Próximo ataque? - perguntou a Directora perplexa. – Se tudo correr bem não terás nada com que te reocupar. Asseguro-te que podes descansar em paz.

- Mesmo assim eu preferia saber – insistiu Harry. As pessoas estavam sempre a oculta-lhe algo, e até agora isso só tinha vindo complicar a sua vida.

- Silêncio – ordenou severamente Snape. – Esta conversa não te diz respeito. Estás atrasado para a tua próxima aula e devias estar-te apresando. Tens muita sorte em eu não te ter tirado mais pontos.

- Sim, senhor.

Ao sair da sala tentou escutar à porta mas, aparentemente, Snape tinha de facto lançado um feitiço anti-som.

Deixou-se ficar imóvel por momentos, tentando recordar-se da sensação do pénis do Mestre de Poções dentro dele. A forma como o tinha feito gritar de prazer. Nunca antes tinha-se sentindo tão excitado. Snape, de facto, tinha tanta coisa para lhe ensinar, e ele mal podia esperar.

FIM

Deixem um review por favor. Se não tiverem tempo basta um smile.

N/A: Desculpem-me pelo atraso. Como já devem ter notado este capítulo foi muito maior e demorou mais a ser completo. Até pensei em dividi-lo em duas partes. Espero que os próximos sejam um pouco mais pequenos.

Queria mesmo agradecer a todos os que deixaram comentários (incluindo os anónimos). Vocês tornaram os meus dias mais felizes.