A assessoria de Rachel Berry confirmou nessa segunda-feira, 25, que a cantora e atriz interpretará Elphaba na produção de Wicked para o cinema. Sob a direção do premiado diretor Bryan Michael, o elenco conta também com a atriz Quinn Fabray como Glinda e com o cantor e ator Jesse St. James – famoso pelas sua atuação em Sweeney Todd, na Broadway – como Fiyero.
Com a estreia de Berry no cinema, os fãs da atriz e os apreciadores do bom teatro especulam se ela irá trocar os palcos pela tela.
"Não pretendo me despedir da Broadway tão cedo. Embora esteja me aventurando pelo mundo do cinema, ainda há muitos papéis que sonho representar na Broadway e espero conseguir pelo menos alguns", Rachel nos assegurou.
Sobre os rumores de que ela havia sido sondada para Christine no revival de Fantasma da Ópera, mas perdeu o papel para Amy Louvain, a atriz foi clara.
"Estou em outro momento da minha carreira agora. A oportunidade de dar vida à Elphaba no cinema é algo que eu não quis deixar passar. Quanto à Christine, acredito que Amy está apta para o papel. Se minha agenda permitir, pretendo comparecer à estreia."
Robert Gerard, aclamado crítico de cinema, foi um dos primeiros a se pronunciar sobre a escalação de Wicked.
"A produção escolheu um elenco interessante. Com dois dos papéis principais indo para artistas da Broadway, a aposta foi alta. Entretanto, pelo que conheço de musicais, já tendo visto pessoalmente a atuação da Sra. Berry e do Sr. St. James, não tenho dúvidas sobre sua competência. Quinn Fabray atrairá um público mais jovem para o filme, enquanto Berry e St. James trarão um público mais maduro. Embora não duvide da capacidade de Bryan Michael, estou ansioso para ver como ele vai agradar aos dois públicos. Quanto aos roteiristas, creio que podemos esperar um filme cheio de humor e emoção. Lindsay tem vasta experiência no teatro, e Henry concorreu ao Oscar de melhor roteiro adaptado em 2017. Wicked promete trazer para o cinema uma nova fórmula e, se realmente cumprir essa proposta, vejo-o facilmente como um filme vencedor de grandes prêmios."

Rachel largou, com um sorriso, a coluna de entretenimento do The New York Times no criado mudo ao lado da enorme cama de casal do hotel.

Seu sorriso, contudo, vacilou quando seu celular começou a tocar e ela viu o nome na tela.

– Oi, querido. Como estão as coisas por aí? Lembrou de depositar o dinheiro da faxineira esse mês? – Rachel atendeu, fechando os olhos e forçando uma voz simpática. Sabia que Finn estava muito, muito chateado com ela.

– Como você pode falar como se nada estivesse acontecendo, Rachel?! Você me avisou em um dia que aceitou um papel de um filme e no dia seguinte estava entrando num avião para Los Angeles. E a preocupação que você tem é se eu paguei a faxineira?!

– Querido, nós conversamos sobre isso. Você sabe por que eu não te falei antes. Errei, admito... mas aceitei a proposta em um impulso, não deu tempo de conversarmos antes.

– Pensei que éramos companheiros. Você não decide uma coisa dessa importância sozinha. O que eu sou pra você, afinal? O babaca que tem tempo para passar no banco e pagar as contas?

– Finn... você realmente me ligou para continuar a discussão que deixamos em New York? Claro que somos companheiros. Já pedi desculpas por não ter te informado antes sobre a proposta. Eu mesma não pensava em aceitar até aquela tarde no Central Park! Eu te disse isso! Você pode, por favor, me perdoar e deixar esse assunto de lado? São só quatro meses e eu estou de volta. Quem sabe antes, se eu conseguir uma sexta livre...

– Sua atitude foi ridícula, Rachel. Me informar! Olha o jeito que você fala! Me informar! Eu não sou um dos seus fãs, nem sou um entrevistador da porra do New York Times! Sou seu marido, e devia ter direito a alguma opinião nesse assunto...

Rachel respirou fundo para se impedir de dizer alguma coisa idiota.

– Você tem razão. Não agi corretamente. Conversaremos sobre isso mais tarde. Preciso correr agora. Tenho horário marcado no estúdio para gravar as músicas. Eu te ligo quando terminar, tudo bem?

– É, é.

A despedida seca do marido a fez sentir, pela milésima vez, uma culpa enorme.
Mas, apesar de realmente ter pisado na bola, Rachel se perguntava como ele apenas não podia ficar feliz por ela.

Claro, se fosse chamada para O Fantasma da Ópera, ela facilmente deixaria o filme de lado... mas, com tudo que estava acontecendo, a mulher começava a se dar conta de que Wicked seria um enorme salto em sua carreira, uma chance em um milhão. Já estava na hora de Rachel abandonar o plano de vida que ela traçara em sua infância e adolescência. A vida dificilmente poderia ser planejada, por mais que quisesse acreditar no contrário.

Com um suspiro, ela pegou sua bolsa e desceu para a recepção, onde um táxi já a aguardava do lado de fora do hotel.

– Muito bom, Rachel! Vamos gravar uma última vez. Consegue segurar essa nota final por mais um ou dois segundos? E quem sabe colocar um pouco mais de drama. – O produtor responsável pela equipe de som e música perguntou, olhando brevemente para Bryan, que acenou a cabeça concordando.

Rachel sorriu quase arrogante. Ajeitou o grande fone em seus ouvidos e respondeu:

– Até mais, se precisar.

O produtor sorriu levemente.

Ela então respirou fundo, esperando o sinal de que estavam gravando acender para que ela começasse a cantar "No Good Deed".

E mesmo que estivesse cantando em um estúdio, onde só o que importava era sua voz, Rachel agia como se estivesse no palco. A expressão se transformando para transmitir sentimento em cada linha cantada, os braços abertos como se estivesse abraçando a plateia, as mãos indo para o coração no momento em que ela chamava, desesperada, o nome de Fiyero no meio da música. Ao final, fez questão de segurar a última nota por mais quatro segundos, a voz retumbando forte, carregada de emoção.

Quando ela terminou, o estúdio ficou em silêncio por um momento, enquanto ela recuperava o fôlego.

– Excelente, Rachel! Excelente. Não poderíamos ter conseguido uma Elphaba melhor. – Bryan elogiou.

Ao ouvir um murmúrio de concordância do resto do pessoal, ela abriu um enorme sorriso, a respiração já normalizada.

– Obrigada. Sei a trilha sonora de Wicked de cor desde os meus doze anos.
Com uma risadinha, o produtor tomou a palavra.

– Chegamos ao fim do seu horário por hoje. Pode vir aqui, Rachel.
Quando ela saiu do isolamento de vidro do estúdio, indo encontrar com a equipe, ela reparou em uma pessoa que, ela podia jurar, não estava lá dois minutos atrás.

– Quinn! Não tinha te visto.

A loira sorriu.

– Meu horário de gravação é agora, logo depois do seu. Cheguei um pouco mais cedo, por sorte.

Rachel soltou uma risadinha.

– Por sorte?

– Sempre soube que você é fantástica... mas essa última música... Minha memória não faz jus ao que é te ouvir cantar pessoalmente. É sempre uma sorte presenciar isso. – A atriz olhou diretamente para Rachel.

– Obrigada, Quinn. – A morena disse depois de um momento. A resposta da outra a deixou levemente tensa. De alguma forma, sentia que a companheira de elenco havia ultrapassado o limite da cordialidade, chegando a um nível totalmente diferente, de uma intimidade que elas não mais compartilhavam.

Quinn pareceu ter sentido a mesma coisa, e desviou o olhar. Um silêncio desconfortável se formou entre as duas mulheres. A loira limpou a garganta.

– Vou começar a aquecer minha voz. Com licença, Rachel.

– Bom Rachel, mesmo horário amanhã? Estou otimista que conseguiremos, até o final da semana, gravar com você, Quinn e Jesse todas as musicas individuais. – Bryan colocou a mão no ombro da morena.

– Claro, claro. – Ela respondeu, mas não se despediu, como obviamente era esperado.

A verdade é que, agora que sabia que Quinn seria a próxima a cantar, queria ficar um pouco mais. Só um pouco, ela se assegurou mentalmente. Só para saber se os vocais da loira iriam conseguir chegar ao nível que uma personagem como Glinda exigia.

O diretor pareceu ter notado a vontade de Rachel e lhe lançou um pequeno sorriso antes de adiantar-se para conversar com o produtor.

A mulher aceitou um copo de água que lhe era oferecido por um dos assistentes, feliz por ter o que fazer e, ao mesmo tempo, manter o corpo hidratado e a voz bem-cuidada.

Sentou-se no sofá de couro preto no fundo do estúdio, franzindo a testa e passando a mão pelo tecido, tentando identificar se era couro natural ou não.
– Berry, por que diabos você está apalpando o sofá? É uma espécie de fetiche louco pansexual?

– Santana! – Rachel levantou os olhos para encontrar a latina parada ao seu lado, os braços cruzados acima do peito. – Que surpresa te ver por aqui! Acho que a palavra que você procura não é "pansexual", e sim "parafilia" que, entre suas várias categorias, também inclui objetos. E para responder sua pergunta, não, não é um fetiche parafílico. Estou apenas tentando descobrir se esse é um dos muitos lugares ecologicamente incorretos que usam couro natural no lugar de sintético em sua mobília.

– É, tanto faz. – Santana revirou os olhos e sentou ao seu lado. –Vejo que você ainda é uma eco-chata.

Rachel bufou indignada.

– Se não consumir produtos de origem animal e zelar pelos seus direitos é ser eco-chata, então sim, eu ainda sou uma.

Santana suspirou como se estivesse em profundo sofrimento.

– O que você está fazendo aqui, de qualquer forma? Pensei que sua gravação fosse antes da de Quinn.

– Pensou certo. O que você está fazendo aqui? – Rachel retorquiu.

– Q. tem uma entrevista para um desses portais online de cinema depois que terminar aqui. Vou esperá-la. Além do mais, preciso de um tempo. Passei minha tarde inteira entrevistando candidatos para serem meus estagiários. Teve uma hora em que eu apenas tive que respirar e me dar uma folga daqueles universitários repetindo que trabalhar na equipe de Quinn Fabray é um sonho. – Ela respondeu com desdém.

Rachel estava quase ofendida por aquelas palavras.

– Você não devia menosprezar sonhos, Santana!

Antes que a latina pudesse responder, entretanto, Quinn começou a cantar e Rachel voltou sua atenção para a loira.

Ela cantava com as mãos por cima do fone, os olhos fechados. O queixo da morena caiu levemente. Não era nenhuma voz de cantora da Broadway, mas definitivamente, definitivamente, Quinn tinha melhorado muito sua técnica vocal. Ela quase não desafinava nas notas mais agudas – como fazia a Quinn do ensino médio – e conseguia transmitir emoção para a música de forma decente. Rachel arrepiou levemente quando a loira chegou ao refrão.
Santava soltou uma risadinha.

– Q. nunca parou de cantar. Ela entrou nas aulas avançadas de canto em Yale e tem feito seis meses de aulas particulares para se preparar para esse papel. Quinn foi a primeira a ser convidada para Wicked e a primeira a aceitar. – A latina disse com a voz surpreendentemente suave.

– Eu não sabia disso. – Rachel murmurou, ainda envolvida pela música cantada por Quinn. Se ela não tivesse desafinado aquelas duas vezes...

– Claro que atuar sempre vai ser o ponto forte dela. – Santana falou, notando a desafinação da amiga.

– Ela poderia alinhar o pescoço.

– Como é? – Santana ergueu uma sobrancelha.

– Vê, Quinn geralmente fica com o queixo apontado para cima, o pescoço alongado. Isso faz com que o trato laríngeo também esteja alongado, passando a trabalhar em condições precárias. Ela precisa alinhar o pescoço. Isso vai facilitar o controle dos músculos abdominais também.

Santana lançou-lhe um olhar estranho, mas acenou a cabeça.

– Ei! Julian! Fala pra Quinn abaixar esse pescoço e manter a postura reta. Ela não está andando no tapete vermelho, não precisa desse queixo erguido como uma vaca orgulhosa. – Santana gritou para o produtor, que sorriu e repassou as instruções para a loira de uma forma muito mais delicada do que a da latina.

Rachel olhou escandalizada para a antiga companheira de Glee.

– Como você fala assim com ele?

– Conheço o Julian há anos. – Santana dispensou-a com um aceno de mão. – Ele produzia um seriado que uma das minhas antigas clientes protagonizava. Um bom contato para se ter.

– Quinn não é uma vaca orgulhosa! – Rachel insistiu com a voz alta para que o resto do pessoal ouvisse, em um impulso súbito de defender a loira.

– Relaxa, Berry. Todos aqui sabem que ela não é uma vaca. – Santana revirou os olhos, deixando claramente o orgulhosa de fora.

Rachel foi poupada de ter que responder quando seu celular tocou.

– Lauren, como vai?

– Rach, onde você está? A repórter do LA Weekly vai chegar ao hotel em cinco minutos!

Rachel colocou a mão na própria testa. Não acreditava que tinha esquecido completamente da entrevista para o jornal.

– Estou no meu caminho. Se ela chegar, peça desculpas e diga que logo estarei aí.
Rachel desligou o aparelho e levantou-se do sofá, alisando sua blusa.

– Preciso correr, Santana. Sempre bom te ver. – Ela despediu-se apressada.

– Aham. Até mais, Berry.

Rachel acenou para o resto da equipe no estúdio e correu para pegar um táxi, sendo parada no caminho para um autógrafo.

Quando finalmente chegou ao hotel, vinte minutos depois, Lauren a esperava na sala de reuniões do lugar, conversando com uma mulher morena que usava óculos muito grandes para seu rosto.

– Desculpe o atraso. – Rachel avançou para a mulher com a mão estendida, um grande sorriso no rosto.

– Tudo bem, Sra. Berry. Entendo que a agenda está lotada.

– Rachel, por favor. – Ela sorriu e sentou-se à mesa, ao lado de sua assessora.

– Podemos começar?

A morena sorriu novamente antes de acenar com a cabeça.

Meia hora depois a entrevista tinha acabado.

– Acho que foi tudo bem, não?

Lauren acenou com a cabeça.

– Foi muito bom, Rach. O jeitinho Berry de lidar com a imprensa é sempre apropriado.

Rachel soltou uma risadinha.

– Jeitinho Berry, é?!

Lauren sorriu, mas logo sua expressão fechou e ela olhou para a morena seriamente.

– O que aconteceu com você hoje? Você nunca atrasa.

– Tive que fazer umas coisas no estúdio. – Rachel murmurou.

– Umas coisas? Mas sua gravação não tinha acabado?

– Sim.

– Rachel...

Então, pela segunda vez em menos duas horas, seu celular a salvou de ter que procurar por uma resposta.

– Kurt. Tudo bem com você?

Rachel ouviu uma fungada do outro lado da linha.

– Eu... Rachel... como está tudo aí? Você foi gravar no estúdio hoje?

A morena impediu-se de entrar no assunto sobre o seu dia; algo estava claramente errado com o melhor amigo.

– Kurt. O que aconteceu?

Outra fungada.

– Cancelaram, Rach.

– O que cancelaram? Espera, cancelaram sua peça?!

Rachel sabia que o espetáculo que Kurt interpretava na Off-Broadway estava em processo de análise. Os produtores não sabiam se iriam renovar para uma nova temporada.

– Sim. – Kurt soltou o ar pela boca. – Você acredita nisso?

– Não! Não acredito! Estava indo tão bem!

– Sabe, Rach... às vezes acho que deveria ter continuado na Vogue. Teatro não é para mim. Não sou macho o suficiente para ser o protagonista masculino, minha voz não serve para o núcleo dramático... estou cansado de só ser o humor das peças. Acho que... acho que está na hora de cair na real. Vou ligar para os meus contatos no mundo da moda... vou...

– Kurt, para com isso! Você é um dos melhores atores que eu conheço! A Broadway perde tanto em não te dar o devido valor...

Uma terceira fungada, seguida de uma risadinha seca.

– Nada que eu possa fazer para mostrar, não é? Agora que cancelaram meu espetáculo. Mas estou precisando de uma distração, querida. Como foi o estúdio?!

Então algo clicou na cabeça de Rachel.

– Kurt, vou fazer algo para te ajudar e vou fazer agora! Isso tudo é muito injusto com você, e você vai mostrar para eles do que é capaz!

Então, sem mais, Rachel desligou o celular e saiu para pegar um táxi de volta para o estúdio. Com alguma sorte, a equipe ainda estaria gravando e ela poderia ao menos tentar ajudar seu amigo. Tudo que ela precisava era um contato bom para se ter.


Yô pessoas, tudo bem?

Bom, eu juro que odeio ser a autora chata que pede reviews. Mas também juro que receber um de vez em quando não dói. HAHA. Sério, queria muito saber o que vocês estão pensando dessa história. Os reviews geralmente fazem meu dia, e não vejo muita empolgação/resposta com essa fic. Gostaria de saber o que acham e mimimi.

Considerem me deixar um, sim?

:)

BJBJ e até o próximo.

Eu não ia falar, mas provavelmente vai ser do ponto de vista da Quinn.