Essa Fic é uma tradução de His Boy de The-Shy-Quiet-One e a versão original pode ser encontrada nos meus favoritos.

Harry Potter e seus personagens não são meus e os nomes utilizados não foram traduzidos.

His Boy

Capítulo um: Freedom/Liberdade

Sirius gemeu segurando sua cabeça apertadamente em suas mãos sujas. Ele sentou no chão frio do canto de sua cela, seu lugar preferido, pois era o mais longe possível da porta e dos dementadores. Ele também preferia manter seu rosto escondido em suas mãos, pois isso o prevenia de sentir que as quatro altas paredes de pedra da cela estavam se fechando contra ele o tempo todo, especialmente na escuridão. A única luz que chegava à cela vinha do corredor, através da fresta debaixo da porta, o que permitia a Sirius perceber as formas dos itens que ali existiam. Um banheiro no canto oposto e uma almofada esfarrapada de colchão no chão, do lado oposto ao banheiro. O colchão tinha uma manta de algodão esburacada, tão suja que voava poeira quando Sirius a puxava para se cobrir e nada mais. Sem travesseiro, sem lençóis.

Sirius passava muito tempo em sua cela pensando, não tendo nada mais para fazer exceto comer quando a bandeja de comida chegava. Ele sabia que outros prisioneiros estavam em celas comuns, e eles pelo menos tinham um ao outro como companhia. Mas Sirius era considerado um prisioneiro de segurança máxima, e, portanto, tinha de passar o resto de sua vida sentado naquele canto, sozinho. Mas ele tentava manter-se alegre com as memórias felizes que lhe foram permitidas manter... Aquelas que os Dementadores não poderiam nunca tirar dele.

Sirius podia imaginar os rostos daqueles que ele muito amou. Dos seus queridos amigos perdidos James e Lily Potter e do filho deles, Harry. Especialmente o de Harry, que ele sabia que estava vivo e presumivelmente bem. Pelo menos ele poderia sempre ter um pequeno raio de esperança... De que aquele precioso menino, que ele havia visto nascer e ajudado a criar até os Potters terem que se esconder, ainda respirava. Seu pequeno coração ainda batia em seu peito, apesar da tentativa de o destruírem.

Mas agora, Sirius nem ao menos sabia quantos anos Harry poderia ter, ele havia perdido o curso dos anos. No começo, Sirius havia mantido sua noção de tempo fazendo marcas no pó que havia na parte de trás da porta, mas então, depois de setenta e três marcas, eles o mudaram de cela. Era menor que a outra, pois haviam precisado colocar mais de um ocupante nela por causa do grande numero de capturados e julgados culpados de serem Comensais da Morte depois da queda de Voldemort.

Sirius apenas ponderava se Harry ainda possuía a vassoura de brinquedo que ele havia lhe comprado em seu primeiro aniversário quando ouviu um bater na porta. Ele se levantou, já era hora do jantar? Eles não haviam se preocupado em coletar a bandeja do almoço ainda... Não poderia ser hora do jantar. Mas então, talvez eles fossem mudá-lo de cela novamente? Ou... Ou... Ele mal podia pensar nisso... Ou eles decidiram administrar o beijo do dementador. Ele engoliu em seco, mas não queria se passar por covarde. Ele era um ex-Grifinório afinal. Ele empurrou seus pés, ficando tão alto e tão orgulhoso quanto conseguia com suas fracas pernas. Ficar preso numa cela por anos leva a uma cobrança de seus músculos, ele percebeu. Ele sempre foi magro, mas agora ele era apenas pele e ossos cobertos em seu uniforme de prisão.

A porta se abriu e Sirius teve que cobrir seu rosto utilizando seus braços como escudo para seus olhos devido à luz que praticamente o cegou. Definitivamente não era hora de refeição. Eles nunca abriam a porta para isso, bastava introduzir a bandeja por uma fenda na porta que se mantinha selada enquanto eles não estavam entregando ou retirando a bandeja de algum prisioneiro. O que eles queriam então? Com certeza... Eles não poderiam estar dando a ele o beijo do dementar, poderiam? Não depois de tanto tempo em uma cela...

"Sirius". Aquela voz… era tão familiar e fez Sirius forçar seus olhos a se ajustarem a luz que invadia a cela, iluminando a silhueta de uma alta e magra figura, suas vestes varrendo o chão enquanto ele entrava na cela até chegar a Sirius. Uma velha face barbuda em vista, óculos de meia lua brilhando na luz.

"Dumbledore?" Sirius perguntou sua voz falhando pelo desuso e poeira. Ele não poderia, por mais que tentasse, manter o choque fora de sua voz, nem a esperança. Ninguém havia o visitado em Azkaban antes... Então deveria haver uma razão para Dumbledore estar aqui. Iria ele coordenar a perda da alma de Sirius? "O que você está fazendo aqui?"

"Eu vim para buscar você, Sirius." Dumbledore disse gentilmente, estendendo uma mão para apertar a palma suja de Sirius. "Você é, a partir de hoje, um homem livre".

"Mas… como?" Sirius perguntou; uma completa confusão explodindo em sua mente. Isso tinha que ser um sonho, era isso. Ele finalmente havia caído no sono em seu canto, ou ele oficialmente havia ficado louco. De jeito nenhum ele seria algum dia liberado de Azkaban. Ele deveria passar o resto de seus dias aqui, definhando até não restar nada dele a não ser algo que mesmo os dementadores teriam problemas para sugar sua alma.

"Como você certamente se lembra, você foi colocado aqui sem um julgamento, acusado de matar Peter Pettigrew e uma dúzia de trouxas em uma rua cheia de testemunhas, bem como ter dado a localização de James e Lily Potter a Voldemort."

"Eu nunca…!" Mas Dumbledore levantou sua mão, silenciando Sirius para que ele pudesse continuar, precisando falar antes que Sirius fosse permitido.

"Ontem à noite, Peter Pettigrew foi capturado, fora do vilarejo chamado Ottery St. Catchpole. Ele estava vivendo como um rato, numa forma animaga, como o animal de estimação de um dos meninos Weasley. Aparentemente, Peter não pode passar outra noite como um rato e saiu para o jardim para passar um tempo como humano. A criança mais nova o viu pela sua janela e seu grito alertou seus pais e irmãos mais velhos que ajudaram a capturá-lo. Arthur e Molly o reconheceram da escola e o levaram direto ao ministério. Ele está sob custódia e admitiu tudo através de Veritaserum."

"Como... como pode..." Sirius ofegou, não acreditando em seus ouvidos. Poderia isso ser verdade? Poderia ele realmente... Poderia o mundo realmente saber agora que ele era inocente?

"Eu sei que isso parece impossível. Mas, Sirius Black, você está oficialmente permitido a sair por essas portas e ver a luz uma vez mais. O Ministério vai publicamente se desculpar com você, mas eu acho que você gostaria de um tempo para se recuperar antes disso." Dumbledore sorriu, ficando de lado e gesticulando para a porta, oferecendo a Sirius ir primeiro... Deixar sua cela... Deixar Azkaban pela primeira vez...

"Em que ano estamos?" Sirius cautelosamente saiu de sua cela, mas os guardas bruxos não tentaram retê-lo ou o colocar de volta na cela. Ao invés disso, eles o olharam tristes do fato de terem ajudado a manter um homem inocente preso.

"Hoje é trinta de julho de mil novecentos e oitenta e quatro." Dumbledore informou, assim como fez sinal para Sirius o seguir, ignorando zombarias e escárnios dos outros presos de segurança máxima que ouviram toda a conversa através das fendas de suas portas. "Você tem estado aqui há aproximadamente três anos e meio."

"Oooh pequeno Sirius, querido priiiiiiiimo." Sirius tentou ignorar o cantarolar de sua prima, Bellatrix Lestrange que com seus dedos longos cutucou por baixo da porta ao lado da cela que não era mais sua. "Querido querido primo, leve sua pobre amada Bella com você."

"Sem chance, sua vadia." Sirius pisou nos dedos de Bella, causando um uivo antes de ela rir insanamente. Ela a ignorou e continuou atrás de Dumbledore, subindo oito conjuntos de escadas até chegar ao topo da prisão e Sirius ter seus primeiros vislumbres do céu fora das janelas.

"Padfoot." Sirius sacudiu ligeiramente, ao ouvir o som da voz familiar vindo de perto da porta que levava para fora daquele lugar horrível. Ele desviou sua atenção das magníficas janelas para encontrar um homem parecendo esfarrapado olhando para ele, um amplo, mas levemente culpado sorriso em seu rosto amigável. Ele deu um cauteloso passo a frente, mas Sirius quase começou a correr. Ele deixou sair uma risada estrangulada que vinha segurando por anos e jogou seus braços em volta de seu melhor amigo, o abraçando fortemente, agarrando as costas de suas vestes.

"Moony." Remus quase caiu para trás, mas abraçou Sirius de volta igualmente forte, seus olhos fecharam contra as lágrimas de alegria e alivio que ameaçavam cair.

"Sirius, eu sinto muito." Remus disse quando eles se soltaram. "Eu deveria saber mais do que pensar que você faria…" "Esqueça." Sirius chacoalhou a cabeça, abraçando Remus novamente, se mexendo como um cachorro que balança o rabo bem rápido. "Se tivesse sido ao contrario, eu teria pensado o mesmo de você. Eu estou feliz de te ver, apesar de você parecer que passou por algumas luas." Sirius franziu a testa, soltando seu melhor amigo e o olhando de cima a baixo.

"Não é fácil lidar comigo mesmo, isso é tudo." Remus lhe deu um pequeno sorriso de segurança. "Você, de qualquer maneira, parece horrível. Do que eles te alimentam aqui? Uma dieta de repolho?"

"Esse lugar é o inferno, Moony." Sirius balançou a cabeça, enquanto andavam para a porta, Remus manteve um olho nele com medo de que ele caísse de joelhos a qualquer momento. "Eu só… estou chocado de estar saindo, atualmente. Eu nunca imaginei…" Mas Sirius não conseguiu terminar sua frase quando Dumbledore segurou a porta para os dois e Sirius finalmente teve sua primeira visão do mundo de fora.

Eles estavam em uma ilha rochosa cercada por um agitado oceano que parecia frio e cinzento. O céu acima deles era um branco puro, uma camada de nuvens após a tempestade da noite passada, mas que Sirius havia se esquecido. Ele não tinha ouvido a chuva por três anos. Era um lugar bem sombrio, mas Sirius sabia, ele simplesmente sabia, que atrás de toda aquela água… havia cor e a promessa de boas coisas por vir.

"Dumbledore?" Sirius perguntou após um minuto enquanto eles andavam até a zona especial de aparatação da ilha. Alguém só poderia aparatar ou desaparatar em um lugar específico do monte de pedras, tornando mais difícil para os prisioneiros, que não conheciam o lado de fora da ilha, escapar.

"Sim?" Dumbledore voltou a olhar para ele quando eles alcançaram a pequena câmara de pedras e entraram nela, completamente cercados em todos os lados pelas altas pedras cinzentas.

"Quando… quando eu poderei ver o Harry?" Sirius perguntou, se sentindo como um garotinho da escola novamente, debaixo do clássico olhar de Dumbledore sob os óculos. O homem mais velho deu um pequeno e triste sorriso. "Quero dizer… Eu sou seu guardião legal, e agora que estou livre, é minha responsabilidade cuidar do garoto."

"Você poderá ver Harry quando chegar a hora, mas receio que não será muito em breve. Nós devemos primeiro ter a permissão de sua tia e tio, que, eu receio, não estarão muito a fim de nos permitir visitar o garoto, já que são trouxas."

"Trouxas?" Sirius perguntou perplexado por um momento antes de isso ocorrer-lhe. Ele sabia a quem Dumbledore estava se referindo. "Você não quer dizer… não aquela irmã horrível da Lily? Mas ela abomina mágica, Dumbledore! Isso não é…".

"É o lugar mais seguro para ele, Sirius." Dumbledore tentou explicar, parecendo mais velho por um segundo. Ele obviamente tinha esperado que essa pergunta não viesse tão cedo. "Há circunstancias em que…".

"Dane-se as circunstancias, Dumbledore! Meu afilhado merece mais do que uma casa cheia de trouxas que odeiam mágica para criá-lo!" Sirius olhou para Dumbledore, indignação por todo seu rosto esquelético. "Ele possivelmente não está feliz com eles, eles provavelmente… provavelmente… estão tentando tirar a mágica de dentro dele! Ele realmente gosta de lá?"

"Sra. Figg tem reportado que eles está bem contente, pelo meu entendimento." Dumbledore explicou, apesar disso, tanto Sirius quanto Remus pareciam um pouco apreensivos. Os dois haviam conhecido a irmã de Lily, Petunia, em uma única ocasião e não tiveram uma boa impressão. Ela havia ido com seus pais levar Lily em seu quarto ano de escola, e Lily acabou em lágrimas porque sua irmã gritava toda a sorte de nomes para ela. Palavras como "maluca" e "anormal". Ela nem havia se incomodado em ir ao casamento de Lily, mesmo tendo sido convidada.

"Quem é a senhora Figg?" Remus perguntou rapidamente, querendo saber mais, mas Dumbledore o cortou.

"Nós precisamos ir agora. Nós podemos discutir isso mais tarde em… um lugar seguro." Dumbledore olhou ao redor, como se esperasse ver alguém entrar na câmara de rochas, mas não havia uma única alma ali. Apesar disso, ele estava certo. Só porque Voldemort estava presumivelmente acabado, isso não significava que o mundo em volta deles era completamente seguro. Quando se discutiam coisas tão preciosas e secretas como a casa do menino que sobreviveu, era melhor ser feito em privacidade.

"Certo." Remus acenou e Sirius olhou hesitante, mas acenou também. "Onde nós estamos indo? Eu não tenho uma varinha, então eu não posso aparatar muito bem…" Sirius constatou; isso finalmente lhe ocorrendo. Ele havia ficado sem sua varinha por tanto tempo, que sua mera memória parecia como um sonho, mesmo que ela a tenha tido por bons 10 anos em sua vida.

"Eu tenho sua varinha bem aqui, Sirius." Dumbledore procurou dentro dos bolsos de sua veste púrpura e retirou um bastão longo e comprido, polido e parecendo muito bem cuidado apesar da sua falta de uso. Os olhos de Sirius se alargaram e instantaneamente ele pegou sua varinha das mãos de Dumbledore, um calor espalhando pelo seu braço quando se juntaram varinha e bruxo. Era como se faltasse um pedaço de si mesmo que havia acabado de encontrar. Ele a segurou com força, alguns lampejos saindo da ponta da varinha, que se alegrava também.

"Obrigado… por não deixá-los destruírem-na" Dumbledore sorriu de volta para ele e então acenou sua mão.

"Nós vamos para a velha casa de sua família, Sirius. Vocês dois sabem onde ela fica, mas eu não direi o nome caso alguém esteja nos ouvindo. Nós devemos manter em segredo por enquanto". Os dois homens mais jovens acenaram com a cabeça em acordo. "Vamos, então".

Os três homens giraram no lugar, todos aparatando como um só, um forte estalo ecoando no céu acima deles nesse momento. Eles apareceram um momento mais tarde em um pequeno quarteirão de casas que pareciam miseráveis. Sirius deu um longo suspiro, respirando o ar. Depois de Azkaban, até mesmo seu pesadelo de infância seria uma visão de boas vindas para ele.

Dumbledore e os dois jovens homens se aproximaram dos números 11 e 13 do Largo Grimmauld e assim que chegaram, o numero 12 pareceu deslizar para fora enquanto aparecia. Sirius fez uma careta, mas depois sorriu, notando que ninguém da sua família estaria ali. Eles todos haviam ido, e ele não poderia ficar triste por conta disso, eles haviam sido tão podres. A única coisa ruim sobre a casa seria o que permaneceu como decoração e mobiliário. Se ele iria conseguir a custódia de Harry, então ele iria querer dar à casa uma boa lavagem e possivelmente uma transformação.

Assim que entraram no numero 12, Sirius fez uma careta. O lugar estava coberto de poeira e tão horrível como ele lembrava que seria. O velho porta guarda chuvas de pernas de Troll ainda estava do lado da porta e o papel de parede do longo corredor cheio de quadros e imagens que pareciam que poderiam fazer um bom uso de um esfregão. Ele gemeu e a Cortina comida por traças pendurada no corredor se abriu...

"CRIANÇA ABOMINAVEL! O QUE VOCE ESTA FAZENDO AQUI, SEU PEQUENO REPULSIVO..." Sirius pulou quando a voz de sua mãe surgiu, enchendo o ar com um tom raivoso e estridente que irritavam seus nervos. Ele se moveu para frente e agarrou as cortinas, olhando para o quadro. Ele as puxou fechando o mais forte que podia.

"Eu havia esquecido aquela maldita coisa." Ele olhou para as cortinas. "Dumbledore, nós temos que ficar aqui? Moony, porque não podemos ir até a sua casa?"

Remus balançou sua cabeça, franzindo um pouco a testa. "Minha locadora está passando por um dos seus acessos maníacos. Não é seguro aparecer por lá até tarde dessa noite, depois de ela ter se desgastado."

"Sua locadora tem acessos maníacos?" Sirius perguntou curiosamente enquanto ele e os outros entravam na cozinha do porão para falar com mais privacidade. Provavelmente sobre Harry.

"Ela é meio banshee e eu tenho um vizinho realmente velho que está para bater as botas em breve. Embora isso de a ela tempo para encontrar novos inquilinos." Remus deu de ombros e deu a Sirius um pequeno sorriso. "Estou certo que uma vez consertada, essa casa pode ser grande."

"Sim, eu acho." Sirius acenou, passando a mão ao longo do corrimão empoeirado que dava para a cozinha do porão. Remus estava certo, como sempre. Com um monte de enfeites, esse lugar poderia ser uma casa decente, assim que ele pudesse encontrar uma maneira de se livrar dos feitiços permanentes, os quais sua mãe tinha certa predileção. "Dumbledore, você vai me contar mais sobre Harry ou não?" Ele perguntou, assim que entrou na cozinha suja.

"Não é de todo aconselhável para você tirá-lo de seus tios, Sirius. Enquanto ele estiver lá, está protegido da melhor maneira possível." Dumbledore suspirou, tomando um lugar à mesa. Sirius e Remus o seguiram, Sirius sentando a sua frente e Remus ao seu lado.

"Eu posso protegê-lo muito bem!" Sirius bateu sua mão na mesa. "É o que James e Lily queriam Dumbledore! Eles ficariam completamente loucos de raiva se soubessem onde o filho deles está nesse momento. Aposto que eles estão Rolando em seus túmulos agora, só de pensar que seu filho está vivendo com aqueles... aqueles... aquelas pessoas."

"É o melhor, Sirius. Você tem que entender, ele não pode ser tirado de seus tios, ao menos que as circunstancias assim exijam. Se eles o estão tratando mal ou-".

"Como você pode ter certeza que eles não estão? Aquela mulher tratava Lily, LILY! A melhor pessoa de todo o maldito planeta! Como absoluto lixo desprezível, Dumbledore! Só porque ela era uma bruxa. E se Harry está passando pelo mesmo porque ele é um bruxo?"

"Eu estou certo de que ele está perfeitamente bem, Sirius. Os Dursleys tem um filho que é quase um ano mais velho que Harry."

"Mas como você pode ter certeza?" Sirius perguntou levantando de sua cadeira e andando pelo chão sujo, levantando poeira e fazendo com que ele mesmo espirrasse. Ele rosnou de uma forma muito parecida com um cão e socou a parede, sua raiva levando a melhor contra ele. Depois de todo o tempo em Azkaban, ele tinha algumas emoções que precisava extravasar. Ele segurou seu punho, balançando. "Desculpe-me. Por favor, Dumbledore, nos deixe ao menos checá-lo para termos certeza de que ele está sendo bem tratado."

"Eu suponho que eu possa mandar uma coruja aos Dursleys e ver se...".

"Não. Não, nós não podemos dar a eles uma chance de saber que estamos indo. Se eles não o estão tratando bem, eles podem cobrir suas bundas e se prevenirem. Nós devemos apenas ir. Agora mesmo." Sirius entrelaçou suas mãos atrás das costas, andando rapidamente, sua mente se recuperando. "Você disse que hoje é dia trinta, certo?"

"Sim."

"Então amanhã é o aniversário dele! É perfeito." Sirius balançou a cabeça e sorriu animadamente. "É a desculpa perfeita para aparecer sem avisar, não que eu me importe com desculpas. Nós poderemos vê-lo, ter certeza que ele está feliz…".

"E dai, Sirius? Você seria capaz de deixá-lo lá?" Remus perguntou curioso, conhecendo seu melhor amigo. "Você sabe que você não seria capaz."

"Se… se ele se ligou a sua tia… se ele está feliz…" Sirius suspirou, parecendo bastante dividido. "Então… Eu acho que terei que." Ele sentou-se, sabendo que o que falou era verdade. Harry estaria fazendo quatro anos no dia seguinte, e ele não seria aquele que o tiraria do único lugar que ele se lembra como sendo sua casa, especialmente se eles estivesse satisfeito e cuidado lá. "Mas se ele não está sendo cuidado propriamente... "Eu não posso fazer promessas."

"Entendível." Dumbledore acenou. "Eu ainda acho que nós deveríamos esperar talvez alguns dias."

"Dumbledore, eu não vou passar mais uma hora longe daquela preciosa criança." Sirius riu loucamente. "Mas, talvez depois do jantar. Vamos ver… Acho que eu ainda tenho um elfo em algum lugar por aqui...".


N/T: Espero que vocês gostem dessa história tanto quanto eu! Peço que caso encontrem algum erro, me avisem para que eu possa corrigir.

Próximo Capítulo: Resgate