Respondendo as Reviews :D

Tiagoasakura- Meu fã? hahhaha, obrigada, mas não é para tanto. Pode deixar que eu vou continuar! E você continue lendo, ok?!

MaNgA aLbInA - Ah, que bom que gostou, fico feliz de verdade! Bom, aqui está o próximo capítulo :D espero que goste dele tanto quanto eu gostei de escrever, E, sim, ele vai mostrar como Yoh e Anna se conheceram. Volte sempre ;D


Capítulo 2.

Me fala duas coisas? Hmm.. torta de limão e porão! Hehe, isso vai dar em merda. - conversa entre eu e uma amiga... o resultado foi esse capítulo. Bruna A. esse vai para você ;D s2

"Bom, é ter você no meu coração. É doce amargo, torta de limão..."- Mirmo Zibang Opening

– Como é que é? - a voz de Ren Tao possuía um leve tom de irritação – Seu pai te chamou para que?
– Já falei, não vou repetir. – Yoh apoiou sua cabeça na carteira escondendo-a com os braços.
– Anna Kyoyama é sua nova noiva?
O menino de fones de ouvido laranja apenas deixou escapar um pequeno ruído sofrido de sua garganta, seu amigo meneou a cabeça desgostoso.
– Não acredito que perdeu o final da apresentação por algo assim. – falando isso, afastou-se do jovem Asakura e se dirigiu ao seu assento.
Não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. Ren era a segunda pessoa para quem confessara o terrível incidente do dia anterior e, assim como Manta – seu melhor amigo –, sua reação foi a simples indiferença. Podia ainda ouvir a voz distorcida pelo telefone do baixinho quando ligara para ele na noite passada: "Qual é o motivo para tanto drama? Yoh tinha uma noiva antes e tem uma noiva agora. Não mudou muito." Mas eles não entendiam... mudava muito, mudava tudo. Seus amigos não conheciam Anna o suficiente para saberem quem ela era. Mas ele conhecia, ah, conhecia bastante.
Ainda lembrava claramente do dia em que a viu pela primeira vez, não devia ter mais do que oito anos de idade, sorriu pela imagem que lhe veio a mente, aquela era – provavelmente – a única boa lembrança que ele possuía de Anna Kyoyama.

Era uma tarde chuvosa e fria de outono quando Keiko Asakura o mandou até a casa de sua avó Kino. Levando em seu braço direito uma cesta cheia de grandes fatias de tortas de limão e deliciosos bolinhos de chocolate, lutava com seus magricelos bracinhos para segurar o guarda-chuva que insistia em querer escapar de suas mãos.
A casa de Kino se localizava do outro lado da cidade de Tóquio, quilômetros e quilômetros distante da sede da família Asakura. Yoh sempre se perguntava o porquê de sua mãe se irritar tanto de seus resmungos quando ela o mandava para lá. Se queria tanto que os doces fossem estregues porque não ia ela mesma? Não era sua mãe que teria que atravessar a cidade de Tóquio inteira, afinal. Então, ela não tinha do que reclamar.
Além disso, o garoto não gostava muito de visitar sua avó porque... bem, ela era a sua avó. Kino Asakura não era como qualquer senhora normal e agradável, ela era sempre dura, fria e distante com seu neto. Yoh sentia arrepios em sua espinha apenas de olhar para ela, possuía um inegável medo de sua própria avó. Havia também o fato de que ela não o deixava em paz, sempre com a mesma conversa dizendo que o menino era muito relaxado e precisava se tornar mais preocupado e responsável. Aqueles comentários o irritavam de verdade. Pelo amor de Buda, ele tinha oito anos com o que afinal precisaria se preocupar?
A única parte verdadeiramente boa daquela visita era a Melody. Melody Harrison era uma graciosa garotinha inglesa que havia sido enviada pelo seus pais para que a senhora Kino cuidasse de sua educação. Sim, a idosa era alguém realmente sábia e importante, tendo muitas meninas – de famílias ricas espalhadas pelo mundo – como espécies de discípulas. Na verdade, o que elas aprendiam mesmo era como ser boas esposas. Se existem casamentos arranjados ainda hoje? Ah, você faz ideia!
– Ah, Yoh-kun! Ainda bem que chegou, estava ficando preocupada. – uma garota de longas e onduladas madeixas douradas correu ao seu encontro, dando-lhe um abraço.
– Hehehe – o menino deu sua costumeira risada retribuindo o abraço de sua amiga – Sabia que eu estava a caminho, Mel?
Ela sorriu.
Sim! Sua mãe ligou mais cedo avisando. Vem, vamos entrar. – ela segurou a mão de Yoh e o guiou pelo jardim da pousada.
Quando entrou na casa percebeu que sua avó não se encontrava na cadeira de balanço onde costumava a ficar durante todo dia.
Vovó não está em casa?
– Não, não. Ela foi comprar umas roupas junto com a Naomi. – falando isso, a doce garotinha se dirigiu a cozinha – Você quer chá, Yoh? Acabei de preparar.
– Sim, por favor – ajoelhou-se em frente a baixa mesa que havia na sala principal. – Comprar roupas? Desde quando a vovó sai para comprar coisas ela mesma? Porque não mandou só a Naomi?
– Ah... isso... bem, é que... – ela voltou com uma bandeja contendo alguns pratos vazios, três xícaras e um bule.
O aroma doce do chá recém preparado inundou a sala de entrada. Yoh olhou para as três xícaras e franziu o cenho.
– Vocês estão com algum hóspede na pousada? – devido aquela época do ano – outono – não havia muitas pessoas querendo se hospedar em pousadas, por isso, o lugar sempre ficava vazio durante a estação.
Melody sentiu-se um tanto incomodada enquanto tirava as guloseimas da cesta trazida por Yoh.
– Bem... Seria melhor que a Kino-sensei te explicasse já que ela é a dona da pousada, mas... como ela não está aqui... – então, levantou-se e correu até a escada que levava ao andar de cima. – Eu já volto, ok?
O menino não entendeu muito bem a reação de sua amiga, mas deu de ombros. Colocou uma das fatias de torta de limão em um dos pratos e serviu-se do delicioso chá feito por Melody, que, mesmo com apenas nove anos, era uma ótima cozinheira. Estava prestes a colocar uma colherada do doce em sua boca quando percebeu que sua amiga havia voltado.
Olhou na direção dela para cumprimentá-la, mas assustou-se ao ver que não estava sozinha. Acompanhando a pequena havia uma outra garotinha também de cabelos loiros, porém mais escuros e curtos. Ela o encarou com a expressão vazia, os olhos cor de chocolate fizeram Yoh sentir um leve arrepio na coluna. Aquela menina emanava um aura realmente assustadora.
– Yoh, esta é... bem, nós a chamamos de Anna. Anna Kyoyama.
– Anna Kyoyama? – inclinou a cabeça ao ouvir o estranho nome.
Ahn.. Na verdade, não sabemos qual o nome de verdade, mas... Há alguns dias, a Kino-sensei estava em Aomori e a encontrou vagando nas redondezas do Monte Osore, por isso resolveu chamá-la de Kyoyama. E Anna.. bem, quer dizer "cheia de graça" e ela é a menina mais bonita que a gente já viu.
Era realmente uma criança muito bonita, vestia uma yukata rosa, que Yoh reconheceu como sendo de Melody e se agarrava na mesma como se a menina fosse protegê-la de qualquer coisa.
– Mas ela não sabe o próprio nome? – o menino perguntou pousando seu olhar preocupado na garotinha. Melody meneou a cabeça.
– Ela não fala, Yoh-kun, por mais que a gente tente. E sempre que perguntamos algo relacionado em como ela foi para em um lugar como aquele ou quem são seus pais, a Anna-chan acaba chorando. – ela pegou na mão de Anna e a guiou até a mesa, se acomodando ao lado do menino. – A única coisa que conseguimos descobrir até agora foi a sua idade. Ela tem oito anos, assim como você
Anna parecia estar alheia a toda conversa dos dois e continuava a se agarrar em Melody como se nada no mundo fosse mais importante. As outras duas crianças também não pareciam estar prestando muita atenção na menina até o momento em que a mesma se inclinou em direção à torta de limão de Yoh e enterrou suas pequenas mãozinhas lá.
O garoto se assustou no início, mas depois que viu a menina colocar a mão suja de torta na boca, ele começou a rir.
– Está com fome, Anna? – ele perguntou com um tom carinhoso em sua voz – Pode ficar com a minha torta se quiser, minha mãe que fez. Eu pego outra para mim. – ele empurrou o prato a sua frente para a garotinha.
A mesma olhou para Yoh sem expressão alguma e depois olhou para Melody como se perguntasse se podia realmente comer aquilo.
– Pode comer se quiser, Anna-chan. – a garotinha loira falou sorrindo.
Anna, então enterrou novamente suas mãos na torta a levando inteiramente até a boca.
– Parece que ela gostou da torta de sua mãe, Yoh.
– Quem não gosta? Minha mãe cozinha muito bem, Mel. Pega uma também. – sem esperar por uma resposta, o menino pegou uma das fatias e colocou em um prato, empurrando para ela, depois apanhou o bule de chá para servir Anna e Melody.

Algum tempo se passou, Melody e Yoh resolveram assistir um pouco de televisão enquanto esperavam a avó do primeiro. Anna ficou perto deles por um tempo, mas depois levantou e foi andar pela casa. Não demorou muito para eles sentirem falta da garota.
Andaram por toda a pousada a procura da pequena, mas parecia não haver sinal dela. Estavam começando a se desesperar quando o menino parou de repente fazendo um sinal para que sua amiga, que começara a perguntar o que houve, ficasse em silêncio. Ao longe, ouviram um choro baixinho ecoando pelos corredores do local.
– Vem, já sei onde ela está. – Melody puxou Yoh pela mão e o guiou até a cozinha. Então, Yoh notou algo que sempre havia passado despercebido pelo seus olhos. Do chão revestido de madeira podia-se ver uma espécie de alçapão aberto.
– Como ela encontrou isso aqui, pelo amor de Buda! – a menininha exclamou descendo as escadas que davam para o porão – Quase ninguém consegue enxergar essa entrada.
– Eu mesmo nunca havia notado! – exclamou o menino seguindo sua amiga escadaria abaixo.
O choro foi aumentando a medida que eles desciam, assim como o cheiro insuportável de mofo. Aquele lugar parece que não era limpo a séculos!
– Anna-chan? – Yoh se aproximou da garotinha que estava sentada em um dos cantos do local. Nunca conseguiu ver alguém sofrendo, por isso, sem saber direito o que estava fazendo, abraçou a menina. – Por que está chorando, ehn?
Sentindo os braços do garotinho a envolvendo, Anna o olhou surpresa. Ninguém nunca havia tomado uma iniciativa assim, ninguém nunca a havia abraçado. Mas esta surpresa durou apenas alguns poucos segundos, pois os olhos da menina voltaram a ficar marejados. Agarrando-se a gola da blusa de Yoh Asakura, Anna Kyoyama começou a chorar de novo, mas alto desta vez.
Melody sentou ao lado dos dois e ficou em silêncio. Era melhor assim... Quem sabe alguém como o Yoh fizesse a nova hóspede da pousada abrir seu coração? Sorriu ao constatar que sua teoria estava correta ao ouvir, pela primeira vez, a voz de Anna.
– Y-yoh – a garotinha gaguejou com a voz rouca pela falta de uso.
Surpreso, Yoh a encarou, seus olhos cor de chocolate estavam muito vermelhos devido ao choro excessivo, não que isso a fizesse ficar feia, ela estava bastante bonita.
– O que foi? – ele respondeu.
– Eu quero mais torta de limão.

Aquela havia sido a primeira impressão que ele teve de sua noiva. Uma garota doce e fofa, mas – é claro – como nada é o que parece nesta vida, três anos depois, ele reencontrou Anna, e digamos que este encontro não foi muito agradável...


-sensei - "é vulgarmente traduzido para "professor". Contudo, esse não é o sentido genuíno deste sufixo.
"-sensei" é usado para falar de pessoas "que nasceram antes" (de nós) e que, por esse motivo, têm mais conhecimentos e experiência numa determinada área.
Por exemplo, "-sensei" é usado para falar de mestres em Artes Plásticas, Artes Marciais ou Literatura."
Yukata - é uma vestimenta japonesa. Geralmente pessoas usando yukatas são vistas nos festivais japoneses e nos festivais de fogos de artifícios (hanabi) e outros eventos tradicionais de verão. É uma forma casual de quimono e é frequentemente usado após o banho em hotéis tradicionais (ryokans) e em onsens. A palavra yukata significa literalmente roupa de banho.
Aomori - é a cidade capital da província de Aomori no Japão.
Monte Osori - é uma região montanhosa no centro da remota Península de Shimokita na província de Aomori, Japão.
Kyoyama- tem a mesma escrita de Monte Osore, o Monte do Medo.


Bom, é isso. Na verdade, este capítulo era para ser maior, mostrando também o segundo encontro desses dois XD mas eu estou meio que sem tempo para escrever por causa das provas, então resolvi publicar ele até aqui e depois colocar o resto em outro capítulo. Espero que gostem desse capítulo... ele é uma homenagem especial a uma das minhas melhores amigas e gêmea do coração, Bruna A. 3 Eu te amo muito, muito.. e espero que goste disso aqui, apesar de ter ficado meio simples demais e gostei muito de escrever!
É isso pessoal. Até o próximo capítulo.
Ja Ne :D