Disclaimer: Saint Seiya pertence a Masami Kurumada e às empresas por ele licenciadas.

Notas: Esta fanfic é um presente para Nemui. Notas para ela no final da fic.

História escrita para o Coculto, um amigo oculto de fanfics promovido pela comunidade Saint Seiya Super Fics Journal.

A Forja de Hefesto

Revisado por Vane

Capítulo 1

— Que os servos de Athena sejam distribuídos aos deuses — determinou Zeus, no Olimpo, ao anunciar sua sentença sobre o Santuário de Athena.

Mesmo que fosse para evitar a destruição do mundo, Hyoga não conseguia se conformar com a punição recebida. Concordava que era culpado da acusação de atentar contra os deuses, porém não o fizera levianamente. Havia motivos justos por trás das ações dos cavaleiros, como defender aqueles que não seriam capazes de lutar contra o poder dos deuses para preservar suas próprias vidas.

Os amigos e ele haviam lutado para que o planeta Terra não fosse mergulhado em trevas e a humanidade dizimada, ou transformada em meros brinquedos nas mãos de deuses como Poseidon e Hades.

Simplesmente não se considerava um criminoso. Por esse motivo, não conseguia se conformar com o fato de ter sido submetido a um julgamento no qual não tivera direito de defesa, e ainda assim ter sido sentenciado à servidão eterna a um deus qualquer.

Todavia, apesar de sua alegação de inocência, Hyoga foi destituído do posto de Cavaleiro de Bronze de Cisne e enviado de volta à Terra. Mais precisamente, ao monte Etna, na Sicília, onde serviria ao deus dos vulcões, Hefesto.

Quando soube que voltaria à Terra, Hyoga procurou se tranquilizar e pensar em um plano de fuga para colocar em prática assim que chegasse. Mas frustrou-se logo na chegada: os novos escravos eram recebidos pelo próprio Hefesto, que fazia questão de vistoriá-los um a um e escolher pessoalmente aqueles que seriam seus ajudantes.

Não era uma avaliação minuciosa. Todos eram enfileirados e o deus apenas os observava de cima para baixo, logo anunciando em voz alta: "forja" ou "resto". Aqueles que recebiam o grito de "forja" eram guiados por um senhor de expressão gentil, que aparentava ter em torno de setenta anos, para o lado esquerdo do grande salão. Os que recebiam o grito de "resto" eram levados para o lado direito por um homem de toga curta e preta, elmo de prata com plumas negras no topo da cabeça e aparência muito arrogante.

Hyoga notou que o deus se deteve um pouco mais na sua avaliação, como se experimentasse algum conflito interior. Nesse instante ele pode avaliar a figura à sua frente. Hefesto era bem diferente de todos os deuses que havia conhecido até então. Ele parecia desprendido de luxos e vaidades. Lembrava-lhe mais um trabalhador braçal do que uma divindade. Era um homem alto, cujos braços de músculos avantajados eram cobertos por cicatrizes de cortes e queimaduras. Suas mãos eram grandes; os dedos estavam envoltos em ataduras sujas e podia-se notar a crosta grossa de fuligem embaixo de suas unhas. Parecia que ele havia deixado o trabalho de lado para vir conferir a nova leva de escravos, pois o suor ainda escorria de seu rosto barbudo e criava manchas por toda a sua toga.

— Resto! — gritou ele de repente, fazendo Hyoga se sobressaltar e perder o fio do seu pensamento.

O ex-cavaleiro de Athena fitou sério o rosto franzido do deus, até que um puxão em seu braço o retirou do campo de visão de Hefesto. Este continuou com o seu trabalho de avaliação, gritando "resto" para o próximo da fila, sem hesitar.

Aquilo fez Hyoga ficar intrigado. Por algum motivo, Hefesto hesitara em direcioná-lo para o grupo denominado de "resto". Mas não houve tempo para pensar mais sobre quais seriam os motivos, pois no momento seguinte o deus gritou "forja" para o último da fila, que por um acaso, Hyoga notou ser um garoto de aparência frágil, diferente dos outros escolhidos.

Em seguida, sem dizer mais nenhuma palavra, Hefesto deu as costas ao grupo e seguiu na direção de onde viera anteriormente. Mas sua saída foi detida por um questionamento do senhor de aparência gentil, que novamente chamou a atenção do Hyoga.

— Um cosmo de gelo seria muito eficiente no resfriamento dos metais, meu senhor. Está mesmo certo dessa decisão?

Antes que o deus respondesse, o homem de roupa preta contraargumentou, querendo evitar que o deus voltasse atrás.

— Vejam só o que alguns séculos de servidão não fazem, não é, Homero? — ele se dirigiu diretamente ao senhor. — Já está se dando ao luxo de questionar a avaliação incontestável de nosso mestre? Só porque os números pesaram mais para o meu lado desta vez do que para o seu?

— Ho, ho, ho, ho. Você é mesmo engraçado, menino. Esse elmo deve estar apertando seu cérebro e impedindo-o de raciocinar direito. O meu mestre sabe muito bem que não me importam os números. A única coisa em que penso é na melhoria do trabalho. Alguém com dons natos para a forja só seria desperdiçado ao seu lado. Ho, ho, ho...

— Velho maldi...

— Calem-se! — Hefesto interrompeu-o.

— Mas mestre, não percebe que o Homero...

— Não deixe que eu repita a minha ordem de ficar calado, Levian.

Com o semblante endurecido, o homem assentiu.

— Faremos um teste com iele/i, Homero. Se conseguir me provar sua utilidade, mudarei minha decisão. Caso contrário, os dois serão remanejados para o outro grupo, compreendeu?

O rosto de Levian, antes abrasado pela fúria, foi suavizado e iluminado por um sorriso, principalmente depois que ele ouviu a última frase de Hefesto. A falha do novo escravo no grupo de Homero significaria também a falha do velho, e consequentemente, sua oportunidade de ganhar um lugar de destaque ao lado de seu deus.

— Mais do que compreendido, meu mestre — Levian concordou rapidamente, virando-se e abrindo caminho em meio aos novatos que estavam ao seu lado. Apanhou o braço do rapaz loiro, puxando-o para longe dos outros e empurrando-o na direção de Homero.

— Faça bom proveito dessa criança traidora, velho. Só não se esqueça de que ele foi julgado por atentados contra os deuses e você o está colocando bem ao lado do nosso. Acho que isso prova muito bem quem está ficando esclerosado aqui. Ha, ha, ha! — Depois de dizer isso, Levian se voltou para os demais do seu grupo e gritou: — Vamos, vermes! Mexam-se! Sigam em direção àquela porta! Todos serão marcados.

Assim, Levian retirou seu grupo pela saída à direita do salão.

Antes de também sair, Hefesto alertou seu subordinado:

— Não o marque como um dos nossos enquanto ele estiver em teste.

O velho arregalou os olhos, surpreso.

— Mestre, perdoe-me a petulância. Mas está mesmo levando em consideração as sandices de Levian?

— Sandices ou não, ele não disse nenhuma inverdade, Homero.

— Mas sem o selo, como o impediremos de usar sua cosmo-energia para fugir?

O deus olhou para o cavaleiro de Athena, que receoso deu um passo para trás.

Hyoga notou o olhar endurecido do deus, mas não se importava com nada daquela conversa e nem com que lado iria ficar, já que sua intenção não era viver a eternidade ali. Precisava fugir daquele lugar e não podia permitir que selassem seu cosmo. Se aquele era o momento de enfrentá-los por sua liberdade, ele o faria.

Acendeu seu cosmo, espalhando ar frio por todo o salão, e juntou as mãos para desferir seu Pó de Diamante. Mas antes que Hyoga o concluísse, um feixe de luz alaranjado reluziu em sua direção. No momento seguinte, um golpe potente atingiu seu estômago, fazendo-o cambalear e tombar de cara no chão.

Hefesto se aproximou do corpo caído e fechou sua mão ao redor do pulso do humano. Um brilho alaranjado cobriu-lhe a mão fechada. Após alguns segundos apertando o pulso de Hyoga, soltou-o para repetir o processo com o outro.

— Pronto — disse, ao concluir o processo. — Isso o impedirá de usar seu cosmo para tentar fugir.

O velho estreitou os olhos e abriu um sorriso para o deus.

— Obrigado, mestre. Espero que essa rebeldia inicial não conte pontos negativos na avaliação final dele. Afinal, é só uma criança humana rebelde; só precisa ser domesticada.

Mantendo a face séria e inabalável, Hefesto deu as costas ao subordinado, e antes de deixar o salão sob os olhares assustados de seus novos ajudantes, lembrou-o:

— Só não se esqueça de que seu posto também está em jogo, Homero.

O velho desfez o sorriso após a saída de Hefesto. Então observou o rapaz desmaiado e os braceletes de bronze forjados pelo poder de Hefesto que reluziam nos punhos dele.

— Eu não o decepcionarei, mestre.

Continua...