Remember?

That time when we were free...

Free to think, free to share, free to laugh, free to love...

Free to write.

This one is for the old times.

(Lembra?

Aquela época quando éramos livres...

Livres para pensar, livres para compartilhar, livres para rir, livres para amar...

Livres para escrever.

Isto é pelos velhos tempos.)

~~~~x~~~~

Ring, ring.

"Alô?"

"Oi."

"Amy?"

"Oi."

"O que aconteceu?"

"Eu... Eu só queria ouvir a sua voz."

"Como assim?"

"Desculpe, eu não deveria ter ligado."

"Não, tudo-"

Tum, tum.

~~~~x~~~~

Ring, ring.

"Alô?"

"Amy."

"Ian, eu já pedi desculp-"

"Por que me ligou?"

"Eu queria ouvir sua voz..."

"Amy, eu reconheço a diferença."

"Diferença?"

"É. A diferença de uma pessoa que está triste e quer falar com alguém e outra que só quer ouvir a voz."

"Eu não estou triste."

"Está sim, e vai me dizer porquê."

"O que te faz pensar isso?"

"Você me ligou querendo que eu me preocupasse. Parabéns, conseguiu fazer essa proeza. Agora fale."

"Eu não te liguei para esse fim."

"Amy, por até não ter sido consciente, mas você ligou exatamente por isso."

"Como pode ter tanta certeza?"

"A sua voz. O seu tom. Se eu fechar os olhos, posso até ver o seu dedo tentando esconder as lágrimas, mesmo que eu não possa ver."

"Como você...?"

"Agora diz."

"Por que quer saber?"

"Porque eu estou preocupado; e mais uma coisa para eu ficar preocupado é muito bom."

"Por que está preocupado?"

"Já percebeu que você só fez perguntas nessa ligação?"

"Sim."

"Ao em vez de perguntas, que tal responder?"

"Posso só fazer mais uma pergunta?"

"Sim, claro."

"Essa mudança de assunto foi de propósito?"

"Que mudança?"

"Você sabe muito bem."

"Amy, pare de enrolar e responda por que está triste."

Tum, tum.

~~~~x~~~~

Ring, ring.

"Nem ouse desligar dessa vez, Amy."

"M-Me desculpe."

"Ah não. Voltou a chorar?"

"C-Claro que n-não."

"Por que você está gaguejando, então?"

"Eu nunca parei de gaguejar, foi você que nunca notou."

"Acredite: se você tivesse voltado, eu perceberia."

"Por quê?"

"Porque eu... Eu..."

"Sim?"

"Porque eu sou muito detalhista."

"Eu terminei com ele."

"O quê?"

"Eu terminei com o Evan."

"Por quê?"

"Porque sim, Ian."

"Foi você que disse que estava tudo acabado ou ele?"

"Eu."

"Nossa..."

"É."

"Mas Amy-"

"Sem mais perguntas, por favor. Eu só queria falar isso com alguém."

"Ok então."

"Obrigada por ouvir."

"Ei, Amy."

"Fala."

"Sabe como é risada de intelectual?"

"Ahn... Não..."

"PotássioPotássioPotássioPotá ssio."

Sua risada...

"Desde quando você conhece piadas?"

"Existem muitas coisas que você não sabe sobre mim, Amy."

"Adoraria descobrir algum dia."

Sua voz...

"O que vai fazer amanhã?"

"Ian..."

"Que foi?"

"Não faça isso."

Mas podia-se notar seu sorriso.

"Ok então. Tchau."

"Já vai?"

"Gosta de conversar comigo?"

"Não é bem isso... Você foi a única pessoa que me fez rir hoje."

"Acho que mereço um prêmio por isso."

"Talvez."

"Amanhã. Jantar. Te pego as nove."

"Ian..."

"O que é?"

"Já pedi para não fazer isso."

"Tudo bem, eu entendo."

"Tchau, Ian."

"Tchau."

Tum, tum.

~~~~x~~~~

Ring, ring.

"Amy!?"

"Amanhã. Jantar. Me pegue as oito e meia. Se você se atrasar, vai ficar sem par para a noite."

"Combinado."

Tum, tum.


Quando foi a última vez que você riu de uma piada?

Já ouviu a sua risada?

Já quis saber quem realmente se preocupa com você?

:)

Talvez um dos poemas que eu mais me orgulho de ter escrito foi esse:

"Seu nome, não me recordo

Nem seu rosto

Mas a voz a definia

Aquela voz de tanto gritar

Em meio ao silêncio."

Yours sincerely,

~CaahT39C