"Os dias podem, por vezes, serem mortos, mas na calada da noite meus olhos se fecham e me é permitida a tua presença. E então me entrego ao banquete de sensações, me achei em teus braços."

Fechei os olhos. Os dedos leves percorreram meu couro cabeludo com calma e como não podia deixar de ser, minha boca abriu-se num sorriso que eu só dava se estivesse com ela.

Abracei-a mais apertado e a risada melodiosa me chegou aos ouvidos fazendo meu peito inflar, uma sensação gostosa preenchendo cada parte do meu ser.

"É isso que eu quero." Sua voz sussurrante chegou aos meus ouvidos causando arrepios. O tom rouco e sexy quase me fez engasgar em minha própria respiração. "Eu quero todos os dias."

A lágrima tímida rolou minha face e pedi a Deus que ela não visse, não era do meu feitio ser vista chorando, mesmo quando esse choro era do mais profundo amor.

O corpo quente deslizou no meu, a respiração pesada agora batia em minha nuca. Os cabelos que antes cobriam o local haviam sido gentilmente afastados para que um beijo cálido fosse depositado em minha pele exposta.

O aperto no coração se intensificou e por reflexo, apertei sua mão na minha, querendo desfrutar do contato quente enquanto ele ainda estava presente. Enquanto o amanhecer não vinha.

"Eu quero você, minha Carter." A voz baixa veio intensa como nunca havia vindo antes e assim, outra lágrima escapou de meus olhos antes que eu pudesse segurar.

"Eu te quero, Rosie."

Minha voz pareceu frágil até mesmo para mim e o sussurro ecoou o quarto por mais tempo que julguei necessário.

"Estou aqui para você." Os dedos frios me tocaram a cintura trazendo conforto. "Eu sempre estou aqui para você."

Meu sorriso vinha fácil com ela, a felicidade vinha fácil com ela. Mas senti o calor do primeiro raio de sol que invadia o quarto pela fresta da cortina creme que cobria a janela e aquele não era um sentimento bom.

"Fique." Meu sussurro quebrado pareceu inaudível.

"Não esquece, eu sempre estou com você."

Senti o beijo em meus cabelos antes de abrir meus olhos e perceber que ela tinha desaparecido, havia apenas um formigamento estranho em minha pele e uma saudade que oprimia meu peito. Mais à direita uma foto de nós duas, o pôr-do-sol na praia.

As mãos dadas na imagem que me sorria, me lembrava algo que meu coração fazia questão de esquecer, havia uma distância enorme a nos separar.

Discretamente toquei o pingente de meu colar, a metade de um coração. A sensação da pele quente contra a prata fria estranhamente me fez sorrir. Com toda a distância, eu ainda levava parte dela comigo.