Chapter One

POV Louis

Era o primeiro dia de aula do último ano no colégio. Eu não pude deixar de levantar com um sorriso de alívio por parecer que já estava quase no final. Nunca estudei em nenhuma outra escola, passei os últimos doze anos naquele lugar, não que eu esteja reclamando de alguma coisa, já que eu tinha os melhores amigos do mundo inteiro, o dia parecia sorrir para mim hoje.

E claro que só de lembrar a quantidade de novatos com os quais eu poderia aprontar só me deixava mais feliz.

Depois de tomar banho e comer um prato cheio de panquecas com chantilly e uma cereja em cima, minha mãe me deu um demorado abraço e um beijo na bochecha antes que eu pudesse sair correndo pela porta, e me desejou um "boa sorte" no primeiro dia.

Entrei no conversível que meus pais me deram de presente de aniversário, e liguei o rádio, no qual tocava Ramones, e eu fui o caminho inteiro ouvindo. Adorava Ramones, era uma das minhas bandas favoritas, e eu ouvia praticamente o dia inteiro, já que tinha a coleção inteira deles.

Ao parar no semáforo, um garoto aparentemente da minha idade ou um pouco mais novo, de cabelos encaracolados bagunçados caminhava pela calçada ao lado do meu carro, com o olhar vago, um tanto chateado. Ele me olhou enquanto o fitava, e franziu o cenho, voltando a atenção para o seu caminho.

- Fala, Josh – desviei a atenção do garoto, e atendi meu telefone, no viva-voz.

- Lou! Já chegou ao colégio? – ele perguntou, ofegante. Parecia que tinha corrido uma maratona antes de me ligar.

- Ainda não, acabei de sair de casa – respondi, e ele soltou um suspiro de alívio.

- Eu perdi o ônibus, estava correndo atrás dele.

- Me ligou para eu te buscar, não é? – perguntei, e ele soltou uma risadinha. – Sem problema – falei, virando a esquina e fechando o garoto que ia atravessar. – Foi mal! – gritei, assim que passei por ele.

POV Zayn

Mais um final de semana tinha acabado, mas esse era o pior de todos: primeiro dia de aula. Já faziam três meses que passara a morar sozinho em um apartamento pequeno não tão longe do Big Ben, desde que tivera uma discussão feia com meus pais e família. Gastei minhas economias de uma vida pra isso, mas no final tudo se resolveu e meus pais me ajudam com algumas contas que eu não consigo pagar.

- Bom dia, gostosão – Perrie começou a beijar o meu pescoço, e eu a afastei. – Nossa, você não costuma me rejeitar assim.

- Há sempre uma vez pra tudo – nós já estávamos saindo fazia um mês, e realmente, nunca a rejeitara nessas semanas, mas me sentia tão cansado da noite passada bebendo, e minha cabeça doía tanto, que não estava a fim de fazer nada além de tomar um banho gelado.

- Eu já estou indo – falou, já vestida, arrumando seu cabelo em frente a um dos maiores espelhos que tinha no apartamento. Eu me levantei vagarosamente, enquanto ela me mandava um beijo e saía pela porta do quarto.

Entrei debaixo do chuveiro, com a cabeça doendo, assim como o meu corpo todo dolorido. Já tinha ficado de ressaca muitas vezes, mas dessa vez alguma coisa me fazia mais confuso do que nunca.

POV Louis

- Você por acaso está me dizendo que viu um garoto na rua e o achou bonito? – Josh me olhava, franzindo o cenho, e segurando o riso.

- Vai, pode rir, mas é verdade – falei, rindo com sua risada.

- Você é gay demais às vezes, Louis – ele falou, e eu me fingi incrédulo.

- O que você quer dizer com isso?

- Ah, você sabe.

- Sei o quê? Eu não sou gay! – protestei, e ele riu. – Você me conhece já faz mais de uma década, sabe que eu não sou!

- Louis, você é um dos meus melhores amigos, e eu falo isso com todo o respeito que tenho por você: essas roupas justas no corpo, o seu jeito de falar em algumas situações, o quanto você se preocupa com o seu cabelo...

- Eu só quero ficar bem para...

- E a sua bunda enorme...

- Minha bunda tem o tamanho proporcional para o meu corpo, ouviu? – falei, fazendo bico.

- Ok, sweetheart, retiro o que disse, você é muito macho – ele falou, tentando parecer sério, mais caiu na risada. Suspirei pesadamente.

- Isso porque a semana tinha começado bem...

POV Liam

Cheguei ao colégio cinco minutos antes de tocar o sinal, e não tinha encontrado ninguém do meu grupo, então fui para a minha sala. Niall estava no corredor da nossa sala, guardando uns livros e cadernos no armário, e saiu andando para a sala, meio perdido, encarando o chão.

- Niall! – chamei, e ele se virou para me ver, surpreso, e até mesmo meio chateado.

- Ah, e aí Liam – ele falou, desanimado. De todos no nosso grupo, Niall era o meu melhor amigo. Sabíamos todos os segredos um do outro, e tudo um sobre o outro. E eu não suportava vê-lo tão pra baixo, ainda mais que desde que voltara de viagem da Irlanda ele andava estranho e distante.

- Você não parece nada bem, o que aconteceu? – perguntei, correndo até ele e passando meus braços em volta de seus ombros, e caminhamos lentamente por alguns segundos, até ele parar.

- Não é nada que você vá entender Liam. Aliás, não é nada que qualquer um vá entender – ele respondeu, tirando meu braço de seus ombros.

- Você não pode estar falando sério – eu falei, pegando sua mão e o puxando para perto, assim que ele tentava se afastar de mim. – Você sabe muito bem que eu sou a única pessoa que entenderia.

- Eu sei que você entenderia – ele falou, deixando algumas lágrimas caírem, e eu as limpei com a manga da minha jaqueta.

- Pode me dizer, Nialler – o puxei para um abraço, que ele não recusou.

- Hum, Liam, arranjou um namorado durante as férias? – uma garota sul-coreana, Kim, que todos chamavam de Hyuna por causa de seu sobrenome e que nos conhecia muito bem há muito tempo, passou nos provocando. Eu não pude deixar de olhá-la bem, ela era muito bonita. Todo semestre ela aparecia com o cabelo diferente, e agora estava longo e loiro. Ela sorriu para mim, mostrando que era uma brincadeira, mas era a Hyuna, então nunca saberia.

Niall soltou um muxoxo e se separou de mim, sem dizer mais nada, limpando as lágrimas. Eu me aproximei dele, mas ele balançou a cabeça.

- Tudo bem, Liam, eu só estou tendo uma péssima segunda-feira, vou ficar melhor – ele entrou apressado na sala, e eu o segui, ainda preocupado. Ele se sentou na última carteira da fileira do canto, no lugar mais obscuro da sala, onde ninguém o enxergaria. Exceto eu. Sentei a sua frente, com um sorriso, o que fez o sorrir de canto.

Logo depois, um garoto, provavelmente um novato, de cabelos encaracolados e olhos extremamente verdes, entrou na sala, e todas as garotas ali suspiraram e o fitaram caminhar pela sala e se sentar próximo a mim e Niall. Tudo parecia acontecer em câmera lenta, como uma cena de um filme.