NA: Olá pessoal! *escondida atrás de uma parede para proteger-se das pedradas dos leitores pela demora imensa na atualização* Gomen, ne! *Se esconde de novo*

Bem, estou aqui com o novo capítulo e não encherei vocês de notas da autora, porque sei que estão querendo ler a continuação da fic, não meus comentários sobe ela. Mas antes de liberar vocês para a leitura do novo capítulo, quero agradecer a todo mundo que comentou no último capítulo (inclusive e principalmente as reviews surtadas *-* #Athóron) e agradecer também a quem favoritou a fic e/ou a autora também ^^ Muito obrigada ! De verdade! Honto arigatou! *Faz reverência*

Sem mais enrolação, boa leitura! o/


Nos capítulos anteriores de Kali: Com Outros Olhos, Edward teve um flashback de quando voltara à Resembool e das coisas que lá aconteceram com ele. Ele, na verdade, estava inconsciente, após a explosão que houve quando ele e o pessoal do exército saíram no meio da noite para executar um plano misterioso por motivos ainda mais misteriosos. Enquanto isso, cenas de sua estada na casa dos Rockbell povoavam sua memória: Ed reencontrara Winry e também Noa, que o seguira através do portal. Ele fora ao baile com a morena, mas percebera que estava apaixonado pela loira, embora pense que esta ame Thomas Hakuro, vizinho e amigo dela (eita pentágono amoroso! rsrsrs). Contudo, os dilemas do Fullmetal deixaram de ser apenas românticos quando uma estranha ligação do exercito o fez ter de retornar à Central City. O que eles queriam? Porque tanta urgência? Ed não sabia, mas estava prestes a descobrir...

KALI - 2ª TEMPORADA

(COM OUTROS OLHOS)

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CAPÍTULO 5 – NO LIMIAR DE UMA CONSPIRAÇÃO

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Quando chegamos à Central, eu me senti aliviado (o mais aliviado que eu poderia me sentir naquela situação), porque eu nunca tinha feito uma viagem tão silenciosa sem estar dormindo, o que fez com que nosso trajeto parecesse ser mais longo do que de fato era, e isso por si só já foi bastante incômodo.

Dirigimo-nos direto para o QG. Os soldados à porta bateram continência quando passei por eles. Parei por uns segundos para cumprimenta-los de forma igual.

- Ed, o coronel Mustang está te esperando na sala dele – disse Riza, aproximando-se de mim.

- Tudo bem, estou indo. – respondi. – Toma Al! –falei dando minha mala para ele – Arranja um alojamento para a gente.

- Mas eu quero ir com você, nii-san – disse meu irmão, preocupado.

– Fique tranquilo, nos encontraremos logo – comentei.

Enquanto Al e Noa estavam na recepção, conversando com uma das recepcionistas, eu estava seguindo para a sala de Mustang.

- Como foram de viagem? – perguntou Riza-san.

- Foi bem – respondi – Um pouco tediosa, mas sobrevivemos.

O tenente sorriu ante ao comentário.

- Que bom! – disse ela, ainda com o sorriso no rosto.

A conversa cessou quando entramos na sala do coronel.

- Que saudade é essa, Mustang? – perguntei em tom zombeteiro – Você sabia que estou de licença?

Ele, porém, estava mais sério, o que me fez ficar paralisado de preocupação.

- Sente-se Fullmetal – disse ele simplesmente.

- Não me dê ordens – retruquei fazendo-me de emburrado, mas sentei. Parecia ser algo importante dessa vez. – O que houve? – perguntei, mudando meu comportamento zombeteiro para uma postura séria, de major.

- Nos últimos dias, enquanto esteve fora com suas namoradas, – disse Mustang, referindo-se a Noa e a Winry, provavelmente (acho que ele estava tentando amenizar o efeito do que ia dizer a seguir, mas mesmo assim uma veia saltou na minha testa) – Não interrompa – advertiu ele quando eu estava para abrir a boca para dizer que elas não eram minhas namoradas – Houve alguns assassinatos bem peculiares aqui na cidade.

- Peculiares? Como assim? – perguntei intrigado.

- Dois alquimistas federais e um soldado de baixa patente – disse Mustang – Acreditamos que o soldado, na verdade, só estava no local errado, na hora errada.

- Acha que é um serial killer? – perguntei. – E no que é que eu entro? Sou um agente de campo...

- Os fatos não deixam muito claro quais foram às circunstâncias em que esses homens morreram, mas parece que os três morreram da mesma forma: alquimia. – respondeu o coronel – E é aí que você entra.

Eu ainda devia estar com uma expressão intrigada no rosto porque Riza complementou.

- Não conhecemos alquimista mais talentoso do que você para descobrir pistas sobre o assassino – comentou Riza – Se alguém pode descobrir alguma pista, com certeza é você.

- Não infle tanto o ego dele, tenente – disse Mustang – Eu irei auxiliar na investigação também... E você pode passar essas informações para seu irmão; se ele for mesmo fazer o exame esse ano, vai ser interessante para ele ter participação nesse caso. Diga a ele para encarar isso como um treinamento.

O exército havia mudado bastante desde que pessoas como Mustang e eu entraram nele. Preocupávamo-nos em ajudar as pessoas, não apenas ter o status de alquimistas federais. Pela primeira vez na vida, o exército estava servindo ao povo, não o contrário, mas eu ainda tinha dúvidas se eu queria mesmo que Al fizesse parte disso. Esse era o lado bom do exército, mas ele tinha um lado obscuro também, querendo ou não, e eu não queria que meu irmão carregasse esse peso com ele.

- Amanhã, se quiser, podemos visitar a cena do crime – disse o coronel - Por hora, leve uma cópia dos arquivos do caso.

Riza então me deu um envelope.

- Não vai perder isso por aí, é informação confidencial... Nós abafamos o assunto.

- Acha que sou novato no exército? – perguntei com um sorriso desdenhoso no rosto. – Vê se descansa um pouco, você ta acabado!

- E ainda assim, consigo mais mulheres que você – respondeu ele, com igual desdém estampada em sua face.

- Até parece! – comentei – Não era eu quem tinha duas namoradas agora a pouco?

- Devo admitir meu erro – disse Mustang – Duas mulheres tão lindas e inteligentes jamais escolheriam namorar você!

Uma crescente de irritação tomou conta de meu cérebro por uns instantes.

- Coronel? – Riza interrompeu a minha quase-resposta – Pare de ser rude com o Edward-kun; e você também Ed, vá pro seu alojamento descansar.

"Sim mamãe!" pensei ironicamente. Pela cara do coronel, ele parecia ter pensado a mesma coisa, mas não contrariaria o tenente.

- Amanhã de manhã cedo vamos ver a cena do crime, Fullmetal – disse Mustang – Estude esses arquivos como se fosse seu pro seu exame de readmissão.

"Chato!" pensei. E dei as costas para os dois.

- Até mais, Riza-san! – cumprimentei na saída.

- Ei! Eu também to aqui! – pude ouvir o coronel resmungar antes de bater a porta atrás de mim, já fora da sala.

Quando cheguei ao alojamento, Al me contou o que havia acontecido na recepção, mais cedo:

Enquanto eu seguia rumo à sala de Mustang, Noa e Al foram à recepção do QG.

- Bom dia! – cumprimentou ele, gentil como sempre - Dois alojamentos, por favor!

- Desculpe, mas não cedemos alojamentos à civis – disse a secretaria em tom rude – Procurem o hotel da cidade, que fica logo ali em frente.

Al ficou um pouco estático, ele nunca fora barrado antes no exército.

- Clarie-san, você já ouviu falar nos irmãos Elric? – perguntou Shieska displicentemente, enquanto pegava uns relatórios.

- Claro que sim – respondeu a tal Claire – Eles são famosos por toda Amestris!

- Pois é... – respondeu Shieska com naturalidade – E você está em frente ao Elric mais novo. Ele é o irmão do major Elric, o Fullmetal Alchemist.

A secretária empalideceu.

- Que, por sinal, está lá em cima resolvendo assuntos importantes com o coronel Mustang e não vai gostar nada de saber que o irmão dele foi destratado – disse Shieska, como se não tivesse visto a reação da mulher.

- D-D-Desculpa, eu... – balbuciou a tal de Claire.

- Tudo bem – disse Al, meio sem jeito.

- Tudo bem o caramba – disse Noa – O exército todo te respeita, o que essa novata quer sendo rude com você?

- Eu não fazia idéia, Sra.! – respondeu a secretária – De qualquer jeito, a Sra. não poderá requerer alojamento, já que não tem ligações com o Fullmetal Alchemist.

- COMO ASSIM não tenho? – exclamou Noa exasperada.

- Noa-san, você ficará no meu alojamento – disse Shieska-san –E Alphonse-kun irá ficar no alojamento do major Elric com ele. Simples assim.

- Eu não quero incomodar, Shieska-san. Posso ficar no alojamento dos meninos mesmo...

- Não é incômodo – disse Shieska – Além disso, há leis de contravenção militar aqui, então não poderá dividir o alojamento com eles, mesmo que não seja do exército. Homens e mulheres têm dormitórios separados aqui.

- Ah...

- De qualquer jeito, eles já tinham reservado um alojamento para a gente. – disse Al, após terminar o relato. - E lá com o Mustang, como foi?

- Ele quer que ajudemos a investigar três assassinatos que ocorreram - respondi em tom entediado – Dois alquimistas federais e um soldado.

- O que é isso na sua mão? – perguntou meu otouto.

- São os arquivos do caso – respondi no mesmo tom de outrora.

- Vamos ver! – sugeriu Al. Abri o envelope e havia vários papéis dentro. O primeiro deles tratava-se de uma ficha com os dados completos das três vítimas: suas funções no exército, tempo de trabalho, nome, endereço, telefone, estado civil, e outros dados recorrentes ao caso, como quando, como e onde cada um deles fora encontrado e os resultados da autópsia feita pelos peritos.

- Se eles já fizeram autópsia e determinaram que a causa mortis foi um ataque usando alquimia, o que estamos fazendo aqui mesmo? – perguntei.

- Talvez eles achem que os peritos podem ter deixado passar alguma coisa – disse Al, lendo arduamente outro documento que havia no envelope.

No dia seguinte, como prometido, fomos ver as cenas do crime. A primeira delas me lembrou um pouco aquele caso de Scar, porque a vítima fora encontrada num beco e havia muito sangue no local. O corpo, porém já havia sido removido pelos legistas.

- Isso lembra-

- Scar, eu sei – disse Roy – Com aquela técnica de destruição.

- Uhum – respondi – Mas não foi ele, foi?

- Não. A mídia pensa que sim, mas não confirmamos nem desmentimos.

- Isso não é justo com o Scar, ele está mudado agora – disse Al.

- Não queremos alertar ao assassino que estão tendo investigações sérias sobre o caso – disse Riza – Mas em tempo todos saberão quem é o verdadeiro culpado disso.

- Ou culpados – lembrei – Isso não me parece algo que alguém conseguiria fazer sozinho... Além disso, houve luta aqui. A vítima tentou se defender, fez de tudo para sobreviver.

- Eu estava olhando os arquivos do caso que vocês deram ao Ed – Al comentou – Fora o fato de que são do exército não há nada que ligue um caso ao outro...

- Por enquanto, não encontramos nenhum outro elo.

Seguimos então para a segunda cena do crime, onde o outro alquimista federal e o soldado foram mortos. Era uma praça.

- Aparentemente, o major Hoppings estava junto com o soldado Williams na hora em que foram atacados – disse Roy.

- Sim, e o major muito provavelmente tomou a frente do soldado pra tentar protege-lo – comentei – No relatório do caso há registros de ferimentos no major que claramente indicam defesa. Ele usou alquimia para se defender também, ainda dá para ver alguns traços de alquimia nessa parede aqui – apontei o local para eles.

- O alvo claramente era o major – disse Al – Pelo menos é o que dá para inferir, visto que há evidências de que o major tentou não envolver o soldado na luta, mas depois que ele foi abatido o soldado não tinha chances contra o seu algoz.

- Provavelmente foi queima de arquivo – disse Riza – É normal quando ocorre esse tipo de crime que o culpado "cuide" das testemunhas...

- Não há nada para comparar entre um crime e outro – disse outro investigador que ali estava – Devemos encarar isso como dois casos distintos.

- Eu discordo. O local e hora do crime batem – retruquei.

- O horário sim, – concordou o investigador – mas o local não. Veja, aqui é um local público, aberto e a outra cena era um beco.

- Houve um festival, dias atrás, aqui em Amestris que é tradicional – argumentou Mustang- Então esta praça provavelmente estava vazia quando o crime ocorreu.

- O modus operanti também bate. Ataque por meio de alquimia – disse Al – Embora a causa mortis do soldado parece ter sido uma perfuração profunda no peito, que atingiu seu coração.

- Isso sugere mais de um assassino – disse Riza.

- E sugere também outra coisa – completei – Temos uma ligação.

- Como assim?

- O soldado morreu após a morte do major, provavelmente porque ele viu quem era seu algoz ou, no mínimo, presenciou o crime. O major morreu tentando protege-lo. Isso significa que os dois alquimistas federais foram mortos por alquimia, talvez por serem alquimistas federais, enquanto o soldado foi morto porque viu demais.

- Está dizendo que os verdadeiros alvos foram os alquimistas federais?

- Exatamente. – respondi – Não foi o Scar quem os matou, mas temos pelo menos dois assassinos aqui que estão seguindo seus passos, ao menos na escolha dos alvos. Agora eu me pergunto: porque alquimistas federais especificamente? Creio que quando respondermos essa pergunta, estaremos perto de pegar os assassinos.

- Foi uma bela dedução, major – disse o investigador.

- Obrigado.

Voltamos ao alojamento, exaustos, mas mesmo assim tentamos catalogar as informações que recebemos para ver se havíamos deixado algo passar. Noa passou lá uma hora mais tarde para saber como as coisas estavam indo.

- Não vi vocês desde ontem, então fiquei um pouco preocupada. – disse ela.

- Estávamos fazendo reconhecimento da área do crime.

- Só isso que você tem a dizer em sua defesa?

- Eu to trabalhando, Noa. – respondi – E você sabe que não voltamos para a Central para passeio turístico...

- Amanhã também sairemos o dia todo, Noa-san – disse Al.

- Então não vamos nos ver? – comentou Noa com tristeza na voz.

- Sinto muito.

Na verdade todo aquele trabalho estava até fazendo bem, porque eu acabava me distraindo do tópico "garotas" e não precisava ficar me preocupando sobre o que fazer com relação à Noa ou a Winry. Pelo menos não por enquanto. Havia algo naqueles crimes que estavam me incomodando, mas eu não sabia dizer o que era ainda.

Noa não se demorou muito em nosso alojamento. Além do fato de que estivemos ocupados estudando o caso, precisávamos dormir cedo, pois haveria reunião no dia seguinte com a equipe investigadora.

No entanto, era mais ou menos meia noite quando Al e eu resolvemos dormir e o sono tomou conta de mim tão logo deitei na cama. Contudo, mal havia deitado, ouvi fortes batidas na porta do alojamento.

- Major! Major! – uma voz masculina me chamou – Precisamos do senhor aqui fora!

Olhei para o relógio ao lado da cama, eram quatro da manhã ainda. O que poderia ser àquela hora? Levantei-me sonolento e abri a porta, um tanto irritado pela interferência causada no meu sono.

- O que houve soldado? – perguntei.

- Aparentemente houve outro crime. O coronel Mustang e a tenente Hawkeye estão esperando vocês no carro para leva-los ao local do crime. E me parece que há uma equipe em perseguição policial.

- Al! Acorda! – gritei.

- Hm? Só mais cinco minutos, nii-san! – resmungou Al.

Sacudi ele com mais firmeza e gritei novamente.

- Al! Houve outro assassinato, levanta!

- O que?! Assassinato? – ele parecia bem desperto agora.

- Se troca e vem. Mustang e Riza-san já nos aguardam.

- Ta certo, um minuto, nii-san!

Arrumamo-nos correndo, meio que tropeçando nos objetos que encontrávamos no caminho e saímos em seguida. Eu nem ao menos passei um pente no cabelo, naquelas horas tudo o que a gente menos devia fazer era perder tempo com coisas triviais.

Riza estava louca no volante, nunca a vi dirigir tão rápido. Ainda bem que ela tinha olhos de falcão e precisão de uma águia, o que me deixava confiante de que, mesmo em alta velocidade, aquela não era de todo uma viagem com direção perigosa. Mas, de qualquer jeito, ela nos alertou sobre segurar bem e usar o cinto logo quando entramos no carro.

Chegamos ao local do crime em tempo recorde. Mustang agachou-se próximo ao corpo e pôs-se a examiná-lo, tentando descobrir pistas do que havia ocorrido ali. Um soldado apareceu nesse meio tempo informando que a perseguição ao(s) bandido(s) fora fracassada. Ele(s) havia(m) escapado. Suspirei resignado. O pessoal do exército que estava ali e ouvira a notícia tampouco pareceu satisfeito com ela.

- Fullmetal, Alphonse-san – disse Mustang ainda agachado ante ao corpo – Vocês viram as fotos das outras vítimas, não viram?

- Sim – confirmei.

- Eles tinham alguma tatuagem? – perguntou Roy.

- Bom, eu vi que os dois alquimistas mortos tinham uma tatuagem, mas os demais investigadores não deram muita importância ao fato, visto que não havia nenhuma tatuagem no soldado e os dois alquimistas eram amigos – respondeu Al – Eles associavam às tatuagens a isso. Provavelmente elas foram feitas no mesmo dia.

- Mas eles fotografaram as tatuagens? – perguntou Mustang.

- Mais ou menos – respondeu o investigador – As tatuagens dos alquimistas eram diferentes, embora fossem levemente parecidas. Acho que a equipe tem uma foto nítida da tatuagem do Air Alchemist, que foi a segunda vítima.

- Deixe-me ver – disse Roy. O investigado mostrou-lhe uma fotografia – Acho que teremos que visitar o necrotério para ver os corpos das vítimas anteriores para saber o que esses incompetentes deixaram de fotografar... Veja Fullmetal.

Mustang então passou-me a foto e eu vi que era a tatuagem da segunda vítima. O desenho em questão era um quadrado cujas pontas se estendiam e em seguida curvavam-se formando uma espécie de gancho quadrado.

- Agora veja – Mustang indicou-me o local onde fora tatuada a quarta vítima. O desenho era levemente arredondado, com um círculo no centro, mas as pontas seguiam o mesmo esquema encurvado, que lembravam ganchos. Embora os desenhos fossem diferentes, eles se assemelhavam nos pontos principais. Era como se fossem raízes de uma arvore, labirintos, ou cruzes juntas. Cruzes... Aquela imagem, embora eu não soubesse o que significava, me era um tanto familiar...

- O que você acha? – perguntou-me o coronel.

- Vale a pena conferir essa outra tatuagem – respondi, ainda imerso em pensamentos.

- Ao que tudo indica, ele morreu da mesma forma que os outros dois alquimistas – comentou Riza – Se a primeira vítima tiver uma tatuagem e ela for parecida, pode indicar que temos o mesmo assassino, um serial killer.

- As tatuagens são diferentes – advertiu o investigador.

- Nem tanto – retruquei – E o fato da vítima nº 4 não conhecer pessoalmente nenhuma das vítimas anteriores é um indicativo de semelhança no modus operanti. Essas tatuagens podem ter sim algum significado específico...

- Infelizmente – disse Riza – Só poderemos ir ao necrotério quando o dia amanhecer.

- Nós somos do exército, não precisamos esperar – disse Mustang ofendido.

- Acontece que não há ninguém lá até amanhã, coronel – retrucou Riza.

- Não há como resolver isso? – perguntou o coronel, frustrado.

- Não, sinto muito – disse um soldado.

Ficamos ali ainda por algumas horas buscando pistas e já era sete da manhã quando saímos da cena do crime.

- O necrotério só funciona mais tarde, então tentem descansar um pouco e logo um carro do exército passará lá para buscá-los para irmos ao necrotério todos juntos – disse Roy.

Seguimos a partir dali em carros diferentes: Al e eu partimos rumo ao alojamento militar, enquanto Riza-san e o coronel Mustang seguiram num outro. Pensando bem agora, eles dois sempre estavam juntos. Algumas vezes desconfio de que os boatos de algumas pessoas do exército de que eles tiveram ou estão tendo um caso é verdade... Acho que a tenente é apaixonada pelo coronel, embora tente esconder isso, e ele por ela também.

Todos (os alquimistas federais) sabem que aquela "agenda de encontros" do coronel era só uma forma que ele usava para criptografar suas pesquisas em alquimia; da mesma forma que Marco-san disfarçava as suas como livros de culinária e eu codificava as minhas como se fosse um diário de bordo...

Algumas pessoas no exército suspeitavam de que a tenente e o coronel tinham um caso, mas nada disso foi comprovado, e nem poderia ser, já que o exército tinha rígidas leis que impediam relacionamentos amorosos dentro do exército, o que significa que eles poderiam responder por contravenção militar por isso.

Parei de confabular teorias a respeito do assunto, porém, assim que o carro que nos levava parou em frente ao QG. Descemos do automóvel e seguimos imediatamente em direção ao nosso dormitório, caindo cada um em sua respectiva cama com a rapidez de um raio. Poucos minutos depois, entretanto, houve outra batida na porta.

- Ah, sério? – Al comentou – Pensei que nos deixariam descansar...

- Você vai dessa vez – sentenciei – A última vez, quatro da manhã, por sinal, fui eu quem atendeu.

- Ok, ok... – disse meu otouto em um tom conformado – To indo já.

Dizendo isso Al caminhou vagarosamente para a porta e, sem ao menos se dar ao trabalho de perguntar quem era, abriu-a e voltou para a cama. Eu não teria notado que mais alguém entrara no quarto, se ela não tivesse se pronunciado.

- Pelo visto a noite foi longa, hu? – perguntou Noa – Eu ouvi a movimentação de ontem... O que houve?

- Mais um assassinato – resmunguei cansado – Fomos ao local do crime ontem...

- E pegaram o criminoso? – ela perguntou-nos com genuína curiosidade.

- Como se fosse fácil assim... Escaparam novamente.

- Vocês parecem cansados...

- Estou acabado – disse Al – E daqui a pouco vamos sair novamente...

- Pra onde vão?

- Necrotério – respondemos Al e eu ao mesmo tempo. Não estava olhando para Noa, mas pelo ruído que ela fez, pude imaginar a sua expressão de nojo ante a ideia de visitar um local onde se guarda pessoas mortas.

- Um dia todos nós vamos passar por lá – respondi sem ânimo.

- Não, espero não morrer em nenhuma morte criminosa – retrucou Noa veementemente.

- A não ser que você seja enterrada na mesma hora que morrer, você vai para o necrotério sim – disse com o sono já me vencendo – Mas é melhor isso do que ser enterrado vivo, então não tem porque ter neura por isso...

Algumas horas depois Al acordou-me. Noa não estava mais no quarto.

- O carro do exército está aí fora. – disse meu otouto – Estão esperando-nos. Avisei à eles que você estava descansando, então levante-se e se ajeite para irmos.

- Ok – disse lembrando-me dos campos de Resembool os quais mais uma vez estiveram em meus sonhos. Levantei-me e apanhei uma muda de roupa e uma toalha e fui ao banheiro a fim de deixar debaixo do chuveiro quaisquer resquícios de sono.

- Liguei para a Win hoje – disse Al, sua voz levemente abafada aos meus ouvidos por causa do barulho do chuveiro.

- E aí? – perguntei tentando fingir desinteresse.

- Contei à ela que estávamos investigando assassinatos na cidade, mas não contei os detalhes da investigação, fique tranquilo...

- Tudo bem – respondi.

- Estão todas bem, só preocupadas conosco – disse Al, já sabendo que eu não iria perguntar, apesar de que eu queria saber.

- Disse a elas que estamos bem?

- Claro que sim.

O necrotério não era, nem de longe, o lugar mais agradável do mundo, mas era uma visita necessária ao bem estar da investigação. Procuramos primeiro o corpo da segunda vítima para conferir se era ele mesmo quem tinha a tatuagem com formas mais quadradas. Ao confirmarmos isso, verificamos a terceira vítima, o soldado que estava com a segunda vítima. Ele não tinha tatuagem alguma.

Procuramos então a primeira vítima, visto que já checáramos a quarta na noite anterior. Apesar de não ter sido fotografada, estava lá, no pescoço da vítima, a tatuagem. Esta fora igual a tatuagem encontrada na segunda vítima.

- Fullmetal, você está bem? - perguntou Mustang, analisando minha expressão, enquanto eu tentava fazer uma conexão entre os fatos encontrados dentro da minha mente.

- Sim, estou – respondi.

- Por um momento pensei que você ficou impressionado demais com os corpos – disse Roy – Não vai vomitar não, ne? Ou desmaiar?

- Claro que não! Já vi coisas piores. – retruquei – Eu só estava pensando...

- Diga nii-san – Al incentivou-me ao notar minha hesitação.

- Acho que deveríamos recolher amostras de pele do local dessas tatuagens – respondi. Alguns ali me olharam com certo choque – Estou falando sério. – assegurei – Não quis dizer arrancar a pele, mas colher fragmentos dela para análise. Há algo estranho com essas tatuagens, eu só não sei dizer ainda o que é...

- Ok. Façam isso – disse Mustang aos peritos – Vejamos então o que temos: quatro assassinatos, todas as vítimas são do exército. Três alquimistas federais e um soldado comum. Os três alquimistas foram marcados com tatuagens. A segunda vítima era amiga da terceira e da primeira. O que mais?

- A terceira vítima não era alquimista federal, mas estava perto de um quando morreu. Ela é a única que não possui tatuagens também – disse Al.

- As tatuagens não são iguais, mas são bem parecidas – disse – Saberemos mais delas quando a análise for feita.

- Isso pode indicar um serial killer que procura alquimistas federais – disse Riza – E um soldado sem sorte.

- É complicado pensar que uma só pessoa matou um soldado e um alquimista federal ao mesmo tempo...

- Mas não temos provas de que seja mais de uma pessoa.

- Uma pessoa só não mataria essas pessoas – argumentei – Elas estavam desacordadas e havia resquícios de éter, dentre outros produtos químicos, neles. Precisariam de, pelo menos, duas pessoas para fazer isso discretamente e, no caso do parque que era um local público e onde houve duas vítimas, eles precisariam de, no mínimo, quatro pessoas. Sem falar que os modus operantis são parecidos, mas não iguais; o que sugere uma tentativa de várias pessoas de fazer os crimes da mesma forma. Estamos lidando com uma organização criminosa, ou algo similar a isso.

- Com todo o perdão da palavra e com todo o respeito, Fullmetal, você está sendo dramático – disse o inspetor.

- Não, senhor. – respondi – Defina organização. Se temos quatro ou seis potenciais criminosos trabalhando juntos, isso é um organização criminosa.

- O Fullmetal tem razão – disse Mustang e eu o olhei surpreso. Sério que ele estava dizendo que eu tinha razão? – Não há provas, mas há fortes indícios de que os crimes foram cometidos por várias pessoas. Vamos tratar isso como uma organização criminosa em potencial. Possivelmente tenhamos um mandante oculto nas sombras então. E precisamos saber também porque os alvos são alquimistas federais, isso deve nos aproximar mais dos culpados. Vamos começar a trabalhar a partir dessas informações. Estão liberados.

O tempo passou e era tanto trabalho que tínhamos para fazer por conta desses assassinatos todos que a noite chegou sem que nos déssemos conta. Aquela noite, aliás, fora atípica. Tinha voltado para o alojamento junto com Al, ainda pensando naqueles assassinatos. Algo em tudo aquilo me parecia familiar, mas o quê? E por quê? O que é que eu já havia visto antes que me dava aquela estranha sensação de dejavù?

Minha inquietude noturna fez com que eu perdesse o sono, de modo que não adiantava muito ficar enfurnado naquela cama. Levantei-me e comecei a olhar novamente os arquivos do caso: Sargento Williams, Air Alchemist, Wood Alchemist e o mais recente, o alquimista dos movimentos ágeis (eu não sabia de onde o exército tirava certos nomes estranhos para o segundo nome dos alquimistas federais, mas isso não vinha ao caso)... Todos esses homens estavam mortos. Assassinados. Apagados como o sopro numa vela...

O que havia em comum entre eles, além do fato de serem alquimistas federais? Seria realmente possível que esses casos tivessem alguma ligação?

Minha mente trabalhava em velocidade acelerada, quanto mais observava os fatos, menos sentido eles pareciam ter: o modus operanti, os locais do crime... Tudo terrivelmente estranho e...

Meus olhos miraram algo em particular no meio da bagunça da minha mesa: Um pacote fechado. Abri-o e percebi que eram amostras lacradas e um papel escrito:

"Major Elric,

Estamos enviando para o senhor amostras de pele das tatuagens das vítimas. Achamos que talvez o senhor se interessasse em dar uma olhada nelas o senhor mesmo. Quando obtiver resultados, poderemos comparar a nossa análise com a sua, quem sabe isso não traga alguma luz ao caso.

Cordialmente,

J.S.T. Petrova,

Diretor do 3º Laboratório - Exército de Amestris."

Ainda em cima da mesa, vi uma foto que acabou ficando por cima das demais. Peguei-a com cuidado e mirei a tatuagem do Wood Alchemist. Lembrei-me da amostra de pele que o exército mandara para mim e, por fim, decidi: Era hora de ver no que isso dava.

Olhei para Al, ele estava dormindo. Resolvi então deixar um bilhete e ir ao laboratório sozinho, que era onde eu estava pensando em ir naquele momento. O bilhete em questão não passava de duas frases:

"Al, fui ao laboratório fazer uns testes com as amostras do caso. Te vejo mais tarde. Ed."

Mirei o relógio por um momento, era madrugada, mas valia a pena tentar. Provavelmente um alquimista federal famoso como eu tenha acesso ao laboratório, mesmo àquela hora da noite. Tomara que sim.

Eu tinha razão. Minha entrada fora permitida sem maiores questionamentos. Pus o envelope com os arquivos do caso de lado e contemplei as amostras que tinha ali. Comecei a testá-las uma a uma. Provavelmente seria possível identificar o tipo de tinta usada para fazer aquelas tatuagens e, com sorte, o fabricante. A resposta tinha que estar naquelas tatuagens...

Eu estava do outro lado do portal, tentando viver uma vida normal, embora sentisse saudades de Amestris, da alquimia e dos meus amigos queridos. De repente, estava trabalhando ajudando a fazer foguetes e conheci aquela roman... Noa... Logo depois estava envolvido em alguma trama obscura e tentando lutar contra Hitler e a Sociedade Thrule.

Estava sonhando, é claro. E acordei num sobressalto com aquela nova ideia que permeava minha mente. Fucei os arquivos do caso como um louco, procurando as fotos. As fotos! E então, mirando para elas percebi finalmente o que havia deixado passar: Aquelas tatuagens das vítimas eram similares porque se tratavam da mesma coisa. Eram variações da cruz suástica, que passou a ser conhecida lá no outro lado do portal como o símbolo do nazismo, embora representasse muito mais coisas, além disso...

Como eu não pude ter percebido? Estava na minha cara o tempo todo. Debaixo do meu nariz...

Mas eu havia detido a Sociedade Thrule, não tinha? Como seria possível que ela estivesse por trás daqueles assassinatos se eles estão presos do outro lado do portal? Cada minuto que se passava deixava-me mais inquieto, porque aquele caso estava começando a tomar dimensões perigosas e assustadoras.

Os "E se?"s que meus pensamentos estavam formando não me davam uma visão boa do futuro por vir... Mas, mesmo que pareça improvável, a Sociedade Thrule devia estar envolvida. Como poderia alguém daqui saber desse símbolo marcado nas vítimas?

Um leve bip alertou-me de que os resultados dos testes que eu havia feito horas atrás estavam prontos. E eles não poderiam ser mais intrigantes...


NA: Capítulo encerrado! Muito obrigada a todos que leram essas linhas até aqui *-* Se puderem e quiserem, deixem uma reviewzinha dizendo o que acharam do capítulo de hoje, eu ficaria radiante com isso! *-*

Vejo vocês no capítulo 6! o/

PS: Luiza-san, sei que tem tentado entrar em contato comigo, eu tentei responder, mas não acho que tenha visto. Sobre o meu e-mail, você pode entrar no meu profile que tem o endereço lá... Bjs!