Disclaimer: I own nothing.

P.S.: A saga Seddie não aconteceu, apenas iKiss. :)

Capítulo 1: Férias

-Pela última vez, Sam, não! N-Ã-O! Você não vai viajar comigo para Tijuana! - Pam gritava enquanto procurava freneticamente pela passagem. Corria de um lado para o outro do quarto, revirando cada canto. - Tem que estar aqui em algum lugar! - ela grunhiu de frustração.

-Você quer dizer isso? - sorri sem humor, levantando o bilhete que eu escondia às costas. - Como você, eu tenho as mãos bem leves. E é claro que pode tê-lo em mãos, se fizer a escolha certa. - levantei as sobrancelhas sugestivamente.

Ela cruzou os braços, irritada:

-E te levar comigo? Não, obrigada. - ela franziu o nariz, como se a ideia a enojasse.

Suspirou fundo, ela rolou os olhos e aproximou-se, pondo as mãos nos meus ombros:

-Olha, Sam, eu sei que você é uma garota crescida para sua idade. Mas tem certas coisas em Tijuana que nem você está preparada para ver. Aquele ditado de 'o que acontece em Vegas, fica em Vegas' é perfeito para aquele lugar. Além do mais, você tem seus amigos aqui, não vai ficar sozinha; e eu preciso de um tempo a sós com o Elliot, o namorado da vez.

Ignorei o último comentário:

-Mãe, quantas vez eu tenho que te dizer?! A Carly vai viajar para Yakima amanhã, por que, além de o avô dela morar lá, o Spencer está inaugurando uma exposição na galeria da cidade. Ela vai demorar, tipo, um milhão de anos para voltar.

-Ótimo, por que você não vai com ela? - sorriu esperançosamente.

Fuzilei-a com o olhar:

-MÃE?! São minhas férias! Depois de passar o ano todo derramando meu suor e um pouco de sangue naquela escola, é o mínimo que você poderia fazer por mim!

Ela gritou nervosa, tomando o bilhete das minhas mãos, num momento de distração:

-Chega, Samantha! Eu já tomei minha decisão e eu não vou mudar de ideia! Você fica! Ou quer que eu ligue para Melanie e peça para que ela venha te fazer companhia? - ela ameaçou, estreitando os olhos.

Grunhi de puro ódio:

-Isso é tão injusto! Até o nerd vai viajar! Ele e a louca da mãe! Não que seja grande coisa, mas ainda assim! - dei as costas para ela, fazendo menção de sair do quarto, mas pensando melhor dei meia volta e apontei em sua direção, olhando-a ameaçadoramente - Pam, você vai se arrepender disso. Ninguém me diz o que fazer!

E dando meia volta, bati a porta do quarto com violência.

Alguns minutos depois estava eu encostada na parede do elevador, praguejando alto pela demora em subir. Quando as portas abriram, vi o nerd saindo do apartamento dele e indo em direção ao da Carly.

-E aí, Sam? - me cumprimentou casualmente.

Ele estava na minha frente, com a mão na maçaneta, me impedindo de passar. Por isso, cuspi um "não enche" e o puxei pela gola da camisa, tirando-o do caminho. Escutei o barulho de carne batendo em concreto, mas não me importei muito.

-Qual é! - ele gemeu de dor.

Me joguei no sofá e grunhi em frustração. Como não ajudasse, peguei uma almofada e enterrei a cara nela, gritando alto de raiva.

Carly desceu as escadas rapidamente, pálida, olhando para os lados, procurando a fonte do problema. Cruzou os braços quando me viu vermelha de raiva e a cara de dor do Freddie, enquanto massageava o pescoço:

-Ah, é só vocês dois. Sempre é. Não sei por que ainda me importo. Pensei que tivesse matado o garoto de vez. - retrucou.

-Olha o que essa louca fez dessa vez! - e puxou a gola da camisa xadrez, mostrando duas linhas grossas, vermelhas no pescoço.

Fechei minhas mãos em punhos e fiz menção de me levantar. Carly correu até mim e, pondo as mãos nos meus ombros, calmamente me forçou a sentar novamente:

-Calminha, Sam. Matar...Freddie... é mau. Polícia... mau. - falou as palavras de forma lenta e repreensiva, como se eu fosse um cachorro.

Franzi meu cenho, a olhando como se ela fosse doida:

-O quê? - escapou.

Ela revirou os olhos e murmurou um "deixa para lá", e sentou-se ao meu lado no sofá:

-E aí, como foi? - perguntou, mas sua expressão dava uma boa pista de que ela já sabia a resposta.

Apontei para a minha própria cara raivosa:

-Isso responde a sua pergunta?

Ela balançou a cabeça, frustrada:

-Ah, Sam, mas isso é tão injusto! Você queria tanto ir! Além do mais, são férias e ela não pode te deixar sozinha...

-E você acha que eu não disse isso para ela? Eu tentei de tudo, disse que vocês iam viajar. Mas sabe o que ela disse? Disse que se o problema era ficar sozinha, ela podia chamar a Melanie! - dei um soco na almofada.

-Eu até te chamaria para ir pra Yakima comigo e com o Spence, mas eu sei que você quer ir mesmo é para Tijuana. - ela deu de ombros.

-Eu preciso ir para Tijuana. Uma semana de diversão de verdade é tudo o que eu preciso. - gemi como se o simples pensamento de perder aquilo me causasse dor.

Carly passou o braço pelos meus ombros e encostou minha cabeça no ombro dela, dando tapinhas reconfortantes, enquanto eu ainda gemia de dor.

Pela primeira vez, Freddie se manifestou:

-Sério o que tem de tão bom em Tijuana? Todo mundo fala, mas nunca consegui entender. - ele cruzou os braços e sorria em tom de deboche.

Desvencilhei-me de Carly e, de olhos arregalados, olhei-o incrédula. Como se tivesse criado uma segunda cabeça no garoto:

-Está brincando comigo, não é? - estreitei os olhos.

Ele deu de ombros:

-Não...

-Tijuana faz Vegas parecer brincadeira de criança. - esclareci com um sorriso sombrio.

Seus olhos se arregalaram um pouco e depois me olhou de forma estranha, como se me imaginasse em um lugar assim. Ou talvez só tentasse entender o porquê de eu querer ir para lá.

-A questão é, eu não vou desistir. Vou para o México custe o que custar. Sou uma Puckett, ninguém de impede de fazer algo que eu quero. - esclareci, com um sorriso presunçoso.

Carly, levantou-se, de repente preocupada:

-Olhá lá o que vai fazer, Sam. Tijuana não é brincadeira. Eu sei que acha que pode fazer qualquer coisa, mas eu quero que me prometa que não vai fazer nada arriscado. - ela falou naquele tom maternal dela.

-Tudo bem, eu prometo.

Procurei manter a voz o mais inocente possível, mas tinha cruzado meus dedos nas costas. O nerd viu e eu o fuzilei com o olhar para que ele ficasse de bico calado. Ele olhou para o lado, fingindo que não era com ele, mas não disse nada.

Spencer saiu do elevador cheio de malas, e um pouco suado pelo esforço de colocar tantas malas (da Carly) lá dentro:

-O que aconteceu aqui? Eu escutei gritos... - mas quando me viu, sua expressão confusa se suavizou - Ah, é você, Sam, oi. - e se virou para o nerd - Freddie, que horas vai viajar?

-Daqui a umas três horas.- ele disse simplesmente.

-Então, kiddo, está pronta? - disse esfregando as mãos em animação, como se a viagem deles fosse uma grande aventura.

Carly murmurou um sim para o irmão, mas ainda me olhava com aquela mesma expressão preocupada e advertente ao mesmo tempo. Troquei o peso do corpo para o outro pé, desconfortável.

-Eu prometi, não prometi? - lembrei-a.

Meia hora depois, Spencer e Carly já haviam saído rumo ao aeroporto, deixando a chave do apartamento em minhas mãos. Freddoritos tinha voltado para o 8-D sob a desculpa de precisar terminar de arrumar as malas. E, como eu não estava a fim de voltar para casa e encarar minha mãe saindo rumo a minha viagem dos sonhos e me largando, eu permaneci no apartamento da minha melhor amiga. Estava estirada no sofá, tentando acalmar a raiva e a solidão, quando tive a ideia. A brilhante ideia. Era mirabolante e arriscada, mas era incrivelmente tentadora. Era perfeito: eu tinha o carro, a grana, o biquíni Só me faltava o motorista. Seria complicado arranjar algum, eu precisaria de sorte, mas não era algo impossível.

Levantei-me de súbito e corri para pegar o material necessário na mochila.

FREDDIE

Minha mãe tinha saído para comprar últimos itens necessários para a viagem havia duas horas, com a promessa de voltar com tempo de sobra para pegarmos o voo. Faltava uma hora e meia, e eu já tinha terminado de arrumar as malas, colocando todas as coisas absurdas que minha mãe tinha exigido que eu colocasse na bagagem. Ela tinha deixado uma lista antes de sair e entre as coisas listadas estava dois sacos de dormir e uma barraca. Como se a gente fosse precisar disso na casa da minha tia. Não era como se a gente fosse acampar.

A campainha toca e, com um suspiro cansado, abro a porta só para ver Sam com um sorriso macabro no rosto:

-Sua mãe está em casa, Freddito? - ela perguntou, visivelmente tentando parecer desinteressada.

O que não funcionava muito, já que olhava a cada dois segundos por trás do meu ombro, tentando ver se localizava minha mãe.

-Não, por que? - estreitei os olhos, desconfiado.

O que o demônio queria?

-Nada. - ela disse, entrando no meu apartamento.

O meu erro foi ter me distraído no momento em que fechei a porta. Com um movimento brusco, Sam pôs um pano branco no meu rosto e o pressionou com força, cobrindo minha boca e meu nariz. Minha visão ficou turva e depois, escuridão.

Acordei meio tonto, então precisei de meio segundo para notar que estava no meu carro. Um Mustang Cobra antigo, mas em ótimas condições. O que era ótimo, porque não me via dirigindo nenhum carro novo e reluzente. Sam estava no banco do passageiro, lendo despreocupadamente um livro.

Levei as mãos à cabeça, tentando acalmar minha visão, que girava. Gemi uma vez. Ouvi Sam fechar o livro meio irritada e reclamar:

-Até que enfim acordou, Freddiota. Já estava pensando que tinha te matado e começava a pensar onde ia esconder o corpo. - ela falou, jogando o livro no banco de trás.

Olhei em volta. O que eu estava fazendo ali? Então, eu me lembrei, e soube exatamente como tinha ido parar ali. Sam tinha me dopado. Uma onda de fúria passou pelo meu corpo:

-Eu não acredito nisso, Sam! Você me dopou com éter, não foi? Ficou louca? Perdeu completamente o juízo?! - gritei, cuspindo as duas últimas frases.

-Ai, Fredduccini, do jeito que você fala até parece que eu te droguei ou algo assim... - ela franziu o cenho, contrariada, como se eu estivesse reagindo de forma exagerada.

Gargalhei histericamente. Agora a culpa era minha por estar bravo? Sem chance.

-Por que está rindo, idiota? Não tem graça nenhuma...

-Ok, Sam, para mim já deu. - cortei-a - Chega dessas suas brincadeiras infantis, nós já temos 17 anos, pelo amor de Deus. E eu tenho mais o que fazer do que ficar aqui te aturando. - e virei-me, fazendo menção de abrir a porta do motorista.

Mas a loira foi mais rápida. Sacou a chave do meu carro de dentro da jaqueta camuflada que ela usava e travou as portas. Aliás agora que eu podia olhar bem para ela, nunca a tinha visto com aquela jaqueta, que obviamente não era dela, porque era umas duas vezes maior que o seu corpo pequeno.

-Não disse que podia sair, nerd. - ela disse simplesmente, pondo a chave do Mustang dentro do sutiã, como se tivesse medo de que eu a pegasse de volta.

-Dá-me a chave, Sam. - pedi ameaçadoramente, fuzilando-a com o olhar.

-Não. - ela respondeu no mesmo tom, devolvendo o olhar.

-Eu não tenho tempo para isso. Minha mãe já deve ter voltado e deve estar se perguntando onde eu estou. Além do mais, eu vou viajar daqui a alguns minutos. - estendi a mão, pedindo a chave.

-Ah, se for esse o problema, não se preocupa, ela já foi.- ela riu calmamente.

-Como é que é? - pisquei duas vezes, incrédulo.

-A Sra. Benson já viajou para a casa da sua tia. Ela deve estar um pouco chateada com você, mas definitivamente ela não está te procurando e nenhum pouco preocupada com a sua segurança. - ela esclareceu, ainda sorrindo.

-Ah, claro, porque estar dentro do meu carro com você, e a chave dentro do seu sutiã, sem falar na parte do éter, é completamente a definição de segurança da minha mãe! - ironizei - Como fez isso? Anda, me diz. Como fez para afastar minha mãe e ela não suspeitar de nada? Porque só pode ter sido algo brilhante para ela acreditar na sua palavra.

Ela abanou a mão no ar, aceitando meu elogio, como se ela tivesse feito algo que merecesse orgulho de alguém:

-Eu sou brilhante, você sabe disso, nub. O meu plano é perfeito e foi um pouco mais elaborado que os outros, e contou com um pouco de sorte a mais, mas saiu do jeito que eu queria.

-Como, loira? - perguntei lentamente, já perdendo a paciência.

-Tudo bem, vou contar. - e ela virou de lado no assento do banco, de modo a ficar de frente para mim, e contou animadamente - Bem, eu queria ir para Tijuana custe o que custar. Eu tinha o dinheiro, o visto, só me faltava um motorista. Então, eu estava deitada no sofá dos Shay depois que eles saíram, quando a brilhante ideia surgiu na minha mente. Então corri até minha mochila e peguei meu vidro de éter que eu sempre levo junto com a meia de manteiga. Fui até o seu apartamento e te dopei. Sabe, essa foi a parte que eu precisei de mais sorte, porque se sua mãe estivesse lá, tudo iria por água abaixo. Mas como ela resolveu colaborar, ela não estava em casa. Te dopei e te arrastei até o sofá da Carly, juntamente com sua bagagem. Peguei seu celular e mandei uma mensagem pro celular da sua mãe dizendo que você tinha resolvido ir com a Carly. Ela, obviamente mandou uma mensagem de volta perguntando o porquê de você ter decidido ir e dizendo que estava desapontada com o menininho dela. Também pediu o celular da Carly para confirmar se você tinha ido com ela mesmo. Eu dei o celular da Melanie, ao invés, e liguei para a minha maninha prometendo 150 dólares para que ela fingisse ser a Carly e convencer sua mãe de que você estava com ela e o Spencer. Enquanto sua mãe ligava e voltava para casa, eu desci as escadas e subornei o Lewbert para ele também dizer que você tinha saído de viagem com a Carly. Depois foi só esperar a sua mãe sair chorando até o aeroporto e te carregar para cá. Claro que eu tive que passar em casa e arrumar minha própria bagagem.

Pisquei, sem acreditar:

-Você é diabólica. - escapou, minha boca pendendo aberta - Deixa eu ver: você me dopou, enganou minha mãe, arrastou me corpo para cá. - contei os fatos nos dedos - Quer saber como isso soa? Soa exatamente como um...

-Sequestro? - ela completou a frase, num tom totalmente entediado.

-É, soa exatamente como um! - acenei com a cabeça, como se fosse óbvio.

-Relaxa, Freddito! Para quê esse estresse todo?! - ela deu um tapa no meu braço.

-Para quê esse estresse...- repeti o que ela disse, incrédulo. A onda de fúria subindo e descendo meu corpo.

Respirando fundo, fechei meus olhos e toquei a ponte do nariz com o indicador e o polegar, enquanto minha mão livre agarrou o volante, me impedindo de socar alguma coisa. Aquele demônio estava passando dos limites. O ódio era tanto que meu corpo tremia, os músculos dos braços e das costas se retesando.

Por fim lembrei de algo. Algo que não fazia sentido. Algo que transformou uma parte da minha raiva em curiosidade. Se ela queria pregar apenas uma peça comigo, ela faria algo rápido, de modo que me desse tempo de pegar o voo e ela pudesse se livrar de mim. Porque ela me odiava. Mas não. Ela se livrou da minha mãe, me prendendo ali. Por que?

-Sam? - abri meus olhos e levantei o olhar, procurando por ela.

A loira estava totalmente encostada no banco do carro, os braços cruzados e os olhos fechados como se estivesse meditando. Ou esperando. Esperando eu me acalmar. Quando chamei seu nome, ela abriu os olhos e virou o rosto sério, sem vestígio de humor.

Olhei dentro de seus olhos incrivelmente azuis:

-Por que está me mantendo aqui? Para quê tudo isso? E não adianta dizer que foi só uma brincadeira sua, que eu sei que não é. - perguntei, estreitando os olhos.

Ela sorriu brincalhona e inclinou-se em minha direção, seu rosto parando a centímetros do meu:

-Porque, Freddie, eu estou te dando a oportunidade de ter as melhores férias da sua vida. - seu sorriso se alargou - E, eu vou te pagar por isso. - ela, sem afastar o rosto, levantou um maço de dinheiro.

Não dava para ver quanto tinha exatamente na mão dela, mas, a julgar pela grossura, era muito dinheiro.

-O que isso quer dizer? E onde você arranjou isso? - indiquei com o queixo o maço em sua mão - Espero que seja lícito, pelo menos.

Ela afastou o rosto, se endireitando no banco:

-Não te interessa onde eu deixo ou não de arranjar grana. - ela cuspiu, parecendo ofendida - E isso, nub, significa que eu estou te pagando para ser meu motorista. Vou você vai me levar até Tijuana.

-E o que te faz pensar que eu vou aceitar? - franzi o cenho e cruzei os braços - Aliás, por que você não foi de avião ou pegou meu carro "emprestado", sem me dizer nada? Por que quis me meter na história? - joguei as perguntas para ela.

-Tem razão, nerd, era muito mais fácil eu ter pegado seu carro sem o seu consentimento. Mas se eu fosse parada por algum policial e não tivesse os documentos do carro, eles iam me prender. Eu não tinha tanto tempo para falsificar nada. E mais, eu não preciso de mais passagens pela polícia, obrigada. - seu rosto se fechou quando ela continuou, parecia quase envergonhada - Quanto ao avião, bem, não ri, mas eu tenho pavor de andar neles. - ela corou violentamente.

Ela advertiu, mas eu ri mesmo assim. Sam Puckett, com medo de avião? Então, o demônio tinha um ponto fraco?

Ela me fuzilou com o olhar e eu parei de rir:

-Tudo bem, Sam isso é loucura. Não vou cruzar o país de norte a sul com você, porque, além de perigoso, é ilegal.

Ela levantou as sobrancelhas e olhou para os lados, fingindo procurar algo:

-Ok, onde está escrito isso na Constituição? E eu tenho certeza que, se fosse a Carly você já teria aceitado.

-Chega, loira, eu passo a oferta. - estendi a mão de novo - Agora me dá a chave.

Surpreendentemente ela não protestou. Parecia contrariada, mas não disse nada. Abriu a jaqueta camuflada e, enfiando a mãe dentro da regata branca, retirou a chave do sutiã, depositando na palma da minha mão.

Destravei o carro e abri a porta. Quando já ia saindo, Sam repetiu:

-1500 dólares, Freddie. Eu te pago 1500 pratas se você me levar até lá. - ela disse friamente, olhando pelo para-brisa do carro, os olhos estreitos, como se calculasse algo - Pensa no que pode fazer com isso. Aquele dinheiro que você estava economizando para comprar aquele equipamento para o iCarly..., bem não seria mais necessário nenhuma poupança. Além do mais, ninguém vai saber. Nem a Carly, ou minha mãe, a sua, nem mesmo a Melanie precisa saber. A gente volta antes de eles chegarem. - e por fim olhou para mim - O que você me diz?

Sentei novamente no banco do carro e ela me passou o dinheiro. Contei mais por curiosidade do que por desconfiança. Tinha mil e quinhentos dólares ali, realmente. De repente, fiquei assustado. Se ela ia me pagar mil e quinhentos só para dirigir até lá, quanto mais ela teria debaixo da manga?

Suspirei, desistindo:

-Ok, você venceu, Sam. - eu sabia que ia acabar me arrependendo daquilo.

Ela abriu um sorriso vitorioso e, tomando a chave da minha mão, a girou na ignição e me meu um tapa na parte de trás da cabeça:

-Dirige aí, nerd! - ela ordenou, feliz.