Quando sua mãe é uma vadia drogada, você simplesmente acontece, sem planos ou futuro ou pai, porque ela estava tão dopada que não lembra. Você aprende uma ou outra coisa da vida, principalmente como fugir dos amigos de sua mãe, antes que eles te estuprem. Não é como se ela se importasse. Você não vai à escola até ter oito anos e alguém do serviço de proteção a criança te encontre cantando por uns trocados no metrô. Você não olha pra trás quando te levam, prefere fingir que ela chorou e se debateu para que não fosse embora. Ela nem soube o que aconteceu.

Você conseguiu dormir a noite inteira e pela primeira vez em anos, sem aqueles drogados para temer, sentiu algo perto de paz. Não fez amigos no orfanato, uma garotinha tão quebrada como você não conseguia se aproximar de alguém, tentou se convencer que era medo de rejeição. Mentira tola. Medo de gostar demais de tudo e ela voltar. Você sabia que ela voltaria quando precisasse de dinheiro e talvez convencesse aquela mulher de terno que melhoraria e seria uma mãe para variar. Sempre conseguiu se convencer disso.

Algumas semanas se passaram e você se deixou viver, não queria sucumbir a seus temores como aquela mulher. Colocou um sorriso no rosto e conversou com as crianças do orfanato. Elas adoraram sua espontaneidade e como sempre estava disposta a ser a má quando brincavam de faz de conta. Você se sentia confortável assim, afinal, é seu lugar comum.

Então veio o colégio e novas tristezas para lidar. As outras crianças riram de você porque não sabia ler ou escrever com oito anos. Eles não entendem então você os faz compreender. Bate no primeiro que fala mal de suas tranças e origens, ainda mais forte quando o sangue começa a aparecer. Tem que doer nele como dói em você. Juliette Barnes não era a piada de ninguém. E nunca será.


N/A: É minha forma de tentar entende-la. Não faço ideia de como foi sua infância, ou seja, são suposições jogadas ao vento. Comentários são bem vindos ^^

ps: A fic não está betada, meu namorado me ajudou a limpar minha pontuação excessiva e só.