Capítulo29: A Verdade deixa um gosto amargo

- Bom... – aquele silêncio, não podia significar coisa boa. – O sargento Phelps, me disse que foi perda total. Aliás, vendo o estado do carro, não se entende como eles se fizeram tão pouco!

- Felizmente!

- Ah, Gil! Mais uma coisinha! Às 8 horas é o julgamento deles.

- Julgamento? Tom atropelou alguém? Ultrapassou o sinal vermelho? Infringiu regras de trânsito?

De novo, um silêncio vinha pela linha. Ah, Grissom detestava esses silêncios, do Brass. Logo após, vinham notícias desagradáveis. Falou quase gritando ao telefone.

- Fale de uma vez, Jim! O que está acontecendo?

- Achamos uma pequena alteração, na taxa de álcool no sangue de Tom. Tão pequena, que em consideração a você, podia ser relevada. Mas..

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- Mas... – repetiu Grissom impaciente.

- Mas infelizmente, o sangue dele, tinha traços de droga...

- O QUÊ? Tem certeza?

- Sim, maconha! Sara não te disse nada?

- Não, e se não me contou é porque não sabia de nada, coitadinha! Será um choque pra ela!

Brass achava melhor que ela soubesse de tudo, antes de vir à delegacia. Grissom assegurou-lhe que conversaria com ela a respeito. Agradeceu, desligou o telefone e foi atrás de Judy. Pediu-lhe que assim que Sara chegasse, fosse a sua sala.

- E Judy, não quero ser interrompido, está bem?

Quando mais tarde, Sara voltou, tiveram uma longa conversa onde Grissom precisou usar de todo o seu tato, para tranqüilizá-la. Isso não era o seu forte e, como ele previa, ela se assustou com a notícia.

- Não fique assustada, querida!Os dois estão bem, e o seguro está em ordem. Tudo vai ficar bem, você vai ver!

Era uma boa hora, pra contar-lhe do vício do irmão. Mas não contou, achando que aquele não era o momento certo. Quando Grissom contou sobre a maconha, ela ficou furiosa com o irmão, mas estranhamente aliviada por Grissom já saber. Ele percebeu a falta de reação dela.

- Você sabia, Sara! E não me contou nada! – Disse desabando no sofá.

- Não fique assim!Eu ia te contar, juro!

- O que mais escondeu de mim? – E, ele estava frio e indiferente ao falar isso.

-Nada! Só não contei, porque temia aborrecê-lo!Você anda tão estranho esses dias...

Para Grissom, não havia nada pior que trair sua confiança: e foi o que Sara fez ao lhe omitir a verdade. O que mais não lhe contara?

Foram para a delegacia lado a lado, mas nunca estiveram tão distantes. Ele frio, magoado, perdido em seus pensamentos. Ela aborrecida com o irmão e com a vida. Achava que Grissom estava exagerando sua reação, embora soubesse de antemão como ele se sentiria, se viesse a descobrir antes que ela contasse.

Maldizia-se agora, por ter adiado tanto contar-lhe sobre o irmão. Quisera evitar um buraco e cavara uma cratera.

Como logo puderam ver, Tom apenas sofrera escoriações e estava atordoado, mais pela maconha, que pela batida. Jeff tinha o braço direito engessado e tinha os olhos demasiadamente grandes, sem os óculos que se quebraram no acidente. Parecia muito assustado com os últimos acontecimentos.

Assim que viu Sara, Tom caminhou mancando, na direção dela:

- Tom, você está mancando!

- Não se preocupe, Sarinha! É apenas uma entorse e já foi medicada! O carro ficou em frangalhos, mas eu pagarei tudo! Prometo a você!

- Não se importe com isso agora, afinal, pra que pagamos seguro?

Tom respirou aliviado, mesmo porque não dispunha de muito dinheiro no momento.

Explicou à irmã como tudo aconteceu, isto é, do que ele se lembrava, tudo acontecera tão rápido...

- E você estava tão chapado... – disse Sara, que depois de verificar que estava tudo bem, sentia uma certa má vontade para com o irmão.

Tom notou-lhe a fisionomia crispada e perguntou o que estava havendo. Ela respondeu que por causa do acidente, Grissom ficara sabendo de tudo, inclusive, que ela andou escondendo coisas dele. Ele brigou com ela e não estavam se falando. Se Sara estava esperando solidariedade do irmão, se enganou redondamente.

- Ótimo! Espero que agora ele crie coragem, e deixe você livre!