Cap 02 – Mulher Invisível.

Era oito horas da manhã, Martim Souza estava visivelmente com sono, não estava acostumado a acordar assim tão cedo. Ele estava sendo guiado por Nicolelis por uma rua movimentada do centro. Uma rua cheia de prédios empresariais. Os dois entraram em um grande, de quinze andares. Martim se perguntava se estava apropriadamente vestido. Sua tradicional roupa de motoqueiro parecia não combinar com aquele cenário.

O Atalaya Center não tinha nada que denunciasse algo místico ou sobrenatural. Era um prédio bem comum. No térreo havia uma firma, uma loja de conveniência e uma banca de revista. Nicolelis não entrou em nenhum desses lugares, foi até o elevador de serviço. Martim foi atrás.

No elevador de serviço, que estava ocupado apenas pelos dois, Nicolelis ignorou todos os botões de andares disponíveis e, com as mãos, abriu o painel revelando um botão escondido. Ele apertou esse botão.

Martim se sentiu um pouco tonto quando o elevador começou a subir, ele odiava aquele tipo de sensação. Pra piorar o andar aonde iriam parecia ser um dos últimos, pois o elevador demorou de chegar ao seu destino. Assim que a porta abriu Martim ficou boquiaberto. Já Nicolelis achou graça da reação de seu protegido.

Não estavam mais no prédio. Ao invés disso o elevador levou eles até um lugar a céu aberto com muito verde. Martim podia ver uma ponte e no fim dela o que parecia ser um castelo. Algo que contrariava toda a lógica do que seria possível ou não.

- Há vários mundos situados dentro do nosso mundo, Martim. - Disse Nicolelis. - Essa será sua primeira lição aqui. A sede da Liga das Sombras fica a margem da realidade, em um plano dimensional diferente.

Martim saiu do elevador devagar, ainda meio chocado. Nicolelis, para incentivá-lo, o pegou pelo braço e o puxou pra fora. Minutos depois a dupla já estava passando pela ponte. Martim olhou para baixo e ao invés de ver um rio ou lago viu nuvens lá em baixo. - Faça o que quiser só não caia dessa ponte. A queda seria fatal.

Cruzada a ponte os dois chegam até o pátio do castelo. Um castelo enorme feito a lembrar obras medievais, porém com muito mais conforto e detalhes. No centro do pátio havia uma estátua com uns três metros de altura que representava um cavaleiro medieval. Nesse pátio várias pessoas andavam de um lado ao outro ocupadas com os próprios afazeres. A maioria delas eram jovens que usavam um uniforme branco com uma insignia dourada no peito.

- Isso mais parece Hogwarts. - Disse Martim.

- Não seja ridículo. Nós não formamos magos. Formamos caçadores.

O lado de dentro do castelo era tão ou mais impressionante que o exterior. No salão de entrada podia se ver vários quadros pendurados nas paredes e o chão era coberto por um tapete vermelho impecável. Mais jovens vestidos de branco se encontravam nas dependências do castelo. Um inclusive chamou a atenção de Martim. Um garoto careca de não mais que quinze anos estava manipulando dois cubos de metal no ar. Era telecinesia, mas Martim custou a acreditar nos seus olhos e julgou se tratar apenas de um belo truque de ilusionismo.

Os quadros nas paredes representavam pessoas de várias épocas diferentes. Fidalgos do século XV, filósofos do século XVII. Pelo canto de olho Martim teve a impressão que uma das figuras havia se movido. Ele se convenceu do contrário, já que isso seria impossível.

- Venha, vou te apresentar ao nosso diretor.

Nicolelis guiou Martim até um lance de escadas. Após subir havia uma gárgula no canto da parede. Nicolelis falou algo em um idioma desconhecido a Martim e de súbito a estátua monstruosa recuou. Ao se movimentar para trás a gárgula revelou uma passagem secreta.

- Definitivamente lembra Hogwarts.

A sala do diretor parecia uma biblioteca, cheia de estantes repletas de livros. Atrás da mesa do diretor, pendurado na parede, havia um quadro de um cavaleiro medieval. Parecia ser o mesmo que era representado na estátua que ficava no pátio.

O diretor não parecia em nada com nenhum diretor que Martim já tivesse visto antes. Parecia mais um hippie ou um bicho grilo. Ele era bem idoso e se vestia com uma roupa marrom muito simples. Sua barba era muito comprida, parava na cintura, e seu cabelo bastante desgrenhado. Na sua boca faltava alguns dentes e os que sobravam não estavam em seu melhor estado.

- Radogost, esse é o novo recruta que eu havia mencionado.

Ainda sentado em sua poltrona atrás de sua mesa, o idoso fitou Martim em pé próximo a porta e soltou seu veredito. - Um pouco velho demais pra ser recruta, não?

- Já tivemos muitos com início de carreira mais tardio.

Radogost pareceu estar pensando sobre o assunto. Ficou calado por alguns instantes e isso só deixou Martim ficar ainda mais apreensivo.

- Ele vai pra turma de Inácio. Ele é perito em lidar com desajustados.

- "Desajustados"? - Se indagou Martim baixinho. Ele tentou não ligar, mas se sentiu ofendido com aquela opinião. O sentimento de ofensa era mais presente, pois bem lá no fundo ele concordava com a afirmativa. Sem emprego, sem compromisso fixo, sem rumo... Martim nunca fez o papel de prodígio.

Radogost e Nicolelis trocaram mais algumas palavras, porém Martim já não mais prestava atenção ao que diziam. Após os dois saírem da sala do diretor Nicolelis levou Martim até a bendita sala da turma de Inácio. A "turma dos desajustados". Martim não esqueceria aquilo tão cedo.

Até a localização da sala da turma do Inácio remetia a ideia de que aquele grupo era de rejeitados, de não quistos. A sala ficava no que parecia ser as masmorras. Uma escadaria levava a um andar que ficava abaixo do térreo. Aquele andar claustrofóbico tinha paredes de pedra. A iluminação, pra piorar, não era das melhores.

- Um castelo enorme desses e vou ficar no porão?! - Se perguntou Martim, já se queixando do lugar.

A sala ficava no final do corredor. Era bem iluminada e tinha ar condicionado. Parecia uma sala normal de qualquer colégio. Martim achou graça disso. Há muitos anos que não entrava em um ambiente assim.

Inácio, o professor, era um sujeito careca e sem sobrancelhas. Deveria ter uns quarenta e poucos anos. Era forte e alto. Sua pele era bem branca. A turma de Inácio era pequena, com Martim eram apenas cinco pessoas. Alguns dos outros alunos, porém, eram os tipos mais bizarros possíveis.

- Esse é o seu novo aluno. - Disse Nicolelis apontando pra Martim. - Acho que você já deve estar esperando por ele.

- Com certeza. - Inácio fez um gesto com a mão pedindo para que Martim entrasse. Ele assim o fez. Após sentar em uma carteira e olhar para a porta Martim havia notado que Nicolelis desapareceu em um piscar de olhos. Pelo jeito aquela forma de partir seria algo com que ele teria que se acostumar.

- Por favor, queiram se apresentar ao novato.

Os alunos começaram a falar. Um de cada vez. O primeiro foi um sujeito alto, vestido todo de preto e que misteriosamente escondia sua cabeça dentro de uma máscara de ferro. - Me chamo Filipe.

O segundo foi a que aparentava ser a mais normal daquele grupo. Uma garota negra de vinte e poucos anos que tinha como penteado um cabelo black power não muito grande. - Oi. Sou a Solange.

O terceiro foi um cara mal encarado. Forte, porém um pouco baixinho. Tinha os braços peludos e o rosto barbudo. - Bom dia. Pode me chamar de James.

O último foi um sujeito magro que tentava esconder seu rosto cheio de cicatrizes com muita maquiagem. - Meu nome é Leônidas, mas pode me chamar de Leo.

- Vai desculpando a pobre Elisa. - Disse Solange. - Ela é muito tímida e não gosta de falar. - Martim não entendeu o que a moça queria falar com isso. Quem era Elisa?

- Bom dia, pessoal. Sou Martim.

Após as apresentações a aula teve início. O professor Inácio distribuiu livros a todos, além de colocar um em uma carteira vazia. Após isso começou a passar o assunto. A matéria era a coisa mais sem sentido que Martim já havia visto na vida. Se ele não entendeu errado, era sobre folclore eslavo. Martim não via qual seria a aplicação prática de estudar lendas e mitos. Mas isso é porque ele ainda não se deu conta que no mundo onde estava entrando todas as lendas e mitos eram reais. Algo que o professor foi categórico em explicar.

- Toda história contada ao redor de fogueiras ou a noite para embalar o sono de crianças pode se desenvolver a ponto de se tornar algo real. Os mundanos não sabem da capacidade que possuem. A imaginação deles é capaz de criar seres de todo o tipo. A maioria dos monstros e criaturas que vocês passarão a caçar a partir de hoje foi criada pela mente humana.

Martim nunca havia pego uma arma de fogo na vida. Por causa disso seu desempenho durante o teste de tiro foi assim tão ruim. Tal teste foi realizado no segundo andar do castelo, em uma sala apropriada para tal. Os alunos usavam fones de ouvido para abafar o barulho das pistolas e atiravam em alvos de papelão que ficavam a uma distância considerável. Martim mal conseguia acertar os alvos. Seus tiros constantemente atingiam o lado de fora dos papelões.

Mais tarde, ainda no mesmo dia, foi realizado um teste de sobrevivência na selva. Os alunos da turma de Inácio foram instruídos a se embrenharem na mata que ficava ao redor do castelo e só retornarem três dias depois. A meta era simples, sobreviver. Para cada um deles foi entregue uma mochila contendo uma pistola, algumas poucas balas, um kit de primeiros socorros e comida em forma de barrinha.

James parecia ser o mais tranquilo em relação a essa prova. Por duas vezes se gabou dizendo que viveu boa parte da vida dentro da selva, segundo ele aquilo não era problema. Solange estava um pouco insegura e os outros dois, Leo e Filipe, ficavam indiferentes. Era difícil adivinhar qual era o estado de espírito de Filipe por causa daquela máscara estranha. Já Leo não demonstrava emoção com nada. Se mantendo sempre frio e distante.

Os cinco se separaram, cada um foi para um canto. Martim para si mesmo ficava rezando esperando que aquele sofrimento fosse acabar. Ele era um sujeito urbano. Não estava acostumado a um ambiente assim tão natural. O mais próximo de experiência na selva que tinha foi na infância, quando ia visitar a fazenda de um tio dele.

A floresta que contornava o castelo se assemelhava a uma selva tropical. Árvores altas e muita mata fechada. O problema era que a fauna e a flora daquela floresta não se parecia em nada com o que se podia encontrar no nosso mundo. Era uma selva alienígena com perigos e mistérios sem equivalente ao que podem ser encontrados na Terra.

Quatro horas depois do desafio ser lançado Martim começava a achar que estava perdido naquele mundo verde. Pra piorar o céu começava a escurecer. Ele precisava fazer uma fogueira se não quisesse ficar sozinho no escuro. BLAM! BLAM! BLAM! De repente Martim começa a ouvir um forte barulho de algo se chocando ao chão. Algo que se chocava com um certo ritmo. Após muito procurar Martim consegue ver ao longe o causador daquele barulho. Uma criatura enorme, semelhante a uma tartaruga, mas tão grande quanto um dinossauro. Pescoço comprido, cascos nas costas e pernas tão poderosas que faziam tremer o chão durante seu caminhar. Por sorte a criatura estava distante demais para perceber a presença de Martim.

- O que diabos é isso? - Perguntou Martim.

- Um Toraton. - Martim tem a impressão de ouvir uma voz respondendo sua indagação, mas não encontra ninguém. Ao procurar um pouco mais ele acaba tendo uma surpresa. Ele encontra uma fogueira prontinha. Como se alguém o tivesse ajudando das sombras. Apesar de achar estranho Martim não era do tipo que olhava os dentes de cavalo dado. Ele se aproximou da fogueira e se sentou ao seu lado. Estava começando a ventar e aquele fogo era um aquecedor muito bem vindo.

Martim se deita ao lado da fogueira sem se preocupar de estar em cima do chão e usando sua mochila como travesseiro começa a pegar no sono ali mesmo.

Apesar do conforto ser péssimo, devido ao fato de estar muito cansado, Martim conseguiu dormir a noite inteira, só acordando ao amanhecer quando seu estômago começou a roncar de fome. Ele se levanta, abre sua mochila e vai pegar o lanche que ali havia guardado. As barrinhas estavam um pouco amassadas já que ele pôs sua cabeça sobre elas na hora de dormir. Estava com tanta fome que as devorou sem pensar duas vezes. O gosto era horrível, mas ele não se fez de rogado.

Na próxima hora Martim tentou se guiar, descobrir qual era a direção que levava até o castelo. Para tal, com muita dificuldade, ele tentou subir em uma árvore. Após quase cair umas três vezes ele consegue chegar ao topo. Apertando a vista ele consegue ver a sede da Liga das Sombras ao longe. Martim chega até a se impressionar ao perceber o quanto havia se afastado dela.

De volta ao solo Martim começa a fazer o caminho de volta. - Pegue sua arma. - Ele ouve uma voz feminina dizer. Mesmo sem saber de onde vinha Martim resolve acatar sua ordem. Com a pistola em punho ele se prepara para o pior.

A criatura era pequena, não devia ter mais do que meio metro, era bem magra e ficava encurvada. Tinha orelhas compridas e pele cinza. Apesar do corpo similar ao humano não usava uma peça de roupa. O que provocava ainda mais ascuo, já que não era nem um pouco atraente.

Martim tentou não passar por perto da criatura para que não fosse notado, mas não adiantou. No desvio que ele havia pego havia outro igual. Martim havia sido notado. O goblin que o avistou começou a gritar. Seu grito agudo parecia um alarme. De repente as árvores ficaram lotadas com aqueles monstrinhos. Eles se penduravam com mais agilidade que macacos. Não usavam armas e nem precisavam tinham dentes afiados e garras.

BLAM! Martim não esperou pra ter certeza se aquelas criaturas eram hostis, assim que uma delas havia se aproximado demais ele a acertou na cabeça com um disparo. Isso só fez piorar a situação. Os outros goblins ficaram ainda mais alvoroçados.

- Corre! - Martim não pensou duas vezes em acatar a nova ordem da voz misteriosa. Ele saiu correndo, sem se preocupar de estar indo na direção errada. BLAM! BLAM! BLAM! Martim deu mais alguns disparos abatendo mais dois monstrinhos. Infelizmente sua munição havia acabado. Pra piorar no meio da correria Martim tropeça em um galho e cai. Cerca de vinte goblins o cercavam. Sem ter escapatória ele fecha os olhos e espera pelo pior.

Eis que ocorre um milagre.

Um goblin se joga na direção de Martim pronto para dar o bote, mas misteriosamente ele para no ar. Uma força invisível o agarra no pulo e lhe quebra o pescoço. Mais daqueles monstrinhos tenta atacar Martim, mas são igualmente repelidos. Alguns quebram braços e pernas, outros são golpeados no rosto. Ao final os goblins apanham seus feridos e fogem deixando Martim em paz.

- O quê? Como?

Martim sente que algo ou alguma coisa o pega pelo braço e o ajuda a se levantar. Ele começa a ficar assustado.

- Quem é?

- Me chamo Elisa. Sou uma das suas colegas.

- Por que não consigo te enxergar?

Uma jovem oriental começa a aparecer na frente de Martim. De início era uma imagem transparente, mas começou a ganhar cor até ficar totalmente visível. Era uma visão maravilhosa. Uma moça de vinte e poucos anos, com corpo escultural e cabelos lisos bem pretos que iam até a cintura. Não usava uma peça de roupa sequer e isso deixou Martim um pouco desnorteado. A visão desaparece tão repentinamente como quando apareceu. Logo a moça volta a se tornar invisível.

- Ual!

Com a ajuda de sua amiga invisível Martim conseguiu passar pelo teste de sobrevivência sem mais problemas. No final do prazo um feixe de luz anunciou o termino indicando aos participantes qual direção seguir para chegarem ao castelo. Nicolelis e Inácio estavam esperando por eles no pátio do castelo. Todos os cinco estavam um bagaço. Machucados, sujos, mal alimentados e fedidos. As expressões dos alunos também eram abatidas, com exceção de Martim que não conseguia controlar um sorriso alegre.

- Viu o passarinho verde, foi? - Perguntou Nicolelis.

- Eu? Imagina.

Mais tarde. Quando conseguiu ter uma oportunidade de ficar sozinho com Nicolelis, Martim foi trocar uma ideia com seu tutor. - Minha turma tem seis alunos e não cinco. Mas acho que você já sabia disso.

- Claro que sim.

- Você pode me explicar que lugar maluco é esse que você me enfiou? O que são essas pessoas?

- A Liga das Sombras acolhe pessoas de vários mundos diferentes. Por isso alguns deles podem apresentar habilidades que para alguém do mundo mundano, como você, possa parecer incomum.

- E essa Elisa, o que é essa moça? Uma fantasma?

- Não, ela é tão humana quanto você.

- Tenho cá minhas dúvidas. Não conheço muitas mulheres que ficam invisíveis. - Martim sorriu ao se lembrar do breve momento em que Elisa apareceu em sua forma visível para ele. - Nem que andam por aí sem roupa.

- O mundo de origem de Elisa é cheio de magia e magos. A pobre garota, quando adolescente, fez a besteira de fazer troça das roupas esfarrapadas de um mendigo. Ela não podia imaginar que tal mendigo era um mago. Um mago cruel que lhe lançou um feitiço.

- E que feitiço foi esse?

- Foi um tipo de maldição, a partir daquele dia Elisa não conseguia mais usar nenhuma roupa sem sentir que milhares de insetos estivessem passando pelo seu corpo. Nem mesmo o toque da mais leve seda era suportável. Não conseguiram quebrar o feitiço, mas conseguiram ensiná-la uma magia que a permitisse ficar invisível.

- Uma maldição que transforma uma pessoa em naturista?! Que mundo maluco você foi me meter!

- Por causa de sua maldição que ela decidiu se tornar uma caçadora e eliminar todos os monstros, magos e criaturas sobrenaturais ruins que encontrasse pelo caminho.

- Nossa!

- Mas se quisesse saber mais sobre Elisa, por que não perguntou diretamente a ela?

- Ah, sei lá, acho que não me sentiria confortável.

- O pobre rapaz é tímido, que bonitinho! - Martim olha para trás, mas não vê ninguém. Não demora para que ele entendesse o que estava acontecendo.

- Elisa?

- Sim?

- Acho que vou deixar vocês dois conversarem a sós.

Nicolelis deixou o casal conversando e foi embora, do jeito rápido e silencioso a qual estava habituado. Martim agradeceu a ajuda que recebeu no teste de sobrevivência e se perguntou se conseguiria se acostumar com uma amiga como aquela. Martim não conseguiria ver, mas se visse reconheceria nela um sorriso de uma garota interessada.