Máscaras

"Todos usamos máscaras e cega o tempo quando não conseguimos tirá-las sem remover nossa pele junto"

Andre Berthiaume

Então era isso? Sua vida era apenas um amontoado de máscaras. Uma após a outra, eram colocadas e retiradas. Um ornamento simples, mas eficiente. Cobria somente o necessário, deixando somente o urgente aparecer. Dominava o que era visto pela jovem que a usava: uma visão periférica, ampla era abominada. Permitia somente a visão "vertical": vidas e vidas anteriores eram desprezadas, somente o amor pelo jovem angelical era constante, independente da máscara. Umas eram mais frágeis, onde podia-se ver brotando uma centelha de esperança nesse destino condenado; outras mais espessas, mas máscaras apenas. E assim por séculos.

Um baile de máscaras: essa era sua história de amor. Em todas elas, independente da máscara, o galante príncipe conseguia encontrar a bela jovem de cabelos negros. E, em uma dança mista de felicidade e surpresa, as doze badaladas soavam: já era meia noite, o fim do encantamento. Mas não era um sapatinho de cristal que jazia como esperança para o príncipe: ele mesmo não acreditava em finais felizes.

Porque, independente do baile escolhido, da época, dos trajes, sempre a atenção era da jovem envolta em sombras invisíveis e máscara evidente.

E para a jovem, o príncipe, no começo, se lançava aos desejos mortais, sofrendo, depois com as consequências. Sempre. Com o tempo, se tornou arredio, mas ainda exercendo um surpreendente magnetismo. Seu halo angelical era sempre um convite (por mais que subentendido) adicional. E era assim que a cada dezessete anos, mais uma máscara caia.

Mas, o tempo chegou. As máscaras descartadas estavam em algum lugar, sombreadas: seu uso principal já não existia mais. Algumas foram distorcidas e guardadas por Negras Sombras. Outras continuam quase intactas: o único agente minimamente nocivo que as tocou foi o tempo.

Ao contrário do que se esperava a máscara não havia caído desta vez. A verdade foi dita para quem quisesse ouvir.

A máscara não caiu. O baile não acabou.

Já passaram as doze badaladas e as sombras não buscaram nada. Elas definitivamente não estavam atrasadas.

Uma aura violeta encheu o salão e os dois amantes desafortunados flutuavam no meio do salão. Mas as sombras ainda circulavam por perto. Perto de mais. Elas não queriam recolher nada: elas assumiram outras funções. E não eram as únicas com quem os amantes deviam se preocupar. Porque mesmo dezoito dias de trégua não seriam suficientes para manter sua segurança.

O passado, quando descontrolado, pode ser perigoso. E desconhecê-lo é uma opção. A mais sensata? Talvez. Mas nada impede que respostas sejam procuradas, mesmo que as perguntas ainda não tenham sido feitas.