O Que Aconteceria Se...

1996. De novo.

Heitor Sacramento é um menino de oito anos. Seus pais, Manoela e Joaquim, gostam de mandar o garoto pra passar as férias com seu avô, Akira. Akira já tinha oitenta anos, mas tinha uma vitalidade invejável.

Akira vivia em uma casa de fazenda. Ficava em uma região montanhosa, próxima a uma cidade pequena chamada Vila Verde. Akira vivia apenas com a companhia de sua empregada, Jacira. O que Heitor era muito novo para entender é que a relação dela com seu avô ia muito além da carteira assinada.

Era de noite, Heitor estava no quarto. Não conseguia dormir. Pra passar o tempo ele fica olhando da janela o mato que envolvia a casa. Sua mente juvenil imaginava várias criaturas fantásticas vivendo na região. Mas era só isso, só imaginação, ele nunca viu uma de verdade.

O avô do menino o ensinou a lutar e a manejar armas. Heitor nunca entendeu bem o motivo daquilo, mas achava legal e por isso aceitava. Mas não por muito tempo. Com o passar dos anos Heitor foi se afastando do seu avô. Perdendo interesse pelas aventuras fantásticas que contava e pelo treinamento que por um tempo ele acreditou que iria transformá-lo em um tipo de herói.

2016 (20 anos depois).

Heitor cresceu, agora com vinte e oito anos, trabalha para a força policial de uma cidade grande chamada Gotham. Heitor se esforçou e progrediu na carreira, hoje ele trabalha como detetive. Ao seu lado ele tem como parceiro no trabalho o também detetive Jeremias Bolevar. Os dois respondem a um comandante. Esse comandante se chama Levi Straus, um homem religioso que acredita que seu trabalho é um tipo de missão.

Heitor em seu trabalho ajudou a prender muitos criminosos. Assassinos, ladrões, sequestradores... Durante sua carreira ele chegou a ouvir histórias. Vítimas acusando bandidos não humanos. Bandidos alegando terem poderes sobrenaturais. Ele não acreditava e chegava até a achar graça dessas conversas. Sua vida toda ele nunca viu nada que não fosse natural.

Certo dia Heitor recebe uma notícia ruim. Seu avô, Akira, havia falecido. Causas naturais diziam. Algo que já era esperado tendo em vista que ele tinha cem anos. Heitor foi até a cerimonia de enterro, que foi na casa da fazenda. Lá conversou com seu pai e ficou sabendo do seu divorcio. Não ficou surpreso, já esperava que isso mais cedo ou mais tarde aconteceria.

Enquanto o enterro se desenrolava Heitor se afasta da multidão e dá um passeio pela fazenda. Ele encontra um poço. Um poço grande, com três metros de raio. Lá havia uma escada e movido pela curiosidade Heitor desce os degraus. Lá embaixo Heitor não encontra nada. Estava completamente vazio. Apesar disso Heitor sentia uma sensação estranha. Não saberia explicar direito, mas parecia que alguém estava por perto, o observando. Após alguns minutos ele se convence que era apenas impressão. Não havia ninguém onde ele estava e Heitor não acreditava em nada que não conseguisse ver.

De volta a Gotham, alguns dias depois do enterro de Akira, Heitor foi jantar com seu pai. Joaquim queria apresentar sua nova namorada. Heitor olhou pra Sofia e imediatamente ficou impressionado. Ela era muito bonita e jovem, Heitor não esperava que seu pai conseguisse arrumar uma companhia tão interessante. A janta ocorre sem nenhum problema. No final da noite Heitor parabeniza seu pai pela nova namorada e volta pra sua casa.

Heitor vivia sozinho, um homem que se contentava com seu trabalho. Ele se dedicava dia e noite, era um dos policiais que mais amavam o que fazia, por isso ganhou a admiração e a inveja de muitos. Certo dia Heitor soube pelos noticiários sobre uma nova droga que estava se espalhando por Gotham que provocava euforia e comportamento extremamente violento. Um colega seu, Mario, até foi agredido por um usuário desse entorpecente. Heitor junto com jeremias investigaram o caso. Porém não encontraram os responsáveis pela divulgação da droga. O tóxico se espalhou sem que ninguém pudesse fazer nada para impedir.

Com o passar do tempo a droga saiu dos noticiários, apesar de ainda estar em circulação. A polícia passou a se preocupar com outros assuntos mais urgentes. Heitor estava escrevendo um relatório em seu computador quando a máquina de repente dá pau. Jeremias chama a estagiária. A nova estagiária de TI era uma moça que chamava atenção. Seu estilo único não passava despercebido. Felícia usava só preto, era bem gótica. Apesar de exótica, Heitor se interessou por ela e tentou uma aproximação. Algo que deu certo. Os dois saíram juntos uma noite e chegaram as vias de fato. Após o ocorrido, porém, Felícia sumiu sem deixar rastro. Após um tempo Felícia não foi mais trabalhar na DP. Heitor ficou sabendo que ela havia largado o emprego. Ela não havia deixado telefone, endereço, nem qualquer outra forma de contato. E tudo ficou por isso mesmo.

O ano de 2016 passou para Heitor mais rápido do que ele imaginava. Não houve grandes mudanças. Heitor começou o ano como um detetive solitário e terminou o ano como um detetive solitário. Em uma certa noite de insônia Heitor passa a pensar que talvez a sua vida precisasse de algum outro significado além do trabalho. Antes o emprego já o deixava realizado, mas agora sua mente pedia por mais. Algo estava faltando.

Em uma festa de um amigo seu, Heitor conhece uma mulher. Carol Molinaro era linda. A mulher mais bela que Heitor já tinha visto na vida. Na mesma hora ele se apaixonou por ela. Heitor não acreditava que uma mulher daquele nível daria bola para ele, mas ao contrário da sua visão pessimista sua paquera surtiu efeito. Os dois marcaram um encontro e após pouco tempo engrenaram um namoro. O romance ia as mil maravilhas até Heitor descobrir uma dura verdade. Carol não era tão maravilhosa quanto ele pensava. Havia um problema. O problema era seu trabalho. Heitor não conseguia pensar em dividir sua namorada com mais ninguém. Principalmente se esse alguém fosse um cliente. Heitor largou Carol, terminou o relacionamento antes de descobrir que havia deixado um bebê no ventre da moça.

O fim do namoro foi duro, Heitor afogou as magoas na farra. Em uma festa eletrônica ele conhece alguém, Roberta Belquior. Eles ficam apenas por uma noite. Mas foi o suficiente para que Heitor engravidasse a moça. Era o terceiro bebê que ele fazia sem tomar conhecimento.

2050 (34 anos depois).

Heitor acorda cedo aquela manhã, estava fazendo sessenta anos e a dor em suas costas não deixava que ele se esquecesse disso. Sem que sua esposa acordasse ele levanta da cama e vai até o banheiro. Heitor olha para seu reflexo no espelho e faz várias caretas. Queria ver todas as rugas que a idade havia trazido. Ele tinha apenas dois filhos (ao menos que ele conhecia), o mais novo tinha quatro anos de idade. Apesar de ser meio exagerada, Heitor tinha a preocupação de que não pudesse estar vivo para acompanhar o desenvolvimento de todos eles. Principalmente do mais novinho.

Heitor tira seu pijama e começa a fazer um autoexame mais minucioso. A barriga estava bem mais saliente, a pele não esta mais tão firme... Era a idade. A terceira idade estava chegando. Como já estava nu no banheiro, Heitor aproveitou pra tomar banho. Depois colocou uma roupa leve e foi até a sala, que ficava no andar de baixo. Descendo os degraus ele quase pisa em seu gato. Que dormia no meio da escada. - Fígaro, dormindo na escada de novo? Quer morrer, é?

Na sala Heitor liga seu laptop em cima da mesa e começa a pesquisar sobre como andava a vida do seu outro filho. Alexandre Belquior havia se candidatado a prefeito de Gotham. A sua candidatura parecia andar de vento em popa. Heitor sentia orgulho disso.

Heitor abre um site pornográfico e acaba vendo um vídeo de alguém que era bastante familiar. - Mas não é possível. - Pensou Heitor. - Deve ser só alguém bem parecida. - Se não fosse a idade, que não mudou nada em mais de trinta anos, Heitor acharia que a prostituta que andava nua no meio da rua na tela do seu micro era seu antigo caso, Carol. Um namoro da juventude marcante, apesar de não ter durado muito.

- Você com um mulherão na cama vai procurar uma mulher virtual?

Heitor fecha a tela do navegador rapidamente, mas não a tempo de evitar que sua esposa visse o que ele estava assistindo. Emme tinha a metade da idade de Heitor. Ele, se acreditasse no sobrenatural, acharia que a vinda daquela mulher para a sua vida havia sido uma benção.

- Entrei na página desse vídeo quase que sem querer.

Pra tapear sua esposa Heitor começa a beijá-la. Algo que parece não estar dando muito certo. - Você ainda gosta de prostitutas? Fala a verdade.

- Claro que não, só tenho olhos pra tu.

Apesar de ser seu aniversário aquele dia não foi dia de festa. Heitor passou a data comemorativa junto de sua esposa e de seu filho caçula, Matias.

No fim da noite Emme foi dormir abraçada com o pequeno Matias. Heitor ainda estava acordado, arrumando algumas coisas. No meio da arrumação Heitor tem a primeira experiência mística de toda a sua vida. Na sala da casa uma cabine telefônica azul dos anos 1960 se materializa do nada. A primeira reação de Heitor foi espanto, mas aí ele passa a botar sua mente racional pra funcionar e começa a elaborar explicações pra aquilo. - Acho que minha insonia esta começando a me pregar peças.

A porta da cabine se abriu e de lá de dentro saiu um homem negro vestido de forma bem antiquada. Com direito a gravata borboleta e suspensório. Presenciar uma alucinação já era algo estranho, ver uma que conversava nem se fala.

- Como vai, Heitor? Gostando de sua vida mundana? - Heitor esfrega os olhos com a mão direita tentando afastar o que ele acreditava ser uma alucinação. Não deu certo, a cabine estranha e o homem antiquado continuaram a sua frente. - Eu vi o futuro, Heitor. Um futuro maravilhoso. Um futuro que você continua arruinando não importando o que eu faça para impedir. Tentei de tudo, até mesmo arquitetar sua morte, mas não adiantou. Você sempre arranja um jeito de continuar. Voltei ao passado, alterei algumas coisas, removi seu dom de guardião. Mas isso não foi suficiente. Parece que é seu destino cagar com tudo.

Se aquela situação não fosse assustadora Heitor acharia graça. O homem estranho parecia não falar coisa com coisa. Talvez não fosse muito saudável interagir com ilusões, mesmo assim Heitor puxou assunto. - Do que esta falando?

- Claro, esqueci esse detalhe, eu alterei a linha do tempo. Nessa versão você nunca havia me visto. Me chamo Gallifrey e, acredite ou não, você já trabalhou pra mim.

- Eu devo estar ficando louco, estou conversando com alguém que não existe. É melhor eu ir dormir. - Heitor dá as costas para Gallifrey e começa a subir as escadas. Estava indo em direção a seu quarto ter uma noite de sono. Ele acreditava que uma noite bem dormida seria suficiente pra que nunca mais encontrasse com esse tal Gallifrey. Mas estava errado, Gallifrey não era fruto da sua imaginação. Pra falar a verdade, o certo era o contrário. Heitor é que era fruto da imaginação de Gallifrey. Ele e todo aquele mundo.

- Você tem sete filhos, eles serão como deuses e monstros e governaram o mundo. Impedindo assim o curso correto da humanidade.

Heitor tentava não conversar com Gallifrey, mas não conseguia resistir a ideia de retrucar. - Isso é absurdo! Só tenho dois filhos.

- Errado. Você tem sete. Vai uma dica: quando for ter relações casuais, use camisinha. - Heitor lembrou todos os casos que teve no passado fazendo com que a versão de Gallifrey não soasse assim tão absurda. Mas será possível? Sete?

- Ok, ok. - Heitor desceu as escadas e ficou frente a frente com Gallifrey, estava interessado na conversa. - Se meus filhos vão se tornar tão nocivos assim o que você quer que eu faça para impedi-los?

- Eduque eles. Participe mais da vida de seus meninos.

- É, mas agora já é um pouco tarde pra isso. - Falou Heitor pensando em Alexandre, o filho que ele só veio descobrir que existia quando já era grande.

- Eu sou um primordial, posso viajar no tempo. Pra mim nada é tarde demais. - Gallifrey abre a porta de sua cabine e vai entrando nela. Mas não antes de dar uma última palavra com Heitor. - Só passei aqui pra te dar um aviso. Seja um bom pai. Um pai melhor. O mundo inteiro depende disso. - Dito isso o homem entra na cabine e poucos segundos depois ela desaparece, sem deixar vestígios. Heitor começa a racionalizar o ocorrido e chega a conclusão que não passou de um sonho desperto. Mas se era real ou não, não importava. O importante era a mensagem. O importante era o novo objetivo que se entranhou em Heitor.

2016 De novo.

Felícia estava em seu apartamento, no estranho mundo de Tecnocracia. Ela estava sozinha com seu filho, não esperava visita. Naquele momento estava distraidamente amamentando seu pequeno quando uma mão firme passa pelo seu ombro. Ela toma um susto e quase deixa o pequeno Martin cair no chão. Ela olha pra trás assustada e relaxa só quando descobre quem era o dono daquela mão boba. Heitor estava ali. Uma grata surpresa.

- Desculpe, Felícia. Fui um grosso quando saí daqui. Nem mesmo te agradeci por ter me trazido de volta a vida.

- Não seja bobo, se eu levasse a sério toda a ingratidão que você tem comigo ficaria louca. - Aquelas palavras doeram um pouco quando atingiram os ouvidos de Heitor.

- Tudo bem, você está certa, eu mereço isso.

- O que você quer aqui? Pensei que não quisesse mais visitar meu mundo.

- Desculpe, isso foi um pouco de egoísmo de minha parte. Só vim pra dizer que não me exclua na criação do meu menino. Quero fazer parte da vida dele. Quero saber de tudo. Qualquer doença, se ele anda bem na escola, se ele está precisando de ajuda...

- Que milagre! Você se interessando por seu filho?! Nem parece aquele homem que ficou sem aparecer nos primeiros meses do bebê.

- Posso confessar uma coisa? Eu não apareci porque a paternidade meio que me assustava. Principalmente ser pai de uma criança que não é totalmente humana. Tive medo, pra mim era mais cômodo deixá-lo aos seus cuidados e fingir que nada tinha acontecido. Mas eu quero mudar. Você me deixa?

Felícia entregou o pequeno Martin pra Heitor segurar. O guardião começou a fazer aquelas brincadeiras com a criança que Felícia achava boba. Agora, porém, não recriminava mais ele. Até começou a achar graça do modo em que Heitor fazia cocegas na barriguinha do bebê.

No mundo mundano, uma jovem chamada Roberta Belquior liga para uma clinica clandestina e marca uma sessão a qual seria realizada um aborto. Em uma festa Roberta teve uma relação casual que rendeu barriga. Ela não sabia o nome do pai e nem como encontrá-lo. Ela não tinha como criar o bebê sozinha. Resolveu então poupar sua criança de uma vida que poderia ser sofrida. Ela faz a ligação e marca o dia e o horário. Mal ela termina de por o fone no gancho e a campainha de sua casa toca. Roberta não conseguia nem acreditar, só poderia ser um milagre. O homem que a engravidou estava parado na porta de sua casa.

- Roberta, precisamos conversar.

2050 De novo.

Heitor acorda cedo aquela manhã, estava fazendo sessenta anos naquele dia. Porém sua aparência estava a mesma de quando tinha trinta. Desde que foi ressuscitado por Felícia e ela pôs nele um coração artificial seu relógio biológico passou a andar em marcha lenta. Heitor vai até o banheiro de sua casa e olha para o seu reflexo no espelho. Faz várias caretas tentando encontrar alguma ruga que fosse nova. Heitor continuava jovem e se sentia bem com isso. Ter uma vida longa era privilégio de poucos. Heitor nunca se iludiu achando que viveria para sempre. Estava decidido que iria aproveitar todos os anos que se seguiriam a sua frente, não importa quantos fossem. 100, 200 anos. Sua esposa era uma rainha-do-gelo e como tal também tinha um tempo de vida muito longo. Tendo ela ao seu lado Heitor não se preocuparia em viver tanto.

Heitor tira seu pijama e toma um banho. Depois ele põe uma roupa leve e vai até a sala da casa. Heitor desce a escada e quase pisa em seu gato que estava dormindo em um dos degraus. - Fígaro, dormindo na escada de novo? Quer morrer, é?

Na sala Heitor se senta na frente de seu laptop e começa a pesquisar sobre a vida de conhecidos. Seu filho Alexandre estava concorrendo a prefeitura da cidade de Gotham. Heitor assistiu um vídeo da campanha e não pôde deixar de sentir um pouco de orgulho. Depois disso ele checou o site de uma antiga paixão sua da juventude. Carol Molinaro continua linda e, infelizmente, continua exercendo a mesma profissão. No vídeo que Heitor assistia Carol estava andando nua pelas ruas de Gotham a vista de todos, sem se preocupar com nada.

- Ver o marido assistindo um vídeo em que sua ex aparece nua não é a melhor coisa do mundo. Já vi gente terminar relacionamento por muito menos. - Emme havia aparecido na sala sem que Heitor tivesse visto. Ele fecha o navegador rápido e vai conversar com ela. Após alguns beijos e uma conversa mole tudo pareceu estar resolvido.

- Amor, você pode passar no supermercado hoje? Tenho uma lista de compras de coisas que estamos precisando.

- Ok, assim que amanhecer eu passo lá.

- Pra que a pressa? Vá de tarde. Aproveite a manhã com outra coisa.

O dia foi passando sem que nada de muito diferente acontecesse. A manhã inteira Heitor ficou brincando com o seu caçula. Matias era um menino alegre e cheio de vida. Mais um menino que Heitor sentia orgulho de dizer que era seu.

Sem desconfiar de nada Heitor foi até o supermercado fazer compras, quando voltou pra casa e abriu a porta tomou um susto. Uma multidão se espremia em sua sala fazendo tocaia. Assim que Heitor liga a luz da casa todos gritam. - Surpresa! - Colegas de trabalho, amigos, familiares... A casa estava cheia. Heitor ficou tão feliz com aquela festa surpresa que quase sentiu vontade de chorar. Mas ele era duro na queda e aguentou bem.

Martin estava na festa. Ele era o filho mais velho de Heitor. Veio com sua mãe, Felícia, seu tio, Heliote, e sua esposa. Martin tinha uma surpresa pro seu pai. - Heitor, você vai ser avô. - O guardião quase não pôde conter a alegria. Mais um motivo pra comemorar aquele dia.

- Eric, vem cá, menino! - Heitor foi conversar com Eric Vlastok, seu filho que teve em uma aventura do passado. Eric era versado nas artes místicas, na magia. Por um tempo se interessou por magia negra, mas logo passou por essa fase. Aconselhado pelo pai largou as artes das trevas e passou a usar só magia boa. Eric se vestia todo de branco, algo que até rendia comentários jocosos. Mas ele não ligava pra isso. Achava até graça.

Após falar com Eric, Heitor conversou com Antônio e sua mãe, Carol. Emme espiou a conversa de longe, mas não sentiu nenhuma pontinha de ciúmes. Confiava em seu marido e sabia que ele não iria te decepcionar. - Antônio, você sempre será meu especial. Nunca se esqueça disso.

Ariane Joel veio com a mãe, Regina. Assim que encontrou o pai pulou em seu pescoço pra lhe dar um forte abraço. - Pai, eu aprendi a voar! Posso mostrar?

- Claro, jogue duro!

Ariane se concentrou um pouco e logo seus pés saíram do chão. A menina ficou planando meio metro do chão por alguns segundos. Porém perdeu a concentração e caiu. Heitor não precisava agarrá-la, já que ela era super-resistente e não se machucaria com a queda. Mas seu instinto de pai falou mais alto e ele a segurou antes que Ariane se chocasse contra o piso.

- Acho que nunca vou me acostumar com sua família. - A esposa de Alexandre estava assistindo a apresentação de poder de Ariane. Ela era mundana, mas seu marido abriu o jogo logo que a conheceu. Quase a perde por isso, mas no final tudo deu certo.

Júnior foi o último dos filhos de Heitor a chegar. Quando Heitor olhava pra ele sentia como se tivesse vendo uma fotografia antiga sua. Algo compreensível já que Júnior era um clone. Heitor deu um abraço no seu filho de consideração e passaram a conversar por um bom tempo. Só pararam porque chegou a hora de cantar os parabéns. Após a cantoria o bolo foi cortado e todos começaram a comer.

Heitor estava comendo seu pedaço do bolo quando da janela viu alguém assistindo a festa de longe. Heitor larga o seu pedaço pela metade em cima de uma mesa e sai correndo porta a fora.

- Pan! Pan! Não me ignore, eu sei que você está aqui!

O fauno de madeira sai de trás de uma árvore. No escuro seu corpo de madeira no meio da floresta era uma boa camuflagem.

- Oi, Heitor. - Disse Pan com uma voz não muito animada. Heitor sentiu que o fauno ia começar a se lamentar, pra impedir que isso ocorresse ele nem deu oportunidade que Pan começasse. Sem falar nada Heitor pega na mão do fauno e o puxa na marra pra festa. - Espera! - Reclama Pan, sem surtir efeito.

Na casa Pan começou a ficar no canto, tentando se excluir. Para impedir que isso acontecesse Heitor o puxa pelo braço novamente e o leva até a mesa onde três de seus filhos conversavam. - Meninos, esse aqui é Pan. O homem, o fauno melhor dizer, que ajudou a me criar. Ele tem ótimas histórias pra contar.

Aquele aniversário durou a noite toda e se tornou uma das melhores lembranças que Heitor teve da sua vida.

Cinco milhões de anos depois.

Gallifrey "estacionou" sua nave com formato de cabine telefônica em um lugar cheio de verde. Aquela área era equivalente a um parque. Tinha muito verde e espaço para as crianças brincarem. Gallifrey senta em um banco de praça e começa a contemplar tudo a sua volta. Pessoas dos mais variados tipos andavam de um lado pro outro. Nos céus máquinas voadoras transportavam vários pros seus destinos.

Gallifrey relaxa, o futuro paradisíaco da humanidade havia sido garantido. Deu trabalho, mas ele conseguiu. O primordial se espreguiça. Ao fazer isso acaba olhando pra cima. Um dirigível passa rasante, sem fazer barulho. Ele ostentava um enorme H em sua lateral. Gallifrey olha pra aquilo e se pergunta qual seria o significado daquela letra.

O primordial se levanta do banco e passa a dar uma caminhada. Olhava pra tudo de um jeito orgulhoso, como se achasse que toda aquela beleza tivesse sido arquitetada por ele. Gallifrey chega até a cidade e começa a ver os lindos prédios e os maravilhosos carros voadores. Tudo ali era de se encher os olhos. Eis que a vista do primordial bate em algo que chama sua atenção.

Algo que não deveria estar ali.

Gallifrey vê uma estátua com um rosto bem conhecido. A imagem era enorme, media no mínimo uns trinta metros. O primordial se aproxima e começa a ler a plaqueta.

- Uma homenagem a dinastia da casa de Heitor. Que seu sangue nos guie para o futuro.