Capitulo 1 – A Descoberta do Porão

Uma criança que não parecia ter mais que dez anos, com cabelos castanhos-caramelo curto, não deviam passar do ombro, um chapéu (O mesmo usado por Taki no episódio seis de Zoku Natsume Yuujinchou), pele branca bastante pálida, olhos azuis com pupilas fendadas como as de um gato, andava com roupas velhas, tênis gastos e olhar cansado voltava para casa.

-Você demorou, Aoi. –falou seu tio, em tom repreendedor.

-Desculpe, Tio. –murmurou ela, olhando para o chão.

-Desculpas não vão limpar o porão, mocinha... Vá limpar, não irá dormir, comer ou descansar em quanto não terminar. E se não terminar até as vinte e três horas, já sabe o que irá lhe acontecer.

Aoi se encolheu um pouco.

-Sim, Tio.

-Agora vá logo!

-Sim, Tio. –repetiu ela, e saiu de lá.

Aquilo era absolutamente comum. Chegava em casa, era obrigada a fazer tarefas de casa e, em seguida, levava uma surra ou algo parecido, por algum erro bobo ou inexistente.

Tudo por que ela era anormal.

Ela suspirou, quando abriu a porta que levava ao porão. Aquilo estava muito empoeirado, sujo e fedorento. Aoi se perguntou se algum dia eles já tinham limpado aquele lugar.

Ela acendeu a luz, e viu que aquele lugar era enorme.

-Sem chance de eu conseguir terminar de limpar tudo isso hoje... –murmurou ela amargurada. Típico. Seu tio fizera aquilo de propósito para ter uma desculpa real para castiga-la.

Ela tremeu internamente e começou a limpar, tirando caixas e mais caixas de coisas inúteis, e ouvindo passos leves e curtos. Youkais? Pensou, sem se desconcentrar do que estava fazendo. Se o som do passo é assim, então deve ser um pequeno... Não preciso me preocupar.

-Aoi. –ela ouviu. Ignorou, não era a voz de seu tio ou de sua tia. –Aoi.

Novamente ela ignorou e continuou limpando. Não dê atenção. Seja normal. Pensou.

-NÃO ME IGNORE, AOI! –ela ouviu, então sentiu algo atingir seu estomago.

Ela caiu para trás, sentada, e olhou para baixo, meio confusa, vendo algo que parecia um gato, e ao mesmo tempo não parecia.

-Q... Quem você é? –perguntou ela, com um dos olhos fechados, ignorando a dor no estomago provocada pela batida.

-Meu nome não importa realmente, seu pai me chamava de Nyanko. Nyanko-sensei.

-Nyanko-sensei? –murmurou ela, como se isso tivesse acionado memorias dentro dela. Lembrava-se claramente de tê-lo conhecido quando seus pais estavam vivos...

-Isso... Fala sério, o Natsume é mesmo descuidado, me selando naquela caixa com um contrato para você, só pra que eu te protegesse... –ele parecia bravo.

-Er... Desculpe mas... Eu não estou entendendo nada. –falou ela, com um meio sorriso sem graça.

-Sim, claro, como poderia entender, tendo sido mantida com aquelas pessoas por tanto tempo? –perguntou Nyanko para si mesmo. Ele olhou para a criança, sério, o que era estranho, considerando que ele parecia à mistura de um gato com um porco. –Seu pai me encarregou de mostrar para você os livros dos antepassados da sua mãe. E te proteger.

-Os livros dos antepassados da minha mãe? –perguntou ela, confusa.

-Sim. Esses. –ele andou até uma caixa grande e afastada e bateu, derrubando-a. Uma pilha de livros arcaicos e pergaminhos caiu rolando.

-Incrivel... –murmura ela, olhando para tudo de olhos arregalados. –Isso tudo era da minha mãe?

-Sim, os antepassados dela eram Onmyouji, são todos livros sobre onmyoudou etc... –falou Nyanko.

Aoi passou o resto do dia lendo os livros com crescente atenção. Ela ria com coisas que pareciam impossíveis e brincava um pouco com Nyanko, embora só ela se divertisse já que ele era um mal-humorado de primeira.

Só havia um problema.

O Trabalho...

O tempo chegou e passou, entretida pela primeira vez em cinco anos, Aoi não percebeu. Portanto só pode se assustar quando olhou para o céu escuro pela janela do porão.

-Merda... –xingou ela. –Nyanko-sensei-chan, pode levar isso para o meu quarto? –perguntou ela, apressada, juntando todos os livros e coisas numa caixa.

-Vou fazer isso. –falou ele, como se entendesse o que estava prestes a acontecer, com um olhar de pesar. –Não posso machucar humanos... Boa sorte.

Aoi piscou, então deu um sorriso fraco.

-A boa sorte me evita geralmente... Mas, vou tentar sobreviver. –falou ela, se levantando.

Logo em seguida o gato mais feio que ela já viu na vida desapareceu com a caixa e ela se levantou, ouvindo a porta se abriu.

-Eu te avisei, não avisei? –perguntou seu tio, com um sorriso cruel. –Vamos brincar.

Aoi se virou para ele, sentindo o medo subir por sua garganta.

Acalme-se... Pensou. Não é a primeira vez...