Un día llegaré con un disfraz.

Distinto el color, la misma faz.

Te desarmaré, ni cuentas te darás

para entregarte el corazón.

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E de alguma forma eu sempre soube que ela jamais seria minha amiga como as outras. Nada mais sei sobre o mundo corrompido de hoje, mas naquela época ter onze anos era ser criança. E eu ingressei em Hogwarts com os olhos maravilhados de uma criança bruxa que esperou durante anos para por os pés no lugar mais mágico do mundo. Eu agora era uma bruxa de verdade, aprenderia a usar magia com grandes mestres. E o melhor de tudo: Eu pertencia à Casa pela qual passara toda a minha família materna. Eu era uma discípula de Salazar Slytherin.

Como era naturalmente sociável, não demorei a fazer amizade com minhas colegas de quarto. Havia Milicent Bulstrode, uma menina baixa e gordinha, cheia de sardas. Sua risada era contagiante. A outra garota, Dafne Greengrass, era o extremo oposto de Milly. Alta, loura, magra. Parecia ter catorze anos. Provavelmente fora criada sob o molde insuportável de boas maneiras, que esqueceu após os primeiros meses em Hogwarts. Mas essa história cria outras histórias, e eu quero falar de Pan. Pansy Parkinson parecia usar frequentemente um aviso luminoso de "não perturbe". Sua cama era a mais afastada, e todos os dias ela trocava umas poucas palavras conosco e ia se refugiar embaixo dos lençóis com um livro. Ela era um tanto intimidadora, e logo em minha primeira manhã em Hogwarts ergui-me da cama ao mesmo tempo que ela. Paramos frente a frente e eu não sabia como me livrar da garotinha excessivamente branca, de cabelos pretos cortados em chanel, que parecia ter saído diretamente de um daqueles filmes trouxas de terror. É, eu entendo de cinema e literatura trouxa porque sou mestiça. Meu pai é extremamente fascinado por Edgar Allan Poe. Sim, é por isso que me chamo Lenore. Mas não percamos o foco. Pansy me deu um bom dia quase grunhido e se arrastou para o banheiro.

A aula de Poções era um verdadeiro suplício para mim. Eu era nervosa e impaciente, não conseguia ter a menor delicadeza pra distribuir os ingredientes e esperar o tempo certo de fervura. O professor Snape certamente me odiava, mas por alguma razão eu gostava muito dele. Acho que pelo fato de ele sempre constranger Harry Potter. Garoto insuportável.

- Ok, fogo lento, é isso? – murmurei comigo mesma.

- Só depois dos primeiros três minutos de cozimento.

A voz inesperada veio do garoto que estava ao meu lado. Tinha um rosto fino e os cabelos quase brancos de tão louros, impecavelmente penteados, o que me instigou a vontade de rir.

- É sério? – indaguei.

- É o que está escrito nas instruções.

- Merda. Já se passaram pelo menos cinco minutos. E agora?

- Vai ter que refazer. Mas eu te ajudo.

- É gentil de sua parte. Lenore Baker.

- Draco Malfoy.

E sob o olhar reprovador de Snape, conheci Malfoy. Após o almoço, já éramos amigos e Harry Potter era o nosso inimigo comum.

- E você viu aquele garoto com ele? É um Weasley, sabe? Aquela família miserável que se reproduz como coelhos. O pai dele é uma piada no Ministério.

- Minha mãe trabalha no Ministério.

- O meu pai também, Lucius Malfoy. Seu pai faz o quê?

- Meu pai escreve, mas não profissionalmente. O dinheiro que ele poderia ganhar não vale nada no nosso mundo.

- Seu pai é...

- Trouxa, sim. E eu sou mestiça. Ainda dá tempo de fugir, Draco Malfoy.

- Não, não. Mestiços não são como sangues-ruins.

- É, nós ficamos no meio do caminho.

- E você é legal.

- Você acha?

- Por enquanto parece que sim.

Eu sorri para o meu novo amigo e os anos se passaram.

xxx

N.A.: Okay, eu sei que o nome e a música com que comecei são daquela novela do SBT que, aliás, está reprisando e eu não perco nenhum capítulo. Mas a ideia é totalmente diferente, acreditem! x)