Nota: (1) Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling e a Warner Bros. Entertainment Inc. Essa fanfic não tem nenhum fim lucrativo, é pura diversão.
(2) Contém Slash (relação Homem x Homem), abordagem a Doenças Mentais (diversas delas), Lemon (sexo explícito entre os personagens), portanto se você não gosta ou se sente incomodado com isso, é simples: Não Leia.

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EPÍLOGO

Uma casa pode ser descrita como o local de moradia de uma pessoa, ou a propriedade destinada para uma única família, incorporada a um único lote, tradicionalmente encontrada isolada, no meio de um único lote urbano, recuada em relação à rua, ou num complexo de condomínios. Harry vivera em poucas casas diferentes ao longo de sua vida, apenas duas, primeiramente com seus pais, no pequeno povoado de Godric's Hallow, de onde sequer possuía recordações e depois com Sirius, no Largo Grimmauld, onde passara toda a sua infância e juventude e guardava as lembranças mais queridas. Então, suas casas passaram a ser as luxuosas suítes dos melhores hotéis nos quatro cantos do mundo, onde raramente passava mais de três semanas num só local. Mas, dentre todos esses lugares, Harry nunca pôde dizer que encontrou um lar de verdade.

Lar...

"Lugar onde há harmonia, onde as pessoas vivem e se sentem bem".

Harry nunca conhecera um lugar assim. Mesmo no Largo Grimmauld, na companhia de seu amado padrinho, o jovem médico sempre pensara faltar alguma coisa em sua vida. Hoje, porém, quase sete anos após ter deixado Londres para trás, guiado pelas ameaças e pelo sorriso sedutor de um perigoso assassino, Harry finalmente havia encontrado um verdadeiro lar.

Um lar repleto de amor e felicidade num país, num continente, que sequer imaginara conhecer um dia:

América do Sul.

Argentina.

Mais precisamente um complexo de condomínios de luxo no bairro mais nobre e exclusivo da bela cidade da província de Santa Fé, chamada Rosário. Num desses condomínios, no mais exclusivo, onde viviam apenas atores famosos, grande figuras públicas e os maiores empresários do país, vizinhos dos melhores e mais bem pagos jogadores de futebol do mundo, encontrava-se uma das mais incríveis mansões daquele lugar:

Ocupando vários hectares destacava-se a impressionante mansão ao estilo renascentista, com um jardim paradisíaco e vista privilegiada para o cristalino rio que cortava o condomínio. Era uma construção de excelente qualidade, forjada em madeira real branca e grandes janelas. O piso térreo dispunha de um amplo hall de entrada com azulejos Slavonian trazido da Inglaterra, por mero capricho de Tom, uma biblioteca de fazer inveja a qualquer leitor ávido, anexada ao elegante escritório equipado com os mais recentes MacBooks, onde Tom passava a maior parte do tempo aumentando sua fortuna através de investimentos nas bolsas de valores do mundo. Além disso, havia uma bela sala com piso de carvalho e acesso ao jardim, sala de estar, sala de música e três banheiros forjados em mármore negro. Havia também lareiras em todos os cômodos, cozinha equipada com aparelhos de última geração que fariam qualquer chef profissional morrer de inveja e quartos de serviço para as duas empregadas, Julia e Maria, duas irmãs já de idade avançada, mas muito habilidosas em suas funções e para o motorista, Javier, um bondoso senhor que vivia cortejando Maria.

A escadaria de mármore majestoso levava ao primeiro andar, composto por um amplo hall de distribuição, onde havia a suíte master com dois closets, lareira e banheiro de mármore de dois compartimentos. Esta suíte ficava em frente ao jardim principal da propriedade, com vista para o rio. Ao lado dela, encontrava-se a sala de cinema, o salão de jogos e duas suítes júnior. Já no segundo andar havia três quartos de hóspedes com banheiros integrados, sala de ginástica, sauna, sala de massagem e um ateliê para Harry explorar seus recém-descobertos talentos na pintura.

No impressionante jardim, por sua vez, destacava-se a piscina com cascata integrada, ao lado do belo quiosque com churrasqueira e, um pouco mais abaixo, um lance de escadas conduzia às quadras de tênis e poliesportiva. Por fim, a residência possuía um elevador e duas escadas secundárias, além de garagem para os carros principais da família: o Lamborghini Aventador de Tom, o Dodge Charger SRT8 de Harry, além da Ferrari 599 GTB Fiorano e do Cadillac Escalade que Tom gostava de dirigir aos finais de semana, e estacionamento coberto para carros de convidados.

Esta era a bela casa que Harry chamava de lar, não por seus luxos e requintes, mas pelo simples fato de ser onde vivia há quase cinco anos com sua família.

- Lily, nene, deixe-me arrumar seu vestido – pediu Harry, sorrindo, enquanto tentava arrumar os babados cor-de-rosa do belo vestidinho branco de sua filha, que parecia mais interessada em morder suas pequenas mangas bufantes.

- Papa! – animou-se a menina, esticando os bracinhos para Tom, que acabara de ingressar no quarto branco e lilás repleto de caros adornos infantis.

Era a perfeita imagem de uma família.

Uma família feliz.

Há dois anos, quando Harry e Tom já se encontravam vivendo há um bom tempo naquele deslumbrante lugar, rodeados de vizinhos amigáveis e tardes de sábado no clube de campo, o jovem médico se viu com um inexplicável vazio no peito.

Saudade de seus amigos?

Talvez. Ele raramente interagia com alguém longe da presença de Tom. Trocava alguns telefonemas semanais com Hermione e conversas quase diárias pelo Skype, mas ainda não amenizava a saudade que sentia da menina. Ele estava tentando convencer Tom a deixá-la visitá-los com o marido, Victor Krum, antes que o bebê dos dois nascesse, mas não havia nada confirmado ainda.

Poder exercer sua profissão?

Sem dúvida, era algo do qual Harry sentia falta. Sentir-se útil para a sociedade, ajudar os demais, ver a gratidão nos olhos de seus pacientes. Agora, seus únicos cuidados médicos estavam voltados à saúde mental de Tom, que, pelo menos, não havia surtado mais desde aquela fatídica e sangrenta noite em Miami.

Este vazio no peito, porém, era algo mais...

Algo mais profundo...

Significativo...

E ao ver Antonella, sua alegre e doce vizinha, passeando no parque do condomínio com o marido, Leo, e o sorridente filho de dois anos, Thiago, o jovem médico finalmente se deu conta do que faltava em sua vida:

Uma família.

Uma família completa.

Demoraram exatos três meses para convencer Tom a adotarem uma criança e, de fato, qualquer um pensaria não ser uma boa ideia criar uma criança na companhia de alguém tão instável quanto Tom, mas Harry sabia que este seria um ponto de fundamental importância para a estabilidade de Tom: a possibilidade de aprender a amar e a se preocupar com outro ser humano, de proteger alguém, até mesmo de si próprio, de ser pai, no sentido mais amplo e irrestrito desta palavra.

E desde a chegada de Lily tudo havia mudado:

Harry já não se importava com as tardes sozinho em casa, quando Tom precisava visitar seu complexo de escritórios a fim de cuidar pessoalmente das ações de suas inúmeras empresas, pois agora havia uma linda princesinha dependendo de seus cuidados. Todas as noites, Tom contava uma historinha para o adorável bebê que somente conseguia dormir ao som de sua voz. E, aos domingos, os dias no parque contavam com os dois orgulhosos papais cumprimentando os vizinhos enquanto empurravam o carrinho. Sem dúvida alguma, eles estavam mais unidos, mais felizes e até mais apaixonados que nunca.

Agora, quase dois anos depois da chegada de Lily à família, Harry e Tom estavam mais que radiantes em poder comemorar o aniversário de dois aninhos do lindo bebê de olhos verdes e bochechas rechonchudas que haviam adotado, para o qual quase cem pessoas haviam sido convidadas, dentre os funcionários de Tom, vizinhos e amigos do clube, que mal podiam esconder a adoração pela linda garotinha.

- Podemos ir, Harry? – perguntou, abraçando o menor por trás – Essa cerimonialista já está me deixando maluco.

- Você não precisava ter contratado um Buffet milionário para o aniversário da nossa filha, Tom, muito menos uma cerimonialista – suspirou, dando os retoques finais nos cabelos escuros da menina que estavam presos a laços cor-de-rosa de fita – Eu queria apenas uma festa simples no jardim...

- Essa é uma festa simples no jardim.

O olhar mordaz de Harry foi o bastante para Tom sorrir, mas permanecer em silêncio. Tudo bem, talvez a roda gigante tenha sido demais, realmente, mas todos estavam adorando e seu jardim possuía espaço de sobra para tudo aquilo.

- Vamos?

- Vamos – com a sorridente menina em seu colo, Harry e Tom seguiram para o jardim, onde a maioria dos convidados já se reunia.

Dois ilustres convidados, porém, ainda não haviam chegado.

Tom sorriu ao perceber isto.

Esta, afinal, era sua surpresa para Harry.

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O imenso jardim havia se transformado num verdadeiro reino encantado das princesas da Disney, todo decorado em branco, rosa chá e dourado, no qual centenas de mesas redondas de madeira real branca estavam dispostas com louças de porcelana, talheres de prata e arranjos de orquídeas cor-de-rosa e lilás dispostas em pequenas carruagens folheadas a ouro, que se assemelhavam verdadeiramente aos eventos da realeza. Atores impecavelmente fantasiados de príncipes e princesas da Disney faziam a alegria de todas as crianças, que podiam andar nas carruagens douradas em tamanho real ou nos belos pôneis brancos situados num pequeno estábulo. Não obstante, as atrações que mais encantavam aos adultos e crianças eram a roda gigante de quase vinte metros de altura, o enorme carrossel e as xícaras rodopiantes que remontavam um perfeito parque de diversões no jardim da família Riddle. Um exagero, na opinião de Harry, mas indispensável para um Tom que sorria com soberba perante os olhares de inveja de muitos de seus vizinhos e amigos.

A belíssima decoração rosa chá e dourado transformava o majestoso jardim num castelo de princesas e candelabros de cristal, flores naturais, móveis folheados a ouro, aparadores dourados e poltronas dignas de princesas e contava ainda com pequenas caixinhas de joias folheadas a ouro, cheias de confeitos, varinhas de condão douradas, pequenas coroas e miniaturas em porcelana de príncipes e princesas da Disney em cada mesa, todos os adornos perfeitos e harmoniosos nos mínimos detalhes, graças aos cuidados da famosa cerimonialista Pampita Lavezzi, que acabara de voltar de Los Angeles, onde fizera a festa de quinze anos da filha de Madonna.

- Você está me dizendo que o sorvete que irá acompanhar o bolo ainda não chegou? – Pampita exclamou ao headset de orelha – É mesmo? Pois não me interessa! Se for preciso, vá agora mesmo para os Estados Unidos buscar na fábrica da Häagen-Dazs!

Talvez a bela mulher fosse um pouco inflexível, mas, em dez minutos, o sorvete estava chegando à festa.

Tudo estava perfeito.

O milionário Buffet havia providenciado os mais deliciosos cupcakes de chocolate e baunilha decorados tais quais bonecas de porcelana com lindas e elegantes coroas de princesa, macarrones de morango e frutas vermelhas, bombons de avelã e chocolate branco situados em mini-carruagens douradas, copinhos de cristal com brigadeiro e mousse de limão de colher, alfajores de doce de leite embrulhados num lindo papel dourado contendo as iniciais de Lily e outras inúmeras guloseimas gourmets dispostas ao lado dos arranjos florais na longa mesa de madeira real branca onde se encontrava o bolo de seis camadas de chocolate preto e branco, com recheio crocante e decoração em pasta americana branca e confeitos dourados, sobre o qual, no topo, repousava uma linda coroa de chocolate dourada com as iniciais de Lily. Bolo este que, uma vez cortado pelos orgulhosos papais, seria oferecido aos convidados acompanhado de sorvete de doce de leite, baunilha, morango ou cookies&cream, conforme o gosto de cada um.

O almoço, por sua vez, era oferecido em ilhas um pouco mais afastadas da mesa do bolo, onde os convidados podiam se servir a vontade de canapê com alcachofra e camarão, canapê com parma e queijo brie, miniquiche de funghi secchi, patê de truta defumada, salada de agrião, endívia, nozes e gorgonzola e também salada camembert de massa folhada, além do bucatini com salmão, do filé mignon com shimeji sauté, purê de batatas ao molho oriental de shoyo e do canelone de hadoque. Para as crianças, contudo, mini-hambúrgueres gourmet e batatas fritas em formatos divertidos eram a preferência. Enquanto isso, as dezenas de garçons percorriam o jardim oferecendo os mais caros espumantes, vinhos, whisky e coquetéis para os convidados, além coquetéis sem álcool, sucos e refrigerantes para os convidados mirins.

- Tudo está muy lindo, Harry.

- Obrigado, Antonella – sorriu à vizinha e amiga, respondendo num espanhol já quase sem sotaque, mas ainda longe da perfeição falada por Tom – Thiaguito está se divertindo?

- Entre ele e Lionel não sei quem está se divertindo mais – apontou a bela mulher, observando o famoso marido jogar futebol com o filho e as outras crianças no lindo gramado verde do jardim.

- Eu ainda acho que Lily é muito pequena para aproveitar tudo isso – suspirou, observando a menina correr desajeitadamente ao redor das princesas balançando uma das varinhas de condão – Mas Tom insistiu e, pelo visto, as outras crianças estão conseguindo aproveitar bastante.

- E os pais das crianças também – os dois riram.

Sem disfarças sua curiosidade, porém, Harry observou a cerimonialista se aproximar de Tom, que conversava próximo à mesa do buffet com alguns investidores importantes de suas empresas, e informá-lo de alguma coisa, que fez o dono da casa sorrir satisfeito e seguir em sua direção.

- Algum problema? – o jovem médico perguntou quando Tom se aproximou.

- Venha comigo, pequeno, sua surpresa está aqui.

- Do que você está falando...? – após um breve aceno de desculpas a uma divertida Antonella, Harry se deixou ser arrastado para dentro da casa, onde uma visão inesperada o deixou sem palavras:

Remus Lupin e ninguém menos que Sirius Black estavam em sua sala de estar observando com inegável curiosidade os porta-retratos que adornavam a estante, nos quais se destacavam fotos de Harry e Tom em diferentes lugares do mundo, fotos de Lily e de toda família reunida. Harry, por sua vez, mal podia acreditar no que estava vendo: seu padrinho e Remus estavam ali, em sua casa, no dia do aniversário de sua filha.

Aquilo era maravilhoso!

- Remus! Sirius! – gritou, jogando-se nos braços dos surpreendidos homens, que, no entanto, não hesitaram em recebê-lo de braços abertos e um sorriso sincero no rosto.

- Harry, meu filho, como você cresceu!

- Na verdade, eu estou do mesmo tamanho desde a última vez que nos vimos, Sirius – apontou divertido.

- Isso foi há quase um ano! – choramingou – Como eu poderia me lembrar?

- Vamos, não faça tanto drama, nós estamos sempre nos falando por Skype.

- Não é a mesma coisa...

Tom revirou os olhos, os braços cruzados junto ao peito para conter a irritação. Ele odiava Sirius Black. E Sirius Black o odiava. Contudo, ambos mantinham um acordo tácito de tolerância pelo bem de Harry. A primeira vez que Tom permitira Harry voltar a ver o padrinho fora há quase cinco anos, quando o casal estava na Irlanda e, devido à tristeza e saudade que brilhavam nos olhos do jovem médico, Tom permitira que ele entrasse em contato com Sirius e combinasse um encontro num pequeno restaurante em Dublin. Mas, naquela noite, Sirius quebrara o acordo e aparecera no local com inúmeros policiais da Scotland Yard e da polícia irlandesa disfarçados, posicionados em locais estratégicos para lograr a captura de Tom.

Obviamente, Harry e Tom não apareceram no pequeno restaurante naquela noite e somente após um ano daquele incidente, Tom permitira que o intento de encontro voltasse a acontecer, dessa vez em Veneza, num pequeno café próximo à Praça São Marcos, quando Sirius finalmente ouvira o pedido de seu afilhado e não tentara enganar Tom. Desde este dia, padrinho e afilhado se encontravam pelo menos duas vezes a cada seis meses, em cidades da península ibérica ou do leste europeu, quando Harry, Tom e agora Lily aproveitavam para sair de férias.

- Você tem uma linda casa, Harry.

- Obrigado, Remus – sorriu, deixando-se abraçar novamente por Tom, que, em momentos como aquele, quando Harry não lhe dedicava sua exclusiva atenção, precisava atestar seu domínio sobre o menor – Venham, venham para o jardim! Está quase na hora de cortar o bolo e Lily irá adorar vê-los!

- E eu estou morrendo de saudades da minha neta!

- Nunca pensei que você seria um vovô coruja, Padfoot – provocou Remus.

- Um vovô coruja e na flor da idade, Moony.

Os dois riram e Harry, balançando a cabeça, divertido, levou-os para o jardim.

- Uau... – admirou Sirius – Você realmente não poupou dinheiro com esta festa, Riddle.

- Apenas o melhor para minha família, Black.

- É claro. E com todo esse dinheiro desviado, sonegado e proveniente sabe-se lá de onde...

Por sorte, antes que Harry pudesse interromper aquela velha discussão, uma sorridente princesinha cortou as palavras de Sirius correndo, cambaleante, sobre os pezinhos cobertos por sapatilhas cor-de-rosa para os seus braços:

- Vovô! Vovô!

Imediatamente, as feições do capitão de operações da Scotland Yard suavizaram. Havia sido assim desde a primeira vez em que Sirius colocara os olhos sobre o pequeno embrulho de cobertores lilás trazidos por Harry àquele pequeno café em Turin, pouco mais de um ano atrás.

- Lily! – sorriu, suspendendo a alegre criança no ar – Minha pequena princesa!

Tom franzia o cenho claramente irritado diante da cena, mas permanecia em silêncio, pois tais discussões sempre terminavam em seu banimento para o sofá, ou para um dos quatros de hóspedes. No entanto, sua atenção estava completamente voltada para os risos contentes que Sirius Black compartilhava com sua filha, enquanto seu braço rodeava possessivamente a cintura de um distraído Harry, que conversava alegremente com Remus sobre as novidades implantadas por Snape como novo membro do conselho do Hospital de Hogwarts.

- Estou falando sério, antes de se aposentar, Dumbledore garantia para quem quisesse ouvir que você havia encontrado o amor e a felicidade nos braços de Tom.

- Ele sempre pareceu saber de todas as coisas que aconteciam naquele hospital... Era irritante – os dois riram.

Naquele momento, a cerimonialista os interrompeu educadamente para perguntar se já poderia reunir a todos para cantarem o "parabéns" e cortar o bolo, ao que Harry e Tom concordaram, pois em breve estaria anoitecendo.

Em poucos minutos, Pampita reuniu todos os convidados nas proximidades da magnífica mesa do bolo, onde Harry e Tom haviam se posicionado com Lily, que sorria alegremente para os aplausos e flashes das câmeras. E no último verso de "cumpleaños feliz", os príncipes e princesas jogaram os confetes de strass e as serpentinas personalizadas com o nome de Lily sobre as crianças radiantes. Harry então cortou o bolo com a ajuda de Tom e os garçons logo passaram a servir a todos com as deliciosas opções de sorvetes oferecidas.

- Está buenísimo, Harry, depois vou querer a receita para fazê-lo para Thiaguito.

- Prometo tentar descobrir – sorriu para Antonella. Em seguida, um conhecido par de braços fortes rodeou sua cintura, levando-o para longe do aglomerado –... E Lily?

- Com seu padrinho, que, pelo visto, não irá desgrudar dela tão cedo.

De uma coisa, porém, todos poderiam ter certeza: a medicação de Tom estava fazendo efeito e garantindo a paz e a tranquilidade naquele belo cenário festivo, pois, em outras épocas, Sirius Black já teria sido esquartejado com a faca do bolo.

- Não fique tão irritado – pediu o jovem médico, estremecendo ao sentir os pequenos beijos pousados em sua nuca – Sirius nunca pode ficar tanto tempo com Lily, por isso está aproveitando.

- Ele poderá ficar duas semanas com nossa filha dessa vez, então não terá do que reclamar.

- Duas semanas? – Harry se virou abruptamente, encarando-o surpreso – Você...?

- Sim, eu os convidei para ficar conosco.

- Tom! Isso é incrível!

- Eu sou incrível – corrigiu-o, fazendo o menor revirar os olhos, mas beijá-lo apaixonadamente mesmo assim – as coisas que não faço por amor...

- Obrigado, você é o namorado com transtorno de personalidade narcisista acentuada por delírios de grandeza e traços maníaco-obsessivos mais doce que poderia existir.

- E você me ama.

- Com todo o meu coração.

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Durante essas suas semanas em que Remus e Sirius permaneceram hospedados na mansão da família Riddle, não é surpreendente dizer que a terceira guerra mundial esteve muito próxima de ocorrer. Por sorte, Harry e Remus estavam sempre por perto para intermediar discussões acaloradas, provocações mordazes e até troca de insultos, mas não era nada que ambos os médicos não pudessem dar conta com um olhar incisivo e um franzir de cenho numa expressão de poucos amigos. Naquela manhã, contudo, a discussão estava longe de ser provocativa ou violenta, nas quais Sirius sempre fazia questão de trazer a tona cada uma das atrocidades já cometidas por Tom. O questionamento levantado pelo capitão de operações da Scotland Yard agora mais se parecia ao de um pai preocupado:

- Então vocês vivem há quase cinco anos aqui?

- Sim – Harry fitava o padrinho com certa curiosidade.

- Aceita mais medialunas, senhor Tom?

- Sim, Maria, obrigado.

Os quatro se encontravam sentados à mesa saboreando um delicioso café da manhã composto por medialunas doces e salgadas com manteiga, queijo e presunto, brioches, churros recheados com dulce de leche, torradas mistas, além de café expresso, suco de maçã e chá com leite. Lily, por sua vez, sentada em sua cadeirinha alta ao lado de Harry comia a deliciosa papinha de beterraba que este lhe oferecia ao melhor estilo "aviãozinho" ensaiado todas as manhãs.

- O que eu quero dizer é que vocês estão a um bom tempo juntos... – Sirius continuou a divagar – contra a minha vontade, é claro, mas, pelo visto, não há nada que eu possa fazer para dissuadir meu afilhado a viver com um assassino...

- Aonde você quer chegar, Black?

- Eu apenas quero saber quando você irá pedir meu afilhado em casamento apropriadamente.

Harry engasgou com o suco de maça, Lily, alheia ao que estava acontecendo, sorria contente enquanto lambuzava suas mãozinhas no prato de papinha e Remus, por sua vez, não conseguia conter o sorriso divertindo dançando em seus lábios enquanto dava tapinhas nas costas de Harry.

Tom, no entanto, permaneceu em silêncio por alguns minutos encarando o herdeiro da fortuna Black com os olhos entrecerrados, astutamente, e então respondeu:

- Não é da sua conta, Black.

Harry rapidamente mudou o assunto, um sorrisinho nervoso adornando seus lábios rosados, mas um pequeno brilho de decepção podia ser visto em seus olhos. O que ele não sabia, porém, era que naquele momento os pensamentos de Tom estavam voltados ao belo anel que repousava numa caixinha de veludo preta, no fundo falso do cofre de seu escritório, anel este que ele havia comprado há mais de dois meses, mas ainda não encontrara o "momento certo" de entrega-lo ao jovem médico e de fazer o tão esperado pedido.

Este momento certo, porém, chegou logo três semanas após o ultimato de Sirius, quando Harry, Tom e Lily viajaram para aproveitar um maravilhoso final de semana na praia, mais especificamente no exuberante resort ClubMed Yucatán, localizado em Cancun no México. Na última noite do animado final de semana o casal deixou Lily sob os cuidados do serviço de babá exclusivo do resort para desfrutar de um jantar romântico a beira mar. O que Harry não desconfiava era que este jantar cuidadosamente arquitetado por Tom, em parceria com o restaurante e a equipe do hotel, envolvia algo mais...

- Aceita mais vinho, señor?

- Não, obrigado – recursou Harry, educadamente, sabendo que mais uma taça do delicioso vinho rosé poderia deixa-lo tonto.

Naquele momento, os dois se encontravam numa mesa situada na areia cristalina, sob uma tenda de seda perolada, saboreando uma deliciosa quesadilla com risoto de quinua, à luz de velas. Tom havia demandado exclusividade ao restaurante naquela noite e, por esse motivo, apenas os discretos garçons encontravam-se no local para servi-los, pois a entrada de nenhum outro hóspede fora permitida na praia privativa do restaurante.

- O petit gâteau estava uma delícia – Harry sorriu para o maior, dando a última colherada na deliciosa sobremesa

- Imaginei que você fosse gostar.

- É minha sobremesa favorita.

- Eu sei, pequeno.

De repente, uma chuva de fogos de artifício fora ouvida, levando os dois a saírem da tenda para apreciar o belo espetáculo de cores e luzes brilhantes no céu, que tomavam diferentes formas a cada explosão.

- Que lindo... – murmurou Harry e, naquele momento, a maior explosão foi ouvida. No céu, em gigantescas letras douradas brilhava:

Harry, quer casar comigo?

Ofegante, praticamente em choque, Harry se virou para encontrar Tom sob um joelho lhe estendendo uma caixinha de veludo preta. Imediatamente, seus olhos se encheram de lágrimas.

- Eu não vou encontrar um dedo decepado aí, vou? – perguntou ainda desconcertado, dizendo a primeira coisa que lhe veio à mente.

- Não, dessa vez não, eu prometo – o maior riu, abrindo a caixinha da Tiffany&Co. para revelar um deslumbrante anel de noivado de ouro branco com um solitário diamante luxuoso e de brilho perfeito pesando nove quilates no centro, rodeado por uma fileira dupla de diamantes em cravação e uma faixa de diamantes menores a sua volta – Então, você aceita?

- Eu nunca tive realmente uma escolha...

O sorriso de Tom vacilou. Ele desviou o olhar parecendo quase entristecido.

- Eu nunca tive escolha porque eu sempre te amei, seu idiota – completou Harry – Sim. É claro que eu aceito. Eu jamais diria outra coisa.

Imediatamente, Tom se levantou e, com um radiante sorriso dançando em seus lábios, colocou o "modesto" anel no dedo de Harry.

- Eu também te amo, pequeno. Sempre amei e sempre irei amar.

Os dois, então, compartilharam um apaixonado beijo sob a luz da lua que, naquele momento, era ofuscada pelo brilho de uma centena de fogos de artifícios.

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A bela cerimonia ocorreu pouco mais de oito meses após o pedido de casamento feito às margens do cristalino mar do Caribe, no salão Versailles, o maior e mais luxuoso salão de festas do Alvear Palace Hotel, nada menos que o hotel mais exclusivo de Buenos Aires, onde pouco mais de trezentos convidados compareceram ao evento, entre eles grandes personalidades políticas, sócios e investidores das empresas de Tom e os amigos mais chegados, dentre os quais se destacavam conhecidos astros do futebol, artistas de renome mundial e membros da alta sociedade.

- Eu não sei como a Interpol nunca encontrou vocês – ponderou Hermione, ninando cuidadosamente o adormecido bebê em seus braços – quero dizer, basta olhar ao redor, vocês vivem cercados de personalidades famosas no mundo todo.

- Tom sempre disse que a melhor maneira de se esconder é permanecer sob os holofotes.

- Isso é algo que ele diria.

Os dois riram.

Naquele momento, Harry e sua melhor amiga se encontravam numa das suítes de luxo do hotel, onde uma equipe de famosos cabelereiros, designers e maquiadores davam os retoques finais em Harry, cujo terno Armani feito sob medida estava recebendo os últimos ajustes de sua estilista pessoal. O belíssimo terno cinza claro, cujo brilho natural do tecido quase o tornava da cor prata, acompanhava a camisa de seda branca e a gravata borboleta cinza chumbo, que combinavam com seus sapatos pretos lustrosos e destacavam a beleza da mini calla em sua lapela. Esta flor, segundo sua amiga, significava amor puro e leal e acentuava sua etérea beleza.

Hermione, por sua vez, usava um lindo vestido tomara que caia azul escuro com cristais swarovski no busto, o cabelo castanho estava preso num coque baixo e a maquiagem leve a deixava ainda mais bela. Em seus braços, o lindo bebê usava um adorável smoking preto com gravatinha borboleta da cor do vestido de sua mãe.

- E como está o meu querido afilhado? – perguntou Harry.

- Luka está dormindo mais que vocês nas aulas da Umbridge.

Com um pequeno sorriso melancólico, Harry se levantou da penteadeira, dispensando os cabeleireiros e maquiadores com um breve aceno, serviu-se de mais uma taça de espumante e se sentou ao lado da amiga:

- Tudo mudou, não é mesmo?

- Sim – respondeu ela – Só resta a você me dizer se mudou para a melhor.

Antes que Harry pudesse responder, um pequeno furacão de dois anos de idade, cabelos escuros presos com presilhas de pérolas e vestidinho branco rendado ingressou no aposento.

- Papa! Papa! Vamos?

Atrás da linda garotinha, um sorridente Sirius Black também o procurava:

- Já está na hora – anunciou seu padrinho – seu noivo está quase desmaiando lá embaixo.

- Sim, vamos. E minha daminha de honra, está com as flores?

- Sim! Flores! – a menina sorriu, mostrando alegremente sua cestinha repleta de pétalas flores.

- Muito bem, acho que podemos descer... – então, voltando-se para Hermione, Harry ofereceu a esta um pequeno, mas sincero sorriso – Eu não poderia desejar nada melhor, Mione.

Finalmente, de braço dado a Sirius, com Lily caminhando a sua frente jogando as pétalas de flores no cristalino piso de mármore, Harry caminhou pelo centro do luxuoso salão até chegar ao altar, onde Tom o esperava parecendo visivelmente ansioso e irresistível em seu terno preto Armani, camisa branca, sapatos pretos e gravata de um vermelho escuro como seus olhos, que destilavam perigo e sensualidade.

- Você está lindo, pequeno – elogiou Tom, ignorando o olhar ameaçador de Sirius quando este, a contra gosto, entregou-lhe as pequenas mãos de seu afilhado, que corou adoravelmente sob aqueles olhos escarlates.

- Obrigado. Você também está muito bonito.

O juiz então tomou a palavra:

- Queridos amigos, estamos reunidos aqui hoje para celebrar a união de Thomas Gaunt e Harry Evans, dois homens que se amam...

Harry não ouviu o resto do discurso, apenas sentiu a emoção daquele momento, suas mãos tremendo, as lágrimas de alegria deslizando pelas bochechas coradas enquanto tentava se distrair com a carícia leve de Tom em seus dedos.

Tudo aquilo havia começado como um pesadelo...

...E agora, transformava-se num sonho digno de contos de fada.

- Senhor Harry Evans – o aludido, tão acostumado ao nome falso sob o qual vivera todos esses anos, herança de sua mãe, no entanto, finalmente voltou a si – o senhor aceita Thomas Gaunt como seu legítimo esposo, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza? E promete amá-lo e respeitá-lo até o dia de sua morte?

- Sim, eu aceito – disse Harry, sem hesitação, deslizando a aliança de ouro branco maciço para o dedo anelar da mão esquerda de Tom.

- Senhor Thomas Gaunt o senhor aceita Harry Evans como seu legítimo esposo, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza? E promete amá-lo e respeitá-lo até o dia de sua morte?

- É claro que sim – respondeu Tom, sorrindo, enquanto deslizava a aliança de ouro branco e diamantes para o fino dedo anelar da mão esquerda de Harry.

- Sendo assim, pelo poder investido a mim pela República Argentina, eu vos declaro casados – proferiu o juiz, após colher a assinatura dos dois no livro de registros de matrimônios do Estado – Bem, vocês já podem se beijar agora...

Sob uma enxurrada de aplausos, o casal finalmente se uniu num beijo apaixonado.

- Você está chorando, Padfoot?

- O que? É claro que não! – negou Sirius, talvez depressa demais, limpando rapidamente as lágrimas que deslizavam pelo seu rosto, sob o olhar divertido de Remus.

Instantes depois, o casal seguiu para uma rápida sessão de fotos com Lily e os amigos e padrinhos enquanto começava a magnífica festa.

O salão, decorado num estilo clássico francês com toalhas de seda e talhes de prata oferecia um ambiente digno da realiza, no qual as centenas de convidados riam, dançavam ao som da melhor banda e dos melhores DJ's do momento, todos em suas vestes e adornos caríssimos enquanto os garçons circulavam pelo local oferecendo os mais diversos canapés elaborados por famosos chefes franceses trazidos da Europa apenas para realizar este magnífico evento. Dentre as iguarias havia carpaccio tradicional, duo de queijo chevre e queijo brie com geléia de pimenta, bouquet de folhas verdes com figos grelhados, lascas de parmesão, nozes e chips de presunto parma, os quais acompanhavam vinhos tintos, branco e rosé da melhor qualidade, whisky escocês e os mais diversos coquetéis de frutas frescas deliciosas.

A famosa equipe de cerimonialistas contratada por Tom trabalhava com os cerimonialistas do próprio hotel garantindo que tudo em cada ínfimo detalhe estivesse perfeito. E, sendo assim, Harry e Tom se preocupavam apenas em desfrutar da festa com seus amigos e, no caso de Harry, os familiares mais próximos:

- Isto é para vocês, considerem meu presente de casamento – disse Sirius, entregando ao casal um envelope branco com o logo da Scotland Yard.

Ao abri-lo, Harry se deparou com os documentos que atestavam o fim do "Caso Riddle".

- Eu mexi alguns pauzinhos – comentou ele – então, se vocês quiserem trazer Lily para conhecer Londres nas férias, podem vir tranquilos, não há mais ninguém procurando por vocês.

- Uau... Sirius, isso é...

- Uma grande fraude, capitão – provocou Tom – você chama isso de servir à pátria? Que vergonha...

- Cale a boca, Tom!

- Sim, cale a boca, Riddle. Eu não fiz isso por você, fiz pela minha neta e pelo meu afilhado.

- Obrigado, Sirius – Harry o abraçou com os olhos marejados de lágrimas – Seu gesto é muito importante para mim.

De repente, porém, uma linda princesinha de vestido rendado apareceu para interromper aquele tocante momento, a boquinha cor de rosa toda suja de glacê:

- Papa! Papa! – ela correu para Harry – Bouquet! Bouquet!

- Lily, eu já disse que não vou jogar nenhum bouquet – protestou Harry, as bochechas adoravelmente tingidas de vermelho, olhando perigosamente para Tom, que ria com os demais – Eu sei que isso é coisa sua, Tom!

- Ora, eu não sei porque você não quis o bouquet, meu amor.

- Muito engraçado.

- Mas você irá usar a liga na nossa lua de mel, não é mesmo?

- TOM!

Ao lado deles, um pobre Sirius Black engasgou com o espumante e precisou ser socorrido por um divertido Remus que, assim como os demais, mal podia conter seus risos.

- Continue com esses comentários, Tom, e você passará a lua de mel com sua mão direita.

Imediatamente, o aludido ergueu as mãos em sinal de paz e todos voltaram a rir.

A magnífica festa durou até às sete horas da manhã seguinte, quando o buffet ofereceu uma vasta mesa de café da manhã para os inúmeros convidados que permaneceram até o final. Lily, a essa altura, estava adormecida nos braços de Harry, que, na companhia de Tom, despedia-se agora dos últimos convidados:

- Com quem Lily ficará nesses dez dias? – perguntou Hermione, o próprio filho também adormecido em seus braços.

- Com Antonella e Leo em Barcelona – respondeu o jovem médico – Ela mal pode esperar para passar esses dias com Thiaguito. Na volta, passaremos lá para busca-la.

- Entendo – sorriu – Bem, faça uma ótima viagem, Harry, e divirta-se.

- Obrigado, Mione, e muito obrigado por ter vindo.

- De nada. E não se preocupe, irei voltar em breve – garantiu – Você não vai se livrar de mim assim tão fácil.

- Espero que não – os dois riram.

- Tudo mudou quando você se foi, Harry. Eu tive muito medo, mas agora vejo que as coisas tomaram o rumo certo e mudaram para a melhor.

- Sem dúvida – ele sorriu, observando, um pouco mais afastado, Tom usar aquele característico sorriso arrogante e incrivelmente charmoso para se despedir de alguns investidores que haviam vindo do Egito apenas para prestigiar seu casamento – Sem dúvida, Mione.

Aquele perigoso homem de olhos escarlates, sorriso charmoso e inescrupulosos instintos assassinos havia conquistado seu coração na primeira vez em que haviam se visto, mas, naquele momento, Harry não deixou o coração falar mais alto que a razão. Não. Ele negou tais sentimentos. Ele negou o poder que aqueles olhos exerciam sobre sua pele.

Ele negou...

Lutou...

Até o fim.

Até o momento em que Tom tomou seus lábios e não permitiu que ele voltasse atrás.

E agora, depois de muitas lágrimas derramadas, muita dor, muitos gritos e de um banho de sangue que manchariam eternamente as mãos de Tom, Harry havia parado de lutar contra seus próprios sentimentos para encontrar a felicidade. Felicidade esta que não poderia estar em qualquer outro lugar senão nos braços de Tom.

-x-

No dia seguinte à bela cerimônia, Harry e Tom embarcaram para o arquipélago de Seychellis, um verdadeiro pedaço do paraíso localizado nas águas cristalinas e mornas do Oceano Índico ocidental. O Nort Island, o resort escolhido por Tom para passarem a lua de mel era tão exclusivo que os hóspedes somente podiam chegar ao local de helicóptero e, então, deparavam-se com uma das mais belas paisagens do mundo, um verdadeiro refúgio para espécies endêmicas ameaçadas de extinção, bem como para as pessoas buscando um paraíso oceânico, onde uma abordagem holística para o bem-estar dos hóspedes prometia garantir uma autêntica e romântica experiência. Embalado em uma bacia formada por três picos de granito, as praias brancas luminosas, floresta luxuriante, o North Island oferecia uma incomparável experiência de proximidade com a natureza e o luxo.

As dez moradias presidenciais, elegantes e descontraídas, criadas ao longo de East Beach contavam com acesso direto à cristalina praia privada do hotel. Cada moradia estava completamente blindada da vista da imprensa ou de terceiros curiosos por situar-se cuidadosamente em harmonia com a vegetação natural, garantindo total privacidade, bem como vista para o mar. Cada moradia presidencial oferecia ainda um espaço generoso e seu próprio tranche exclusivo das areias brancas luminosas e águas azul-turquesa, convidavam à exploração, e a mistura de texturas incentiva o toque e as formas orgânicas do mobiliário feito por artesãos e acessórios que seduziam os olhos. Era a mistura perfeita, harmoniosa, de formas sinuosas e elementos de design sofisticado.

- Então, você gostou meu amor?

- É tudo tão lindo... – Harry murmurou, maravilhado com a suavidade das pétalas de rosas que cobriam a enorme cama de lençóis de seda brancos.

Após se instalarem e desejando relaxar um pouco da longa viagem, os dois seguiram para a enorme banheira de mármore cujos degraus emergiam do próprio piso, de onde podiam contemplar a magnífica vista do por do sol e saborear uma taça de espumante francês acompanhada de um cálice de morangos silvestres. Descansando as costas contra o peito forte de Tom, enquanto a água morna e os sais de banho aromáticos suavizavam seus corpos, Harry tomou outro gole da bebida adocicada e fechou os olhos deixando escapar um leve suspiro.

Ele nunca estivera tão relaxado antes.

Ele nunca estivera tão feliz.

- O que você gostaria de fazer mais tarde, pequeno? – a voz rouca e sensual de Tom ressoou em sua nuca.

- Não sei...

- Podemos ir jantar na parte norte da ilha ou passarmos no bar Piazza.

- Humm... – murmurou, os olhos fechados e o corpo tão relaxado que ele prestava pouca atenção às palavras de Tom.

- Ou podemos ficar aqui – acrescentou o maior, sugestivamente, percorrendo os lábios pelo pescoço alvo e convidativo – e eu posso levá-lo para aquela cama e passar a noite inteira e os próximos dez dias também adorando cada pedacinho do seu corpo.

Harry gemeu.

Os toques hábeis daqueles dedos que pareciam conhecê-lo por completo nublavam sua mente.

- O que você me diz?

- Ah... Tom... – pouco a pouco, a cada toque, a cada beijo, a cada pequena carícia seus pensamentos coerentes desapareciam para dar lugar ao prazer e ao desejo, ao desejo de se ver mais uma vez nos braços de Tom.

- Vou tomar isso como um "sim" – riu Tom, seu próprio desejo duro e evidente às costas de Harry, mas sem deixar de lado o sorriso arrogante que transbordava charme e luxuria.

De repente, Harry se viu rodeado por um par de braços fortes que, repletos de cuidado, retiraram-no da água perfumada para depositá-lo com suavidade sobre a enorme cama de lençóis de seda brancos, situada, convenientemente, a poucos passos da bela banheira de mármore.

- Tom! – protestou o menor, os olhos esmeraldas ainda semicerrados e turvos pelo desejo – Os lençóis... Vamos molhar os lençóis...

- Oh, sim, você nem imagina – comentou divertido. E o corpo de Harry, por sua vez, estremeceu ao som daquela perigosa voz que se destilava luxúria.

Antes que o menor pudesse reorganizar seus pensamentos e replicar, um par de lábios sedentos se apoderou dos seus. E mesmo depois de tantos anos, os toques de Tom ainda o levavam a loucura, atordoando-o por completo, tal qual uma ingênua criança, como se fosse a primeira vez. O corpo musculoso cobria o seu, os lábios ansiosos percorriam seu pescoço, marcando-o, alegando-o por completo, enquanto aquelas mãos fortes agarravam seus quadris deixando a marca de seus dígitos impressa na carne macia. Harry, extasiado, não conseguia conter seus gemidos, que inundavam o aposento, enquanto suas unhas finas deixavam riscos vermelhos de luxúria marcados nas costas largas e musculosas de Tom.

- Por favor... – sem conseguir se conter mais, as súplicas sussurradas numa melodiosa agonia acabaram escapando de seus lábios. Um som maravilhoso aos ouvidos de Tom, que sorriu maliciosamente, introduzindo um de seus dedos na cavidade apertada que mal podia conter a espera.

- Tom! – o grito ofegante ressoou pelo aposento.

Os estreitos quadris de Harry agora se moviam no mesmo ritmo em que os dedos de Tom o abriam, lentamente, num conjunto de movimentos precisos e sensuais.

- Tom... Ahh...

Logo, três dedos longos e elegantes massageavam aquele ponto em seu interior e Harry já não aguentava mais:

- Tom, por favor... Por favor, eu preciso de você...

- Eu estou aqui, pequeno. Eu sempre estarei aqui para você – ao final da promessa sussurrada com pura devoção, Tom o beijou apaixonadamente, no mesmo instante em que substituía seus dedos pelo membro pulsante. O grito extasiado de Harry, no entanto, morreu em seus lábios.

Sempre, em momentos como aquele, quando estavam intimamente conectados, Harry tinha a certeza de que as escolhas que tomara em sua vida não poderiam ter sido mais acertadas. Estar nos braços de Tom era estar em casa, seguro, acolhido e amado. E, para Tom, ter o jovem médico em seus braços era como ter o próprio coração pulsando em seu peito, sua alma entrelaçada ao pequeno anjo de olhos esmeraldas que se contorcia de prazer em seus braços.

Pouco a pouco, as estocadas lentas e sensuais se transformaram em movimentos erráticos apaixonados e tomados pelo desejo. Seus corpos estavam unidos numa dança repleta de sons, perfumes e sabores que inundavam seus sentidos levando-os a se perder um na pele do outro, nos beijos, nos gemidos, nas carícias. Não existia mais nada. Não existia mais ninguém. Apenas Harry e Tom, um para o outro, perdidos em seu próprio mundo, um mundo tomado pelo prazer, um mundo para o qual sempre se recolhiam em momentos como aquele, desde a primeira vez.

Com um gemido de puro deleite abafado pelos lábios de Tom, Harry culminou entre seus corpos, sem que seu membro sequer tivesse sido estimulado, somente pelas poderosas estocadas de Tom. Este, ao sentir o corpo do pequeno anjo apertar-se ao seu, também chegou ao ápice do prazer e derramou sua semente no interior de Harry, que deixou um pequeno miado satisfeito escapar de seus lábios, ao sentir-se tão cheio, tão completo.

Após alguns segundos, Tom se afastou cuidadosamente e se deitou ao lado de Harry, puxando o pequeno corpo maleável para descansar em seu peito. Um agradável silêncio então se instalou entre os dois, que se concentraram apenas em trocar suaves carícias. Os dedos longos de Tom agora percorriam os macios fios de cabelo de Harry, que, suspirando contente, depositava pequenos beijos no peito forte do maior.

Harry já estava quase cochilando, perdido nas deliciosas carícias, quando a tranquila voz de Tom o despertou:

- Você está feliz, pequeno?

- Sim... – murmurou sonolento – muito.

- E você se arrepende de alguma coisa? De algo que nos levou a estar aqui hoje?

Ao sentir aquela pontada de insegurança pouco característica na voz de Tom, o menor se endireitou e levantou os olhos para encará-lo:

- Eu não me arrependo de nada, Tom – respondeu com sinceridade – Eu admito que houve alguns momentos em que quis matá-lo e duvidei da minha própria sanidade, mas, olhando para trás, vendo nossa vida juntos, nossa filha, toda a felicidade que construímos, eu tenho absoluta certeza de que não poderia desejar nada diferente.

- Nada?

- Talvez um pouco menos de homicídios qualificados, derramamento de sangue e pessoas decepadas tivesse feito nossa trajetória mais sutil – comentou com sarcasmo – mas eu não me arrependo.

- Eu mudei para você, Harry. Eu não preciso matar qualquer idiota que cruza o meu caminho agora, porque eu tenho você e Lily, agora eu tenho vocês para amar. Hoje pouco me importa esse mundo repleto de subordinados imbecis.

- Eu sei – sorriu com carinho – Talvez isso faça de mim um assassino tão distorcido quanto você, mas, mesmo depois de todas as atrocidades que você cometeu, eu não posso evitar amá-lo com todas as minhas forças.

- Se é assim, você é o pequeno anjo distorcido mais lindo desse mundo – afirmou, observando com deleite as bochechas de Harry se tingirem de vermelho. Depois de tantos anos, ele ainda conseguia fazer seu pequeno anjo corar – Eu te amo tanto.

- Eu também te amo, Tom.

- Você pensa em me deixar algum dia?

- Nunca.

- Que bom, pequeno. Mesmo porque eu iria ao fim do mundo para trazê-lo de volta para mim – assegurou friamente, abraçando com um pouco mais de força que o necessário o pequeno corpo em seus braços.

Harry, no entanto, apenas sorriu.

Um sorriso doce e repleto de carinho.

Um sorriso de quem conhecia cada pensamento obscuro e obsessivo que se escondia na mente de Tom. E, ainda assim, amava-o com todo o seu coração.

Por que, afinal, o que é o amor senão a mais pura e completa aceitação?

FIM

N/A: Meus queridos leitores, lamento profundamente, de todo o meu coração, pela demora em atualizar minhas histórias. Não há desculpas que justifiquem, eu sei, mas devo dizer que essa vida atribulada de trabalho e faculdade é mais complicada do que eu pensava. Quase não acho tempo para escrever uma página ou duas, mas saibam que eu nunca me esqueci de vocês, então, naquela aula chata e desinteressante, naquele intervalinho rápido no trabalho, eu sempre pego meu caderninho e tento dar continuidade a uma cena que falta no capítulo a ser postado. Infelizmente, nesse ritmo, as coisas demoram um pouco mais... Quase seis meses desde a última vez que estive por aqui, eu sei, mas posso dizer com absoluta certeza que nunca deixei e nunca deixarei de pensar em vocês, de escrever para vocês, de colocar no papel as histórias que amo tanto e que vocês parecem apreciar tanto quanto eu.

Hoje eu encerro mais um ciclo. O Charme da Insanidade, após dez capítulos, finalmente chegou ao fim. Espero sinceramente que vocês tenham gostado e para aqueles que ficaram tristes com o fim, não se preocupem, estou pensando em começar uma nova história muito em breve... E estou aceitando sugestões para o tema desta nova história!

Foi um prazer imenso ler todas as maravilhosas Reviews com as quais vocês me brindaram ao longo desses meses, desde o começo dessa história, que sempre me incentivaram a continuar a escrever. Se eu estou postando hoje o último capítulo é por causa delas que eu não desisti. É por causa delas que eu jamais irei desistir. Por causa das palavras de incentivo e do carinho de todos vocês!

Gostaria de saber o que vocês acharam do capítulo final. Então, estarei mais uma vez esperando ansiosamente suas belíssimas Reviews!

Meus agradecimentos especiais a:

Ana Paula-A.P... Daniel... ... Jubbsbuddy... Dels76... Malukita... TaiSouza... nik riddle... SarahPrinceSnape... Surprise... Mertriqs... lunynha... VictoriaLombardi... Sandra Longbottom... FaFaVe... LadyHarukaS2... yggdrasil001... vrriacho... Dyeniffer Mariane... Jasper1997 e Barbara Vitoria!

Um grande Beijo!
E até o próximo capítulo de Destinos Entrelaçados!