Capitulo 7 –

A manhã estava linda, o sol brilhava alto no céu. Ela teve um café da manhã como a muito não tinha. Essa amizade inesperada com Alice estava alegrando seus dias. Seu novo relacionamento estava indo de vento em poupa. Tudo estava bom demais para ser verdade.

- Te vejo mais tarde, chefinha! – Alice disse saindo do carro, e completou – Não se esqueça do nosso shopping.

- Não vou esquecer, até mais tarde – ela respondeu com um aceno.

Pegou a bolsa, alguns documentos importantes no banco de trás do carro e fechou a porta.
Ela não teve tempo nem de respirar. Só sentiu-se sendo agarrada, pressionada contra o carro, e perdida em um beijo maravilhoso. House a mataria se continuasse a agarrá-la dessa forma, ela iria enlouquecer. Ele tinha um beijo maravilhoso.

- Bom dia – ele disse sem parar de beijá-la.

- Bom dia! – eles se afastaram e ela manteve os braços em volta do pescoço dele, enquanto as mãos dele a mantinham presa pela cintura. Eles estavam agradecidos pela vaga dela ser bem escondida.

- Que bom dia mais gostoso – ela disse manhosa, mesmo se sentindo uma idiota. Afinal eles não tinham nada desse nível, ainda.

House deu um sorriso de lado e voltou a beijá-la, parou e disse ao pé do ouvido:

- Esse é só o primeiro, de muitos – eles se olharam profundamente, sorriram, e voltaram a se beijar.

23 minutos e muito beijos depois, eles se afastaram.

- Temos que entrar – Ela deu mais um selinho nele – eu tenho uma reunião daqui a pouco.

- Ok! Você pode entrar – ele saiu da frente dela e ela começou a andar, mas percebeu que ele continuou parado.

- House? – Ela o chamou – Vamos!

- Você está atrasada, eu estou adiantadíssimo, alias... – ele caminhou rapidamente até ela – me dê as chaves do seu carro.

- Como?

- Chaves!

- Por que?

- Pra eu descansar mais um pouco minha beleza, antes de ir pro hospital – ele disse despreocupado.

- Não!

- Vamos, mulher! Me dê – ele viu que ela ia se virando, e a puxou, colou suas bocas num beijo avassalador.

Minutos depois ela entregou as chaves e foi para o hospital. Estava perdida. Ele sempre ganharia tudo se a beijasse daquele jeito.

A primeira parte da manhã passou sem surpresas. Todos se mantiveram ocupados, Alice fez suas horas na clínica e ainda adiantou as que tinham que ser cumpridas na parte da tarde, para ficar livre. Cuddy teve duas reuniões, 5 contratos de valores altíssimos para analisar e mais um pilha de papeis para ler, fez tudo com maestria e rapidamente.

Eram 11h00 da manhã, quando House resolveu dar o ar da graça no Hospital. Estava sem caso essa semana, Cuddy o obrigou a ficar na clínica, então ele concluiu que o melhor lugar para estar e que era perto da clínica, mais precisamente dentro dela, era o escritório de sua amada. E foi pra lá que ele se direcionou.

- Bom dia! – ele repetiu, mas sem a atacar com mais um daqueles beijos entorpecentes.

- Quase boa tarde, não é, House?! – ela advertiu.

- Ah, como se eu estivesse muito fora do meu horário – ele mangou.

Mancou em direção à mesa dela, deu a volta e a puxou pela mão, ignorando o fato de que ela estava rabiscando uns papeis em branco, sinal de que hoje ela estava livre.

- Você está livre, que eu vi e eu também estou, então...

- Você tem horas na clínica pra cumprir!

- Por isso que eu também tenho empregados que fazem isso por mim.

Eles estavam sentados no sofá do escritório dela, conversavam sobre ser certo ou não, ele colocar os outros para cumprirem o trabalho dele, e sem perceberem, entre broncas e risadas, ela já estava sem saltos, com as pernas jogadas sobre as dele, enquanto ele fazia um carinho quase que imperceptível.

- Já tem uma resposta para o meu convite? – ele perguntou.

- Tenho, mas pra isso, você precisa me responder outra coisa...

- Mande!

- O que é isso?

- Isso o que?

- O que somos nós? – ela disse um pouco mais alto enquanto se sentava de frente pra ele – Por anos, nunca fomos nada, você nunca deu nem sinal de que sequer se lembrava do que passamos juntos, sempre foi frio, me machucou gratuitamente várias e várias vezes, os elogios eram sempre de cunho sexual. De repente, você sofre aquela alucinação, fica fora 3 meses, volta mudado, se declara, mas me esquece novamente, e um mês depois, você se declara de novo, me lembra do nosso passado, faz eu me apaixonar por você de novo, e... – a voz dela estava completamente embargada nesse momento, como que um raio, o medo e pânico invadiram o peito dela, o medo de ser enganada novamente, de se entregar novamente, de lembrar do que eles perderam, o que ela perdeu. Estava doendo novamente. – Eu só preciso saber o que é isso?

- Isso, o que nós estamos vivendo? – ela continuou olhando fixamente para ele – Eu vou te mostrar.

House virou o corpo totalmente para ela, aproximou seus rostos. O ar parecia que tinha sumido do local. Enrolou os dedos atrás da nuca dela, puxando levemente os cabelos de ébano dela.

- Isso, sou eu te beijando – e assim ele roçou os lábios nos dela, iniciando um beijo calmo, mas que ele se encerrou logo – Isso, sou eu mostrando que te amo – ele beijou o caminho em que as lágrimas percorriam – Isso, sou eu te prometendo, que mesmo sabendo que vamos passar por dificuldades, eu nunca mais vou te abandonar, por circunstância nenhuma, nunca. – eles se encaravam fortemente – Isso, Lisa. Isso é amor! O nosso amor.

Eles se beijaram apaixonadamente agora, sem pudores. E achando que o romantismo de House tinha acabado. Estava enganada.

- Aceita ser minha novamente? – ela ainda não tinha raciocinado direito.

- Aceita ser minha mulher, namorada, amiga colorida, que seja... Aceita voltar pra mim, Lisa? – ele implorava com os olhos, era até fofo de se ver.

- Claro que sim! – ela pulou no pescoço dele, sorrindo e distribuindo beijos pelo rosto do médico. Ela, no fundo, sempre seria a jovem moça, engraçada e destemida que ele conheceu na faculdade.

- E o meu primeiro convite?

- Qual?

- Você quer sair comigo?

- Você ainda pergunta? A partir de hoje, você tem direito a todos os meus horários livres! – ela riu e lhe deu um pequeno beijo, estavam novamente sentados como antes, as pernas dela em cima das dele, e ele lhe fazendo carinho.

- Eu tenho medo – ela confessou depois de um momento de silêncio.

- Confie em mim, eu sempre estive preso a você! E eu posso provar.

Ela o olhou de maneira curiosa e observou enquanto ele pegava a carteira do bolso

- Eu vou te mostrar algo que eu nunca, nunca, entendeu bem? Jamais, mostrei pra ninguém.

Ele abriu um compartimento escondido da carteira e a virou sobre a palma da mão deixando aquela delicado objeto cair em sua mão. Sim, uma linda corrente com um pingente e o nome dela escrito. Ela também tinha guardado todos esses anos.

- Greg... – ela estava extasiada – é...?

- Sim, eu nunca me esqueci de você. Mesmo tendo casado com a Stacy, eu sempre me perdia olhando pra esse colar e imaginando o quão idiota eu fui, quando decidi partir.

Ela levantou o pulso o mostrou que ainda estava com a pulseira que tinha colocado o pingente de pena. Ambos, nunca esqueceram.

- Essa é nossa aliança – ele a beijou castamente – não existe laço maior.

Eles ficaram naquele sofá por mais de uma hora, apenas se acostumando com a nova situação. Conversaram bastante, mas também se perderam naquele silêncio confortável que havia entre eles. Parecia, que dessa vez, tudo de fato, tinha se arranjado.

- Agora me conte. O que a Levets está fazendo na sua casa?

- Ela está morando comigo por um tempo – disse fingindo naturalidade, sabia que ele iria reclamar.

- Morando? – ele arregalou os olhos – Como assim você me conta uma coisa dessas com essa naturalidade. Como eu fico nessa história toda? Como eu vou te levar pra cama com aquela garota respondona no quarto ao lado?

- Pare de ser idiota, House! – ela sorriu enquanto dava um tapa no ombro dele – Alice está passando por um momento muito complicado e foi apenas uma jogada inesperada do destino nós acabarmos virando "amigas" – ela parou um pouco e pensou – não sei amigas seria a palavra certa, nós criamos um laço sabe, acho que pelo fato de termos servido de apoio uma para a outra. Ela me ajudou, mesmo que involuntariamente, a esquecer um pouco o que eu estava sentindo por você – ele fez um careta ouvindo aquilo – e eu a ajudei a fugir daquela Josh... – teve nojo quando disse aquele nome, só de imaginar o que ele já tinha feito à pobre jovem.

- Aquele cara que estava no estacionamento aquele dia? – ele estava começando a entender tudo.

- Sim. Ele a agrediu, várias vezes – contou com pesar – Aquela vez no estacionamento, nós conseguimos o impedir, mas ele já fez coisas horríveis à ela, Greg.

- Se eu vejo aquele filho de uma puta na minha frente, eu mato! Nenhum homem tem o direito de sequer levantar a mão pra uma mulher. Todos esses covardes merecem morrer! – ele tinha sangue nos olhos, parecia que não falava só de Josh. Cuddy ficou preocupada.

- Está tudo bem agora. Ela está comigo. – disse enquanto acariciava o rosto do amado.

- Você fez certo! Mesmo que isso acabe com os meus planos de acabar com você todas as noites, você está certa em cuidar dela – ele lhe deu um beijo na testa e se levantou.

- Vamos, você irá almoçar comigo! – Ela levantou e o envolveu pelo pescoço, parecia um casal adolescente prestes a se beijar, mas eles foram interrompidos por uma bela jovem que entrou sem bater.

Alice já se sentia íntima o suficiente para entrar sem bater, ela também não era adepta dessas formalidades. Mas quando entrou ficou boquiaberta com a cena. O romance que ela tinha criado na cabeça durante a noite anterior, cujo as personagens principais eram interpretados por seus chefes - sim, Alice era bem infantil as vezes, mas quem não era? – não chegavam nem aos pés da história real, de carne e osso, e lágrimas e risos. Aquilo sim era mágico.

A verdade é que quando criança, Alice sempre sonhou que tinha sido concebida de uma relação de puro amor, somente isso. Sempre sonhou em um dia iria saber a história de amor de seus pais. Quando começou a entender mais a vida, se transformou numa adolescente mais cética, mesmo tendo seus momentos românticos, quando o assunto era algum menino do colégio, ela logo tratava de esquecer, pois o amor que ela sonhou ser possível de trazer seus pais de volta, não existia.

Mas agora, olhando aquela cena, depois de saber que aquele amor resistiu há anos, ela voltou a acreditar. A cena seria mais bonita, se tantas verdades não estivessem escondidas nessas armadilhas montadas pelo destino. E menos engraçada se House não tivesse logo se exaltado de maneira engraçada, fazendo Alice e Cuddy gargalharem.

- Ah, não! Esse estorvo já começou a empacar minha vida. Nem começamos e eu já tenho que aguentar ela na sua casa, vou ter que aguentar aqui também? Assim não dá!

As duas demoraram a parar de rir, foi ridícula a ceninha que ele fez!

- House, cala a boca!

- Ai, chefinho. Não fica com ciúmes não, a Lisa é sua a mais tempo do que é minha – dizendo isso, Alice sentou-se no sofá e colocou os pés na mesa.

- Você está demitida! – ele disse.

- Não estou não!

- Está!

- Ninguém será demitido! – Cuddy interrompeu a briga que se iniciava – House, vá fazer o seu trabalho! Tchau!

- Mas e o nosso almoço?

- O almoço é comigo – Alice mangou, rindo dele.

Antes que House começasse outra discussão, Cuddy tratou logo de expulsá-lo de seu escritório. Ele foi, mas antes fez questão de roubar outro beijo, o que fez Alice gritar parecendo uma líder de torcida, incentivando a atitude do médico.

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- Você e o House parecem duas crianças – Lisa disse enquanto elas atravessavam as portas do shopping – Chase já me disse que isso é a toda hora, vocês não param nem na frente do paciente.

- Não brigamos não, apenas discutimos nossos pontos de vista – ela justificou – que sempre são bem parecidos, mas com métodos diferentes. Mas não importa, ele é o chefe, sempre tem a ultima palavra.

- Mas foi você que solucionou os dois últimos casos...

- E eu vou jogar isso na cara dele pra sempre, pode apostar – mangou.

- Vocês se merecem – riu – Bom, vamos almoçar e logo depois vamos ao salão de um amigo meu, que fica no ultimo andar.

- Vamos ao Chillo's?

- Sim! Você conhece?

- Conhecer eu conheço, mas... – Alice ficou sem graça – Lisa, eu não tenho dinheiro nem pra fazer a unha naquele lugar.

- Fiquetranquila, Louis é um amigo de longa data, não cobrará nada – sorriu tranquilizando-a – Precisamos de uma repaginada!

Almoçaram em um restaurante de frutos do mar, pediram o mesmo prato e tiveram uma refeição muito agradável. Saíram da praça de alimentação e se dirigiram aos elevadores, quando entraram em um deles, que por acaso era revestido de espelhos, pararam.

Elas se encaravam pelo espelho, gostaram do que viam, elas combinavam. Era estranho, lógico. Duas mulheres, ficarem reparando que combinam uma com a outra, mas pra elas era normal.

- Lisa! Querida, quando tempo. – o salão parou só pra prestar atenção da bixa louca (sem ofensa) que gritava indo em direção à uma amiga.

- Louis, como sempre muito discreto – Riram junto enquanto se cumprimentavam – Essa é a Alice, uma amiga.

Louis analisou as duas e comentou de forma agradável.

- Meu Deus, a semelhança de vocês até assusta! Se eu não te conhecesse falaria facilmente que ela é sua filha, Lisa!

Aquilo provocou em Cuddy um sentimento que nem ela sabia descrever o que era, um misto de nostalgia, arrependimento, felicidade, tristeza. Mas ela sabia que Alice só se parecia mesmo, era impossível aquela garota, que agora morava em sua casa, ser aquele bebê que roubaram de seus braços.