Capítulo 2

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Draco acordou com o som insistente do celular.

- Alô...

- Oi meu querido... me conta tudo!

- Allana, pelo amor de Deus!

"São 7:30 da manhã! Essa pessoa não dorme?!"

- Não me culpe! Fiquei sabendo que você saiu acompanhado! Como ele é?

- Hã?! Eu não vou contar nada pessoal para você, esta louca? – respondeu já sentando na cama, sabia que seria impossível voltar a dormir.

- Ou me conta... ou vou bater na sua porta agora!

- Você não está falando sério?! – Perguntou tentando ver pela janela se tinha algum carro estacionado na frente da sua casa.

- Você nunca saberá! E aí... vai arriscar?

- ... "Eu tenho uma amiga maluca" – por mais que tentasse, as árvores impediam uma visão clara da rua, a maluca poderia realmente estar lá.

- Me conta pelo telefone.. ou me conta pessoalmente!

- Tá bom... senta que a história é longa...

Tentou não ficar muito irritado com o som das risadas que ouviu e contou tudo que tinha acontecido na noite anterior. Bom... quase tudo, na história ele tinha deixado o garoto em casa e voltado sozinho.

"Se souber que ele está aqui... em trinta segundos ela vai estar lá dentro do quarto!" – concluiu Draco sem sentir dor na consciência por omitir essa informação da amiga.

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Harry acordou sentindo-se muito, muito mal. A língua estava áspera, a boca com um gosto horrível, a cabeça parecia que ia explodir.

- Por Merlin... aonde é que eu estou?

Olhou ao redor e não reconheceu nada, percebeu que estava sem os sapatos, viu seu blazer arrumado em uma cadeira, sua camisa desabotoada, mas o coração deu um salto quando viu que estava com a calça aberta.

Fechou os olhos e se lembrou de Rafael, do quarto... do beijo... de ser empurrado várias vezes... os dois estavam quase indo para cama, mas sabia que não era isso que queria. E então Draco apareceu...

"DRACO?! O que foi que eu bebi ontem?"

Com um pouco de dificuldade, pois ainda estava tonto, foi ao banheiro, onde encontrou uma escova de dente na embalagem junto com uma pasta de dentes. Realmente, ele precisava disso.

Tomou uma ducha fria, precisava colocar os pensamentos em ordem, será que estava na casa do advogado? Como podia não se lembrar direito do que tinha acontecido há poucas horas?

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Eram pouco mais de 10 horas quando Draco ouviu som vindo do quarto ao lado, sinal que seu hóspede havia acordado. Foi até a cozinha, começou a preparar um café e resolveu esperar até que ele descesse. Fato que não demorou a acontecer.

Encostado em um balcão, ainda na cozinha, viu o garoto andando vindo em sua direção. Sentiu a pulsação aumentar, sem saber direito o motivo. Para afastar a sensação estranha, virou e começar a pegar algumas xícaras no armário.

- Er... Bom dia? – disse Harry logo que chegou à cozinha e viu um homem de costas mexendo em um armário.

- Bom dia... – Respondeu Draco ao ver o jovem a sua frente. – Meu nome é Draco e... bem, trouxe você para casa ontem porque não consegui descobrir aonde você morava.

"Draco? Mas... como?!"

Harry não acreditava no que estava vendo, na sua frente estava o loiro, motivo de insônia dos últimos meses!

- Draco?!

- É, este é o meu nome – respondeu sorrindo – mas ainda não sei o seu...

Harry não conseguia acreditar no que via. "Como, em nome de Merlin isso pode estar acontecendo?"

- Meu... meu nome é Harry.

- Então, muito prazer Harry, aceita um café?

Tentando agir com mais naturalidade, aceitou o café e indignado, descobriu que havia sido drogado. Ele, um auror treinado, tinha caído em um truque trouxa.

"Francamente, quando Ronny souber disso, vai me azarar pela eternidade."

- Bom... foi isso. Então se me disser onde mora posso te levar.

-Não!

Draco estranhou a resposta que recebeu.

"Ei! Eu sou o mocinho dessa história lembra? Salvei este lindo traseiro daquele maluco depravado!"

Harry precisou segurar no balcão com força quando sua mente foi invadida com o pensamento muito indignado de Draco em um volume muito, muito alto.

Vendo que o jovem havia ficado momentaneamente pálido, Draco se questionou se ele estava bem mesmo, ou ainda sofria alguns dos efeitos da droga.

- Não... eu... – tentou ganhar mais tempo - eu não moro aqui, só vim para a festa do Luccas.

Harry respirava fundo sem conseguir entender como os pensamentos de Draco invadiram sua mente.

- Hummm... então você está em um hotel?

O outro fez um sinal de forma positiva como resposta. Não disse mais nada, apenas abaixou a cabeça na mesa. Harry sentia ser invadido por um turbilhão de sentimentos, não estava preparado para ver Draco assim, muito menos estava preparado para conversar com ele depois de tudo que os dois compartilharam.

Ao ver o jovem demonstrando tanto mal estar, Draco até entendeu o sentimento de proteção que brotava em seu ser, afinal ele era médico e... e não queria deixar Harry sair... não naquele momento...

- Venha, vou te dar uns analgésicos. Você ainda precisa descansar, eu não sei que tipo de droga foi usada então, descanse mais um pouco.

Ao ouvir a voz de Draco, Harry não conseguiu resistir, apenas obedeceu tudo o que o médico falava. Voltou ao quarto, trocou suas roupas por um pijama, tomou os comprimidos e deitou. Dormiu em poucos minutos.

Draco ainda ficou alguns minutos no quarto, tinha sido estranho observar o rapaz fazer tudo que ele havia dito sem questionar nada. E agora estava ali, dormindo profundamente.

Foi para o próprio quarto, estava cansado, como força do hábito, levou a mão direita no pescoço, massageando-o para afastar a tensão do dia, sem perceber... tocando uma marca azul , em forma de gota, quase que totalmente escondida por seus cabelos platinados.

Nesse exato instante, Harry se agita na cama, soltando um gemido. Dormindo, puxa o cobertor e fica encolhido, sentiu frio... em seus sonhos... sentiu-se sozinho.

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Horas mais tarde, foi muito difícil despedir-se do médico, afirmando que poderia ir de táxi, mas conseguiu graças a uma ligação que o loiro recebeu, havia acontecido algum tipo de acidente, uma pessoa estava seriamente ferida e precisavam de um cirurgião plástico com urgência.

- Está tudo bem Draco, você já me ajudou.

- Er... realmente... não poderei levá-lo Harry, me desculpe.

- Ok então... até qualquer dia. – disse quando viu o táxi chegar à porta da casa.

- Muito bem, adeus Harry...- Draco ofereceu a mão e completou com um sorriso – Eu não vou esquecer você.

Harry ficou paralisado ao ouvir a frase, viu o médico manobrar o carro e se afastar.

"Eu não esquecer você" - ele começou a se sentir sufocado.

"Eu não esquecer você" - a frase se repetia em sua mente.

"Eu não esquecer você" - voltou no exato momento em que lançava o feitiço em Draco.

"Eu não esquecer você" – fechou os olhos e viu Draco segurando seu rosto.

"Eu não esquecer você" – cai no chão e percebe que esta chorando.

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Harry não soube ao certo como conseguiu forças para se levantar, dispensar o taxista e aparatar de volta para casa. Parecia que não conseguia coordenar os pensamentos. Estava tudo confuso.

"Foi tudo coincidência... claro, não há como Draco se lembrar de qualquer coisa... isso seria impossível, não seria?!"

Ele precisava conversar com alguém, algo não estava certo. E neste mundo, só havia uma pessoa em quem poderia confiar: Hermione!

Procurou à amiga, agora uma medibruxa reconhecida e contou o que havia acontecido.

- Como assim o pensamento dele invadiu a sua mente Harry? Isso é impossível! Nenhum trouxa pode fazer isso!

- Eu sei Herms... Mas aconteceu e foi real!

A jovem observava o amigo andando de um lado para outro, demonstrando toda confusão que sentia.

- E depois... depois ele começou a falar e eu obedeci! OBEDECI! Acho que se ele tivesse me mandado dançar rumba eu dançaria!

- Calma Harry... – não pode deixar de sorrir ao imaginar a cena - não é assim... você estava drogado... é normal essa confusão.

- Eu não sei... – sentou colocando as mãos na cabeça. – ele se despediu com a mesma frase...

- Como assim: mesma frase?

- Quando eu lancei o feitiço para deixá-lo desacordado... foi isso que ele disse.

- Harry, isso é impossível! Esse feitiço, ele... – Hermione ficou tão nervosa com a informação que buscava uma palavra certa – ele... apaga, desliga a pessoa no mesmo instante!

Nesse instante Harry ergue a cabeça e olha seriamente para a amiga.

- Hermione... demorou mais de um minuto para ele ficar desacordado!

Mas não houve tempo para que a amiga dissesse qualquer coisa, neste instante Harry sentiu uma dor no peito muito forte e caiu de joelhos no chão...

- Harry! Pelo amor de Merlin... o que está acontecendo?

Sentindo uma imensa tristeza, e a sensação de sufocamento, como se as paredes de sua casa estivessem se movendo, disse com os olhos cheios de lágrimas:

- Ela morreu... Allana morreu!

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Kkkkkkk!

Boa hora para encerrar um capítulo heim?

Quem gostou? (hummmm... barulho de grilo em noite de luar...)

Ninguém gostou? Tá bom ;( ... escrevo mais da próxima vez!

BJS

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