Nota da (caríssima) autora: eeeeish, estão as férias a acabar e esta história a começar! Bom... quero continuar a agradecer às almas generosas que têm acompanhado o camarada Aarne ao longo destas fics. Quero também agradecer ao Mestre Tolkien por me deixar servir-me à vontade das personagens fantásticas que criou.

E sem mais delongas, a história.


Enquanto Legolas esteve em Imladris, Aarne não se voltou a preocupar com Glorfindel. Quem quer ter uma dor de cabeça em tempo de festa? Ninguém...

Legolas chegou a perguntar-lhe, certa vez, pelo tal Glor de que Aarne tanto falava nas cartas. O elfo de olhos verdes disse que Glor tinha partido e não sabia quando voltava. Não era de todo mentira, e o elfo sardento não queria fazer figura de parvo em frente ao amigo.

Do meio do arvoredo triste de Inverno, no outro lado do vale, Glorfindel observava. Isolara-se ali com o cavalo antes de Legolas chegar, e só dali sairia quando o príncipe de Mirwkood voltasse para o seu reinozinho obscuro. Certo dia, Glorfindel reparou que observar Aarne e Legolas tinha-se tornado uma obsessão, e de igual modo deu conta de que essa obsessão despertava nele uma estranha mistura de inveja, nostalgia, mágoa e, recentemente, um rancor sem motivo aparente em relação a Legolas.

Tentou sair de Imladris e deixar os dois jovens elfos em paz, mas não conseguiu. Amaldiçoou-se pela sua fraqueza e por se ter deixado ligar a Aarne de maneira tão crua e bruta.

Rezou aos seres superiores para que conseguisse superar aquele desafio.


Com o fim do Inverno, Legolas e Thranduil regressaram a Mirkwood. Só já faltavam 9 anos e Aarne regressaria também, vitorioso e competente.

Naquele dia, o elfo de olhos verdes e o elfo de olhos azuis estavam bastante pesarosos. E para troçar deles, o Sol brilhava, forte, num céu límpido manchado ocasionalmente por belas aves que saíam dos ninhos para esticar as asas de penas coloridas.

Legolas e Aarne abraçaram-se fortemente, depois o elfo sardento afastou-se para dar lugar aos filhos de Elrond e ao lord elfo. Thranduil deu-lhe um vigoroso aperto de mão, até franzir o cenho e olhar em redor:

-Onde está Glorfindel? - perguntou subitamente. Até lhe daria jeito se o piedoso elfo de Gondolin quisesse ensinar alguma coisa útil a Aarne. Legolas compartilhou da interrogação do pai. Aarne e Elrond entreolharam-se, discretamente, e o elfo moreno ofereceu-lhes um belo sorriso:

-Anda por aí, à caça. Adora caçar. - respondeu. Os elfos de Mirwkood encolheram os ombros e montaram.

Mais uma vez, Aarne ficou a ver Legolas ser levado pelo galope rápido do cavalo. E com Legolas partiu a sua felicidade. Pareceu-lhe, de repente, que o Sol ficara frio e que a brisa suave se tornara num uivo cortante. Cruzou os braços e foi fazer o que costumara fazer antes de ter a companhia de Glorfindel; ler.

Pois... Glorfindel...

Aarne sentou-se num cadeirão com um grande livro aberto no colo, mas as letras das palavras reordenavam-se e o nome 'Glorfindel' dançava-lhe constantemente à frente dos olhos. Farto da falta de respeito demonstrada pelo livro, Aarne fechou-o e cruzou a perna, desviando os olhos verdes lá para fora.

Lá fora. Aquele maldito elfo vadiava algures lá fora.

Bom, o que é que isso interessava? Nada! Nada! Nada! O elfo sardento agitou o cabelo loiro com manchas de cobre e tornou a abrir o livro, fazendo um esforço hercúleo para se concentrar.


Só no dia seguinte à partida dos reais elfos de Mirkwood é que Glorfindel atravessou a ponte para o outro lado de Imladris. Passava da hora de almoço e tinha fome. E deu logo de caras com quem menos se queria cruzar; Elrond.

O lord elfo observou enquanto o elfo de Gondolin desmontava do cavalo e o levava para dentro da cavalariça. Seguiu-o, de braços cruzados, e apoiou-se na porta aberta da boxe do cavalo de Glorfindel:

-E então, o que vais fazer agora? - perguntou. Obteve como resposta um grunhido e um encolher de ombros - Isso não é resposta...

-Agradecia que me deixasses com os meus pensamentos... - suspirou o outro elfo. Elrond olhou para a montada do outro elfo:

-Ouviste Asfaloth? Deixa-o com os pensamentos dele. Glorfindel, não sejas parvo... sabes que quanto mais tempo deixares passar...

-O tempo cura tudo. - ripostou Glorfindel bruscamente, enquanto desaparelhava o cavalo. Sentia os olhos castanhos de Elrond queimarem-lhe as costas:

-O tempo não cura nada, anestesia.

-Como queiras... - Glorfindel pegou nos arreios e foi arrumá-los. Elrond fechou a porta da boxe e seguiu-o, como se da sombra do elfo de Gondolin se tratasse:

-Ele está no quarto, a ler. Aquele elfo preocupa-me, sempre a ler. Fiquei bastante aliviado quando vi que andavam por aí os dois. - prosseguiu. Glorfindel olhou-o por cima do olho, novamente irritado:

-Eu logo volto lá, mas deixa-me em paz! Tenho fome, tenho sono, deixa-me em paz!

Elrond estacou e ficou a ver Glorfindel afastar-se. Sorriu, triste; um guerreiro como Glorfindel aguentava perfeitamente a fome e o sono sem fazer birras... porém, um elfo como Glorfindel lidava muito mal com a solidão.


Pequenino, eu sei. O próximo será maior!

Review?