Olá pessoas, obrigada pelos comentários, não esperei que a fic fosse ser tão bem recebida. Espero que gostem!

Malfoy Manor era muito maior e mais imponente do que Remus tinha imaginado. Ele viu o primeiro vislumbre da mansão quando espiou pela janela da carruagem que o levava para a sua nova casa. Harry estava adormecido em seu colo, tinha estado assim desde que o tinha ido buscar no orfanato trouxa para onde foi levado depois da entrada da polícia na casa de seus tios. O pequeno tinha caído no sono depois de horas chorando e tremendo no colo das assistentes sociais, que não conseguiam acalmá-lo. Remus tinha optado por lançar um desmaius fraco na criança, para que pudessem viajar mais tranquilos, e se surpreendeu quando foi Lucius Malfoy quem disse que deviam ir de carruagem em vez de usar o flú ou uma chave de portal. A magia poderia fazer mal ao pequeno e desnutrido Harry. Quando desceu da carruagem, percebeu que a noite já ia alta e refletiu que era uma péssima hora para chegar na casa de alguém, mas ele não tinha muita escolha, de modo que se aproximou das pesadas portas, que se abriram num estalido seco para ele.

- Oh, você deve ser nosso novo convidado. – Uma voz profunda e rouca o fez olhar para o salão enorme da mansão.

Abraxas Malfoy era um homem impressionante. O patriarca tinha cabelos louros curtos, sua pele era bronzeada, o que fez Remus pensar que devia praticar esportes ao ar livre, o que explicaria sua compleição robusta e saúdavel. Não usava barba e envergava uma túnica negra formal.

- Sim, meu nome é Remus Lupin, obrigado por me receber na sua casa senhor. – Remus disse educadamente, não precisava perguntar para saber quem ele era.

O patriarca fez um gesto dispensando as formalidades.

- Meu filho sabe o que faz, pelo menos gosto de pensar que sim. – O mais velho disse, sério, mas educado. – Venha comigo, não tivemos tempo para arrumar um novo quarto para o pequeno Potter, então ele vai passar a noite com meu neto.

- Eu pensei que ele fosse ficar comigo. – Remus disse enquanto subia as enormes escadarias atrás do homem.

- Poderia, mas acho que meu neto se animou com a ideia de um amiguinho para brincar. Lucius mal pôde colocá-lo na cama. Além disso, acho que ele se assustaria menos com outro bebê a seu lado, não acha?

- Sim, é só um pouco difícil deixá-lo ir.

- Ah, claro. Você é um lobisomem. – Abraxas disse, sem o tom acusatório ou de nojo que Remus esperava.

Eles pararam diante de uma porta escura, o patriarca Malfoy sorria ao abrir a porta e entrar no berçário de Draco. Remus fez seu melhor esforço para não ficar de boca aberta. Só aquele quarto era maior do que a casa inteira de muitos magos que conhecia. As paredes eram brancas e havia pinturas de animais encantados, que dormiam por agora, mas que ele sabia que pulavam e brincavam durante o dia. Lucius Malfoy estava sentado ao lado do berço de seu filho, numa cadeira de balanço elegante. O loiro analisava um pergaminho com cara azeda.

- Ele dormiu há muito tempo? – Abraxas perguntou.

- Não muito, por isso pode tirar essa ideia de pegá-lo da cabeça. – Lucius ralhou com o pai.

Abraxas olhou para o filho com o semblante sério.

- Eu não faria uma coisa dessas. – Disse, com cara de ofendido.

- Quem não te conhece, que te compre. – Lucius disse, depois olhou para Remus. – Separei um pijama do Draco para colocar no Potter hoje, pode…

- Harry… ele é muito pequeno para ficar sendo chamado de Potter, não acha? – Remus interrompeu-o.

Lucius fez uma careta, e continuou:

- … dar um banho e trocá-lo.

Remus corou profundamente.

- Ah, eu… é…

- O que foi? – Lucius perguntou.

- Posso usar feitiços pra isso? Eu e Sirius só íamos brincar com Harry, quando tentei trocá-lo Lily começou a resmungar sobre homens incompetentes e fiquei mais atrapalhado ainda.

Abraxas manteve seu semblante impassível, mas quem o conhecia bem como seu filho sabia que, por dentro o velho estava rindo.

- Eu vou fazer isso hoje Lupin, mas não fique imaginado que vou ser seu novo elfo doméstico. – Lucius resmungou, levantando-se.

Antes que Remus pudesse retrucar, Lucius pegou Harry de seus braços e o levou até o trocador. Com um passe de varinha a banheira se encheu de água morna e o loiro desvestiu o menino com cuidado. Harry se moveu e gemeu quando foi colocado na água, mas continuou dormindo enquanto Lucius ensaboava-o suavemente. Remus percebeu a tensão no corpo do loiro quando ele viu quantas cicatrizes e hematomas o menino tinha.

- Estou cogitando fazer uma visita aos tios trouxas do menino. – Ele resmungou.

- Fenrir vai fazer isso por mim. – Remus disse, surpreendendo aos dois loiros.

Quando os dois pares de olhos cinzentos se cravaram nele, o lobisomem deu de ombros.

- Ninguém trata meu filhote assim e fica por isso mesmo. – Remus disse, seus olhos dourados inflamados pelo protecionismo do lobo.

Abraxas assentiu, e Lucius tirou Harry da água, o que fez o menino abrir os olhos preguiçosamente. O adulto ficou olhando para o pequeno, que deu um sorriso e voltou a fechar os olhos. Lucius terminou de arrumar Harry para dormir, num pijama verde.

- Merlin, James deve estar se remoendo no túmulo, ele nunca colocaria um pijama verde slytherin no filho. – Remus disse, brincando.

- Combina com os olhos dele. – Lucius disse, colocando Harry no berço ao lado de Draco.

O loirinho sentiu um corpo a seu lado, se virou no berço e abraçou o outro bebê.

- Draco vai achar que você comprou um ursinho que fala. – Abraxas disse.

Lucius sorriu, seu filho era um menino ativo e esperto, iria se dar conta de que o moreno era o amiguinho de quem tinham falado.

- Trabalho feito sr. Lupin, podemos descansar agora. Eu pessoalmente preciso do meu sono reparador, foi exaustivo lidar com Dumbledore e esse processo o dia todo. – Lucius disse, parecendo realmente tenso e cansado.

- Certo, me desculpe por isso. – Remus disse.

Abraxas notou a satisfação do filho ao ter o lobisomem tão grato e servil, o patriarca sorriu de lado, se perguntando se Lucius demoraria muito para instalar o lobo no quarto da concubina, que ficava ligado ao dele.

X~X~X

Draco acordou sentindo cácegas em seu nariz, quando abriu os olhinhos viu que tinha uma mata de cabelos pretos perto da sua cabeça. Confuso, o loirinho se sentou e esfregou os olhos, tinha um menino em seu berço que ele não conhecia, logo, se lembrou do pai contando do amiguinho que ele teria para brincar. Decidiu que queria brincar agora e resolveu acordar o menino, faria como quando queria acordar seu pai, se inclinou e deu um beijo na bochecha do menino. O moreninho de mexeu, mas não acordou, o que fez Draco olhar feio para o menino e sacudi-lo.

- Acoda! – Exigiu.

Harry abriu os olhos e olhou assustado para o loirinho ajoelhado perto dele.

- Pequeno sr. Malfoy, isso não é maneira de acordar um convidado. – Remus disse, suavemente.

Draco girou a cabeça na direção da voz e viu o homem de cabelos castanhos. Seu pai disse que ele teria um professor especial e imaginou que seria ele, fez um beicinho pela reprimenda.

- Ele não queria acoda. – Se justificou, estendendo os braços para ser retirado do berço.

Remus sentiu-se surpreso, não esperava um menino caloroso e simpático, mas sim uma miniatura malcriada de Lucius Malfoy. Pegou o menino e apoiou-o na cintura, os cabelinhos loiros estavam desalinhados e os olhinhos vermelhos.

- Bom-dia Draco. Meu nome é Remus Lupin, sou seu novo preceptor.

- É um prazer conhecê-lo, senhor Lupin. – Draco disse se empertigando e tentando imitar a pose séria e aristocrática do pai.

- Pode me chamar de Remus, pode ir sozinho ao banheiro? – Remus perguntou, ao colocá-lo no chão.

Draco deu um sorriso orgulhoso e sacudiu a cabeça afirmativamente.

- Sou um menino grande agora. – O loirinho se virou para o berço e sorriu para Harry. – Eu vou primeiro, e depois podemos brincar!

Harry continuava olhando a cena com receio nos olhos. Ele tinha visto sua tia brincar e mimar seu primo como o homem fazia com o menino loiro, mas sempre que tentou se unir as brincadeiras ou ganhar carinhos, ela o beliscava ou estapeava.

Remus se aproximou cautelosamente do berço, se inclinou para pegar Harry no colo, mas o menino se encolheu numa posição de defesa que partiu o coração de Remus.

- Não vou te machucar Harry, só quero te abraçar um pouquinho. Posso?

O menino olhou desconfiado para o homem, mas ele parecia agradável e não estava gritando, então, não fugiu de novo quando as mãos o tocaram. Remus tirou Harry do berço e beijou a bochecha do menino.

- Bom-dia para você também. Eu sou Remus, você não deve se lembrar de mim, mas eu sou seu padrinho. Olha aqui essa foto, somos nós. – Remus disse, mostrando uma foto mágica onde ele segurava o Harry de alguns meses enquanto a forma animaga de Sirius pulava em volta deles.

- Padfoot? – Harry disse depois de olhar a foto, ele tinha algumas lembranças.

- Sim! – Remus disse animado. – Esse cachorro é o Padfoot e eu sou Moony, você se lembra?

- Moony? – Harry recitou, e deu um pequeno sorriso quando Remus assentiu. – E eu… Coisa? Fenômeno?

Remus olhou horrorizado para Harry, os tios só deveriam tê-lo chamado assim, de forma que o pequeno não se lembrava do seu nome.

- Você é Harry, meu lindo e adorado Harry. – Remus disse, beijando-o.

- Ha-rry? – O moreninho disse, tentando dizer certo.

- E eu sou Dra-co! – O loirinho disse, pausadamente, saindo do banheiro.

- Daco? – Harry repetiu, concentrado.

- Sim! Vamos brincar? – O loiro pediu, ele quase nunca tinha amiguinhos para brincar.

- Depois que comerem, tudo bem? – Remus disse, levando Harry para o banheiro.

- Vou pedir bolachas pro Dobby! – Draco disse alegremente.

Remus fez uma nota mental para verificar os hábitos alimentares de seu tutelado, mas peimeiro ajudou Harry com sua higiene matutina. Quando voltou para o quarto, quase caiu para trás ao ver Draco sentado no colo de Severus Snape, o menino tinha um beicinho revoltado e Remus desconfiava que era porque estava mordiscando uma torrada em vez de uma bolacha.

- Olha Padin, esse é o sr. Remus. – Draco disse apontando para ele. – E esse é Harry, ele é meu.

Severus franziu o cenho e olhou sério para seu afilhado.

- Ele é seu amiguinho.

- Isso também, mas papai trouxe ele pra mim, então é meu. – Draco disse, com sua lógica infantil.

Remus não sabia se ria ou se corrigia o pequeno Malfoy, mas achou que isso poderia ser para depois, olhou para Severus, que ficou tenso.

- Olá Severus.

- Lupin. – O homem de vestes negras disse, tenso. – Abraxas me pediu para dar uma olhada em Potter.

Remus ficou confuso, o que fez Severus revirar os olhos.

- Estou estudando medimagia como parte da minha formação como Mestre de Poções.

- Ah, claro. Eu agradeço muito.

- Não a mim, isso não me agrada nem um pouco. – Severus disse, azedo.

- Eu entendo que você me despreze, mas Harry já foi abusado o suficiente, se acha que não pode lidar com isso… só iremos a St. Mungo e tudo resolvido.

Severus sentiu-se diminuído. Ele sabia que tinha que lidar com um menino machucado e que tinha passado por tempos difícies, mas sua raiva por Lupin tinha eclipsado seus pensamentos.

- Eu fui um pouco brusco, mas não iria machucar uma criança. – Severus disse, com um tom solene.

Draco olhou de um homem para o outro.

- Padin, você está bigando com meu perce… perce… com o sr. Remus? – Draco perguntou, fazendo seu padrinho sorrir. O menino era muito protetor com o que considerava propriedade sua.

- Claro que não. Eu vou pegar o seu Harry emprestado, mas já devolvo, enquanto isso, mostre seus brinquedos ao sr. Remus.

Draco deu um sorriso e pulou para o chão, segurando a mão de Remus, que por sua vez segurava Harry de encontro ao quadril com apenas um braço. Severus se levantou da cadeira de balanço e estendeu os braços para Harry, o menino olhou para ele, corou e enfiou o rosto no pescoço de Remus. Severus revirou os olhos, mas se aproximou mais ainda e acariciou os cabelos de Harry.

- Venha comigo pequeno Harry, vou te mostrar um lugar cheio de coisas mágicas para brincar. Quer ver como faço bolhas que piscam?

Harry ouviu a proposta e sentiu-se curioso, ainda agarrado as roupas de Remus, levantou um pouco a cabeça para olhar Severus, que sentiu-se nostálgico ao ver aqueles olhos, eram os olhos de Lily.

- E posso fazer seu cabelo piscar também.

Isso pareceu convencer Harry, que relutante, largou as vestes de Remus.

- Moony vem? – O menino perguntou, inseguro.

- Não, eu vou ficar com Draco, mas Severus é amigo. Ele vai cuidar muito bem de você.

Severus viu como os olhos de Lupin ficaram amarelo metálico e soube que se Potter não voltasse bem e completamente feliz, ele poderia ter que lidar com um lobisomem enfurecido. Mantendo sua fachada fria, apesar de ter estremecido por dentro, o jovem aspirante a pocionista pegou o menino e saiu do quarto em direção a seu laboratório de poções.

- Agora jovem mestre, que tal terminar o seu café da manhã para podermos brincar? – Remus perguntou, fazendo Draco pular alegremente.

X~X~X

Severus cumpriu sua promessa e fez bolhas multicoloridas e piscantes flutuarem por seu laboratório enquanto examinava Harry. Isso fez com que o menino nem reparasse nos grunhidos indignados e palavrões que Severus soltou quando tirou o pijama do menino e viu os machucados, ou quando os feitiços diagnósticos mostraram a saúde deteriorada da criança. Quando terminou com os exames, voltou a colocar o pijama verde no menino e murmurou o feitiço que o deixou com os cabelos coloridos, pegou-o no colo e foi mostrar a brincadeira num espelho do corredor. Harry gargalhou e Severus sentiu o peito menos oprimido.

Os elfos da mansão não se assustaram quando viram o sério homem aparecer na cozinha. Severus nunca tinha se acostumado a ser totalmente atendido pelos elfos e eles tinham desistido de lutar contra isso quando Abraxas ameaçou com dar roupas para todos se irritassem seu pupilo. Harry por sua vez, olhou admirado para as criaturas e se encolheu quando Dobby começou a chiar e gritar sobre a presença do grande Harry Potter. Severus ordenou ao elfo que sumisse e ele obedeceu, sem vontade de ser azarado pelo homem.

Com alguns movimentos de varinha, Severus preparou uma mamadeira morna e adicionou um frasco inteiro de poção nutritiva. Ele precisava dar um jeito na anemia de Harry, e ainda teria que adicionar fortificantes para os ossos e recuperação de glóbulos brancos. Seu coração doeu quando o menino olhou com desejo para a mamadeira e lambeu os lábios, Severus duvidava que Petúnia tivesse se dado ao trabalho de alimentar o sobrinho corretamente.

- Aqui, é pra você. – Severus disse, oferecendo a mamadeira para o menino.

- Posso? E o Duds? – Severus imaginou que se referisse ao primo.

- Ele não está aqui, isso é para você. Não está com fome? Tem que comer para poder brincar com o Draco.

Harry não demorou em enfiar o bico na boca e sugar rapidamente, coisa que fez Severus murmurar para que ele engolisse com calma. As recordações de quando ele mesmo tinha que comer apressadamente para se esconder do pai trouxeram nós a seu estômago e ele fez força para não deixar suas recordações mais escuras virem à tona. Uma mão pesada e reconfortante caiu em seu ombro e ele se virou para ver Abraxas atrás dele.

- Como vai ele?

- Se não fosse um mago é provável que levasse anos para se recuperar. Está abaixo do peso, desnutrido e doente. Se fosse trouxa, nunca cresceria como os demais e teria uma saúde frágil por um longo tempo, mas vai ficar bem em alguns meses crescendo por aqui.

- Isso é bom. – Abraxas disse, ele gostaria de ter podido resgatar Severus quando ele era tão pequeno quanto Harry, mas não podia mudar o passado, e se limitou a bater com o indicador na ponta do nariz do menino, como fazia quando queria distrair Draco. – Termine de comer para poder brincar jovenzinho.

Harry sorriu sem tirar o bico da mamadeira da boca. Ele gostava daquela casa, as pessoas o abraçavam e ele estava comendo, esperava que não tivesse que voltar para o armário.

X~X~X

Remus passou o dia todo lidando com dois meninos ativos. Harry nunca tinha tido um amiguinho e depois de ser devolvido aos braços do lobisomem, tinha se juntado a Draco numa caça ao tesouro pelos jardins de Malfoy Manor. Os meninos passaram quase a manhã toda correndo e pulando, coisa que fez com que Remus desse um banho nos dois antes do almoço.

Lucius chegou ao quarto do filho e ouviu risadas altas vindas do banheiro, quando se aproximou pôde ver os dois meninos na banheira e um ensopado Remus Lupin ajoelhado no chão, rindo também, mesmo tendo sido alvo dos dois pestinhas.

- Malcriando os meninos, Lupin?

Remus se levantou com tanta rapidez ao ouvir a voz séria de Lucius que escorregou e só não caiu no chão porque o loiro o segurou.

- Eu sinto muito, não sou tão desastrado assim. – Afirmou, firmando-se em seus próprios pés.

- Claro que não… vim ver porque ainda não estavam prontos para o almoço. – Lucius disse.

Remus corou.

- Eles estavam se divertindo no banho, tive pena de estragar a brincadeira.

- Meu filho já tem o avô e Severus para mimá-lo até a perdição, não se junte a eles. – Lucius pediu.

- Não vou, prometo!

Lucius sabia que essa era uma promessa vã, quando se virou para a banheira sorriu para o filho.

- Olá Draco!

- Papai! Eu já conheci meu Harry. – O loirinho disse, erguendo os braços para ser retirado da banheira.

Lucius tirou o filho da água e o envolveu numa toalha, vendo como Lupin fazia o mesmo com Harry, que o olhava cauteloso. Quando os meninos estavam vestidos, Harry com roupinhas de Draco novamente, Remus lançou um feitiço secante em si mesmo e os quatro foram almoçar. Abraxas e Severus já estavam na mesa e apenas todos se sentaram e os elfos fizeram a comida aparecer. Remus viu como Lucius se ocupava de Draco enquanto conversava com o pai e o amigo e se perguntou, não pela primeira vez onde estava a mãe do herdeiro Malfoy.

Harry relutou em comer o que Remus oferecia, coisa que frustrou o castanho.

- Vamos Harry, só mais um pouquinho. – Insistiu.

- Não o force demais, ele está desacostumado com essa quantidade de alimento. Vá devagar ou vai fazê-lo passar mal. – Severus instruiu com voz neutra.

Remus deixou a colher de lado, olhando para o antigo inimigo de colégio.

- Pensei que ele precisasse de comida para repor peso.

- Precisa, mas o estômago vai rejeitar quantidades maiores porque se acostumou a ficar sem nada por muito tempo. Alimente-o pouco de cada vez, mas várias vezes ao dia.

- Vou fazer isso, obrigado. – Remus disse, suavemente.

Severus corou levemente, o olhar caloroso do lobisomem sempre tinha sido dirigido só para seus amigos. Nos tempos de escola ele tinha tido uma paixonite pelo lobisomem. Remus era muito charmoso e sexy, uma mistura de força e delicadeza muito rara.

- Eu também pensava como você sr. Lupin, engraçado como a arte de curar pode ser sutil. – Abraxas comentou, tirando o foco da conversação de Severus, coisa que aliviou o moreno.

Remus e o patriarca começaram a conversar e Lucius se inclinou para cochichar com o amigo:

- Caindo nas garras do lobo? – Perguntou, só para provocar o amigo.

- Não sou fácil como você. – Severus retrucou, azedo.

- Inveja te caí mal, querido e casto amigo.

Lucius sabia que só não foi azarado porque Severus não se sentia a vontade ao redor de Remus. Seria divertido irritar seu amigo tendo Remus por perto. Severus nunca iria revidar como um menino irritado para não se envergonhar na frente do antigo inimigo.

X~X~X

Depois do almoço Harry e Draco não demoraram a bocejar e cochilaram no tapete, enquanto brincavam com bonequinhos encantados. Remus levou os dois para o quarto e os colocou juntos no berço, notando que Draco abraçava o amiguinho como a um ursinho de pelúcia de novo.

- Vamos Lupin, temos que ir ao Beco Diagonal fazer compras para seu protegido. – Lucius disse, chegando para ver a cena no berço também.

- Mas quem vai cuidar dos meninos?

- Severus e meu pai… e um batalhão de elfos. Vamos Lupin, ainda não podemos levá-los por causa do interesse no Potter.

Remus concordou, afinal, levar Harry para o Beco era impensável. O mundo mágico ficaria em polvorosa ao redor do menino.

A cautela dos dois se provou acertada, já que mesmo sem o pequeno salvador foram cercados por curiosos e jornalistas querendo um declaração ou fotos das compras de Remus. O lobisomem ficou tentado a azarar metade dos bruxos, e surpreendeu a Lucius quando lançou uma maldição de furúnculos, discretamente, a um mago que gritava sobre a vergonha que era permitir que Harry Potter se misturasse com comensais e suas crias malcriadas.

- Estou chocado Lupin. – Lucius disse, sorrindo.

- Ele insultou Draco, ele é só uma criança. Odeio esse tipo de gente. – Remus disse, com paixão, enquanto entravam na loja de Madame Malkin para encomendar agasalhos para Harry.

Lucius sorriu para ele e Remus retribuiu.

- Ora, ora… se não é meu marido fazendo compras com um vira-lata pulguento.

Os dois homens se viraram para a figura elegante de Narcissa Malfoy, ela estava parada na porta da loja Madame Malkin olhando para Remus com uma careta de nojo.

- Esposa. De volta tão cedo?

- Voltei quando soube o tipo de gente que anda deixando perto do meu herdeiro. – Narcissa disse, com desgosto, mas discretamente.

Lucius sorriu falsamente para a esposa.

- Em casa, não aqui. – Murmurou com firmeza.

Narcissa deu de ombros.

- Nos vemos em casa então. – Ela disse, girando e sumindo na multidão do Beco.

- Merlin… não imaginei que ia te dar problemas me ajudar.

- Essa mulher é um problema ambulante. – Lucius disse, com um esgar de degosto. – Eu teria menos problemas se tivesse me casado com seu amiguinho Black.

Remus olhou chocado para o loiro, mas logo ficou mais preocupado que surpreso.

- Ela não faria nada com Harry, certo? Ele está com Draco.

Lucius fez uma careta.

- Ela é uma cadela irritante, mas não é burra. Vai latir e me enfurecer até ganhar outra bolsa cheia de galeões pra gastar em Paris. Além disso, meu pai está com os meninos, ele não hesitaria em prendê-la nas masmorras.

- Oh. – Remus disse, por falta de reação, ele sabia que não seria fácil lidar com Narcissa Malfoy… talvez, só talvez ouvisse seu lobo interno e rasgasse a cabeça dela fora do corpo, pelas palavras de Lucius ele não iria sofrer muito.

- Você parece como alguém que está pensando em coisas malvadas. – Lucius disse, provocando-o.

O instinto de Remus, aflorado pela percepção de uma disputa com Narcissa o fez sorrir de lado para Lucius.

- Talvez eu esteja planejando irritar sua esposa. Acha que ela acharia ruim se eu tivesse sexo com o marido dela na sala de estar?

Remus deixou a pergunta no ar, indo para o balcão, onde Madame Malkin esperava educadamente para atendê-los. Lucius praguejou baixinho, sua imaginação já começava a voar, e o loiro se perguntou se o lobisomem cederia a suas provocações afinal de contas.

E então, o que acharam? Me digam por favor.
Beijos.