Não possuo direitos sobre Naruto, de Masashi Kishimoto.


• Fuyu •


O soprar do vento, as armas que se movimentavam rápidas entre os alunos da academia, homens trabalhando em suas barracas e construções. Era o som contínuo que quebrava o silêncio que caíra sobre a Vila da Folha Oculta e trazia mais frio aos moradores do que o próprio inverno. A essa época do ano seria normal ver as crianças brincando na neve, jogando-a uns no outros, mas as ruas estavam vazias.

Narihira estava sentado sozinho na varanda de sua residência, com o olhar perdido na paisagem à sua frente. Lembrava-se continuamente das palavras do pai, lamentando a chegada do inverno: 'O inverno leva embora todas as cores das outras estações. Mas ainda temos o ensopado quente de sua mãe para nos confortar.' Mas agora nenhuma flor de cerejeira da primavera, folha vermelha do outono ou verde denso das árvores no verão teriam tanta beleza sem sua presença.

Os pensamentos do homem fora interrompido pela figura que sentara-se ao seu lado.

''Narihira-senpai. - Hiruzen disse delicadamente. - Seus alunos estão ansiosos por seu retorno.''

''Sarutobi-san, Yuna está quase em seu dia... Preciso ficar ao seu lado.''

Hiruzen entendeu a desculpa oculta do companheiro para não retornar às suas atividades. Narihira herdara do pai os estados depressivos, escondidos no olhar perdido e no silêncio.

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Mito abriu o guarda-roupa de Hashirama delicadamente. O cheiro do homem ainda era latente no tecido de suas roupas. Buscou rapidamente com o olhar pelo traje vermelho e branco usado por ele durante anos e o retirou do cabide. Antes de jogá-lo ao pequeno tanque de madeira com água quente, sentiu o perfume de Hashirama durante minutos até retornar a si. Lavou-o e, após completamente seco, passou e arrumou-o junto ao chapéu igualmente limpo dentro da caixa de papel vermelha. Vestiu a capa de frio sobre o quimono de seda preto e saiu com a caixa em mãos. Caminhou por alguns minutos pela neve até chegar a casa de Tobirama. Entrou sem bater, como era costume entre eles a tantos anos e encontrou o cunhado compenetrado no trabalho em seu laboratório.

''Tobirama-san... - Mito chamou pelo cunhado suavemente. - Trouxe-lhe algo...''

Tobirama desceu o frasco em sua mão até o balcão e encarou Mito com a expressão séria. Suspirou e caminhou até a mulher, chamando-a para a sala ao lado.

''Aqui é mais apropriado para recebê-la, Lady Mito.'', Tobirama pegou a caixa das mãos de Mito para que ela se sentasse.

''Sabe que gosto de suas pesquisas, Tobirama-san...'', Mito ensaiou um sorriso ao final das palavras.

Tobirama sabia o que havia dentro da caixa trazida por Mito, ainda assim vacilou algum tempo antes de abri-la. Retirou o chapéu e colocou-o ao seu lado; sentiu por algum tempo o tecido do traje, perfeitamente limpo e arrumado, perfumado com essência de flor de laranjeira, sua fragrância favorita.

''Hashirama preferia o perfume da folha de canela. Achei prudente dar seu perfume favorito a roupa...'', disse Mito.

''Sempre muito cuidadosa, Lady Mito... - Tobirama retirou com cuidado o traje da caixa. - Poderia me ajudar a colocá-lo?'', disse Tobirama.

O homem levantou-se, pondo a frente de Mito. Esta fizera o mesmo, tomando o traje das mãos do cunhado.

''Não há muitos segredos... - Mito dizia enquanto ajudava o homem a prender a primeira camada do traje sobre o uniforme preto. - Precisa prender bem para que não saia voando. - A mulher sorriu suavemente. - A capa... Acho que precisa diminuir a barra... Seu irmão era um pouco mais alto.'', concluiu, colocando o chapéu na cabeça de Tobirama.

''Obrigado, Lady Mito. - Tobirama tomou as mãos da cunhada. - Espero que permaneça ao meu lado daqui em diante. Eu não sei muito bem o que fazer...''

''Eu estarei, Tobirama-san...'', Mito sorriu para o cunhado.

Os dois saíram em direção a vila, caminhando devagar por ocasião da neve densa. A figura com uniforme de líder começara a chamar a atenção dos poucos que circulavam pelas ruas, e que em consequência chamavam todos de dentro de suas barracas e casas. Ao passo que Tobirama caminhava pelo centro até a torre Hokage, os moradores curvavam-se diante sua presença. Por fim, enquanto Tobirama abria a porta da torre para que ele e Mito entrassem, um cidadão gritou alto.

''Um futuro glorioso ao Nidaime Hokage!''

Tobirama virou-se rapidamente, encarando o aglomerado de pessoas atrás deles. As palavras do anônimo espalharam-se entre os demais, que repetiam o grito saudando seu novo líder. Mito segurou o braço do cunhado dando-lhe força para suportar a situação emocionante, repetindo baixo a intenção dos cidadãos.

''Um futuro glorioso, Nidaime-sama...'', Mito soltou o braço de Tobirama ao finalizar.

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Acontecera a cerca de dez luas.

As vozes animadas começaram a ser notadas por Mito, enquanto a senhora preparava o ensopado cuidadosamente, atenta aos ingredientes. Hashirama entrou na casa, rindo alto junto ao filho Narihira e a pequena neta, Tsunade.

''Oba-sama! - Tsunade correu em direção à Mito - Ojii-sama me ensinou apostas.'', disse a menina, inocentemente.

Mito olhou irritada para Hashirama, disfarçando a situação entre eles com um sorriso forçado. Hashirama riu desconcertado, enquanto Narihira segurava o riso diante a cena.

A senhora preparou os potes com ensopado e entregou ao filho, lembrando como de costume que não faria bem a saúde comer um prato quente e sair no vento frio. Pediu que avisasse Yuna, esposa de Narihira, que iria visitá-la na manhã seguinte, para terminarem de organizar o quarto do próximo neto, Nawaki.

''Seu pai sempre tão ansioso, não nos permite ao menos ter uma surpresa... - Mito dizia enquanto agasalhava Tsunade. - Fora logo identificar o gênero da criança antes de nascer...''

''Assim posso saber o que fazer para ele. - Hashirama tomou sua defesa. - Já tenho as varas de pesca, alguns pergaminhos para ensino inicial e-...'', Mito o interrompeu.

''Será como fora com Tsunade... Ela mal nasceu e você já quis levá-la para vê-lo invocar Shurikens de seu pergaminho...''

''Are are... Parem de brigar... - Narihira disse rindo. - Amanhã nos vemos, Otou-sama, Okaa-sama.'' Narihira despediu-se dos pais.

''Amo vocês, Ojii-sama, Oba-sama! - Tsunade disse alto. - Até amanhã.''

Com isso, os dois saíram.

''Minha amada, está se tornando uma velha rabugenta... - Hashirama disse rindo, pondo-se ao lado da esposa. - Assim terá muitas rugas...''

''Quem é velha aqui? - Mito deu-lhe um tapa no braço. - E não tenho ruga alguma na face, baka!'', disse Mito, levando a mão discretamente ao rosto.

''Está tão bela quanto a vinte e poucos anos atrás, não se preocupe... - Hashirama a abraçou por trás, beijando-lhe o pescoço. - Continua inclusive a ter a mesma vitalidade quando estamos sós...'', completou.

''Hashirama... - Mito sussurrou. - E se Narihira ainda estiver lá fora... Pode te escutar...''

''Então vamos nos deitar. - Hashirama beijando novamente o pescoço da esposa, apertando-a com os braços. - Assim ninguém poderá nos ouvir...'', completou em voz baixa.

Após o jantar, amaram-se como jamais deixaram de fazer e deitaram-se abraçados, como em todas as noites. Hashirama sentindo o perfume dos cabelos ruivos e a pele de Mito que pouco mudara com os anos. A mulher aninhada nos braços do marido, sentia-se protegida de tudo e todos. Ela adormeceu rápido, caindo em sono profundo. Ele deitou-se para seu último sono. Viveu suas últimas décadas pacificamente, faleceu durante um sono tranquilo.

FIM


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Nota: Ops, eu mesma chorei escrevendo isto! hehe. Espero muito que tenham gostado desta fic, tão queridinha! rs. Não deixem de comentar!

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