Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade do Isayama Hajime.

Advertência: O português deste fanfic está na variante do português de Portugal por isso, qualquer dúvida com palavras ou expressões podem enviar mensagens ou deixar comentários. Tentarei usar uma linguagem quase neutra (vou tentar evitar demasiados coloquialismos, mas nem sempre será possível). Se bem que considero que não houve muitos problemas com a minha última fanfic "Proibido". Se tiverem um problema com a homossexualidade, violência e pensamentos, linguagem e atos impróprios estão a ler a fanfic errada portanto o rating vai subir eventualmente xD

Personagens: Casal principal Levi x Eren; outras personagens - Armin, Mikasa, Hanji, Irvin, entre outros (outros casais também irão aparecer). Sei que existem outras formas de escrever o nome das personagens citadas anteriormente, mas optei por estas e irei mantê-las ao longo da fanfic.

-X-


Os mesmos olhos

O dia ensolarado, quente e que ainda não deixava adivinhar a proximidade do Outono, irritava um certo homem que se aproximava do portão da escola onde iria lecionar esse ano. Já tinha tirado o casaco e levava apenas a camisa branca de botões que agora abria e puxava as mangas ligeiramente para cima. Deixou escapar mais um sinal de irritação pelo tempo que considerava demasiado quente para se apresentar decentemente no primeiro dia de aulas. Passou a mão sobre os seus cabelos negros e nesse momento, ouviu uns quantos suspiros de algumas adolescentes que passaram ao seu lado antes de entrar na escola. O professor ignorou essas e outras, entrando na escola que pouco tinha a ver com o colégio privado onde estivera durante os últimos dois anos. Aquele sítio parecia bem mais sujo e menos apresentável para alguém que tinha uns padrões de exigência tão elevados como ele, mas infelizmente não tinha grande escolha.

- Levi! – O entusiasmo da colega ao vê-lo entrar na sala de professores era mais um motivo para piorar o seu humor. – Não está um dia maravilhoso?

- Hanji sabes perfeitamente que odeio este tempo quente. Não há ar-condicionado neste covil?

- Vá, Levi não sejas mal-agradecido. É graças ao meu amor não correspondido por ti que o diretor Irvin te aceitou aqui nesta escola. – Disse Hanji, colocando uma chávena de café à frente de Levi que a encarou com desinteresse.

- Tch, sabes bem que foi a minha competência que me fez ficar com o trabalho. A tua amizade ou o que quer que seja que existe entre nós, apenas facilitou o contacto com alguém inteligente. – Bebeu um gole de café.

- Hei, eu sou bem inteligente! – Retrucou Hanji com uma das mãos na cintura. – Enquanto tu enfiaste o teu nariz em história e português, eu contribuo para a sociedade com a ciência! – Entoou aquilo como demasiada seriedade, antes de rir. – Diz lá se agora não estive bem.

- Por favor, Hanji será que podes fingir que não me conheces?

- Não sejas assim tão mauzinho, Levi. – Disse num tom dramático, agarrando-se ao braço do homem que revirou os olhos e num tom autoritário disse para ela o largar. Contudo, Hanji tal como ele temera, continuava a não saber quando parar. Era assim, desde que se tinham conhecido nos tempos da escola secundária.


Flashback

- Já te disseram que és charmoso?

Levi desviou o olhar do livro que estava a ler e olhou para a rapariga de cabelos soltos a caírem pelos ombros cujos olhos castanhos estavam por detrás de uns óculos de hastes finas. Ela sorria abertamente e estendia-lhe a mão que o rapaz observou e arqueou uma sobrancelha, esperando que o silêncio incómodo e o fato dele não se mover, a fizesse afastar-se.

- Posso saber o teu nome? – Insistiu.

- Levi. – Disse continuando a encará-la, procurando entender aquela rapariga estranha que começava a ocupar o lugar ao lado dele.

- Quem disse que te podias sentar aqui? Gosto de estar sozinho e assim, evitar dist… - A rapariga bateu-lhe nas costas enquanto ria.

- És tão engraçado, Levi! Diz-me, de onde és? Vives com os teus pais? Qual é o teu tipo sanguíneo? Acreditas em signos compatíveis? Em amor à primeira vista? Tens uma voz igualmente sexy a combinar contigo. Parece que é verdade o que diziam! – Olhou com um ar sonhador para o teto. – A secundária traz consigo a puberdade que assenta perfeitamente em alguns rapazes. – Olhou para Levi que a observava algo chocado e até com receio da loucura da rapariga ao seu lado. Ponderava até se devia mudar de lugar enquanto as outras mesas não estavam ocupadas. – Tu és um belo exemplo disso! Estava farta de sentar-me perto de miúdos desinteressantes por isso, vou começar este ano em grande sentando-me ao lado do rapaz mais sexy da escola! – Encostou o rosto demasiado perto de Levi. – Vi as fotos de todos os rapazes desta escola ontem à noite na página da escola e nenhum correspondia aos meus padrões, tu és a exceção por isso, espero que também compreendas que isto é obra do destino.

Inicialmente Levi ficou traumatizado com a rapariga ao seu lado que o tocava, aproximava-se e dizia todas aquelas coisas como se fossem verdades absolutas sem um pingo de vergonha. Porém uma coisa era certa, assim que as aulas começavam, ela ficava completamente focada na matéria. Além disso, apesar da personalidade excêntrica quando tinham trabalhos de pares e grupo preferia a companhia de Hanji que ao contrário de outros, preocupava-se em ter as coisas feitas e bem-feitas. Isso era uma das poucas coisas que apreciava na sua colega que depressa percebeu que Levi não estava interessado em ter qualquer tipo de relacionamento amoroso com ela e por isso, começou a sair com outros rapazes. Mesmo assim, Hanji optou por nunca deixá-lo de parte e nem afastar-se dele. Ela dizia que gostava daquela amizade estranha entre os dois e só as escolhas na faculdade os separaram e fizeram com que por algum tempo, perdessem o contacto.

Fim do Flasback


"Ela continua igual. Sempre a falar pelos cotovelos e muitas vezes, coisas inapropriadas. Mas parece que até os outros professores já estão habituados a isto", pensava Levi que mal acabou o seu café, pegou na sua pasta e saiu da sala dos professores. Ainda ouviu Hanji a pedir para ficar e ouvir o final da sua história mirabolante que a envolvia a ela, strippers e uma investigação que estava a fazer. O professor não conseguia ver como aquilo podia ter ligação com algum estudo sério e preferiu não ouvir o fim daquela conversa. Tirou um papel do bolso para saber qual seria a primeira sala e turma a quem daria aulas naquele dia. Após confirmar, parou em frente à porta da sala e assim que abriu, viu que alguns alunos já estavam no interior embora a campainha ainda não tivesse tocado. Os que ali estavam silenciaram-se e sem dizer nada, Levi foi até à sua mesa, pousou a mala sobre a mesa e começou a tirar alguns livros e outras folhas. Os burburinhos não tardaram, sobretudo quando se ouviu o sinal para entrarem na sala e entre os olhares que lhe lançaram, um deles parou a fitá-lo por alguns momentos. Era um rapaz de cabelos loiros e olhos azuis que levava uma t-shirt branca com riscas verticais pretas e uns calções também pretos.

- Perdeste alguma coisa na minha cara?

- Ah não, senhor. Desculpe, mas… - Aproximou-se um pouco da minha mesa. – É o professor Levi?

- Sim, como é que…

- Ah, eu sabia! – Nas suas mãos carregava alguns livros e do meio retirou uma revista de artigos académicos e mostrou-me um artigo com o meu nome. Um dos muitos que escrevera ao longo da minha carreira. – Vai ser uma honra ter um professor da sua categoria aqui nesta escola!

- Sim, de facto, alguém como eu não devia vir para um fim do mundo destes. – Comentou Levi enquanto ouvia outros miúdos, troçarem do rapaz loiro por estar a tentar ganhar pontos extras e mal as aulas tinham começado. O professor estava habituado aos chamados "queridinhos do professores" que tentavam agradá-lo de todas as formas, mas como muitos aprenderam às suas custas, isso com ele não funcionava. Nunca se deixaria influenciar por falsos elogios, embora tivesse que admitir que o rapaz loiro não parecia ser desses e sim, um nerd que se impressionava com qualquer coisa.

- O meu nome é Levi e se algum de vocês se deu ao trabalho de consultar o vosso horário, vou ser o vosso professor de História e Português. Sei que é a primeira aula e vejo que há gente que nem caderno trouxe e pensa que vos vou deixar sair mais cedo por ser a primeira aula. – Disse, vendo que alguns se encolhiam e o encararam incrédulos, não querendo acreditar no que ele ia dizer. – Vamos ter uma aula a sério. Vou dar matéria que vai sair no teste por isso, se não têm como tirar apontamentos, espero que tenham uma boa memória. – Os alunos entreolharam-se apreensivos. – Antes disso, vou só ver quem está na sala e tentar decorar vossos nomes. Aviso desde já que tenho uma memória excecional por isso, nomes, pessoas que faltam, pessoas que não trazem o material necessário…enfim, essas ficam rapidamente gravadas na minha mente. – Mais alguns alunos deslizaram nas cadeiras, desejando desaparecer enquanto Levi agora com a folha dos nomes dos alunos na mão, começava a chamar o nome de cada um. – Armin Arlert.

O rapaz loiro levantou a mão nervosamente e Levi assentiu, continuando a chamar um nome atrás do outro. Dirigia um olhar especialmente mortal àqueles que nada tinham sobre a mesa, mas sem fazer nenhum comentário.

- Eren… - Parou por alguns momentos. Aqueles flashs atravessaram mais uma vez a sua mente. Neles via um rapaz com uns intensos olhos verdes, preso por correntes a olhar para ele que estava do outro lado de um gradeamento, uma espécie de prisão. O ambiente quase medieval não fazia sentido e por isso, fechou os olhos por alguns instantes, procurando afastar aquelas imagens estranhas da sua mente. – Eren Jaeger?

A sua garganta estava seca só por dizer aquele nome. Isso deixava-o frustrado. Estava a afetar-se tanto por causa daqueles sonhos estranhos que tinha há anos. Neles, o mesmo rapaz teimava em aparecer num mundo que parecia irreal. Criaturas gigantescas ameaçavam a espécie humana. Nada daquilo fazia sentido para o professor que desde que tinha começado a ter aqueles sonhos estranhos, começara a questionar a capacidade imaginativa da sua mente em criar uma história daquelas.

- Eren Jaeger? – Repetiu, vendo que havia uma cadeira vazia e por isso, deduziu que o rapaz não estava na sala. Isso não era um bom sinal para começar o ano letivo, mas Levi não pensava tanto nisso. Enquanto prosseguia a chamada, pensava se não teria sido melhor o rapaz estar na aula só para tirar a cisma daquele nome da sua cabeça. Por que razão o nome que aparecia num sonho era capaz de deixá-lo naquele estado? Várias vezes, durante a aula olhou para a porta da sala de aula de soslaio sempre que uma sombra passava. Esperava ver o único aluno ausente da aula entrar para tirar aqueles pensamentos incoerentes da sua cabeça. É claro que nada daquilo podia ser real. Ele, um capitão de um grupo de soldados treinados especificamente para combater aquelas criaturas gigantescas chamadas de Titãs? Quanto mais pensava na ideia, mais aquilo lhe parecia ridículo. Começou a pensar que precisava de parar de ver tantos filmes de ação ou de fantasia. Isso ou outra coisa qualquer estava a desalinhar os pensamentos lógicos que normalmente tinha.

- Se no início falei que a Primeira Guerra tinha começado 1914 e pouco depois, referi que durou quatro anos, suponho que fazer as contas não seja assim tão complicado. Se a sua matemática for assim tão boa, arrisco dizer que não vai fazer melhor figura nas minhas aulas. – Era o quinto aluno a quem Levi perguntava algo e como não obtinha uma resposta satisfatória, não se continha e falava sobre a falta de cultura e inteligência dos alunos à sua frente. – Francamente chegaram ao 12º ano com esta cultura? Vocês impressionam-me… pela negativa, claro. Continuando…

No fim da aula, apenas Armin ficou para trás e não concordava com os comentários de alguns colegas que diziam que tinham tido a má sorte de ter apanhado o "Hitler" como professor no último ano do Ensino Secundário.

- Aconselho este livro. – Levi escrevinhou o nome de um livro e respetivo autor numa pequena folha que entregou ao rapaz de olhos azuis que parecia quase emocionado com uma aula que para o professor não era nada fora do normal. Mas pelo menos, alguém estava a apreciar o seu método de ensino.

"Haja alguém com bom gosto neste fim do mundo", pensava o professor e antes que o rapaz continuasse com as perguntas, disse:

- Não é a tua namorada que está ali à tua espera na porta?

- Ah? – Armin desviou o olhar até à porta e viu a rapariga de longos cabelos negros, top rosa e calças de ganga a acenar-lhe. – Mikasa? Ah, não. Ela é apenas minha amiga, mas acho que está à minha espera para ir até ao bar. Obrigado pelo seu tempo, professor Levi! Até amanhã!

- Até amanhã, Armin.

"Mikasa… além do Armin foi a única que me deu uma resposta decente nesta turma ignorantes", Levi suspirou. Sabia que teria um longo ano letivo pela frente.

As outras turmas por quem o professor de história e português ficou responsável, também não lhe passaram boa impressão. Depois de conhecer todas as turmas, podia contar pelos dedos os alunos que realmente sabiam alguma coisa de história ou da própria língua. O resto só merecia comentários de desprezo de Levi. Este continuava a semear a sua fama de "Hitler" entre os alunos, embora ainda houvesse raparigas que estavam dispostas a esquecer a sua personalidade e interessaram-se puramente pelo seu físico. À conta disso, tinha quase que morder a língua para não responder aquilo que realmente queria cada vez que passava num dos corredores ou mesmo no pátio exterior para sair da escola. Ele questionava-se acerca do que tinha acontecido à ideia de respeito pelos professores.

- Porque não aproveitas, Levi?

Levi desviou o olhar das folhas que tinha à sua frente, encarando a mulher à sua frente com incredulidade.

- Queres que abuse de miúdas? – Perguntou. – Tenho um código moral e tu devias arranjar um. Além disso, a maioria delas tem dezasseis anos e… Hanji não me digas que andas atrás dos alunos aqui?

- Claro que não, Levi. – Respondeu a rir-se. – Pelo menos não daqueles que têm menos de dezoito ou dezassete vá… o Eren é um pedaço difícil de ignorar.

"Eren? Eren Jaeger? Outra vez com esse nome na minha cabeça. O nome do aluno que continuava sem aparecer às minhas aulas e que a minha mente insistia em associar a alguém que me aparecia em sonhos!" Levi sabia que tinha começado a perder a concentração, quando olhou novamente para a folha e já não se lembrava do que tinha acabado de ler.

- Hanji, por favor não fales do Eren como um anjinho. Não imaginas como é difícil para mim dar uma aula com ele na sala. – Petra suspirou pesadamente, acabando de arrumar as suas coisas. – É terrível e o diretor Irvin só sabe dizer que não posso ignorá-lo na aula e tenho que fazer com que participe. Com certeza, o diretor nunca esteve com ele numa sala por mais de dez minutos. Há coisas que são tempo perdido… Bom, vou andando. Até amanhã, Hanji… Levi. – O último nome disse-o num tom mais alto e saiu apressadamente, quase deixando cair os livros que levava.

- Tens outra fã. – Comentou Hanji, sentada sobre a mesa onde Levi tentava concentrar-se nas folhas à sua frente. Porém ouvi-las falar sobre o rapaz, fez com fosse impossível continuar a tentar trabalhar. – A Petra disse-me que está a tentar ganhar coragem para convidar-te para um café.

- Hanji sobre esse Eren Jaeger… - Começou, encostando-se à cadeira e observando a mulher que brincava com alguns fios do seu próprio cabelo.

- Ele ainda não foi a nenhuma das tuas aulas?

- Não. – Confirmou, esperando que a personalidade faladora da mulher à sua frente lhe dissesse mais sobre aquele rapaz sem ter que fazer mais perguntas.

- Não me surpreende. Aquilo ali é um espírito livre, detesta estar fechado dentro de uma sala de aula. – Disse-o com aquele tom sonhador que fazia o Levi sentir-se desconfortável com aquela insanidade. – Mas ele deve aparecer para estar com a Mikasa e o Armin. Ah e claro, as fãs que estão espalhadas na escola e arredores.

- Mikasa e Armin. – Levi repetiu os nomes. – Eles têm alguma ligação com ele?

- A Mikasa cresceu com ele, quase como se fossem irmãos e o Armin… bem, qualquer um que tente tocar no nerd, corre sérios riscos de perder os dentes. Os três são amigos desde muito novos e parece que isso é das poucas coisas que o Eren leva muito a sério.

- Fico surpreendido com o que sabes sobre a vida dos alunos. – Comentou Levi e começou a arrumar as suas coisas.

- Ao contrário de algumas pessoas eu até estabeleço boas relações com os meus alunos.

- Boas relações? - Indagou Levi desconfiado da veracidade daquelas palavras.

- Ok, eu admito. Já fui responsável por ter que ficar com os três de castigo e embora, não conseguisse arrancar muita informação da Mikasa ou do Eren… bem, o Armin foi outra história.

- E eu que não costumo ter pena de ninguém, só posso imaginar o desespero do miúdo quando se viu confrontado com a tua loucura. – Levi preparava-se para sair e deixar Hanji que ainda teria mais uma aula naquele dia, quando ela o agarrou pelo ombro e disse animada:

- Querias vê-lo? Ali está ele, o Eren!

Aproximou-se mais da janela que dava uma vista privilegiada sobre o campo, onde os alunos praticavam as atividades desportivas. Lá estava a turma a quem costumava dar aulas, reconhecia cada um dos rostos que corria na pista, mas um deles fê-lo prender a respiração. Corria entre a Mikasa e o Armin com uma t-shirt cinzenta e calções pretos. Os cabelos castanhos, as feições, até a própria postura assemelhava-se de uma forma assustadora aos sonhos de Levi que nem se apercebeu que estava tão perto do vidro a ponto de ter a sua respiração a embaciá-lo. No entanto, assim que viu os olhos…

Eram os mesmos olhos. Os mesmos que a noite passada tinha visto ensanguentados enquanto o rapaz nos seus braços pedia que não se sentisse culpado, que não…


~Sonho/Lembrança~

- Sobre a sua pergunta… espero que seja verdade, que um dia nos possamos encontrar... de novo… – Falava mesmo depois de ter recebido ordens para não fazer. A sua respiração era bastante difícil. As mãos do capitão estavam repletas de sangue e mesmo assim, recusava-se a aceitar que aquele rapaz ia morrer ali. Chamava pelos seus colegas, pedia que trouxessem alguém para ajudá-lo. Sangue escorria abundantemente. Os ferimentos estavam espalhados pelo seu corpo.

- Não digas asneiras, Eren, pára de falar, vamos levar-te de volta e…

- Eu amo-te…

Levi encarou o rapaz perplexo que lhe sorriu, acrescentando:

- E tu estás vivo… e é isso que importa… Levi está tudo bem, eu não…

O capitão tremia ao ver os olhos vívidos e até selvagens tornarem-se opacos. A respiração cessara repentinamente. Levi sentia o seu corpo tremer por todo o lado. Desesperado, a sua razão deixou-o por completo mesmo quando todos já podiam ver que o rapaz não estava vivo. Levi chamou-o várias vezes. Ordenou que abrisse os olhos, que vivesse, que não o deixasse.

~Sonho/Lembrança~


- Eren…

- Levi? O que tens? Estás a sentir-te mal? – A voz preocupada de Hanji fê-lo regressar à realidade, mas infelizmente viu que aquilo tinha ido longe demais. Havia lágrimas a cair pelo seu rosto, o que obrigou o homem a tentar enxugá-las rapidamente sem qualquer cuidado mesmo que fosse à manga da sua camisa.

- Estou bem… - A sua voz soou-lhe terrivelmente falsa. Não entendia como podia deixar um sonho e aquela terrível coincidência da aparência do rapaz afetá-lo tanto.

- Oh meu Deus, Levi estavas a chorar! Vem aí os fins dos tempos, não é? – Hanji levou as mãos à cabeça. – Em todos os anos que te conheci, nunca te vi chorar à minha frente! Prepararem-se o apocalipse vem aí!

- Fala baixo, idiota! – Agarrou o braço de Hanji e nesse momento, o diretor Irvin entrou na sala, onde só estavam os dois professores.

- Está tudo bem? – Perguntou ao ver uma Hanji agitada e o Levi normalmente, sempre sério a perder a paciência com a agitação da colega.

- Sim, apenas a demência do costume. – O professor pegou nas suas coisas e lançou um último olhar mortal a Hanji, sinal de que devia fechar a boca sobre o que se tinha passado naquela sala. – Até amanhã.

- Até amanhã, Levi. – Disse Irvin estranhando aquela atmosfera na sala, mas resolveu não fazer perguntas até porque sabia como Hanji podia tirar a paciência a qualquer um por muito sangue frio que tivesse.


-X-

Espero que tenham ficado com uma boa impressão desta nova fanfic.

Até ao próximo capítulo! (^^)/