Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade e talento do Isayama Hajime.

Muito obrigada pelas reviews *.*


Desfecho

O jovem de olhos azuis queria recordar-se que estavam nos dormitórios da faculdade e que ainda que houvesse uma festa a decorrer nas proximidades, havia a possibilidade de que alguém os escutasse. Porém, a cada beijo, mordida e cada vez que aquela boca maravilhosa chupava a sua pele, perdia-se em mais algum gemido que soava cada vez mais alto.

A cama rangia como se avisasse que não ia suportar aquele ritmo febril das investidas sobre o estudante que tentava recuperar o fôlego, mas a mão que agora havia sobre o seu pescoço, deixava-o quase na ponta do precipício que o faria mergulhar na inconsciência.

Já não tinha força para arranhar ou sequer segurar no corpo que se movia contra o dele. Esse que estava castigado pelas unhas que se cravaram diversas vezes na sua pele, marcando as costas do moreno que mordia o lábio inferior para conter parte dos gemidos.

As mãos daquele que se encontrava por baixo estavam caídas ao lado da sua cabeça. Era incapaz de fechar a boca pelos gemidos que lhe escapavam, apenas mantinha alguma forças nas pernas que prendiam o outro contra ele, ainda que aquele que investia contra ele também o segurasse por uma das coxas. As mesmas que tinham várias marcas das mãos que tinham golpeado. Atirou mais uma vez a cabeça para trás ao sentir que o outro chegava cada vez mais fundo dentro dele.

- Lu… Lucas… Ngh, não pos… ah!

- O meu nome. Quero ouvir o meu nome ecoar neste lugar!

- Ah!

- O meu nome, Farlan! - Repetiu, investindo com mais força e o rapaz de olhos azuis gritou o nome dele. - Isso mesmo, quero que saibam… ah! - Retirou a mão do pescoço do outro e passou para o membro dele, masturbando-o em sincronização com as investidas e não foi preciso muito mais para que o outro, chegasse ao seu limite, seguindo imediatamente do moreno de olhos acinzentados que teve que se apoiar nos braços por alguns momentos enquanto recuperava o fôlego.

Em seguida, acariciou o rosto do rapaz de olhos azuis que ainda se focava na realidade.

Trocaram um beijo.

- Eu amo-te… - Murmurou.

O rapaz de olhos azuis corou bastante, antes de repetir as mesmas palavras, fazendo o outro sorrir e em seguida, ambos murmuram em uníssono:

- Banho.

Farlan sabia o que tinha motivado aquela visita inesperada do namorado. Não se podia culpar pela popularidade e mesmo que soubesse que Lucas também atraía bastante as atenções, sentia ciúmes com menos frequência do que ele. Esse que sorriu com tanta amabilidade na frente dos amigos que lhe apresentou, pouco depois de estes terem desaparecido, classificou todas as raparigas como potenciais putas que estavam melosas demais para cima do namorado.

De pouco ou nada serviram as explicações do jovem de olhos azuis àquele que praticamente o perseguiu durante quase dois anos antes que Farlan cedesse perante a insistência. Fosse os beijos roubados, as declarações, as carícias e quando se assustava ao encontrar o moreno em locais em que não esperava. O que de certa forma, podia soar como algo de stalker, mas só teria sido um problema se parte dele também não esperasse e gostasse daquele ar de anjinho que logo que se transformava em algo que o fazia gritar a plenos pulmões, como tinha acontecido momentos antes.

Mantiveram uma relação pouco convencional logo no início por ser aberta, ou seja, Farlan insistiu para que o suposto sentimento que os unia fosse posto à prova.

No fundo, quis confirmar que não havia mesmo mais ninguém por quem sentisse algo semelhante. Lucas encolheu os ombros e acabou por aceitar aquela condição, visto que apenas queria poder dizer que existia uma relação entre eles, mesmo que não fosse a mais convencional.

O que Farlan não esperava era o número de experiências sexuais que vieram dessa relação aberta.

Depois do duche numa casa de banho que o estudante de medicina exigiu que fosse para seu uso exclusivo, usando também do seu charme e oratória convincente, o rapaz retornou ao quarto para a cama que o moreno de olhos acinzentados tinha acabado de arrumar, mudando os lençóis.

- Achas que já vais dormir melhor hoje? – Perguntou Lucas, sentado na cama sem camisa e cabelos ainda molhados.

- O problema não era a falta de cansaço e sim esse colchão demoníaco. – Respondeu, vendo o sorriso do outro que nunca falhava em provocar-lhe um frio na barriga. – As minhas costas estão a matar-me e agora, não são só as costas.

- Queres uma massagem? – Perguntou Lucas divertido.

- Lucas, amanhã preciso estar acordado nas aulas.

- Estou a oferecer-te uma massagem, apenas isso. – Disse num tom inocente que fez Farlan arquear uma sobrancelha.

- Só massagem?

- Só massagem. – Confirmou Lucas, batendo de leve na cama para que o outro se aproximasse. – Deita-te de barriga para baixo.

Embora desconfiado, o jovem optou por não argumentar e fez tal como o outro lhe tinha indicado. Deitou-se na cama na posição indicada e lançou mais um olhar que não escondia a desconfiança na direção do namorado quando este se colocou sobre ele.

Contudo, tal como também já se tinha habituado, ele não se mostrou nem um pouco incomodado com isso e logo Farlan esqueceu a razão para se manter alerta, quando as mãos de Lucas deslizaram, pressionando os pontos certos nas suas costas.

Fechou os olhos, mordendo o lábio diante da sensação prazerosa à medida que as mãos do outro trabalhavam sobre os músculos doloridos e arrepiava-se com os pingos dos cabelos ainda molhados que caíam sobre as suas costas.

Ouviu a voz do outro cantar baixinho enquanto prosseguia com aquela massagem maravilhosa que o estava a fazer relaxar e esquecer o colchão desconfortável sobre o qual estava deitado.

Ele sabia que Lucas podia ser bastante… persuasivo quando queria alguma coisa, mas a verdade é que através de pequenos gestos de carinho, demonstrava o quanto se importava com ele e era capaz de esquecer toda a tensão sexual de um momento para apenas o agradar e mimar de diversas formas.

Essas pequenas coisas colocavam um sorriso no seu rosto e deixavam-no feliz por ter decidido aceitar e assumir a relação com ele, deixando de parte aquela ideia da relação aberta que ainda assim, teve os seus pontos positivos. Quanto mais não fosse porque embora, tivessem concordado em ser fiéis um ao outro a partir do momento em que Farlan admitiu que sentia mais do que atração, a verdade é que ainda havia alguém que não se importavam que ocasionalmente ajudasse a apimentar a relação.

Repentinamente, Farlan notou que Lucas se tinha inclinado sobre ele, mas não com segundas intenções e sim porque…

Olhou de soslaio e viu que tinha adormecido sobre ele e teve vontade de rir.

"O padrinho tem razão. Ele tem a capacidade de adormecer em qualquer situação".

- Farlan… - Murmurou, roçando o rosto contra os seus cabelos.

O rapaz sorriu, corando ligeiramente ao ver que nem mesmo durante o sono, deixava de ser tão afetuoso com ele.


- Eren, eu juro que te amarro à cama se não parares de andar de um lado para o outro como um retardado! – Falou Levi cada vez mais irritado com a inquietação do esposo que estava há demasiado tempo a caminhar dentro do quarto, espreitando quase de cinco em cinco minutos pela janela. O que impedia que o professor se concentrasse nos testes que estava a tentar corrigir, sentado na cama e recostado em algumas almofadas.

- É quase uma da manhã!

- Mais uma razão para parares com essa merda e deitares-te de uma vez! Dorme que o teu mal é sono!

- Como é que podes estar tão calmo?! – Perguntou Eren, exaltando-se momentaneamente e logo se lembrando que não devia falar tão alto, correndo o risco de acordar os filhos. – O Lucas ainda não chegou!

- E nem vai chegar tão cedo, Eren. – Disse tranquilamente, continuando a corrigir o teste.

- Como assim? Ele tem que ter horas para…

- Ele disse que ia ver o Farlan e só devia voltar amanhã. – Respondeu.

- Outra vez? – Perguntou o moreno, continuando a caminhar pelo quarto. – Levi, por favor, mostra alguma preocupação! O teu filho não pára em casa!

- O nosso filho já é grande e tem juízo, Eren. – Falou o professor, desistindo de concentrar-se nos testes. – Tens que parar com estas tuas crises.

- A Isabel não faz estas coisas!

- A Isabel não é o Lucas e o Lucas não é a Isabel. – Falou num tom cansado. – Quantas vezes vamos ter que ter esta conversa? Não achas que és um bocado novo para ter crises de meia-idade?

- Não achas que tu estás na idade certa para ter uma? – Ripostou o moreno e logo levou com um livro na testa que o impossibilitou de ver a rapidez com que o outro se levantou para rasteirá-lo e em seguida, agarrou o braço dele atrás das costas, puxando com força suficiente para que o moreno começasse a queixar-se.

- Estás a magoar-me!

- É essa a intenção e ou páras com isto ou asseguro-te que dormes lá fora! – E ao ver o outro acenar, largou o braço. – Tch, precisas de parar com isto. O Lucas não é nenhuma criança. – Afastou-se, regressando à cama enquanto via o esposo fazer o mesmo.

- Eu sei, mas…

- Tens que esquecer o que ouviste há uns dias atrás.

- Impossível! – Falou Eren indignado, sentando-se também na cama.

- Se é por mútuo consentimento, não sei porque te incomoda tanto.

- O nosso filho diz que namora com o Farlan e anda a fazer… aquelas coisas com o Rodrigo nas horas vagas e tu queres que aches que é normal?!

- São novos. Deixa-os aproveitar.

- Claro, se o Lucas quiser um harém, tu vais apoiar!

- Tu realmente achas que antes de assumir o namoro com o Farlan, ele ia mesmo estudar todas aquelas vezes?

- Oh meu Deus… - Murmurou horrorizado. – Mas ele… ele realmente tira boas notas.

- Ele é inteligente. Não precisaria de tantas sessões de estudo, mas não o ia impedir de namorar.

- Ele diz que o Farlan é o primeiro namorado que alguma vez teve!

- Certo, pronto, não o ia impedir de comer quem quisesse.

- Tu realmente concordas com isto?!

- Se eles e elas queriam, por que raio eu haveria de interferir?

- Por que é que ele te conta todas estas coisas descaradamente?!

- Porque eu não ando a tentar seguir o nosso filho desde que entrou na puberdade. – Respondeu.

- Nós temos que conversar com ele, Levi.

- E dizer-lhe para chamar o Farlan e o Rodrigo e perguntar se é um de cada vez ou normalmente, fazem os três juntos? – Perguntou o professor, deixando o esposo completamente ruborizado e chocado.

- Tu… tu achas que…

- Era o que faria no lugar dele.

- Corrompeste o nosso filho! – Acusou e logo levou uma chapada na testa.

- Devias agradecer aos céus por ele não ter sido corrompido com a tua estupidez!

Repentinamente, ouviram a porta do quarto abrir-se e uma silhueta do menino de olhos verdes e cabelos negros aparecer, agarrando um pequeno coelho contra o peito.

- Filipe? – Chamou Eren. – O que foi? Fizemos muito barulho?

- Posso… - Remexeu nervosamente as mãos, apertando o peluche contra si mesmo ao olhar para Levi que já tinha repetido algumas vezes que o menino devia dormir no quarto dele. – Posso dormir aqui? Por favor? – Acrescentou no final. – Não consigo dormir com os dois…zangados.

- Oh não filho, eu e o pai não estamos mesmo a discutir. – Disse Eren levantando-se da cama, mas o menino continuava receoso até que viu Levi suspirar e dizer:

- Hoje vou deixar porque te acordámos, mas o papá tem razão. Não estávamos mesmo a discutir.

O menino sorriu e Eren trouxe o pequeno nos braços até à cama, colocando-o entre os dois.

- Não estão mesmo zangados?

- Não, não estamos. – Tranquilizou Levi, passando a mão sobre os cabelos negros do menino que aconchegou contra ele, desenhando um sorriso no rosto do professor.

Os três permaneceram em silêncio até que um deles se apercebeu que o filho já dormia e por isso, decidiu não deixar de antes ficar sem qualquer efeito.

- Mas amanhã, vamos todos ter uma conversa sobre algo de que já devia ter falado há mais tempo. – Falou o moreno.

- Uma conversa?

- Sim, uma conversa.

Levi revirou os olhos, mas decidiu não argumentar mais e quanto ao moreno ainda não esquecia como tinha ficado escandalizado dias antes quando por casualidade chegou mais cedo do que pensava a casa.


Flashback

A casa estava tal como esperava sem ruído de vozes ou passos como seria o normal tendo em conta que usualmente, Levi e os miúdos chegavam apenas mais tarde.

A sessão daquele dia tinha terminado mais cedo e por isso, até já tinha enviado uma mensagem ao professor a avisá-lo de que iria buscar Filipe ao infantário e assim, Levi poderia ir diretamente para casa assim que saísse.

O moreno descalçou-se na sala e sentou-se no sofá, fechando os olhos.

Teria ficado nessa posição mais algum tempo, até ouvir algum ruído no piso superior, onde ficavam os quartos e isso fez com que olhasse mais uma vez para o relógio para confirmar as horas. Ainda era cedo para que estivesse alguém em casa e isso deixou-o alerta.

Questionou-se se estaria algum intruso em casa e levantou-se de imediato, mas subiu os degraus com cautela, pois não queria assustar o que poderia ser um ladrão. De preferência, queria apanhá-lo com as próprias mãos e por isso, subiu os degraus lentamente e como estava descalço, ajudava a esconder o barulho que podia surgir dos passos.

Quando alcançou o corredor, notou a porta entreaberta do quarto de Lucas. Estava encostada, mas ao contrário das restantes que estavam totalmente abertas, aquela estava quase fechada e pelo que Eren podia perceber, o ruído provinha do quarto dele.

Deu mais três passos antes de escutar.

- Já chega, Rodrigo.

Reconheceu a voz do filho e isso de imediato, fez com que um alívio o invadisse, concluindo que não se tratava de intruso algum e sim do filho que estava em casa com visitas, pelo que tinha percebido era o filho de Armin e Jean.

Colocou um sorriso no rosto e com uma postura mais relaxada, deu mais alguns passos na direção do quarto decidido a cumprimentar os dois quando parou abruptamente ao escutar algo que não esperava.

Gemidos.

Ele queria pensar que tinha delirado e tinha escutado mal, mas os sons repetiram-se com a voz de Rodrigo sendo mais alta, dizendo coisas que Eren preferia nunca ter ouvido na vida.

Ainda em choque Eren desceu de volta à sala enquanto pensava como deveria reagir assim que visse o filho que desceu cerca de meia hora a quarenta minutos mais tarde acompanhado por Rodrigo que sorriu ao cumprimentá-lo.

Eren não tinha a certeza de ter sido capaz de responder decentemente até porque notava o ligeiro coxear do rapaz que foi acompanhado até à porta de Lucas que ainda teve o descaradamente, na opinião do pai, de dar uma palmada no outro antes de abrir a porta de casa e deixar sair o… amigo?

- Lucas, eu pensava que…

- Sim, estou com o Farlan, mas ambos concordamos que ele apimenta a nossa relação e se ele quer, não é realmente um problema, não achas? - Perguntou sorridente.

Eren não tinha uma boa resposta para dar.

Aliás, ele não sabia o que dizer.

Fim do Flashback


Levi acordou primeiro como era o habitual, mas teve sérias dificuldades em sair da cama porque tanto Eren como o filho decidiram entrar no que também acreditava ser "modo coala". Não compreendia como podia dormir bem, quase esmagando a outra pessoa com um abraço demasiado forte.

Felizmente, conseguiu libertar-se sem acordar nenhum dos dois e em seguida, tomou um duche antes de descer até à cozinha antes de preparar alguma coisa para que todos pudessem comer, pois sabia que acordariam em breve.

Enquanto preparava o pequeno-almoço familiar, ouviu a porta de casa, mas não deu muita relevância enquanto abria um dos armários e tentava alcançar o açúcar. Ainda estava a esticar a mão quando viu outra passar à sua frente.

- Tch, tens que parar de crescer! – Disse irritado ao ver o sorriso do filho que lhe estendia o pacote.

- Bom dia para ti também, pai e vou encarar isso como "obrigado por me teres ajudado, Lucas". – Brincou.

- Não estou com disposição para piadinhas, Lucas. – Comentou entre os dentes.

- Também te adoro, pai. – Falou, abraçando o progenitor, deixando um beijo no rosto deste antes de afastar-se, depois de receber uma carícia nos cabelos. – Eu ajudo a acabar de preparar.

- Obrigado. – Murmurou. – Pensava que virias mais tarde.

- Também eu, mas tinha uma mensagem do papá sobre algo de reunião familiar importante hoje de manhã e decidi que não devia contrariá-lo, sobretudo depois daquilo de há uns dias atrás.

Levi suspirou.

- Devias ter tido mais cuidado.

- Não estava nos meus planos. Aconteceu.

O professor arqueou uma das sobrancelhas e o filho corrigiu:

- Ok, não, não era a primeira vez, mas realmente não tencionava fazer nada naquele dia. Pelo menos, não em casa.

- Tenta ter cuidado na forma como vais explicar a situação porque ele que se diz tão moderno, fica chocado com facilidade.

- Como queres que explique? – Perguntou Lucas confuso. – Eu desconfio que ele ainda acredita que eu não faço ideia do que vocês fazem em casa na nossa ausência.

- Eu gostava de dizer que não, mas aquele idiota ainda consegue surpreender-me mesmo depois de tanto tempo de casados. – Disse, retirando mais algumas torradas que barrava com manteiga e olhou para o filho que sorria. – Pensava que mesmo com a mensagem do idiota, fosses chegar mais tarde.

- O Farlan disse que o desconcentrava. – Disse distraidamente. – E logo eu que sou tão sossegado e inocente.

- O sossegado ainda posso tentar concordar, mas inocente? – Olhou para o filho e dos dois seguraram a vontade de rir, assim que ouviram outros passos chegar à cozinha.

Isabel entrou acompanhada por uma Carla que se queixava de ser demasiado cedo para estar fora da cama e atrás veio Leo que se dirigiu de imediato a Levi para abraçá-lo enquanto lhe dava os bons dias.

- Pensava que o papá já aqui estaria. A ideia da reunião familiar não era dele? – Questionou Isabel.

- Até parece que não o conhecem. É óbvio que terei que ser eu a arrancá-lo da cama. Vão-se sentando que eu venho já. – Beijou os cabelos de Leo que sorriu mais uma vez, deixando que o pai se afastasse.

Ao chegar ao quarto, Levi teria puxado os lençóis e atirado o esposo ao chão, mas tendo em conta que o pequeno estava nos braços do moreno, essa ideia teve que ficar de parte. Ainda assim, podia tentar…

Certo de que pelo menos Filipe acordaria, tocou no pequeno chamando o seu nome e logo viu os olhos verdes entreabrirem-se, mas como ainda estava envolto no abraço do moreno, pouco se mexeu. Mesmo assim, Levi estendeu os braços murmurando:

- Quem é o menino mais bonito do pai? Não queres vir para o colo do pai, mon cher?

Filipe sorria enquanto se desenvencilhava do abraço com uma facilidade que teria deixado o professor pasmo, se não tivesse que manter a postura para que o menino gatinhasse até ele e assim que o fez, abraçou-o, beijando o seu rosto.

- Lindo menino. Agora vamos acordar o papá? – Sorriu de lado e usando a mão livre, agarrou os lençóis e iniciou uma contagem baixa, acompanhada pelos risos do pequeno e assim que chegou ao zero, puxou os tecidos com todas as forças, conseguindo o pretendido. Eren estava enredado nos mesmos e caiu com a cara no chão, diante dos risos de Filipe.

Eren entrou na sala onde os filhos já estavam sentados à espera com um algodão no nariz, depois deste ter começado a sangrar e a pedir a Levi que parasse com as brincadeiras de mau gosto porque estava a dar um mau exemplo aos filhos.

Apenas quando se sentou, todos começaram a comer e Levi trocou mais um olhar com Lucas numa mensagem silenciosa de "prepara um bom discurso ou então prepara-te para mais um discurso surreal". Isabel parecia confusa acerca da troca de olhares e Carla e Leo perguntavam a Eren se estava a sentir-se bem e este tentava tranquilizá-los, enviando olhares pouco amigáveis a Levi que tinha Filipe sentado no colo. Este ainda ria cada vez que olhava para o outro progenitor com o algodão no nariz.

Estavam a terminar a refeição quando Eren disse:

- Carla pega no Filipe e leva também o Leo para brincar lá fora.

- Mas porquê? – Perguntou a rapariga de cabelos ruivos. – Eu também quero participar!

- Eu também quero ficar! – Falou Filipe, agarrando-se à camisa de Levi que decidiu interferir:

- Eren não há razão para isso. A Carla e o Leo não vão ficar chocados e o Filipe é novo demais para conseguir entender todas as nuances da conversa.

- Nem pensar! Eles são muito…

- Vais falar sobre bebés, papá? – Perguntou Carla. – Se é esse o tema, já me adiante, perguntando ao pai o que tinha para perguntar.

- O quê?

- O pai explicou há uns tempos atrás que os bebés não são enviados do espaço como tinhas dito. – Comentou Leo e tanto Isabel como Lucas se engasgaram com o sumo que estavam a beber.

- Eu às vezes, ainda me pergunto como é que podes inventar tanta estupidez. – Comentou Levi. – Estás a imaginar a vergonha que seria se lhes perguntassem algo na escola e eles falassem em extraterrestres que trazem bebés em naves espaciais? – Fez sinal a Isabel para que pegasse numa folha e lápis de cor que estavam atrás da filha e ela assim o fez, colocando-os à frente de Filipe para que este ficasse distraído.

- Oh meu Deus, o que lhes foste dizer? – Perguntou o moreno assustado.

- Papá tenho catorze anos e não cinco. – Disse Carla, descartando o nervosismo do outro.

- Também acho que com onze devia saber alguma coisa que não envolvesse naves espaciais. – Concordou Leo.

- Levi, por favor, tens que tirar o Filipe daqui ou então… - Eren levantou-se e estendeu os braços a Filipe que logo sorriu e aceitou a troca sem largar as folhas e apontando para os lápis que Isabel logo fez chegar ao pequeno que se sentou, desta vez no colo do moreno que cobriu os ouvidos do menino com as mãos.

- Papá não achas que estás a exagerar? – Perguntou Carla.

- Ele não precisa de ser corrompido desde tão cedo. – Respondeu, fazendo Levi revirar os olhos e servir-se um pouco mais de sumo, aguardando pela surrealidade que se devia seguir.

- Sabes bem que ele quando está a pintar ou desenhar não presta atenção a mais nada, mas pronto, se queres fazer essas figurinhas e tapar-lhe os ouvidos, não serei eu que te vai impedir. - Recordou Levi.

- Vou ignorar por agora a tua ironia porque temos que falar sobre coisas graves que se passam cá em casa. – Falou, fazendo com que Levi começasse a prever uma dor de cabeça. – Para começar, acho que já devíamos ter tido esta conversa antes, sobretudo quando falo da Isabel e do Lucas.

- Nós temos dezassete. – Recordou a rapariga de longos cabelos negros caídos sobre os ombros. – Nós já tivemos esta conversa há bastante tempo com o pai.

- Mas ele devia ter esperado mais.

- Até termos dezoito? – Indagou Isabel. – Eu não vou para um convento e o meu irmão também não, a menos que o convento queira que todas as freiras deixem de ser virgens.

- Oh meu Deus… isto é pior do que pensava.

Lucas forçou um sorriso.

- Eu sei que aquilo de há uns dias impressionou-te mais do que pensava, mas é tudo consentido. Eu e o Farlan já conversámos várias vezes com o Rodrigo sobre o assunto.

- O que é que é consentido? – Perguntou Leo sem perceber.

- Não respondas! – Falou Eren na direção de Lucas. – Carla faz o mesmo que estou a fazer ao Filipe.

- Papá…

- Não perguntei, mandei fazer!

Levi tentava controlar-se para não bater no esposo na frente dos filhos e viu a rapariga de cabelos ruivos e ondulados, pedir desculpa a Leo antes de cobrir-lhe os ouvidos. Este simplesmente não argumentou até porque provavelmente, continuaria a ouvir a conversa mesmo que na cabeça de Eren, isso não fosse possível.

- A tua irmã não faz essas coisas, Lucas. – Falou o moreno. – Pelo menos, eu espero que…

- Claro que não. – Interrompeu Isabel. – Eu estou muito bem com o Artur. Não o divido com ninguém e ele também não o faz mesmo, até porque ele gosta de respirar…

- E já agora, querida… - Falou o moreno. – Quanto ao teu tempo de namoro com ele.

- Há quase três anos, mas a resposta é não ao que vais perguntar. Eu ainda não fiz nada dessas coisas com ele. – Respondeu Isabel.

- Graças a Deus. – Suspirou de alívio.

- A sério? – Perguntou Levi espantado. – Eu nunca perguntei, mas deduzi que já se tivessem envolvido durante este tempo. Nem com outros rapazes?

- Levi! – Repreendeu o esposo.

- Não sei qual é o problema, é apenas curiosidade.

- Sou virgem. – Falou sem rodeios.

- Posso dizer que estou surpreendido. – Afirmou Levi.

- Isso mesmo, querida. É isso mesmo. Essas coisas levam tempo. – Falava o moreno aliviado.

- Mas se acontecer brevemente não me surpreenderia e até seria normal, até porque pretendo casar com ele. – Afirmou e nesse momento, Levi engasgou-se com o sumo que entretanto tinha começado a beber e Eren também parecia em choque.

- Cas… casar? Não és muito nova para pensar nisso? – Perguntou o moreno.

- Não quero mais ninguém, além do Artur por isso… é que também não fiz nada com outros rapazes. Queria que ele fosse… o único. – Admitiu envergonhada.

- Puta que pariu, és mais parecida com ele do que eu pensava! – Falou Levi, referindo-se a Eren.

- Olha a linguagem! – Repreendeu o esposo que entretanto respirou fundo. – Ok, ok… vamos deixar o caso da Isabel que não é grave e voltar ao principal.

- Eu não sei o que queres que diga. – Falou Lucas.

- Quero que pares para refletir sobre as coisas que podem correr mal e…

- A partir do momento que o Rodrigo encontrar alguém especial, isto vai parar. Não é nada a longo prazo, é apenas a situação do presente. – Argumentou Lucas.

- E é isso que vais dizer ao Armin e ao Jean?

- O tio Armin sabe e o tio Jean… bem, ele acho que desconfia, mas não sabe de nada em concreto. O Rodrigo diz que não quer pôr o pai na cova tão cedo e por isso, pediu que fôssemos discretos.

- Claro, o Armin sempre a concordar com tudo…

- A tia Hanji também não vê problema algum. – Falou Lucas e Levi olhou para ele, dizendo em silêncio que aquela era uma péssima referência para argumento de defesa.

"Nunca uses aquela mulher insana como algo para justificar o que fazes", pensava Levi.

- Papá. – Carla decidiu interferir. – Não achas que devias ficar contente porque o Lucas agora só tem o Farlan e o Rodrigo?

- Mas não é…

- Ele meteu parte da escola na cama, pensei que agora que estivesse mais calmo, ficasses mais contente. – Disse Carla e um novo silêncio abateu-se sobre a mesa.

- Papá se te deixa contente, eu ainda não tenho namorada. – Falou Leo que comprovou que a teoria de que não estava a ouvir a conversa não era válida.

- Também não é bem assim. – Tentou dizer Lucas com um sorriso amarelo. – Eu sempre tive os meus critérios.

- Sim, primeiro comer as conhecidas, tipo a Inês, a Rafaela, a Luana, as gémeas e depois passaste para o passo seguinte que seria alguns colegas da escola, os do bar e por aí vai. – Falou Isabel, descartando a importância de toda aquela conversa. – Não vale a pena chorarmos sobre o leite derramado.

- Falas de mim como se fosse um caso perdido. – Argumentou o irmão.

- Já estás mais calmo por isso, acho que mais do que tentar repreender-te, deviam dar-te os parabéns por finalmente estares na quase monogamia.

- E vamos ignorar que ele andou a comer meio mundo?! – Perguntou Eren indignado.

- Sim, vamos ignorar. – Falou Levi, batendo na mesa irritado. – Tenho a certeza que ele não abusou de ninguém e não foi idiota o suficiente para fazer nada disso sem se proteger e ter um mínimo de critérios. Aceita que os teus filhos são crescidos o suficiente para tomar certas decisões na sua vida e que não, nenhum deles vai para um convento! Já chega, Eren! Eles não estão corrompidos e nem vão ser por quererem namorar ou ter relações! Deixa-os crescer!

Silêncio por mais alguns momentos até que Lucas decidiu acrescentar.

- E já agora, achas que podias parar de seguir-me quando saio à noite? Toda a gente já te conhece nos bares e depois não param de pedir que vá ter contigo para pedir autógrafos.

Levi olhou de lado para o esposo, emitindo a aura das trevas.

- Pensei que já tivesses parado com isso.


Era noite e já passadas várias horas, após a reunião familiar, mas Levi notava que o outro continuava melancólico e sentado sobre o parapeito da janela há algum tempo sem dizer nada, apenas com os olhos fixos na noite que anunciava o fim do verão.

O professor optou por ignorar durante algum tempo, até porque ainda esteve ao telefone com Hanji algum tempo que lhe queria fazer perguntas indiscretas sobre a vida dos filhos, nomeadamente Lucas e Farlan. A amiga desde que soube que o filho tinha iniciado um relacionamento quase monogâmico com Lucas, não se cansava de falar em casamento e que os dois eram perfeitos. Isto tudo com o resto dos filhos a gritar de fundo e Irvin claramente a pensar que não fez a escolha mais inteligente do mundo ao encher a casa de filhos.

Levi sugeriu a Irvin que oferecesse um presente que Hanji precisava com urgência: uma laqueação às trompas, o que causou uma gargalhada do amigo que disse que também não precisava de exagerar. Mais uma vez o professor concluiu que diretor da escola não entendia nada acerca do seu sentido de humor já que não conseguia distinguir a ironia de uma sugestão séria.

Depois de mais de uma hora de uma conversa que teve pouco ou nada de normal, finalmente despediram-se e Levi ainda passou pelos quartos para ver os filhos na cama, exceto Lucas e Isabel que já tinham avisado que ia sair com alguns amigos.

Porém, notou que os outros três já dormiam profundamente e isso indicava que antes de ficar tão pensativo no parapeito da janela, teria colocado dos filhos na cama.

- Eren? – Chamou e os olhos verdes voltaram-se para ele. – Vem para a cama. É tarde.

Viu-o sair da janela sem responder e fechá-la, antes de sentar-se na cama.

- Sou pior nisto de ser pai do que pensava. – Murmurou.

Pasmo com a afirmação, o professor largou o lençol que tinha puxado e contornou a cama até sentar-se ao lado do esposo. Em seguida, agarrou no rosto dele para que se olhassem nos olhos.

- Posso saber de onde vem essa estupidez, Eren? A conversa de hoje não define nada acerca de…

- Os nossos filhos confiam mais em ti.

- Naqueles assuntos? Talvez. – Largou o rosto do outro. – Mas isso não faz de ti um mau pai.

- Mas mesmo quando têm dúvidas sobre coisas da escola, sei que é sempre melhor quando perguntam a ti e também… - Repentinamente, foi puxado até cair deitado na cama e viu Levi colocar-se sobre ele.

- Será que não entendes? – Indagou, colocando as mãos ao lado da cabeça do outro que o olhava confuso. – Sim, há coisas em que posso desenrascar-me um pouco melhor, mas há outras em que não sei o que faria, se não estivesses aqui. Ficava completamente em pânico cada vez que saías de casa e ficava sozinho com a Isabel e o Lucas. Perguntava-me se seria capaz de distinguir tão bem como tu sempre o fizeste, se o choro deles era por fome ou cólicas. Questionava-me tantas vezes, o que faria quando estivesse sozinho para os entreter. O mesmo aconteceu com a Carla que sendo tão energética, tive medo de a aborrecer, de não lhe dar a atenção necessária. Ou mesmo com o Leo…mesmo que ele tenha confiado em mim à partida, tive medo de fazer algo errado daí em diante e foste tu que me ajudaste a interpretar os silêncios, a acalmá-lo todas aquelas noites em que acordou a gritar e chorar convulsivamente. Mesmo com a chegada do Filipe, seria de se esperar que esses medos fossem menores, mas nunca foram porque o que para ti é tão natural, para mim exige que pense e repense várias vezes antes de agir. Tu sempre sabes o que fazer, o que dizer no momento certo e eles adoram-te e admiram-te muito mais do que imaginas, Eren. – Limpou uma lágrima que caía pelo rosto do outro. – Obrigado por todas as vezes em que me explicaste que aquele era o momento certo para lhes pegar, para os abraçar, para dizer como estava orgulhoso, para repreender ou explicar o porquê de tantas coisas… obrigado por todas as vezes em que também soubeste dizer-me quando devia parar e não exigir tanto deles, por todas as vezes em que nos tiraste de casa depois de uma semana stressante e fomos comer fora, a um parque, à praia ou simplesmente até ao jardim e mostrar a mim e a eles que havia tantas razões para sorrir. Será que entendes agora? Será que tens noção o quanto me orgulho de poder dizer que estou casado contigo? De quanto os teus filhos se orgulham de ti?

Assim que acabou de dizer essas palavras, Eren prendeu os cabelos negros entre os dedos e puxou o companheiro para um beijo apaixonado.

- Ich liebe dich, mein Schatz (Eu amo-te, meu tesouro).

- Tens que de dizer estas coisas embaraçosas… - Murmurou Levi, escondendo o rosto contra o pescoço de Eren que riu.

- Tu próprio já admitiste que gostas destas coisas.

- Mas o frio na barriga continua igual e eu…

- Não gostas de ficar coradinho? Oh, mas eu gosto tanto de ver. – Recebeu um beliscão no braço. – Ai. – Queixou-se, mas não conseguiu deixar de rir. – É bom saber que mesmo depois destes anos continuo a deixar-te assim. – Acariciava os cabelos negros até que ao fim de algum tempo, Levi endireitou-se até ficar novamente sentado sobre ele. – O que foi? – Viu como o outro se apoiava nos seus braços sem dizer uma palavra até se posicionar como queria, antes de mover o seu corpo contra o dele, criando uma fricção entre os dois corpos, sobretudo numa parte do corpo em especifico que fez Eren corar bastante. – Levi, as crian…ah!

Viu o outro sorrir de lado.

- Shh, achas que ficas mais silencioso se ficar aqui sentado ou preferes gritar contra as almofadas?

- Hoje posso escolher? – Perguntou, passando as mãos pelas coxas do professor.

- Oui (sim), mon cher.

- Então para começar, não quero que fales em outra língua que não seja francês.

- Comme vous le souhaitez. (Como quiseres). - Respondeu.


- O quê? Não me fodas a vida, Irvin. – Falava Levi com o auricular num dos ouvidos e o telemóvel no bolso do avental enquanto lavava alguns vegetais e olhava para a água que aquecia no fogão. – O caralho é que vou para esse fim de mundo durante alguns dias. Nem há discussão. – Ouviu mais alguns argumentos do outro lado. – E o que é que eu tenho a ver com isso? Se tu e a quatro-olhos parassem de se reproduzir, possivelmente não estaríamos a ter esta conversa, não achas? Uma novidade para ti, eu também tenho filhos. – Mais algumas palavras do outro lado. – Já disse que não. – Parou de levar os vegetais e passou-os para uma pequena travessa, onde começou a cortá-los.

Estava tão absorto na conversa e nos ruídos da cozinha que não se apercebeu que entretanto, tinha chegado a alguém a casa que ao escutar a voz de Levi, sorriu. Com passos cuidadosos, caminhou até entrar na cozinha e teve que segurar a vontade de rir ao ouvir alguns dos insultos e frases, tais como: "Pega nas tuas sobrancelhas e entope o teu orifício anal com elas!".

O professor mantinha-se de costas para a porta, concentrado nos vegetais que estava a cortar ao mesmo tempo que continuava com os insultos criativos. Ainda tinha a camisa clássica vestida, assim como as calças do mesmo estilo, o que indicava que não devia ter chegado há muito tempo a casa. De mangas arregaçadas e chinelos, aparentemente apenas teria tido tempo para colocar um avental de cor preta que na frente tinha desenhado o símbolo que associavam sempre ao artista de Utopia, apelidado de Imperador. As asas sobrepostas, uma prateada e outra mais escura sobre um fundo verde.

Tinha sido um presente de Eren que abria cada vez mais o sorriso ao ver que se aproximava sem que o outro se apercebesse, o que só indicava o quanto estava focado na conversa e também irritado.

O moreno estendeu os braços e assim que roçou na cintura de Levi…

- Puta que pariu, caralho! – Exclamou, assustando-se com a "súbita" aparição do outro e consequentemente, cortou um pouco o dedo. – Sim, estou bem. – Respondeu às palavras de preocupação do outro lado. - Não, apenas tenho um idiota como marido que deve querer ficar viúvo.

Eren riu, mas logo o sorriso desapareceu ao ver sangue na mão do outro.

- Estás a sangrar! - Disse alarmado.

- Parabéns Sherlock, eu não tinha reparado. - Falou, colocando o dedo debaixo de água. - Sim, Irvin estou bem. É só um pequeno corte. - Respondeu à preocupação do outro que ainda estava em chamada. - Vou desligar, acho que o Eren pensa que vou ter uma hemorragia mortal e preciso explicar que vou sobreviver e já agora, a minha resposta continua a ser não. - Desligou a chamada, vendo que o moreno tinha saído da cozinha, mas voltou pouco depois com algo para desinfetar e um pequeno penso.

Não ofereceu qualquer argumento ou se mostrou contra ao momento em que o moreno desinfetou o corte com cuidado e depois colocou o penso.

- Desculpa…

- Foi apenas um pequeno corte, Eren. Nada demais. - Disse, passando a outra mão sem o penso no dedo no rosto do moreno e logo lhe deu as costas para voltar a preparar a comida. - Eren. - Foi um tom de aviso ao ter o moreno a enlaçá-lo pela cintura e apoiar o queixo no seu ombro.

- Hum?

- Nada de hum, descola. - Falou, acabando de cortar os legumes e colocando-as na água que já fervia. Acrescentou também alguns temperos, sempre com Eren colado a ele e repentinamente ao colocar a tampa sobre a panela, sentiu uma mordida na sua orelha. - Eren. - De nada serviu o tom de aviso, pois logo uma das mãos do outro passou por dentro do avental às suas calças enquanto continuava a morder a orelha do professor. - Eren, ngh… agora não. Eles devem estar a chegar a casa…

- Tenho a certeza que temos alguns minutos. - Sussurrou Eren, desapertando as calças do professor que logo tentou agarrar as mãos do moreno.

- Já não devias pensar tanto com as hormonas, nós temos que nos controlar… - Fechou os olhos ao sentir a língua do rapaz no pescoço que logo começou a chupar, empurrando-o contra a banca da cozinha, não escondendo a ereção que começava a formar-se. - Ah… Eren… nós temos que… ngh!

- Não tens a noção do quanto me provocas…

- Eu não fiz nada… - Respondeu também numa voz sussurrada, deixando-se levar pelas carícias e agarrando os cabelos castanhos do outro que continuava a prensá-lo contra a banca da cozinha enquanto beijava o seu pescoço e o acariciava com uma das mãos dentro das calças.

- Tudo em ti me deixa louco… não precisas fazer nada. - Murmurou e encostou a outra mão à boca de Levi com a intenção de que este chupasse alguns dígitos, mas em vez disso, o professor mordeu com força suficiente para que o moreno se queixasse e afastasse.

- Caralho, para que foi isso?

- Estás abusado se pensas que vais ditar as regras. - Levi ainda se encontrava ruborizado, mas aproveitou o distanciamento e distração do outro para aproximar-se e rasteirá-lo para que caísse de rabo no chão.

- Hei!

Levi retirou o avental, atirando-o para o chão e desapertou as calças, sentando-se em seguida sobre Eren que estava completamente corado.

- Chupa. - Colocou dois dedos na frente dos lábios do moreno que obedeceu prontamente. - Isso mesmo, mais rápido, Eren. Estamos contra o relógio e vou foder-te aqui mesmo no chão da cozinha. - O outro gemeu contra os dedos dele. - Que bom que estamos de acordo, agora tira essas calças e abre as pernas. - Bateu nas coxas dele antes de levantar-se para dar espaço ao esposo para fazer o que lhe tinha ordenado e logo se abaixou novamente, colocando sem cerimónia dois dedos de uma vez.

- Ah!

- Estás menos tenso que o normal, terá sido porque ontem já te arruinei e continuas preparado para que entre dentro de ti sem precisar de perder muito tempo com preliminares? - Ouviu mais um gemido audível enquanto movia os dedos dentro do moreno. - Embora, ambos saibamos o quanto os preliminares são deliciosos, mas por falta de tempo, hoje vamos saltar essa parte.

- Sim… ngh, rápido… quero sentir-te dentro de mim… - Pediu.

- Tão necessitado, mon cher. - Sussurrou, retirando os dedos e substituindo pelo que ambos queriam e gemeram audivelmente.

- Rápido… ngh… e forte, bitte (por favor).

Levi sorriu de lado e apoiou uma das mãos na cintura de Eren e outro no ombro, antes de iniciar uma série de investidas que logo arrancaram vários gemidos de ambos.

- Härter (mais forte), Levi! Ah!

O professor sabia que o estava a provocar, usando aquele sotaque mais áspero, mas não teve nenhum problema em corresponder aos pedidos de Eren que deixava a sua voz ecoar cada vez mais alto na cozinha ao mesmo tempo que Levi tentava não perder totalmente a noção da realidade, visto que a qualquer momento poderia chegar alguém a casa.

Com isso em mente, sabia que não podia prolongar muito mais e a mão que segurava a cintura do moreno, passou para o membro deste para masturbá-lo ao mesmo ritmo que investia dentro dele, o que fez a voz dele elevar-se ainda mais, mas apressou o clímax que ambos queriam.

No fim, trocaram um beijo demorado.

- Ich liebe dich, (Eu amo-te) Levi.

- Ich liebe dich auch, (Também te amo) Eren… - Sussurrou e ouviram a porta da entrada e nesse momento, o professor puxou o esposo, atirando-lhe as roupas e apressando-se também para se recompor.

Felizmente, os filhos pareciam vir acompanhados por mais alguém que os fez demorar um pouco mais na entrada e também pela sala, antes de chamarem pelos pais e Levi foi o primeiro a sair da cozinha, após passar também um pouco de água na cara.

Encontrou os filhos e também Yara que sorriu ao vê-lo, ainda trazia a bata branca que indicava que teria saído do trabalho há pouco tempo.

- Espero não estar a visitar numa má altura.

- Claro que não, Yara. - Respondeu Levi, deixando que Leo o abraçasse e logo se seguiu, Carla que foi empurrada por Filipe que logo estendeu os braços para ir para o colo do pai.

- Caíste pai? - Perguntou Filipe, vendo uma marca no pescoço do progenitor que forçou um sorriso.

- Não foi nada. - Respondeu, vendo os sorrisos dos filhos com vontade de rir.

- O Eren? - Perguntou Yara. - Eu queria falar com os dois. É importante. Aliás, queria falar com todos se fosse possível.

- Ela estava no carro à espera que a gente chegasse. - Contou Lucas, sentando-se no sofá ao lado de Isabel.

- Desculpem, eu estava só… ah… - Eren saía da cozinha. - Enfim, não interessa.- Então, tudo bem Yara? - Perguntou, sendo também ele disputado entre os filhos mais novos.

A estudante de medicina, atualmente a fazer o internato continuava a ser uma visita frequente na casa dos Jaeger e teve todo o seu percurso escolar acompanhado de perto por Levi que sempre se mostrou muito orgulhoso de cada feito que a menina, agora uma mulher tinha alcançado.

Contudo, nem o professor ou o moreno esperavam que ela viesse entregar-lhes um convite de casamento. Pelos vistos, o namoro de quase três anos, fez com que acabasse por decidir o próximo passo. O noivo também estava em medicina e conheceram-se durante o curso.

Yara desculpou-se por ele não poder estar presente para entregar o convite, mas tinha sido chamado de urgência quando já ia sair do hospital.

Eren e Levi descartaram o pedido de desculpas e assim como os filhos confirmaram que seria um gosto estar presente na cerimónia de casamento.


- Pai? - Chamou Leo, batendo na porta do escritório que o professor tinha em casa para poder dedicar-se ao trabalho sem levar as coisas para o quarto, que tanto ele como Eren decidiram que devia ser um local para relaxarem e não continuarem a tratar de trabalho pendente.

- Entra. - Disse o professor e logo viu o menino entrar com uma folha nas mãos.

- Espero não estar a interromper.

Olhou para o relógio.

- Já estou aqui há mais tempo do que imaginava, mas tu nunca incomodas. - Sorriu na direção do filho que retribuiu e aproximou-se mais da secretária.

- Eu queria pedir-te um favor. - Disse, parando na frente da mesa. - Tenho que entregar este texto amanhã, mas queria que visses para… enfim, para confirmar se está tudo bem. Se tem erros e se preciso mudar alguma coisa.

Levi estendeu a mão para pegar na folha.

- Ok, deixa-me ver.

O rapaz entregou a folha e sentou-se na cadeira perto da secretária, deixando que o pai se concentrasse na leitura que tinha uma pequena descrição do que o professor de português tinha pedido. Basicamente, pedia o que podia ser interpretado como um tema livre. Pedia que lhes falasse, o que era para eles a felicidade.

"Quando vi o tema, pensei que seria difícil por ser uma palavra que oiço tantas vezes, mas vejo que pouca gente a entende. Ou então, temos todos formas diferentes de entender a mesma palavra. Sim, acho que é isso. Parece-me o mais acertado.

Quando me perguntaram o que era para mim a felicidade, respondi sem ter que pensar que era a minha família.

Não esperava que os meus amigos, não todos, mas a maior parte não quisesse acreditar que assim fosse porque disseram que não podia ser feliz com uma família diferente.

O diferente ou estranho na opinião deles é ter dois pais. Uma coisa que tantos dizem aceitar, mas poucos realmente se comportam como se isso fosse verdade.

Mas para mim não há dúvidas, a felicidade para mim é a minha família.

Insisti na minha resposta e disse-lhes que antes desta família, tive duas pessoas que todos considerariam normais porque nessa perspetiva tinha um pai e uma mãe.

Contudo, até hoje não os consigo ver dessa forma.

Antes de conhecer os meus pais, não sabia o que era um abraço.

Não me recordava da última palavra que me tinha sido dita sem que viesse um insulto ou algum golpe por detrás de algo que nem sabia que tinha feito de errado.

Os que querem chamar de estranhos dão-me todos os dias abraços, beijos e sem falhar, todos os dias dizem-me que sou especial e que me amam.

Com os meus pais vieram irmãos que adoro e que me tratam da mesma forma, seguindo o exemplo que todos os dias vemos em casa.

Todos os dias penso como sou afortunado quando o papá Eren me viu no orfanato e depois trouxe o pai Levi.

Um dia, o tio Irvin perguntou-me porque tinha confiado no pai Levi e disse-lhe que quando ele me viu, ao contrário das outras pessoas não tentou de imediato confortar-me, transmitir-me qualquer carinho, apenas se sentou perto de mim e esperou pelo momento que até hoje não entendo como pôde ser tão certo… pois quando estendeu a mão na minha direção, senti como se algo muito diferente tivesse acontecido.

Nunca me senti tão desesperado por alguma coisa porque soube a partir daquele gesto que não seria capaz de ficar sem aquela sensação que era tão diferente e tão boa.

Até hoje não esqueço como me abraçou e como me prometeu que me protegeria.

E pela primeira vez, não ouvi uma mentira.

Confiei nele e com o tempo, deixei o papá Eren fazer parte daquele carinho que me davam todos os dias.

Não sabia o que era rir.

Não me lembrava de rir até doer a barriga.

Não me lembrava da última vez de sorrir tantas vezes.

Não me lembrava da última vez que alguém se sentava e cantava para mim. Se é que alguma vez, alguém o fez e eu não me recordo.

O papá Eren fez de tudo isto um hábito.

A Isabel chamou-me desde do primeiro dia de irmão.

O Lucas não largava a minha mão para que nunca ficasse para trás.

A Carla abraça-me sempre à mínima oportunidade, dizendo que me adora.

O Filipe não pode ver um ar triste no meu rosto, sem vir sentar-se no meu colo.

O pai passa todos os dias nos meus cabelos e sussurra que ama.

Para mim, não há outro tipo de felicidade.

Para mim a felicidade são eles e não há nada que me faça pensar o contrário".

- Leo. - Pousou a folha e fez um gesto para chamar o filho que se levantou e assim que se chegou ao lado do professor, foi abraçado.

O filho sorriu, retribuindo o gesto.

- Não há erros de português?

Levi riu ligeiramente.

- Não, não há erros. - Confirmou. - Está ótimo, tal como seria de esperar de alguém que é meu filho.

- Por falar nisso. - Afastou-se ligeiramente. - Não é boa ideia pedir ao papá para explicar matemática, pois não?

- O teu papá pode ter muitas qualidades, mas a matemática…

- Ele tentou ajudar-me há uns dias, até rasgou várias folhas do meu caderno. Eu disse-lhe que esperava por ti para perguntar, mas ele disse qualquer coisa sobre « Como é que eu não sei uma coisa destas? » e começou a dizer qualquer coisa sobre estar a ficar senil. - Disse o rapaz confuso.

Levi revirou os olhos.

- Para a próxima, espera por mim. O papá às vezes tem umas crises da idade.

- O que é Alzheimer?

- É uma doença a nível neurológico que provoca demência. - Respondeu sumariamente. - Posso explicar-te com mais detalhe se tiveres curiosidade, mas infelizmente isto soa-me a algo que o Eren tenha dito durante os seus delírios com a matemática. Estou certo, não é? - O filho assentiu. - Quando ele começar a dizer essas coisas, ignora.


- Estás melhor? - Perguntou Hanji, passando a mão nos cabelos negros do amigo que tinha a cabeça deitada sobre as pernas da amiga. Ambos estavam no sofá da casa da mulher de cabelos castanhos.

- Sim… - Murmurou, ainda de olhos fechados.

- Sabes que também adoeces e acho que abrigares-te aqui em casa, embora seja fofo, vais preocupar o Eren e os teus filhos que têm direito de ficar preocupados. - Dizia, continuando com as carícias no cabelo de Levi.

- O Eren tem um concerto dentro de poucos dias, anda com bastante trabalho, os miúdos estão no meio de testes e o Filipe… eu não quero que fique doente. - Respondeu.

- E eu posso ficar? - Brincou.

- Eu disse que ia para outro sítio, mas tu insististe até… - Viu a amiga rir.

- Estou a brincar. Sabes perfeitamente que ter-te-ia arrastado até casa mesmo que não quisesses. - Falou sorridente. - Parece que estás menos quente e por isso, a febre deve ter baixado, mas acho que quando voltares para casa, não devias esconder-lhes que ainda não estás a 100%.

- Já me sinto bem melhor, Hanji.

- Teimoso. - Falou, colocando o dedo indicador no nariz do professor que fechou os olhos novamente. - Espero não estar a atrapalhar. É até estranho não ver pirralho algum a correr cá em casa.

- O Irvin queria levá-los para ver um jogo qualquer e se ele diz que os controla, eu acredito.

- Espero que tenha levado um chip localizador em cada um deles e uma lista para fazer a contagem antes de voltar. - Falou e fez a amiga rir.

Repentinamente, a porta da casa de Hanji abriu-se e assim que Levi virou o rosto na direção dos passos, surpreendeu-se ao ver os filhos entrarem apressados e seguidos por Eren. Mal se sentou, Carla foi a primeira a agarrá-lo pelos ombros.

- Pai, estás bem?

- Porque não disseste que estavas doente? - Perguntou Isabel igualmente preocupada.

- Nós temos o direito de nos preocupar. - Argumentou Lucas.

- Sentes-te muito mal, pai? - Perguntou Leo.

- Vamos chamar o Mike, pai? - Indagou Filipe.

Eren estava mais atrás com as mãos na cintura com um ar desconcertado.

- Porque é que se ficamos doentes, tu tens que cuidar de tudo até ao mais pequeno pormenor, mas se for o contrário temos que descobrir desta forma?

Levi suspirou e olhou para Hanji que não escondia que tinha sido ela a avisá-los.

- Não é grave, apenas precisava de…

- Tens que deixar que a gente cuide de ti. - Afirmou Eren. - Vá, vamos levar o pai para casa, meninos e ter a certeza que desta vez, é ele que nos escuta e deixa de ser teimoso.

O professor não teve escolha se não deixar-se levar pelo esposo e pelos filhos ainda que pedisse que não olhassem para ele com um ar tão preocupado, pois não era nada de grave. Mesmo assim, em casa fiel à promessa, ninguém quis deixá-lo fazer absolutamente nada. O que em parte deixou o homem de cabelos negros preocupado com o que poderia acontecer na cozinha, mas felizmente Isabel não tinha herdado os dotes culinários de Eren ao contrário de Lucas que por vezes, teimava em queimar coisas na cozinha que depois queria obrigar Farlan a comer.

- Isto é alguma espécie de acampamento? - Perguntou Levi, depois de sair da casa de banho e regressar ao quarto, onde encontrou dois colchões a mais e cobertores por todo o lado.

- Hoje vamos todos dormir aqui, pai. Está decidido. - Afirmou Carla.

- A sério, isto é pouco mais do que uma constipação. - Tentou dizer, mas obviamente concluiu que os filhos ou Eren não estavam abertos a negociação e por isso, nessa noite acabaram todos por partilhar o mesmo quarto.

- Sei que isto tem ar de ser ideia tua, influenciar os nossos filhos desta forma. - Murmurou, certo de que o esposo ainda estava acordado e este abriu os olhos verdes com um sorriso.

- Também te amo, Levi.

- Tch…

- Eu sei que no fundo estás feliz por estarmos todos aqui. - Sussurrou.

- Nunca disse que não estava. - Admitiu, fechando os olhos. - Já disse várias vezes que sou feliz…

- Levi?

- Sim, eu amo-te, idiota. Agora cala-te e dorme. - Disse, cobrindo-se ainda mais com o cobertor para esconder o rubor do rosto.


Epílogo

O céu azul mostrava somente algumas nuvens brancas que anulavam nada da beleza natural do local, ensolarado, banhado pela brisa empurrada ao ritmo das ondas calmas.

Do grupo de alunos reunidos e que os professores tentavam organizar, saíram sorrateiramente dois rapazes. O moreno de olhos verdes era puxado pelo outro mais baixo e de olhos acinzentados. Este último quase enfiava um gelado na boca do primeiro ao mesmo tempo que puxava o moreno para que fosse mais fácil convencê-lo a sair dali e ficar calado para não darem nas vistas.

Agarrado no braço do moreno, o adolescente de cabelos negros praticamente arrastava o namorado até ao areal.

- Levi, o professor disse que não devíamos afastar-nos do grupo. - Relembrou.

- Querias ver o mar de perto, não é? - Perguntou, continuando a puxá-lo. - Ninguém vai dar pela nossa falta por enquanto. Vem, Eren.

O jovem de olhos verdes acabou por se deixar levar e ambos correram pelo areal, já descalços até alcançarem algumas formações rochosas onde se abrigaram dos olhares indiscretos. Sentaram-se lado a lado com a água do mar a tocar nos pés dos dois.

Levi tinha a cabeça encostada ao ombro de Eren que sorria, fechando os olhos e deliciando-se com a paisagem, o cheiro do mar à sua volta e claro, da companhia ao seu lado.

- Continuo com aquela sensação de que nos conhecemos há muito tempo…

- Conhecemo-nos desde pequenos, Eren. - Murmurou o outro.

- Não é isso… é como se…

- E se te referes a alguma coisa como destino, reencarnação ou qualquer ideia romântica que passe pela tua cabeça, não terei outra escolha senão concordar, não é? - Perguntou, entrelaçando os dedos com a mão do moreno.

- Só concordas para que não me aborreça contigo? - Perguntou.

- Concordo porque mesmo que não acredite muito nessas coisas, a verdade é que se algo assim fosse verdade, consigo imaginar-me a encontrar-te uma e outra vez e em todas essas vezes, apaixonar-me por ti…

Eren sorriu.

FIM


Muito obrigada por todas as reviews e mensagens deixadas por todos os que acompanharam este meu projeto!

Até uma próxima!